SÃO PAULO - A Polícia Federal (PF) encerrou ontem uma operação que desbaratou três quadrilhas de tráfico internacional de drogas que atuavam no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, há pelo menos dois anos. As quadrilhas pagavam propina a servidores da Receita Federal e da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), além de cooptar funcionários de companhias aéreas e vigilantes responsáveis pela segurança do aeroporto para que facilitassem o envio de malas cheias de cocaína a países da África e da Europa. Somente no primeiro semestre de 2007, antes de começarem as investigações, a PF estima que 1,3 tonelada de cocaína tenha chegado a receptores de Inglaterra, Holanda, Portugal e África do Sul, que faziam parte do esquema.
Na operação - iniciada em julho de 2007 -, 58 pessoas foram presas, incluindo uma auditora da Receita Federal responsável pela fiscalização do setor de cargas do aeroporto, um funcionário da Infraero responsável pelas câmeras que vigiam a pista, quatro policiais civis e uma policial militar. "Três dos policiais civis atuavam diretamente como traficantes e o outro foi preso por concussão, por saber o que acontecia no aeroporto e não ter feito nada", disse o chefe da delegacia da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Cumbica, Mário Menin Junior. A policial militar, segundo a PF, atuava como "facilitadora" do tráfico - provavelmente como aliciadora de "mulas", que ajudavam no transporte das malas.
Também foram presos 37 funcionários de companhias aéreas que agiam na pista do aeroporto. Todos os integrantes da quadrilha atuavam em São Paulo, Guarulhos, Campo Grande (MS) e Ponta Porã (MS) - nas duas últimas cidades, como aliciadores de mulas. Os mandantes da quadrilha, de acordo com a PF, eram traficantes nigerianos que moravam em São Paulo. Para que "não houvesse influência no processo judicial", a PF não informou a identidade dos presos - em Campo Grande e Ponta Porã, há ainda três pessoas foragidas. Desde o início da operação, em 22 remessas encontradas, foram apreendidos 547 quilos de cocaína - na maior remessa, eram 122 quilos.
A investigação da PF mostra um esquema com funcionários cooptados em praticamente toda a área de pista do aeroporto - de vigilantes responsáveis pela guarita a operadores de veículos-escada. O transporte da droga passava, necessariamente, pelos furgões brancos da empresa terceirizada, contratada pela Infraero, que faz a segurança de pista do aeroporto. Vídeos da PF mostram os furgões chegando a Cumbica seguidos por carros de passeio até uma das entradas do aeroporto, onde os carros estacionavam e a droga era colocada no furgão.
Sem nenhuma revista, o carro então passava direto pela guarita, até chegar à área de carregamento do terminal de cargas. Ali, funcionários levavam a droga - em malas, como se fosse bagagem de passageiros, ou caixas, tal como produtos industrializados - aos veículos de carga, que transportavam os contêineres ao bagageiro do avião. Caso os veículos de carga não estivessem próximos, as malas eram colocadas em veículos-escada - nesse caso, tudo ocorria bem próximo do avião, completamente exposto a câmeras de segurança - antes de serem levadas aos contêineres. Em média, 50 quilos de cocaína eram levados nas malas ou caixas.
Segurança
Em dezembro do ano passado, um ano e meio após o início da operação, a Polícia Federal pediu à unidade local da Infraero para se tornar responsável pelas câmeras de vigilância eletrônica do aeroporto. "Como se trata do maior terminal de viagens aéreas internacionais do País, olhar mais de perto para o que estiver acontecendo ajudaria a evitar a repetição do mesmo problema", disse o chefe da delegacia da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Cumbica, Mário Menin Junior. "A Infraero não se opõe e está propensa a aceitar", adianta." "Não há porque um órgão lutar contra o outro."
Fonte: Tribuna da Imprensa
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