terça-feira, setembro 20, 2022

Investimento chinês retorna ao País - Editorial




Brasil foi o principal destino dos investimentos chineses em 2021; o volume voltou aos níveis de antes da pandemia

Ao destinar, no ano passado, o maior volume de investimentos para o Brasil desde 2017, os responsáveis pela expansão das atividades das empresas chinesas no exterior demonstraram, mais uma vez, que não se deixam impressionar por gestos de desdém ou desprezo de autoridades brasileiras. Em 2021, as empresas chinesas investiram R$ 5,9 bilhões no Brasil, valor 208% maior do que o registrado no ano anterior, de acordo com relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). 

É um claro sinal de confiança na economia brasileira. Os investimentos no Brasil responderam por 13,6% de tudo o que a China aplicou no exterior no ano passado. O País foi, assim, o principal destino desses recursos em 2021.

Dados como esses devem desagradar ao atual governo brasileiro. Há pouco, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “não queremos a ‘chinesada’ entrando aqui, quebrando nossas fábricas”. Na verdade, o problema da indústria brasileira não é a entrada de investimentos externos, chineses ou de outra procedência, que estimulam a produção e a modernização do setor manufatureiro nacional. O que tem prejudicado a indústria brasileira é sua contínua perda de competitividade em razão do crescente atraso tecnológico em relação a outros países e a falta de articulação entre as ações do governo e as iniciativas das empresas privadas. 

O crescimento expressivo do ingresso de investimentos chineses no ano passado se deve à base de comparação muito baixa (a pandemia comprimiu a atividade econômica em todo o mundo em 2020), mas o valor alcançado é bastante próximo dos níveis observados antes da pandemia. Em 2019, por exemplo, o País recebeu US$ 5,6 bilhões. É como se o padrão estivesse sendo restabelecido.

O fato de o valor aplicado no Brasil em 2021 representar mais de 10% de tudo o que a China investiu no exterior no passado, porém, mostra que o País mereceu atenção especial dos dirigentes chineses. No ano passado, os aportes da China no mundo cresceram apenas 3,6%, o que mostra a importância do Brasil nos planos internacionais dos chineses. Os investimentos da China nos Estados Unidos e na Austrália, por exemplo, foram fortemente reduzidos no ano passado.

Em valores, o setor de petróleo absorveu 85% do total aportado pelos chineses no Brasil, superando o setor elétrico, que vinha sendo a aplicação predominante. Em número de projetos, porém, o setor elétrico continua liderando a recepção de capitais chineses, com 46% do total. O setor de tecnologia da informação ficou em segundo lugar quanto ao número de projetos.

Em valores, o estoque de investimentos chineses no Brasil, no período entre 2007 e 2021, é liderado pelo setor de eletricidade, que absorveu 45,5% do total, seguido pelo setor de extração de petróleo e gás, com 30,9%. Quanto à indústria manufatureira, o investimento chinês está longe de ter alcançado volume suficiente para “quebrar nossas fábricas”, como parece temer o ministro da Economia. Os investimentos chineses nesse setor representam 5,5% do volume aplicado nos últimos anos. 

O Estado de São Paulo

O último adeus à rainha Elizabeth 2ª




'Mais de 2 mil convidados participam de funeral da rainha'

Líderes internacionais se reuniram em Londres para funeral da rainha, que contou com maior operação de segurança da história da capital britânica.

Ícone de uma era, a rainha Elizabeth 2ª recebeu seu último adeus nesta segunda-feira (19/09) no que foi considerado o "funeral do século", com a presença de líderes de todo o mundo, antes de um enterro privado em Windsor.

Após dez dias de luto nacional, homenagens e rituais, cerca de 2 mil pessoas, incluindo chefes de Estado e de governo, membros de famílias reais e outras personalidades, compareceram a uma cerimônia religiosa na Abadia de Westminster, em Londres, pela manhã. Foi a maior reunião de líderes internacionais em décadas.

Do presidente americano, Joe Biden, ao brasileiro, Jair Bolsonaro, passando pelos reis Felipe e Letícia, da Espanha, até o imperador Naruhito, do Japão, cerca de 500 líderes e monarcas foram convidados para a cerimônia, que se transformou num grande desafio de segurança para o Reino Unido.

Nos últimos dias, centenas de milhares de pessoas fizeram fila para ver o caixão da monarca mais longeva do Reino Unido no Palácio de Westminster. Alguns esperaram até 24 horas numa fila quilométrica pelo centro de Londres e às margens do rio Tâmisa.

'Rei Charles 3° e príncipe William seguiram a pé para cerimônia na Abadia de Westminster'

Do Palácio, o caixão foi transportado em procissão até a Abadia de Westminster, sendo seguido a pé pelo rei Charles 3° e outros membros da família real britânica.

"Nos últimos dez dias, minha esposa e eu temos sido profundamente tocados pelas muitas mensagens de condolências e apoio que recebemos de todo o país e de todo o mundo. Enquanto nos preparamos para dizer o nosso último adeus, eu gostaria de aproveitar essa oportunidade para agradecer a todos que prestaram tal apoio e conforto à minha família neste tempo de luto", afirmou o novo rei, numa declaração divulgada antes da cerimônia.

