Marta Vieira - Estado de Minas
As negociações salariais começam a esbarrar nos efeitos da disparada recente dos preços sobre a renda do trabalhador. Prevendo embate mais duro com os patrões, num cenário de inflação crescente, os sindicatos da Força Sindical em Minas Gerais já defendem a volta da indexação dos salários, instrumento que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também admite propor para discussão ainda este ano, se o custo de vida continuar a subir. Depois de fechar acordos para recomposição dos salários no primeiro semestre deste ano, metalúrgicos, empregados de empresas dos setores têxtil e vestuário de Minas se organizam para pedir abonos ou reajuste adicional, como compensação do aumento dos gastos principalmente com a alimentação, informou, na quinta-feira, Rogério Fernandes, presidente da Força Sindical em Minas. O crescimento de renda que o trabalhador vinha observando desde o ano passado perdeu fôlego em junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Frente a maio, houve queda de 0,3% dos rendimentos do trabalho no país. Em comparação ao mesmo mês de 2007, a variação foi ainda positiva em 1,7%, mas se manteve muito abaixo da expansão de 2,7% observada pelo IBGE de 2006 para o ano passado, no mesmo período. “O cenário é assombroso para as negociações salariais neste segundo semestre e, por isso, estamos discutindo uma forma de reposição automática dos salários que pode ser a volta do gatilho. Não podemos ficar esperando a boa vontade dos empregadores”, afirma Rogério Fernandes, da Força Sindical. O presidente da CUT Minas, Marco Antônio de Jesus, diz que ainda é cedo para se falar em indexação salarial, mas não descarta o debate sobre a política de gatilho salarial, se a inflação não ceder. “Nós sabemos que é um instrumento prejudicial à economia, porque alimenta mais a inflação, no entanto, não temos outra saída para tentar assegurar o poder de compra do trabalhador”, afirma. O IPCA-15, uma espécie de prévia do IPCA, medido pelo IBGE e que serve de referência para o regime de metas de inflação do governo, desacelerou este mês, atingindo 0,63%, ante os 0,90% de junho. Os sindicatos, no entanto, estão de olho no INPC, usado como referência nas negociações salariais, que subiu 7,28% nos últimos 12 meses até junho. O tradicional balanço das negociações salariais no país, que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) deve divulgar em 19 de agosto, relativo ao período de janeiro a junho, já irá mostrar piora no resultado dos acordos, segundo sindicalistas que acompanham o levantamento de dados.O sindicalista Wilian Vagner Moreira, coordenador geral do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais, prevê mais dificuldades para a recomposição dos salários. A data-base da categoria é 1º de novembro. “Ano passado, tivemos só 0,3% de aumento real e a luta agora é, no mínimo para recompor os salários”, afirma. Osmani Teixeira de Abreu, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), reagiu à idéia da volta da indexação. “A única coisa que indexação e gatilho conseguiram fazer neste país foi alimentar ainda mais a inflação”, diz. O economista Paulo Henrique Cotta Pacheco, coordenador geral da Faculdade Ibmec em Minas, concorda. “Vivemos tantos anos com essa política e o trabalhador saiu perdendo. Temos de mirar numa inflação baixa, o mais rapidamente”, afirma. Carlos Thadeu de Freitas Gomes, chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio, diz que a indexação tem de ser evitada a todo custo, porque levou a inflação a galopar no passado.
Fonte: O Estado de Minas
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