
Bolsonaro não deve confiar completamente em ninguém
Carlos Newton
As eleições de 2018 e a renovação política no governo federal e em importantes governos estaduais, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, trouxeram um clima de enorme esperança à opinião pública. Mas é ilusão julgar que as coisas vão mudar de uma hora para outra.
LENTAMENTE – Governos são como transatlânticos ou grandes aeronaves, não conseguem fazer curvas abruptas, têm de ir virando lentamente. Por isso, já se nota uma certa impaciência nas redes sociais e nos comentários de sites e blogs. Todos querem mudanças já, mas isso não será possível.
O chamado jogo político não mudou nem vai mudar de uma hora para outra. É compreensível o desespero da opinião pública ao constatar que ainda continua havendo acordos políticos e até mesmo o toma lá, dá cá. Por isso, é preciso paciência.
ARTE DO POSSÍVEL – Há quem defina a política como a arte do possível. Pode ser. Mas como classificar a política em um país como o Brasil, com realidades regionais totalmente diversas, onde se insiste em tentar conviver a miséria absoluta e a riqueza total? É claro que este sistema é insustentável, mas a realidade é que nada tem sido feito para diminuir as desigualdades sociais, uma espécie de assunto tabu, jamais discutido em governos de transição.
Em tradução simultânea, o que se viu foi a transmissão de massas falidas, como é o caso da maioria dos governos estaduais e do próprio governo federal.
Não se fala no assunto, mas terá de haver uma nova negociação das dívidas estaduais, porque vários governadores estão cometendo crimes de responsabilidade, ao reter as parcelas de impostos a serem distribuídas às prefeituras, como está ocorrendo em Minas Gerais. Mas acontece que o governo federal também está tecnicamente quebrado.
CARTA BRANCA – O ministro da Economia tenta injetar otimismo, alardeando que a reforma da Previdência vai garantir dez anos de crescimento sustentável. Que bom se fosse verdade, mas soa como Piada do Ano, sem a menor graça. O que Paulo Guedes pretende é uma carta branca para fazer o que bem entende, porém jamais a conseguirá.
Na verdade, é preciso abrir a caixa preta da Previdência e da Dívida Pública, discutir a aplicação de juros compostos e planejar estrategicamente o país, como era habitual nos governos militares, quando o Ministério do Planejamento fazia jus ao título, antes de se transformar num órgão meramente burocrático.
O fato concreto é que Bolsonaro está confiando demais em Paulo Guedes, quando não deveria confiar em ninguém. O exercício da Presidência é um ato solitário, porque não se pode transferir o poder. Se acontecer alguma coisa errada, é claro que será atribuída a Bolsonaro. Assim, é importante convocar as auditorias, porque os números são frios e não mentem, não enganam ninguém.
###
P.S. 1 – O povo brasileiro deu um voto de confiança ao presidente e aos novos governadores. Mas é bom lembrar que esse voto de confiança, como tudo na vida, tem prazo de validade.
P.S. 1 – O povo brasileiro deu um voto de confiança ao presidente e aos novos governadores. Mas é bom lembrar que esse voto de confiança, como tudo na vida, tem prazo de validade.
P.S. 2 – Por fim, é auspicioso saber que os generais já conseguiram neutralizar o chanceler Ernesto Araújo e estão assessorando Bolsonaro diretamente nas questões internacionais. Araújo é diplomata, mas não tem o perfil indicado para comandar o Itamaraty. Isso significa que os filhos de Bolsonaro já não mandam tanto no governo e estão sendo colocados em seus devidos lugares. (C.N.)