SÃO PAULO - O delegado Protógenes Queiroz deve ser chamado para depor no procedimento apuratório do Ministério Público Federal sobre possível sabotagem às investigações que resultaram na Operação Satiagraha. O procurador Roberto Antônio Dassié Diana afirmou ontem que o delegado, autor da representação que motivou a abertura da apuração, será ouvido após o Ministério Público obter as informações requisitadas à Polícia Federal sobre o caso.
O procurador investiga, além de possível favorecimento aos investigados pela Satiagraha, o crime de vazamento de dados sigilosos da operação. Também são alvo do Ministério Público possíveis problemas administrativos. Segundo Dassié, Protógenes não fez nenhuma acusação nominal contra seus chefes nem indicou condutas concretas de pessoas que teriam sido responsáveis pelo suposto boicote às investigações.
Ele enviou quatro ofícios para a PF com dez séries de perguntas. Quatro importantes delegados federais terão de responder por escrito às questões da procuradoria sobre os recursos humanos e material de que Protógenes dispôs durante a operação.
São eles: Paulo de Tarso Teixeira, diretor da Divisão de Crimes Financeiros da PF; Roberto Troncon, diretor da Divisão de Combate ao crime Organizado; o superintendente do órgão em São Paulo, Leandro Daiello Coimbra, e o corregedor-geral da PF, José Ivan Guimarães Lobato.
"Queremos saber da corregedoria se há investigação em curso sobre o suposto vazamento da operação", disse o procurador. Nos autos do inquérito sobre Daniel Dantas, Protógenes incluiu relatório no qual conta que seus homens foram espionados.
O ofício para Troncon se explica pelo fato de ele ter sido a pessoa com quem Protógenes se reuniu após a deflagração da operação, quando ficou decidido o afastamento do delegado do caso. Foram trechos das conversas entre os dois que a cúpula da PF deixou vazar para tentar provar que Protógenes pedira sua saída da presidência do inquérito da Operação Satiagraha. Dassié já recebeu da direção da PF a íntegra da conversa gravada.
Protógenes contou que um dia antes da operação, Teixeira lhe telefonou exigindo os nomes dos alvos da investigação e teria ameaçado interromper a operação se não fosse atendido. Teixeira foi ainda a pessoa com quem Protógenes conversou em telefonema gravado, queixando-se da falta de pessoal e de meios para a continuidade das investigações - a PF acabaria designando 30 agentes e seis delegados para trabalhar no caso após a saída de Protógenes.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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