Por Giulio Sanmartini
Completei dois anos de idade no navio que me trouxe da Itália para o Brasil. Em 1948, minha mãe levou-me para assistir a parada de 7 de setembro e me deu uma badeirinha de papel, a partir daquele dia esta passou a ser minha bandeira, símbolo de um País que não era o meu, mas que eu estava escolhendo por amor e com o passar do tempo esse sentimento só fez aumentar.
Durante os 50 anos que vivi em diversas cidades de diversos estados do Brasil, muita coisa aconteceu.
Cronologicamente: o atentado de Rua Tonelero, o suicídio de Getúlio Vargas, o golpe de estado que “manu militari” tirou Carlos Luz da presidência da República, pouco depois pelo mesmo método impediu Café Filho de assumir, dois levantes militares contra Juscelino Kubitschek: Jacareacanga e Aragarças; a renúncia de Jânio Quadros, o posse conturbada de João Goulart e sua deposição em 1° de abril (1964), a decretação do AI 5, o impedimento de assumir a presidência imposto a Pedro Aleixo, o retorno à democracia, a eleição sem posse de Tancredo Neves, o desastrado governo José Sarney e depois de mais de duas décadas a eleição direta de Fernando Collor de Mello, que num breve tempo transformou-se na figura máxima da corrupção.
No dia 26 de maio de 1992, morava na pequena cidade de Belmonte (Sul da Bahia), quando recebo a única revista Veja que chegava ao local, a capa já dizia tudo: “Pedro Collor conta tudo”. O irmão do presidente falso caçador de marajás, desnudava a máquina de corrupção montada pelo governo dentro do gabinete presidencial. Na barbearia local li em voz alta para os politiqueiros locais a matéria. Quando terminei o silêncio que se fez podia ser cortado com uma faca, Carioca, o barbeiro, o quebrou:
- Por muito menos Getúlio Vargas de um tiro no peito.
Voltei para casa acabrunhado, cabisbaixo, com um nó na garganta. O País que escolhera por amor como minha pátria chegara ao fundo do poço (pensava eu). Brasileiros eram meus filhos e minhas netas, isto é o futuro, o que seria deles?
Passaram-se quase 15 anos e pude perceber que me enganara, que Collor nem chegara na beirada do poço quando começaram a despontar como uma doença contagiosa os escândalos no Governo do PT, partido que se arvorava em ser o dono da ética e da honestidade.
Jamais o Brasil vira tanta falta de vergonha, mas nessa quinta feira 14/12, os representantes do poder legislativo conseguiram suplantar tudo de ruim, falso e vergonhoso até então visto.
Senadores e deputados aprovaram um aumento de quase 100% em seus já altíssimos salários.
São pérfidos com seus eleitores, são pérfidos com 40 milhões de pessoas que vivem da esmola governamental, trocada vergonhosa e demagogicamente por votos; são pérfidos com milhões de brasileiros honestos que trabalham oito horas por dia cinco dias da semana e 11 meses do ano e que para ganharem o que percebe um congressista por mês terão que labutar por seis anos.
Como se não bastasse o presidente do senado Renan Calheiros (PMDB-Al) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP), tem o caradurismo de deixar-se fotografar rindo depois do vergonhoso, asqueroso, vil, repugnante e abominável aumento.
Até quando a paciência dos brasileiros será esbofeteada?
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Em destaque
Mobilização de filiação partidária na Bahia em 2026
Mobilização de filiação partidária na Bahia em 2026 Porcentagem de filiados entre todos os eleitores registrados em cada cidade na Justiça...
Mais visitadas
-
É com profundo pesar que tomo conhecimento do falecimento de José Aureliano Barbosa , conhecido carinhosamente pelos amigos como “Zé de Or...
-
Compartilhar (Foto: Assessoria parlamentar) Os desembargadores do Grupo I, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Sergip...
-
O problema econômico do nosso vizinho vai requerer um bom caldeirão de feijão e uma panela generosa de arroz. Voltar ao básico Por Felipe Sa...
-
Tiro no pé : É de se notar que nem os Estados Unidos fizeram barulho sobre o assunto pelo qual se entranhou a mídia tupiniquim
-
. Nota da redação deste Blog - Que Deus dê todo conforto, força e serenidade para enfrentar este luto.
-
O mundo perdeu uma pessoa que só andava alegre, cuja sua ação habitual era o riso, um pessoa humilde que demonstrava viver bem com a vida...
-
Por`ESTADÃO O País assistiu, estarrecido, ao sequestro das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado por parlamentares bolsonaristas que decidir...
-
É com profunda indignação, tristeza e dor que registro o falecimento do meu amigo, o farmacêutico Pablo Vinicius Dias de Freitas , aos 46...
-
Foto Divulgação - Francisco(Xico)Melo É com profunda tristeza que recebi a notícia do falecimento do ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário