terça-feira, maio 20, 2025

Janja não foi criticada por machismo, mas por pedir censura a um ditador


Não há protocolo diplomático que me faça calar, diz Janja

Não há protocolo diplomático que me faça calar, diz Janja

Fabiano Lana
Estadão

Nesta segunda-feira, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, tentou distorcer uma discussão relevante. Na abertura da Semana Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, na sede do Tribunal de Contas da União (TCU), buscou justificar sua fala na China, junto ao ditador Xi Jinping, na semana passada, em que aparentemente pediu restrições à rede Social Tik Tok no Brasil contra a “extrema-direita”.

Agora, deu a entender que foi criticada, após o vazamento da conversa, por descumprir protocolo, por machismo ou misoginia, por defender crianças e adolescentes. “Não há protocolo que faça calar”, disse, grandiloquente.

RESUMINDO – Nada disso. O núcleo da reprovação à atitude da primeira-dama no país asiático foi, supostamente, por ela solicitar a uma ditadura algum auxílio para controlar uma rede social por motivos políticos. E, pior, com a anuência do marido e presidente Lula.

O que a primeira-dama tentou hoje foi o que se chama – sobretudo no jornalismo americano – de “spin”. Tentar alterar a percepção das pessoas sobre os fatos que se consolidavam. A questão é que não deve convencer ninguém, além dos apoiadores de sempre.

Pesa a apreensão, tanto sobre ela quanto sobre o presidente Lula, de dificuldades de convivência com o contraditório, ainda mais o ruidoso.

ILUSÃO À TOA – O governo segue na ilusão de que o debate nas redes sociais turva a visão sobre a administração petista à frente do Palácio do Planalto. Como se as redes não nos deixassem entender como eles são excelentes. E para isso sonham com uma solução drástica. Algum tipo de controle.

É meio do DNA do petismo tutelar a sociedade. Não seria diferente com uma militante de décadas do partido, como a primeira-dama.

Que as redes, dirigidas por grandes corporações, estão coalhadas de informações e dados pusilânimes, quase ninguém nega. Entretanto, os debates para regulamentá-las não obtiveram um consenso nas seguintes questões: quem irá fazer o controle e como? Um órgão de Estado? É possível isenção política para tal entidade?

CONCEITOS FLUIDOS – Verdade e mentira são conceitos fluidos em política. Estão sempre em disputa. Um grupo de poder tenta convencer a sociedade de que é detentor da verdade e joga a mentira em outro, vice-versa. Tem sido assim nos últimos milênios e dificilmente irá mudar.

Já quem tem temperamento autoritário irá sonhar com algum tipo de supervisão. Com um lugar onde se possa definir a última instância de verdade. A cacofonia das discussões incomoda muita gente.

Nesse debate brasileiro, o bolsonarismo tenta-se arrogar como defensor da “liberdade de expressão”. É algo oportunista e hipócrita. Trata-se de um movimento político nostálgico da ditadura militar instaurada em 1964 que teve como prática institucional a aplicação da censura nos órgãos de comunicação brasileiros.

BANDEIRA PERDIDA – Mas, de qualquer forma, é notável que a esquerda tenha perdido essa bandeira libertária para adoradores de regimes repressivos de direita.

Janja está no direito dela de se defender, é da luta política. Resta à primeira-dama, neste momento, dizer que é perseguida, afirmar que defende os mais vulneráveis. Entre as críticas direcionadas a ela, há também o machismo – mas não se reduz ao preconceito.

A questão é que Janja adentrou em terrenos perigosos de flerte com ditadores e suas ações em território chinês não parecem ser compatíveis com quem tem a democracia como valor primeiro.


Entenda como Musk está inovando a arquitetura da guerra pós-moderna

Publicado em 20 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

Apoio à extrema direita é inaceitável', diz chanceler alemão sobre gesto  feito por Elon Musk - ICL Notícias

Musk conduz as pesquisas militares de última geração

Allan do Santos
Timeline

A fronteira entre o setor privado e a segurança nacional vem sendo erodida com rapidez alarmante. No centro dessa transformação está Elon Musk, figura que transcende o papel de empreendedor para ocupar, na prática, o de estrategista informal da nova arquitetura militar global.

Muito já se discutiu sobre seus feitos no campo da mobilidade elétrica ou da corrida espacial civil, mas é no tecido invisível da defesa — na infraestrutura crítica, nas redes de comunicação autônoma, na robótica e na inteligência preditiva — que Musk firma sua posição como ator-chave do poder bélico contemporâneo.

