Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Perde todo mundo, na lambança da operação destinada a investigar corrupção no grupo Daniel Dantas. Menos o próprio, é claro, que fora da cadeia assiste à dissolução da credibilidade dos personagens e das instituições envolvidas. Por coincidência ou por artes do banqueiro, não sobrou ninguém, exceto ele.
Na Colômbia, o presidente Lula declarou, no fim de semana, tratar-se a crise de uma questão interna da Polícia Federal, sobre a qual não opinaria. Isso depois de tanto opinar a ponto de exigir a continuação de Protógenes Queiroz na direção do inquérito, de haver afirmado que o policial se afastara por vontade própria e de determinar à Polícia Federal a divulgação de quatro minutos pinçados de uma conversa de três horas, gravada entre o delegado e seus superiores.
Desmentido por Protógenes, o presidente agora tenta saltar de banda, ao tempo em que continua protegendo seus auxiliares dos respingos de gravações telefônicas onde interesses de Daniel Dantas são discutidos.
Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, José Dirceu, ex-chefe, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete, Mangabeira Unger, ministro do Futuro, e Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado do PT, devem explicações, por estarem citados.
Da mesma forma, no Congresso, muita gente arranca os cabelos, sob acusação de pertencer à "bancada do Daniel", pela adoção de variadas ações legislativas e até discursos em favor dos interesses do cidadão, como Heráclito Fortes, do DEM, Ideli Salvatti e José Eduardo Cardoso, do PT, além de metade da bancada baiana.
Fica mal, também, o ministro da Justiça, Tarso Genro, no mínimo por haver induzido o presidente Lula a erro, no máximo por não administrar e até contribuir para o acirramento da crise na Polícia Federal. Esta, como instituição, parece haver perdido em quinze minutos os méritos de anos de profícuas investigações e de combate à corrupção, num processo autofágico digno do deus Saturno, aquele que devorava os próprios filhos.
Um diretor-geral estranhamente em férias no olho do furacão, adversário de um ex-diretor hoje no comando da Abin, mais delegados com vastas fatias de inveja do truculento "Protógenes das algemas", tudo contribui para desmanchar a imagem da instituição até pouco venerada por todos.
Em suma, dos escombros dessa guerra suja emerge apenas Daniel Dantas, prestes a abocanhar mais um bilhão de reais, agora com a fusão de empresas telefônicas adquiridas com recursos públicos na farra das privatizações, onde continuam como fonte permanente o Banco do Brasil e o BNDES.
Contando, ninguém acredita
A mais nova trapalhada do Palácio do Planalto, ameaçada de transformar-se em escândalo, refere-se à disposição dos principais auxiliares do presidente Lula de acabar com as emendas coletivas ao orçamento. Porque até agora deputados e senadores dispõem de duas formas de contribuir com investimentos para desenvolver suas regiões: as emendas individuais e as emendas coletivas.
As primeiras cheiram a miudezas, isto é, o parlamentar tem direito a certa quantia para incluir no orçamento obras para seus municípios de influência. Uma ponte, o asfaltamento de uma estrada, a recuperação de uma escola, a criação de um posto de saúde e centenas de outras iniciativas pessoais, geralmente acertadas com os prefeitos e capazes de render voto nas próximas eleições. É claro que o governo joga politicamente com essas emendas, liberando as verbas para quem integra a base oficial e cozinhando as propostas de oposicionistas.
Com as emendas coletivas, prevalece o interesse público, pois não raro são as bancadas estaduais em peso, independente de cor partidária, que assinam para a implantação de uma usina hidrelétrica, a abertura de importante rodovia ou a construção de uma universidade ou um grande hospital. O interesse pessoal, se não desaparece, é atropelado pelo interesse comum, nas emendas coletivas, que também podem ser apresentadas pelas diversas comissões técnicas.
São muito mais caras as emendas coletivas, que em termos políticos exprimem a vontade e as necessidades de populações inteiras.
Pois não é que o governo quer acabar com as emendas coletivas, sob a alegação de que atropelam os desígnios da tecnocracia e conturbam o orçamento? Se existe um valor democrático na relação entre Legislativo e Executivo é esse, de setores expressivos do Congresso influir nos planos do governo. Se aceitarem sem luta mais esse estupro em suas atribuições, os parlamentares estarão incluindo mais alguns parágrafos em sua sentença de desimportância.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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