Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Quando a gente começava a trabalhar numa redação de jornal, já se vão cinqüenta anos, recebíamos do chefe de reportagem, no primeiro dia, um papel mimeografado com instruções sobre o que não fazer. Logo no início, éramos alertados: "Sacerdote não é prelado", "capitão de navio não é lobo do mar", "hospital não é nosocômio", "cemitério não é campo santo", "mãe não é genitora", "idoso não é venerando", e outros princípios fundamentais para o dia-a-dia da profissão.
Guardadas as proporções, e com todo o respeito, deixaram de fornecer ao presidente Lula certas instruções básicas, logo no seu primeiro ano de governo. O resultado, senão uma administração malograda, assistimos ao menos uma administração confusa e incompleta.
Senão, vejamos: "Amazônia não é jardim botânico para dirigentes de ONGs passearem." "Lucros dos bancos não significam redenção para os famintos." "Bolsa Família não exprime solução para a falta de empregos." "Corrupção não é sacanagem, é crime." "Tolerância não é impunidade."
Essas e quantas outras regras de bem governar poderiam ter sido entregues ao presidente Lula, afinal, como os jovens focas de outrora para o jornalismo, sem a menor experiência para governar?
Dependeria dele ter estabelecido desde o início de seu mandato um plano de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, inclusive com a investigação e a expulsão de umas tantas ONGs empenhadas em transformar tribos brasileiras em nações indígenas, pretendendo a internacionalização da região.
Poderia também o presidente, ao assumir o poder, determinar que a partir de certo percentual os lucros dos bancos fossem obrigatoriamente destinados à melhoria das condições de vida do trabalhador, nos diversos setores da vida nacional.
Aproveitaria também para dispor prazos mínimos de permanência entre nós do capital especulativo, esse capital-motel que chega de tarde, passa a noite e vai embora de manhã depois de haver estuprado um pouquinho mais nossa economia.
Quem sabe seguisse à risca o conselho de fiscalizar e impedir que muitos cidadãos, por receberem o bolsa-família, desinteressam-se de trabalhar e até de colocar os filhos na escola.
Deveria o presidente ter determinado, à maneira de um dos antecessores, no caso, Itamar Franco, que acusações de corrupção evidente feitas contra seus auxiliares provocassem automático desligamento das suas funções, para poderem defender-se.
Por último, que a Advocacia Geral da União desse apoio ao Ministério Público, ao Judiciário e ao Legislativo para votarem leis mais drásticas e iniciarem processos e punições imediatas quando se tratasse de peculato e demais crimes envolvendo funcionários públicos.
Muitas outras instruções poderiam ter constado de colaborações espontâneas e desinteressadas a presidentes sem experiência com a coisa pública. O País ganharia pelo menos cinco anos e meio de desenvolvimento político e social, base para o desenvolvimento econômico.
Bolsa-Besteira
Novamente, com todo o respeito, mas não dá para aceitar a mais nova proposta do mais novo czar da Amazônia, o ministro Mangabeira Unger. Ele sugere a criação do Bolsa-Floresta, sinecura para ser distribuída a quantos proprietários de terra na região comprometam-se a cumprir a lei, não desmatando e até cultivando couves.
Do jeito que as coisas vão, o Brasil acabará se transformando num imenso asilo de desamparados vivendo à custa do Tesouro Nacional. Não faltará quem venha propor a Bolsa-Piscina, destinada aos que não possuem esse luxo em casa, quem sabe a Bolsa-Helicóptero, para evitar as agruras no trânsito, ou até a Bolsa-Loteria, para quantos jogam na mega-sena e não são premiados.
Só falta o Lampião
Assiste-se no Sul do Pará a uma verdadeira revolução, não propriamente dos oprimidos, mas dos bandidos. Importa menos saber se o governo Fernando Henrique praticou crime de lesa-pátria, continuado pelo governo Lula, ao doar a Vale do Rio Doce por preço de banana podre a interesses privados. Nem mesmo vem ao caso verificar que a empresa gera lucros monumentais para seus acionistas, não para a sociedade. As regras do jogo são essas e, enquanto não modificadas, devem ser cumpridas, a menos que se pretenda estabelecer o caos no território nacional.
Um tal Movimento dos Trabalhadores em Mineração, mero tentáculo do MST, acostumou-se a sabotar ferrovias, arrancando trilhos, dormentes e grampos para impedir o tráfego das composições carregadas de minério, servindo também de transporte para passageiros. Indaga-se o que tem a ver os garimpos com os trens da Vale, mais ou menos a mesma coisa do que o salário-família com a migração dos camarões sem barba do Mar Vermelho.
Sumiu a autoridade pública da região, como no sertão nordestino nos tempos do Lampião. Estimulados e enganados por líderes certamente aboletados em hotéis em São Paulo ou no Rio, os garimpeiros imaginam que explodir locomotivas servirá para melhorar suas condições de trabalho e de vida. Verdadeiros cursos de guerrilha têm sido ministrados aos sabotadores, que, se não forem logo obstados, breve chegarão a Belém para implodir pontes, dinamitar prédios públicos e encarcerar autoridades.
Desconhecer garimpos e garimpeiros é bobagem, eles constituem uma atividade como qualquer outra, até sacrificados e não raro frustrados pelo resultado de seu trabalho, cujos frutos acabam na mão de espertinhos. Que se crie um departamento, um grupo de trabalho, até uma ONG governamental, se a contradição for possível, mas que a pretexto de integrar os movimentos sociais, o MTM interrompa sua obscena revolução. Mas se os sem-terra podem, por que não poderiam os sem garimpo?
E o reverso do medalha?
Decidiu a Câmara dos Deputados continuar a votar o pacote antiviolência, tendo aprovado, esta semana, projeto que suprime a realização de um segundo júri obrigatório para quem tiver sido condenado a mais de vinte anos de cadeia, no primeiro.
A votação deu-se no auge da emoção e da indignação nacional diante do fato de que o fazendeiro acusado de mandante do assassinato de uma freira, no Pará, haver sido condenado há trinta anos, no primeiro júri, e agora absolvido no segundo, realizados ambos na mesma comarca, com os mesmos advogados, promotores e juízes. Fazer suposições óbvias pode ser perigoso, mas alguma coisa aconteceu de muito grave ou muito escabroso nessa história.
Agora tem um problema: e o reverso da medalha? Imagine-se um criminoso daqueles integrais sendo absolvido no primeiro júri. Ficaria também o Ministério Público impedido de recorrer e pedir outro julgamento? Respostas para a Câmara dos Deputados...
Fonte: Tribuna da Imprensa
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