Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Inverteu-se a equação: os três favoritos viraram azarões. Não venceram no primeiro turno e iniciam as campanhas do segundo em posição delicada. Pelo contrário, aqueles em que poucos acreditavam surgem hoje em ascensão. E tanto faz o que dirão as pesquisas, já neste fim de semana, porque acima e além delas está o ar que a gente respira.A referência vai para Eduardo Paes, no Rio, Márcio Lacerda, em Belo Horizonte, e Marta Suplicy, em São Paulo. Obviamente também para Fernando Gabeira, Leonardo Quintão e Gilberto Kassab.
Ninguém sabe o resultado final, qualquer dos seis candidatos citados poderá vencer, mas a verdade é que a primeira votação desmentiu os institutos de pesquisa e os interesses de seus financiadores. A segunda deve ser observada com muita cautela.
Em São Paulo, dona Marta começou o segundo tempo escorregando ao dizer, com relação a Kassab, "que quem não tem imagem própria tem que se associar a alguém". Falava do apoio explícito do governador José Serra ao atual prefeito, esquecida de que circulou pelas ruas de São Paulo com o presidente Lula a tiracolo. Estará dispensando a presença do companheiro maior, que por sinal não lhe acrescentou um voto sequer?
Em Belo Horizonte, Márcio Lacerda foi flagrado em close com todas as suas rugas, dedo em riste, dando lições a Leonardo Quintão, num encontro casual. A imagem não o favoreceu, dada a juventude e a humildade, verdadeira ou não, do adversário.
Quanto a Eduardo Paes, não tinha nada que criticar Gabeira por deixar-se fotografar de sunga e toalha, saindo da piscina onde nada todos os dias, com campanha ou sem campanha. O desengonçado atleta ganhou pontos por mostrar-se como é, sem medo de assustar velhinhas carolas.
Em suma, dentro do triângulo longe de ser das Bermudas, por ser da presunção, tudo pode acontecer. Mas que três candidatos encontram-se subindo, e três descendo, não haverá que contestar.
Assunto proibido
Foi descontraída a conversa do presidente Lula com o governador José Serra, quarta-feira, no Palácio do Planalto. É claro que falaram das eleições, as atuais e as futuras, ainda que com toda cautela. Só não abordaram a dúvida que cada vez mais prende a atenção do mundo político, o terceiro mandato. Nem o Lula reconheceu as dificuldades de Dilma Rousseff decolar e nem Serra deixou transparecer o horror que seria para ele enfrentar, em 2010, o próprio presidente e não sua chefe da Casa Civil.
A respeito do encontro de um presidente com um governador-candidato adversário, é sempre bom lembrar que Juscelino Kubitschek visitou Café Filho no Palácio do Catete. Surpreendendo expectativas, o presidente foi amável e convidou o governador a sentar-se na sua cadeira.
Constrangido, JK sentou, quando o anfitrião, aos gritos, mandou que se levantasse, dizendo ter sido aquela a primeira e a última vez que ocupava a escrivaninha de chefe do governo. Como a audiência havia sido anunciada para que examinassem o preço do café produzido em Minas, e sem saber do episódio de minutos antes, os jornalistas perguntaram a Juscelino como havia ficado o problema do café. Desabafando, o futuro presidente devolveu a indagação: "De que café você está falando, meu caro? Do vegetal ou do animal?" Ignora-se se Lula convidou Serra para sentar na cadeira presidencial, mas parece muito pouco provável...
Sem explicação
Da série das coisas inexplicáveis: os bancos centrais dos Estados Unidos, Canadá e União Européia acabam de baixar os juros, na tentativa de reduzir os efeitos da crise financeira que abala o planeta. No Brasil, os juros continuam subindo, para alegria dos bancos. Basta perguntar a quem cometeu a insensatez de trocar de carro ou de geladeira, de uns dias para cá.
Ao mesmo tempo, se a nossa economia é sólida como apregoam Meirelles e Mantega, como explicar que a Bovespa despenque bem mais do que a Bolsa de Nova York.
Quanto à alta do dólar diante do real, a resposta desmente a euforia do presidente do Banco Central e do ministro da Fazenda. O capital especulativo bate asas e não podemos fazer nada. Deviam mandar a conta para o sociólogo, responsável por essa parte da lambança.
Engrossar é preciso
Até que enfim uma reação do governo, ainda que não tivesse partido do presidente Lula nem do ministro Edison Lobão, mas do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli. Ele declarou não ter a menor intenção de ceder às pressões do presidente do Equador, Rafael Correa, para transformar a empresa em prestadora de serviços àquele país. Contratos foram assinados há muito tempo, a Petrobras extrai petróleo em território equatoriano e cumpre suas obrigações.
Não vai dar bom resultado essa sucessão de provocações do hermano Correa, ainda que se encontre fora de cogitações enviarem a brigada pára-quedista aos Andes.
Torna-se necessário, também, analisar as conseqüências do que vai acontecendo no Paraguai e na Bolívia, onde os dois presidentes incentivam iniciativas contra o "imperialismo brasileiro". Sucedâneos do Movimento dos Sem Terra, hablando e não falando, começaram a expulsar plantadores de soja brasileiros de terras legalmente adquiridas em território paraguaio e boliviano.
Falam-se sucedâneos por conta de uma trágica revelação: é o MST que treina os sem-terra em nossos países vizinhos, ensinando como invadir, ocupar e usurpar. Dizem que a Abin dispõe de amplo dossiê a respeito da infiltração dos adeptos de João Pedro Stédile para além de nossas fronteiras.
fonte: Tribuna da Imprensa
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