sexta-feira, agosto 23, 2019

Reais dificuldades para nomeação de Eduardo Bolsonaro como embaixador nos EUA

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Charge do Aroeira (Jornal O Dia/RJ)
José Carlos Werneck
A enorme cautela com que o presidente Jair Bolsonaro vem conduzindo a indicação de seu filho Eduardo para a embaixada do Brasil em Washington é plenamente justificável, pois hoje ele não teria o mínimo de 41 votos no plenário do Senado para que a proposta ser aprovada.
Dos 81 senadores, 30 responderam que pretendem votar contra o nome do deputado. Em levantamento feito anteriormente, eram 15 que diziam ser a favor, 35 não quiseram responder, 28 ou se colocaram contra ou como indecisos 7.
INDECISÃO – Sem ter certeza, o presidente da República disse que só irá oficializar a indicação quando Eduardo “sentir” que é apoiado majoritariamente pelos senadores.
A maior bancada do Senado, com 13 parlamentares, o MDB é contra a indicação. Seis senadores disseram ser contrários. Entre os críticos da indicação, figuram caciques do partido a exemplo de Renan Calheiros, de Alagoas, e Jarbas Vasconcelos, de Pernambuco, que declarou: “Sou contra o nepotismo. Sempre fui contra esse tipo de prática na minha vida inteira. Não vou mudar agora”.
A rejeição dos emedebistas é igual, em número de votos, à do PT. Como esperado a bancada petista votará contra a indicação.
CONSELHO – Para tentar romper essas resistências, Eduardo Bolsonaro, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, foi aconselhado pelo senador Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul, que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado a visitar diversos senadores para angariar apoio. Eduardo afirmou ter muita esperança em obter votos, para que seu nome seja aprovado.
Sobre esta peregrinação aos gabinetes dos senadores Trad declarou: “Falei para ele ir a todos os gabinetes, até os da Oposição, e ele falou que iria.” Na comissão, a situação é esta: dos 18 membros seis já declararam que votarão contra a indicação e somente três a favor.
BENEFICIANDO – Jair Bolsonaro tem dado declarações simplórias e de gosto duvidoso em defesa de Eduardo. “Pretendo beneficiar filho meu, sim. Se eu puder dar um filé mignon ‘pro’ meu filho, eu dou”, disse ele, no mês passado, através de uma rede social.
O provável relator na CRE é o senador Chico Rodrigues, do Democratas de Roraima, que declara ser favorável à indicação de deputado. “O próprio presidente Trump o chamou de brilhante”, disse, lembrando que, no começo deste mês, os Estados Unidos formalizaram o aval para a indicação de Eduardo como embaixador em Washington.
“Mesmo com uma certa resistência, vejo o clima como favorável para a aprovação.
PARECERES – Os parlamentares da Oposição acham que ganharam um “imbatível” argumento jurídico para impedir a indicação do filho do presidente. A Consultoria Legislativa do Senado, a pedido deles, elaborou um parecer dizendo que a escolha do deputado se enquadra como nepotismo. O parecer vai de encontro ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, mas como o papel aceita tudo, os opositores à indicação vão usá-lo como arma letal.
Outros senadores estudam a possibilidade de apresentação de um parecer alternativo, o que fez um veterano jornalista em cobertura política afirmar: “Nada como pareceres diferentes…”
Inconformado, o líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues da Rede do Amapá, cogita recorrer ao Supremo Tribunal Federal. “O Jair Bolsonaro não pode administrar o País como o quintal da casa dele”, afirmou.
DIZ AMARAL – Sergio Amaral, último embaixador do Brasil em Washington, afirmou que, em função da negociação de novas alianças entre os países, o novo embaixador terá papel importante. “Haverá uma agenda muito grande de trabalho”, disse ele, que, como habilíssimo e tarimbado diplomata , não comentou a indicação do presidente da República.
Também Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington entre 1999 e 2004, defendeu priorizar interesses acima de partidos e ideologias. “O que conta é ter acesso e influência”, escreveu em um bem fundamentado artigo no jornal “O Estado de São Paulo.
De qualquer maneira, com sua teimosia em persistir nessa indicação exótica, o presidente da República está se desgastando desnecessariamente, quando poderia resolver facilmente o problema escolhendo um nome excelente, dentro do Itamaraty, ou fora dele. Opções não lhe faltam, ao contrário dos supostos e melhores e mais abalizados “conselheiros” que o cercam.

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