Equipes da Marinha continuam procurando Ananias Bernardino da Silva, único desaparecido
Ana Carolina Araújo e Ciro Brigham
Dois dias após o acidente que deixou à deriva por cerca de três horas 128 passageiros e quatro tripulantes do catamarã Baía de Todos os Santos, que fazia a travessia Morro de São Paulo-Salvador, o único passageiro não resgatado na madrugada de ontem, Ananias Bernardino da Silva, 61 anos, continuava desaparecido até as 21h. Ainda não há informações objetivas sobre o que teria perfurado o casco da embarcação. O equipamento – que está sob custódia da Marinha do Brasil – foi rebocado para o estaleiro da Biotur Transporte e Turismo Marítimo, na cidade de Valença, região do baixo sul. Três técnicos da Marinha viajaram para o local para aguardar a chegada da embarcação, e a perícia só não foi iniciada ontem porque, ao ser rebocado, o barco encalhou num banco de areia próximo ao destino.
A retirada das vítimas e da tripulação do Baía de Todos os Santos terminou por volta da 1h30 de ontem, mas equipes da Marinha continuaram no local na tentativa de encontrar o último passageiro. A esposa de Ananias Silva, que voltava com ele de um fim de semana de lazer na ilha, deixou o barco com o marido, que já passava mal antes do incidente. Filha do desaparecido, a professora Sônia Maria da Silva, 40 anos, passou todo o dia de ontem na sede da Capitania dos Portos, no Comércio. Em estado de choque com a situação, a mãe precisou ser internada e sedada. De acordo com as informações prestadas por Sônia, o pai afastou-se do grupo por causa de uma onda forte que veio sobre eles.
A Capitania dos Portos cuida da fiscalização dos cerca de mil quilômetros de costa que cercam o estado da Bahia. Durante o Verão, o contingente responsável pelas inspeções passa de 30 para 60 homens e as visitas se tornam mais freqüentes. De acordo com o capitão dos portos Alexandre Augusto Miranda de Souza, a última vistoria da embarcação aconteceu no dia 18 de agosto deste ano e não foram detectadas irregularidades. “Era um equipamento novo, que entrou em operação em 2002”, explicou o militar, afirmando ainda que a empresa se prontificou a conceder todas as informações necessárias para o esclarecimento do caso.
Entre os pontos a serem verificados pelos peritos da Marinha está a situação dos equipamentos de salvatagem, que incluem bóias, coletes, extintores, rádios comunicadores e uma bomba responsável por dispensar a água em casos de rompimento do casco ou grandes tempestades. O modelo e a quantidade de bombas são dimensionados de acordo com a capacidade da embarcação e os riscos de uso. “Temos que saber se tinha a bomba adequada e se ela estava funcionando”, afirmou o capitão dos portos. A vistoria do casco também deve ser detalhada. Alguns passageiros, principalmente os que estavam na parte submersa do catamarã, afirmam ter ouvido dois fortes barulhos minutos antes da primeira entrada de água, o que pode ser indício de choque com algum animal marinho ou pedra.
A avaliação faz parte do inquérito administrativo para apuração de acidente marítimo instaurado pela Marinha do Brasil, cujos resultados devem sair em até 90 dias, mas algumas informações do processo podem ser divulgadas antes de sua conclusão. Até agora, não há qualquer sinal de dolo – intenção de causar dano – por parte da empresa, mas, se isso for detectado, as vítimas poderão solicitar a investigação policial do acidente e instauração de inquérito criminal.
***
Situação ficou incontrolável
De acordo com as informações prestadas pela Biotur, aos primeiros sinais de que havia água entrando no barco, tentou-se resolver o problema, mas depois de alguns minutos, a situação teria ficado incontrolável. Além do peso da água, muitos passageiros teriam começado a entrar em pânico. A partir daí, a tripulação teria orientado os viajantes a ficarem calmos e escutar as instruções. “Eles disseram para a gente pôr os coletes e esperar eles colocarem os botes para descermos”, contou a administradora de empresas Rosângela Lessa Gramacho Simões, 26 anos, que estava no barco com o marido.
O capitão dos portos considerou o procedimento do comandante Júlio César, que tem experiência no trajeto, correto. “Era uma situação de pânico, com grande quantidade de pessoas e um espaço pequeno. Não podemos prever a reação de cada um em situações desse tipo”, explicou. Mas a versão dada por Rosângela Lessa foi outra. Ela conta que, ao longo do trajeto, várias pessoas já tinham se sentido enjoadas e vomitado, o que aumentou o estado de tensão. Muitas delas vestiram os coletes e se lançaram ao mar antes mesmo da orientação. “Algumas pessoas ficaram muito apavoradas”, lembra ela.
Outra incógnita é o motivo pelo qual o socorro teria demorado tanto. Segundo Rosângela, logo depois que se deu a orientação de salvatagem, a tripulação informou que o pessoal de terra já tinha sido contatado e outra embarcação viria imediatamente para buscá-los.
Como a Capitania dos Portos garante só ter sido acionada por volta das 20h, pode ter havido um problema de comunicação. Enquanto os clientes da Biotur acreditavam que o socorro tinha sido acionado, a empresa tentava solucionar a questão sem envolver os órgãos oficiais. A decisão de chamar a Marinha teria vindo depois que a tripulação percebeu que o outro catamarã demoraria demais para resgatar os passageiros, que já estavam há muito tempo na água, alguns com hipotermia.
A procura por Ananias Bernardino da Silva foi interrompida às 4h de ontem e retomada duas horas depois. Ao todo, dois navios da Marinha, três embarcações particulares e um helicóptero da Polícia Militar estão sendo usados na operação de busca ao passageiro desaparecido.
Fonte: Correio da Bahia
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