SISTEMA INOVADOR – A constelação de satélites Starshield, derivada do projeto Starlink, não é mais uma hipótese: ela já opera a serviço do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Capaz de oferecer comunicações criptografadas, sensoriamento remoto e suporte logístico orbital, o sistema transforma a própria geografia da guerra.

A supremacia aérea, durante décadas o eixo do domínio estratégico, está dando lugar à supremacia algorítmica e orbital, onde vencer significa antecipar, mapear, cortar o canal de comunicação do inimigo — sem lançar um único míssil.

Na retaguarda desses satélites, um supercomputador como o Dojo processa volumes colossais de dados para treinar redes neurais capazes de interpretar imagens, prever movimentos e propor soluções táticas em tempo real.

ANTECIPAÇÃO E COMANDO – Trata-se de uma infraestrutura de antecipação e comando, não de destruição direta. Mas sua eficácia pode ser mais devastadora do que qualquer bomba: ela reorganiza o tempo de guerra.

Ao lado disso, a Tesla desenvolve um robô humanoide chamado Optimus, ainda limitado, mas funcional. Inicialmente projetado para tarefas industriais, não é improvável que seja testado futuramente em ambientes de apoio militar — transporte de munições, patrulha de perímetro, reconhecimento em ambientes contaminados.

A guerra do futuro será disputada por sensores, não apenas por soldados.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Por fim, a fundação da X-AI completa o triângulo. Em um mundo onde a guerra da informação é tão decisiva quanto a física, controlar modelos de linguagem e algoritmos de narrativa é ter poder sobre a realidade.

Modelos de IA generativa serão capazes, em breve, de criar campanhas de influência direcionadas, alterar percepções em tempo real, interferir em eleições e acelerar guerras civis com algumas linhas de texto estrategicamente calculadas.

A pergunta essencial não é mais “se” essas ferramentas serão usadas militarmente, mas “quando” e “em que escala”.

PRAGMATISMO MILITAR – A questão moral sobre armamentos autônomos e guerra algorítmica se dissolve no pragmatismo das potências globais que disputam território, influência e narrativas.

Elon Musk não fabrica mísseis. Ele fabrica o meio pelo qual a guerra será vencida antes mesmo de começar. E o faz sob o manto do progresso civil, com contratos bilionários e apoio entusiástico de instituições públicas que, em tempos passados, teriam erguido barreiras diante de tamanha concentração de poder.

Esse cenário exige uma reflexão urgente — não apenas sobre a ética do uso de IA em conflitos armados, mas sobre o novo modelo de soberania que está sendo criado: tecnocracias privadas que negociam com Estados, influenciam exércitos e definem os termos da guerra. Elon Musk pode não ser um general, mas seus algoritmos já estão no campo de batalha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Quando Mario Assis Causanilhas nos mandou um artigo de Allan dos Santos, foi uma surpresa. Trata-se de um jornalista de primeira, com um texto admirável e de profundidade. Agora, Causanilhas nos manda mais um artigo da melhor qualidade. E assim dá para entender por que os EUA consideram Allan dos Santos um exilado político, que nada tem de criador de fake news, e se recusam a extraditá-lo para satisfazer a sanha de Moraes.  (C.N.)

Ex-ministro do Turismo, “Puxa-Saco do Ano”, quer encher Bolsonaro de doações


Vicente Limongi Netto

Não falta mais nada, no injuriado e afrontado Brasil: o serviçal ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, quer que a população ajude com PIX para Bolsonaro pagar médicos e advogados e colaborar para manter o bem bom do filho inútil e fujão, nos Estados Unidos. 

Machado ganha fácil o troféu “Patético puxa-saco do ano”.  Francamente. Bolsonaro que recorra ao rico partido dele, o PL, para pagar as contas. Ou peça ao amigão, o rico Pastor Malafaia. 

Que o filho pretensioso e arrogante faça o mesmo. Ou vá esmolar na Quinta Avenida de Nova Iorque. Ou, ainda, peça para o paizinho implorar para o presidente Donald Trump, de quem o destrambelhado Bolsonaro se diz amigo de infância.

TRÊS TÓPICOS – Brasil dilacerado e infeliz, crianças esmolando nas ruas, Janja espanta a nação com rosário de tolices, ladrões de aposentados impunes, preocupante gripe aviária e praga barbuda e ambulante no Palácio do Planalto.

