Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Enganou-se quem quis, mas não durou mais de três dias a euforia que o governo Lula tentou espargir sobre o País a respeito de a Standard & Poor's haver dado ao Brasil o status de "nação confiável para investimentos externos". A festa acabou quando uma analista da empresa americana declarou que se quisermos subir de patamar precisaremos "fortalecer a política fiscal, promovendo a reforma tributária, a reforma trabalhista, reduzir os gastos públicos e a relação entre a dívida pública e o PIB".
Traduzindo as exigências dessa intrometida senhora: mais brasileiros precisam pagar mais impostos, inclusive os que, por impossibilidade absoluta, não pagam; devem desaparecer os últimos direitos sociais que sobraram, como férias remuneradas e décimo-terceiro salário; é preciso diminuir investimentos públicos em educação, saúde e infra-estrutura; finalmente, devemos crescer menos para reduzir as dívidas pública e externa...
Tudo para atender exigências de uma empresa especializada em orientar especulações estrangeiras em nossa economia. Empresa, aliás, que não contratamos e de cujos cálculos não participamos.
Numa palavra, botaram mais uma cenoura na frente do burro, para que ele continue carregando a carga do capital-motel, aquele que chega de tarde, passa a noite e vai embora de manhã, depois de haver estuprado um pouquinho mais nossa economia.
Algum dia acordaremos dessa ilusão de nos ser favorável uma classificação externa referente ao "risco-Brasil", quando, na realidade, deveríamos criar, aqui, o "risco-malandragem", forma de resistir a exames vestibulares para cursos nos quais não nos inscrevemos. Por que não darmos notas para a lambança hoje verificada na economia americana ou para os riscos evidentes de sermos atingidos pela crise que assola os Estados Unidos?
A ingenuidade do governo atual, aliada à má-fé do governo anterior, sem faltar a cupidez de nossas elites financeiras, mantém o País refém de diagnósticos externos contrários aos nossos interesses, o maior dos quais continua sendo o desenvolvimento.
O burro vai falar
Uns dizem que a história vem da China Antiga, outros a atribuem à Idade Média na Europa, mas óbvia continua sendo sua aplicação entre nós. Um camponês foi condenado à morte pelo rei, mas viu um burro pastando nos jardins de Sua Majestade e pediu o adiamento por dois anos da aplicação da sentença, anunciando dispor do dom de fazer os burros falar. Na dúvida, o rei concedeu a moratória, e a mulher do camponês o interpelou, perguntando se estava maluco. Resposta: "Dentro de dois anos, três coisas podem acontecer: o rei morrer, o burro morrer ou eu morrer...".
A mesma coisa acontece com o PT. Está condenado à derrota na próxima sucessão presidencial, pela absoluta falta de candidatos em condições de vitória. Assim, os companheiros precisam de tempo, podendo três coisas acontecer, até 2010: o presidente Lula aceitar o terceiro mandato, um candidato surgir entre os partidos aliados da base governamental, ou o partido desaparecer.
O Alto Comando petista trabalha com as três hipóteses, mas, assim como o camponês sabia da impossibilidade de fazer o burro falar, o PT tem consciência de que nenhum candidato viável emergirá de seus quadros...
Fonte: Tribuna da Imprensa
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