Heráclito Fortes diz que processo é para mostrar que policiais "não mandam no mundo"
BRASÍLIA - O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) mandou que seus advogados façam uma representação contra a PF e o delegado Protógenes Queiroz, que chefiou a Operação Satiagraha, por cada vazamento de informações envolvendo o seu nome. As representações serão feitas junto ao Ministério Público, Corregedoria da Polícia Federal e Ministério da Justiça, segundo informou o advogado Délio Lins e Silva.
Heráclito disse que resolveu reagir para "acabar com a paranóia, com a esquizofrenia e com as ilações" feitas a partir de conversas que manteve com pessoas investigadas na operação e que foram grampeadas. Uma delas teria sido a mensagem que deixou na caixa postal de Carlos Rodemburg quando estava ao lado do ministro da Defesa, Nelson Jobim.
O senador contou que quando falou da "segurança" do empresário estava se referindo ao divórcio dele, e não ao que foi entendido pela Polícia Federal. Heráclito disse que os casais Jobim e Adrienne Senna e Rodemburg e Caroline se conhecem porque as mulheres foram colegas num curso nos Estados Unidos.
"Fizeram uma interpretação de um diálogo meu, que não podia ser liberado. Foi demais", afirmou. Quanto às representações, argumentou que é para mostrar que os policiais federais "não são donos do mundo".
Délio Lins e Silva disse ter recebido do senador a recomendação de fazer uma representação específica para cada vazamento patrocinado por agentes da Polícia Federal. Ele explicou que a iniciativa refere-se especificamente a situações em que a PF é citada como fonte da informação. "O delegado vaza a notícia e nós fazemos uma representação na corregedoria, pedindo a instauração do procedimento administrativo e no Ministério Público, pedindo a reprimenda na área criminal. "Polícia Federal não é para dizer isso ou aquilo, é para investigar", justificou.
Os advogados de Heráclito terão hoje acesso aos autos do inquérito. A medida foi concedida na semana passada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, por causa de notícias de que o senador é citados nos grampos telefônicos autorizados pela Justiça. Seu nome aparece em pelo menos cinco ocasiões.
Heráclito negou qualquer tipo de ligação com o esquema de Daniel Dantas. Explicou que sua amizade com o vice-presidente do Opportunity, Carlos Rodemburg, é antiga e não tem ligação com o que foi investigado.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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