O técnico Carlos Ancelotti foi mal assessorado na formação da pré-lista de convocados, para os dois próximos jogos do Brasil pelas eliminatórias da copa do mundo. Atabalhoado Danilo, reserva do Flamengo não, joga nem na minha “pelada”. O mais grave, chama Oscar e deixa Ganso de fora. É o fim da picada. O dia que Oscar for mais jogador do que o cerebral Paulo Henrique Ganso, viro coroinha na igreja da minha paróquia. 

Por fim, deliciosa crônica de Ignácio Loyola Brandão, “13 bilhões de ovos”(Estadão- 18/05). Texto de craque, acadêmico de verdade. 


Jeremoabo e a Nova Política: Vice-prefeito Executivo ou Prefeito de Fato?

Por: José Montalvao

                       Video Divulgação enviado pelo WhatsApp


Jeremoabo e a Nova Política: Vice-prefeito Executivo ou Prefeito de Fato?

Nesta semana, circulou nas redes sociais um vídeo curioso vindo da nossa querida Jeremoabo. Nele, o vice-prefeito aparece anunciando, com entusiasmo, que "junto com um deputado federal" conseguiu levar água para um povoado da zona rural. Até aí, tudo bem — quem é que não gosta de ver melhorias chegando ao sertão? O problema não está no benefício, mas no bastidor da cena: nenhuma menção ao prefeito da cidade. Simplesmente ignorado. Ausente. Omissão calculada?

Foi então que um eleitor mais atento lançou uma pergunta simples, porém afiada: "Mudou a lei e ninguém me avisou? Desde quando vice-prefeito tem função executiva sem o prefeito estar ausente por morte, renúncia, cassação ou impedimento legal?"

A dúvida é legítima e merece ser debatida. Afinal, vivemos numa república onde as funções são definidas pela Constituição e pela Lei Orgânica do Município. O vice-prefeito, em regra, é figura decorativa do ponto de vista administrativo, salvo nos casos em que o prefeito se afasta do cargo. Não é papel do vice articular obras, assinar convênios ou anunciar benefícios, a não ser que esteja no exercício legal da chefia do Executivo. E se estiver, deve-se explicar por quê.

Mas o que está acontecendo em Jeremoabo?

Ou o prefeito virou rainha da Inglaterra, com função apenas cerimonial, ou estamos diante de um claro jogo político onde o vice tenta capitalizar para si méritos de uma gestão na qual oficialmente não tem o comando. A omissão do nome do prefeito no vídeo pode ser só descuido — ou um recado claro de rompimento, disputa ou desespero por protagonismo.

O povo de Jeremoabo não é bobo. E quando vê um vice-prefeito agindo como prefeito, a pergunta inevitável é: quem realmente está governando? Ou melhor: alguém está governando?

É bom lembrar que em tempos de crise institucional, a manipulação da narrativa política costuma ser mais danosa do que a falta d’água. Quando se usa um benefício público — pago com dinheiro do povo — para fazer promoção pessoal ou tentar apagar rivais políticos, a democracia enfraquece.

O vídeo do vice-prefeito é sintomático de uma prática que, infelizmente, persiste em muitos rincões do Brasil: a política de bastidores, feita de vaidades, jogos de cena e desinformação. E no fim, quem paga o preço é a comunidade, que não sabe mais em quem confiar.

Se há um rompimento político, que se diga com todas as letras. Se há parceria com deputado, ótimo — mas que se jogue limpo. E se o prefeito está ausente, que se informe o povo, pois o povo merece respeito, não encenação.

Jeremoabo precisa de gestores que ajam com seriedade e responsabilidade, não de atores de vídeo promocional

STF avalia denúncia contra militares sem PF concluir apuração sobre plano para matar Moraes

 Foto: Divulgação

O núcleo militar é considerado o mais sensível pela cúpula do Exército por ser composto por oficiais de altas patentes20 de maio de 2025 | 06:54

STF avalia denúncia contra militares sem PF concluir apuração sobre plano para matar Moraes

brasil

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) julga nesta terça-feira (20) o recebimento da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o núcleo da trama golpista composto por militares acusados de planejar o assassinato do ministro Alexandre de Moraes.

Os militares das Forças Armadas, porém, podem se tornar réus sem que a Polícia Federal tenha concluído a investigação sobre o plano clandestino batizado de “Copa 2022”.

