segunda-feira, janeiro 14, 2019

Cortinas de fumaça' são rotina em governos e grupo de Bolsonaro deve abusar da estratégia


por Fernando Duarte
'Cortinas de fumaça' são rotina em governos e grupo de Bolsonaro deve abusar da estratégia
Foto: Marcos Corrêa/PR
Em pouco mais de 10 dias de Jair Bolsonaro como presidente da República, o país assistiu ao uso sucessivo de “cortinas de fumaça” para tentar minimizar posições contraditórias entre o discurso do novo ocupante do Palácio do Planalto e a atuação de integrantes do governo. O recurso já era previsto na campanha, quando, ao serem levantadas polêmicas, outros assuntos menores tomavam o espaço de temas mais duros.

A estratégia pode não ser, necessariamente, consciente. Porém tem um impacto direto na percepção da população sobre o comportamento do governo. Os filhos do presidente, Flávio, Carlos e Eduardo, são experts nesse processo, porém a ministra Damares Alves, o chanceler Ernesto Araújo e até a esposa do ministro Sérgio Moro, Rosângela, cumpriram bem o papel de criar “notícias” que interrompiam ciclos de informações negativas que atingiriam Bolsonaro.

Como era esperado, o governo começou com bate-cabeças, a exemplo da saída do dirigente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e as demissões em massa de Onyx Lorenzoni, que provocaram o congelamento dos processos de exonerações e contratações da própria Casa Civil. Parte disso é resultado da falta de experiência dos principais atores no Executivo, aliada a certo grau de imaturidade que provoca o tratamento da gestão do país como uma extensão do quintal de casa.

Porém não pararam de surgir embates entre o discurso e a prática da equipe do governo. Desde a ascensão meteórica do filho do vice-presidente, Hamilton Mourão, no Banco do Brasil, à indicação de um amigo pessoal de Bolsonaro para um função-chave na Petrobras. Não é o caso do simplismo de “não nomear inimigos”, como pregam aliados governistas. São, basicamente, as limitações impostas quando se chega a uma função de poder, que acaba afetando todos a volta – não apenas aqueles que estão nos cargos.

Há uma grande diferença quando se fala da chegada de Bolsonaro ao Planalto que ainda não pode ser exatamente mensurada. Como o personagem dele emergiu e se consolidou nas redes sociais, o presidente da República conta com um exército de defensores que preferem ser mais flexíveis com atos moralmente questionáveis do que em outros governos. Não que não tenha acontecido com figuras como Luiz Inácio Lula da Silva, para citar um exemplo do lado completamente oposto no posicionamento político. Apenas aparece mais acirrado ou, ao menos, mais perceptível.

Também é interessante lembrar que não apenas o governo federal vai usar desse artifício de tentar mudar o foco quando o assunto é potencialmente negativo para quem ocupa os espaços de poder. Tal estratégia vai aparecer também com o governador da Bahia, Rui Costa, e com o prefeito de Salvador, ACM Neto. Ela é parte da construção da imagem pública de um político e não há nada de errado nisso. O desafio é identificar quando essas “cortinas de fumaça” escondem mais do que temas espinhosos. Afinal, onde há fumaça, há fogo.

Este texto integra o comentário desta segunda-feira (14) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.
Bahia Notícias

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