segunda-feira, novembro 12, 2018

Operação Furna da Onça demonstra a ascensão e queda na política brasileira


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Dez deputados estão envolvidos. Mas seriam apenas dez?
Pedro do Coutto
Os jornais e emissoras de televisão noticiaram amplamente a prisão de 10 deputados estaduais do Rio de Janeiro acusados de corrupção. O nome dos deputados foi divulgado, mas ficaram faltando os nomes dos que pagaram o suborno ao longo do tempo.
O dinheiro, de acordo com a reportagem de O Globo, era dividido na Furna da Onça, local histórico do não menos histórico Palácio Tiradentes. A furna da onça é localizada na entrada do plenário e era na Constituinte de 46 o local em que os jornalistas políticos encarregados da cobertura dessa constituinte escreviam seus textos. Concluída a constituinte o Palácio Tiradentes tornou-se a sede da Câmara dos Deputados. E assim funcionou até 1960 quando tornou-se a sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
BANCADA DA IMPRENSA – Os jornalistas compunham a bancada da imprensa um lance abaixo da presidência da Casa. Lá estavam Helio Fernandes, Carlos Castelo Branco, Vilas Boas Correia, Carlos Lacerda, então repórter do Correio da Manhã, Antonio Vianna, Wilson Figueiredo, Benedito Coutinho, Prudente de Moraes Neto, filho do primeiro presidente civil do Brasil, Danton Jobin. No plenário da Constituinte reuniram-se nomes como Getúlio Vargas, Artur Bernardes, Juscelino Kubitschek, Luis Carlos Prestes, Hamilton Nogueira, Plínio Salgado, Juracy Magalhães, Otávio Mangabeira, Euclídes Figueiredo, pai do General João Figueiredo, Magalhães Pinto, entre os mais destacados.
O PRP, legenda de Plínio Salgado, tinha sido a legenda brasileira inspirada no nazismo, única legenda brasileira que apoiava o eixo formado pela Alemanha, Itália e Japão. O integralismo de Plínio Salgado foi responsável pelo atentado de 1938 e tinha como objetivo matar o então ditador Getúlio Vargas.
NO PASSADO – Tudo isso ficou no passado, tornando-se assim uma fase muito importante da política brasileira. Agora tudo mudou. Deputados estaduais de hoje transportavam dinheiro vivo em malas e até dentro de meias, resultado da distribuição de propinas. Uma vergonha que mancha a história do Palácio construido na cadeia velha, de onde Tiradentes saiu para a forca no Rio. Esse fato cobre de lama o plenário onde se produziu a maior parte da politica brasileira na democracia e na liberdade.
Entre os vultos mais importantes da Constituinte esqueci de citar Nereu Ramos, Milton Campos, Otávio Mangabeira e Afonso Arinos, que tomou posse na legislatura 46/50, primeiro suplente da UDN de Minas que assumiu a cadeira quando Milton Campos foi eleito governador de Minas.
Foi a sede também da sessão de novembro de 55 que assegurou a posse de JK na presidência da República. Basta comparar o que ficou na memória com a realidade de hoje para se definir como caiu o nível da política brasileira.

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