Os investigadores identificaram somente 2 dos 6 suspeitos de arquitetar o assassinato do ministro -os tenentes-coronéis Rafael de Oliveira e Rodrigo Azevedo.

O núcleo militar é considerado o mais sensível pela cúpula do Exército por ser composto por oficiais de altas patentes, mas com diferentes posições na Força. São dois generais, quatro coronéis e cinco tenentes-coronéis, além de um policial federal.

O grupo é dividido em duas frentes. A primeira é acusada de planejar o assassinato de Moraes, com monitoramento de sua localização.

A segunda é denunciada por apoiar os planos golpistas discutidos no centro do governo de Jair Bolsonaro (PL), responsável ainda por pressionar os chefes militares a aderir às conspirações contra a posse de Lula (PT).

A denúncia da PGR diz que um grupo de seis pessoas, disfarçadas em codinomes, colocou em prática o plano para prender e matar Moraes.

Os investigadores da PF identificaram que os seis suspeitos de planejar o assassinato do ministro conversavam em grupo no aplicativo Signal. As trocas de mensagens e a geolocalização de um dos suspeitos, segundo a denúncia, mostram que o grupo estava a postos para executar o plano em 15 de dezembro de 2022.

Os suspeitos estavam divididos em regiões de Brasília. Um deles, sozinho e a pé, estava na frente da casa de Moraes. Era uma quinta-feira e, por volta de 20h30, a sessão do Supremo foi encerrada.

Às 20h59, o suposto líder da operação clandestina disse para o grupo: “Abortar Áustria volta para local de desembarque estamos aqui”.

A investigação da Polícia Federal concluiu que o “Copa 2022” era a execução do plano “Punhal Verde Amarelo”, documento feito pelo general Mario Fernandes que descrevia em detalhes o plano para assassinar Moraes.

Segundo a denúncia, há evidências que ligariam os dois planos. A principal delas é que o Punhal Verde Amarelo previa a compra de seis celulares descartáveis para anonimizar os militares -a quantidade dos telefones e o método para esconder os executores do crime foram utilizados no “Copa 2022”.

Outra prova que vincularia os dois planos é o fato de o tenente-coronel Rafael de Oliveira ter se encontrado com o general Mario Fernandes, no Palácio do Planalto, dias antes do monitoramento de Moraes.

A Polícia Federal ainda não conseguiu avançar na investigação sobre o plano de assassinato. Além de não ter reconhecido 4 dos 6 integrantes do grupo, a explicação dada pelos investigadores para a decisão de abortar a ação tem sido questionada.

Em nota, a PF disse que “a investigação ainda está em curso, assim como a análise de alguns telefones celulares [apreendidos]”.

Ao julgar o recebimento da denúncia, o Supremo analisa se a acusação tem indícios mínimos para ser levada adiante. O mérito da peça só é avaliado mais tarde, após ai instrução e depoimentos de testemunhas e réus.

O núcleo alvo dessa parte da denúncia é formado por 11 militares e um policial federal. São eles: Bernardo Romão Correa Neto (coronel), Cleverson Magalhães (coronel), Estevam Theophilo (general da reserva), Fabrício Moreira de Bastos (coronel), Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel), Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel), Nilton Diniz Rodrigues (general), Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel), Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel), Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel), Sérgio Ricardo Cavaliere (tenente-coronel) e Wladimir Matos Soares (policial federal).

A maior parte dos acusados desse grupo é composta por oficiais de alta patente que teriam participado de uma reunião em novembro de 2022 na qual, segundo a acusação, foram elaboradas estratégias para pressionar os chefes militares a apoiar um golpe de Estado.

O encontro ocorreu na noite de 28 de novembro de 2022 no salão de festas do prédio em que morava o coronel Márcio Nunes de Resende Júnior, em Brasília. Era uma segunda-feira, dia que marcava o início das reuniões do Alto Comando do Exército naquela semana, quando a cúpula da Força se encontrava na capital federal.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, diz que os cinco militares presentes no encontro tentaram “desenvolver estratégia de pressão sobre os comandantes renitentes [aos planos por um golpe]”.

A prova usada pela acusação seria uma mensagem enviada entre dois coronéis, enquanto a reunião acontecia, com “ideias-força” supostamente definidas no encontro. O texto destaca a falta de coesão dentro do Exercito e a necessidade de o comandante do Exército conversar com os presidentes dos Poderes Legislativo e Judiciário sobre a situação do país.

