
Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)
Pedro do Coutto
É questão complexa, envolvendo dezenas de ideias diferentes para cada uma de suas etapas. Nas edições de ontem, ganharam destaque a reportagem de O Globo assinada por Marcelo Correa, Manoel Ventura e Daiane Costa, que indica um caminho alternativo colocado pela equipe de Paulo Guedes, que cogita no sistema da capitalização, mas restrito aos trabalhadores da classe média.
Como o salário médio brasileiro é de 2.300 reais, torna-se difícil identificar qual o indicador a ser aplicado na classe média. Essa posição tende a considerar classe média aqueles que ganham acima de 4000 reais por mês.
RENDA INDIVIDUAL – Mas esse patamar refere-se à renda individual, não incluindo os familiares e as despesas pessoais. Esta colocação revela que o projeto vai abranger 32 milhões de aposentados e pensionistas na medida em que no país 1/3 da mão de obra ganham o salário mínimo.
Com uma renda baixa assim, a capitalização espontânea no Brasil dificilmente se viabilizaria. Porque deve-se reconhecer que no Brasil praticamente 60 milhões de pessoas encontram-se com suas dívidas em atraso.
A Folha de São Paulo publica reportagem de Thiago Resende e Gustavo Lírio colocando no palco do debate a ideia contida no anteprojeto que exclui o afastamento de trabalhadores por doença no seu respectivo cálculo para aposentadoria. Para que esse ponto fique claro, o afastamento por doença provavelmente seria calculado para reduzir a respectiva aposentadoria.
E OS MILITARES? – Além disso, surgiu a questão dos militares, que se pronunciaram contra qualquer modificação em seu sistema de seguro. Reportagem de Idiana Tomazzelli, O Estado de São Paulo, destaca a questão mostrando que o déficit no setor militar vem crescendo mais que o do INSS.
Como se constata, a confusão é geral, sobretudo porque há situações nevrálgicas em cada grupo social e também em cada profissão. Para se ter uma ideia de como questões sociais são complicadas e muitas vezes trafegam por estradas diferentes, não custa lembrar que a CLT de 1943 possui 676 artigos, espaço muito grande para qualquer debate nela contido. Falo em artigos da CLT mas devo acrescentar um número enorme de parágrafos e alíneas. Mas esta é outra questão.
O fato central do processo de reforma da Previdência é que está se destacando a visão do lado empresarial. Seria bom que os trabalhadores e funcionários públicos, através de seus sindicatos e associações participassem da discussão.