quinta-feira, agosto 22, 2019

Ficar isolado da comunidade internacional às vezes significa estar na normalidade


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Charge do Duke (dukechargista.com.br)
Pedro Meira
Diz-se que o Brasil está se isolando da comunidade internacional, mas, ironicamente, este não é um fato “isolado”. Se acompanharmos o noticiário, constataremos que nos tempos atuais meio mundo ou mais ficou ou está a caminho de ficar isolado da “comunidade internacional”: os Estados Unidos por causa de Donald Trump, estão ficando isolados, assim também a Grã-Bretanha por causa do Brexit, idem as Filipinas, isoladas por causa da eleição de Roberto Duterte, idem a Rússia, isolada há quase uma década pela confusão na Ucrânia fomentada pelo Ocidente.
Da mesma forma, agora a Argentina ficará isolada por causa da iminente volta do kirchnerismo, assim como foi dito que López Obrador isolaria o México, ou como Recep Erdogan teria isolado a Turquia depois que seu milagre econômico perdeu o charme, e mesmo a China, por causa da repressão aos protestos de Hong Kong…
ISOLAMENTO – Provavelmente as coisas seriam bem mais fáceis e agradáveis se fosse atribuído à “comunidade internacional” decidir quem deve governar cada país do mundo, em vez de deixar isso por conta da gentalha que vive em cada um deles.
Por isso, qualquer país que eleja alguém que não seja do gosto da grande mídia, acaba prontamente isolado da “comunidade internacional”. E quem é a tal “comunidade internacional”?
Nos dias atuais, parece que essa tal “comunidade internacional” se resume à burocracia de Bruxelas e ao núcleo duro da União Européia, chefiado por Angela Merkel e Emmanuel Macron, o príncipe engomado da mídia. E este último é tão amado pela grande imprensa quanto é impopular entre os franceses, e há grandes possibilidades de que acabe não reeleito, derrotado pela extrema direita ou pela extrema esquerda, o que deixará a França “isolada da comunidade internacional”, que, portanto, ficará reduzida à Alemanha de Merkel e aos baleeiros ecológicos da Escandinávia, aparentemente.
QUERIDINHOS – O que não é dito é que o Brasil já teve governantes muito queridos da “comunidade internacional”, como aquele cultíssimo e elegante Fernando Henrique, o superoperário Lula da Silva, e a gerentona Dilma Rousseff, que nos legaram um país afundado, e ficam botando a culpa na CIA, ou na burrice ou no “ódio” daqueles que se recusam a fingir que nada houve de errado na era tucano-petista.
Por causa dos malfeitos daqueles governantes que eram tão respeitados e admirados pela “comunidade internacional”, todos candidatos a secretário-geral da ONU, foi que acabamos nas mãos de Jair Bolsonaro. Os aplausos internacionais nada significam e há que se constatar o óbvio: os países, assim como as pessoas, têm interesses conflitantes, é inevitável um grau maior ou menor de desentendimentos.
O mundo não é a letra de “Imagine” de John Lennon, nem nunca foi. As supostas grandes e boas épocas de ordem e paz mundial (Pax Romana, Pax Britannica etc.) foram construções impostas à base de violência, que não puderam durar para sempre.

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