A versão da PGR é contestada pelas defesas dos acusados e pelo tenente-coronel Mauro Cid em sua colaboração premiada. “Eu gostaria de caracterizar essa reunião como conversa de bar. Bate-papo de bar. Ninguém apresentou documento, ninguém sentou para organizar [a pressão sobre os comandantes]”, disse o delator ao ministro Alexandre de Moraes.

Cézar Feitoza / Folhapress

Moraes esculhamba general: “Ou o senhor falseou na PF ou está falseando aqui”


Bolsonaro apresentou fundamentos para minuta golpista, diz Freire Gomes | Política | Valor Econômico

Freire Gomes disse que “não interpretou como conluio”

Gustavo Côrtes
Estadão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), repreendeu o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes durante depoimento prestado nesta segunda-feira, 19, na sede da Corte.

O magistrado afirmou que o militar mudou a versão dada à Polícia Federal (PF) de que o ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier Santos teria concordado com o plano de golpe de Jair Bolsonaro.

NOVA VERSÃO – Em depoimento à Primeira Turma da Corte, questionado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre a anuência de Garnier com o plano de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse não ser possível saber se houve, de fato, adesão ao intento golpista.

“Eu estava focado na minha missão de lealdade, de ser franco com o presidente. Que eu me lembre, o que o ministro da Defesa (Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira) fez foi ficar calado. O almirante Garnier não me lembro de ele ter falado (a favor do golpe). Ele demonstrou apreço. Não interpretei como nenhum tipo de conluio”, disse.

Moraes interrompeu o interrogatório e solicitou ao ex-chefe do Exército que pensasse bem antes de responder, porque “testemunha não pode omitir o que sabe”.

MORAES PRESSIONA – “Se mentiu na polícia, tem que dizer que mentiu na polícia. A testemunha foi comandante do Exército, está preparado para situações de pressão”, disse o ministro do STF. “O senhor disse na polícia que Garnier se colocou à disposição do presidente. Ou o senhor falseou na polícia ou está falseando aqui”, completou.

Em depoimento à Polícia Federal, Freire Gomes relatou um encontro entre os comandantes das Forças Armadas e Bolsonaro em 7 de dezembro de 2022. Segundo as duas versões, Bolsonaro foi avisado de que Exército não iria aderir a golpe.

Na ocasião, o então presidente teria apresentado uma versão do documento com a decretação do Estado de Defesa e a criação da Comissão de Regularidade para “apurar a conformidade e a legalidade do processo eleitoral”.

AS  DUAS VERSÕES – Aos investigadores, na primeira versão, o ex-comandante do Exército disse: “Que acredita, pelo que se recorda, que o almirante Garnier teria se colocado à disposição do presidente da República”.

Nesta segunda-feira, após ser alertado por Moraes, Freire Gomes afirmou que “jamais mentiria”. “O que queria relatar é que eu me coloquei contrário ao assunto. O almirante Garnier tomou essa postura de ficar com o presidente. Eu não posso inferir o que ele queria dizer com ‘estar com o presidente’“, disse.

Durante o depoimento, Freire Gomes também confirmou que o plano de golpe apresentado a ele e aos outros comandantes das Forças Armadas continha plano de prisão de Moraes.

DEFESA E ACUSAÇÃO – Freire Gomes foi convocado tanto como testemunha de acusação quanto de defesa dos réus Jair Messias Bolsonaro, Mauro Cid, Almir Garnier dos Santos e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

Além de Moraes, participaram por vídeo os outros ministros que integram a Primeira Turma do STF, Carmem Lucia, Cristiano Zanin e Luiz Fux. O único que esteve ausente foi Flavio Dino.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, Walter Braga Netto e Augusto Heleno também acompanharam os depoimentos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – De manhã, avisamos aqui na Tribuna que seria um festival de mentiras. E não deu outra. De repente, tudo muda. Moraes não seria assassinado, mas apenas preso. E o ministro da Marinha aderiu ao golpe, mas não aderiu muito… Nesse jogo de narrativas, o país perde tempo e se dilacera, em busca de punir um golpe que foi planejado, mas ninguém teve coragem de executar. Esta é a verdade dos fatos. Moraes, porém, ainda acha que tentaram derrubar a Bastilha em pleno cerrado(C.N.)

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