Cortejo por Londres

A cerimônia começou por volta das 9h (horário local) com 96 badaladas do sino da Abadia de Westminster, marcando a idade de morte da rainha. No início da manhã, autoridades informaram que todos os pontos com acesso ao público para ver o cortejo fúnebre já estavam lotados.

Ao final da cerimônia religiosa, foram feitos dois minutos de silêncio em todo o país.

Após a cerimônia, teve início um cortejo fúnebre por várias ruas de Londres, com passagem pelo Palácio de Buckingham, antes de o caixão ser levado para Windsor, onde a rainha foi sepultada. O enterro foi realizado numa cerimônia privada, para o rei e familiares, no jazigo da família real, onde se encontram os restos mortais dos pais e da irmã de Elizabeth 2ª.

Grande operação policial

O funeral de Elizabeth 2ª conta com a maior operação de segurança já realizada em Londres. Este foi o primeiro funeral de Estado no Reino Unido desde a morte do ex-primeiro-ministro Winston Churchill, em 1965, e reúne líderes de todo o mundo e multidões ainda maiores do que a dos Jogos Olímpicos de 2012. 

'Multidão lotou ruas por onde passará cortejo fúnebre em Londres'

A polícia de Londres foi reforçada com agentes de todas as 43 forças policiais da Inglaterra e do País de Gales, e foram também mobilizados soldados das Forças Armadas e centenas de trabalhadores para prestar assistência nas ruas. O plano para o funeral real já estava sendo preparado há anos.

Atiradores de elites foram posicionados em locais estratégicos ao longo do trajeto do cortejo. Helicópteros reforçaram a segurança e policiais à paisana circulavam no meio da multidão.

Reinado de 70 anos

A rainha Elizabeth 2ª morreu aos 96 anos em 8 de setembro no Castelo de Balmoral, na Escócia, após mais de 70 anos no trono, o mais longo reinado da história do Reino Unido. Desde sua morte, o Reino Unido vive um período de luto de 10 dias, com várias cerimônias e homenagens.

Seu filho Charles, de 73 anos, herdeiro do trono desde os três anos de idade, passou a ser chamado de rei Charles 3° e foi oficialmente proclamado como tal no Palácio de St. James, em Londres. Sua cerimônia de coroação deve acontecer nos próximos meses.

O rei Charles 3° será o 40º monarca a receber a coroa na Abadia de Westminster, em uma cerimônia religiosa que é realizada há mais de 900 anos e que passou a seguir os rituais da Igreja Anglicana, após sua criação pelo rei Henrique 8°, em 1534.

Deutsche Welle

Além de Lula, ao menos outros 25 alvos da Lava Jato são candidatos na eleição




Além do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao menos outros 25 antigos alvos da Operação Lava Jato disputam as eleições deste ano. A grande maioria (19 candidatos) busca se eleger como deputado federal, dois tentam o Senado e apenas um almeja uma cadeira na Assembleia Legislativa do seu Estado. Outros três nomes se candidataram ao cargo de governador.

Depois de passar um ano e sete meses na prisão após ser condenado na Operação Lava Jato a cumprir pena de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá, Lula recuperou os direitos políticos e agora tenta voltar ao Palácio do Planalto.

A Lava Jato foi deflagrada em março de 2014, por ordem do então juiz federal Sérgio Moro, candidato ao Senado pelo Podemos no Paraná. Até ser extinta, em 2021, a operação viveu 80 fases e levou para o banco dos réus empreiteiros, doleiros, lobistas e políticos.

Entre os 26 políticos que agora registraram suas candidaturas na Justiça Eleitoral, alguns foram acusados criminalmente pela força-tarefa de Curitiba ou pela Procuradoria-Geral da República (PGR) - nos casos de detentores de prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça ou no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, em vários desses casos, as denúncias foram rejeitadas judicialmente, por inépcia ou insuficiência de provas, e os acusados nem réus se tornaram.

A prisão do ex-presidente petista marcou o auge da operação, que começou a declinar com a decisão de Moro de deixar a magistratura e virar ministro da Justiça e da Segurança Pública do presidente Jair Bolsonaro, eleito em 2018 no rastro do discurso de combate à corrupção.

Saldo

Refletido também na disputa eleitoral deste ano, o saldo da Lava Jato é uma oposição entre críticos e defensores contundentes da operação. Entre os algozes, a avaliação é de que, em nome do enfrentamento da corrupção, a Lava Jato permitiu e autorizou todos os meios disponíveis, inclusive os ilegais durante as investigações e processos.

Seus defensores, protagonizados pelo ex-coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, e o próprio Moro - que também são candidatos a cadeiras no Congresso Nacional -, afirmam que a operação foi alvo de um movimento orquestrado de desmonte, que livrou acusados que agora tentam voltar à cena política.

A complexidade da operação resultou numa disputa pelo "espólio" da Lava Jato, tanto pelos agentes dos mecanismos de controle, quanto pelos que foram investigados e presos, destaca Clodomiro Bannwart, advogado e pós-doutor em Filosofia pela Unicamp.

Ele avalia que, neste cenário de discursos que flertam com o rompimento institucional, "a corrupção parece engalfinhada nas entranhas do Estado de direito, maculando e pervertendo as instituições por dentro".

'Atestado'

Como aponta Silvana Batini, professora da FGV do Rio de Janeiro e doutora em direito público pela PUC, embora a participação de ex-alvos da Lava Jato nas eleições "faça parte do jogo", "a lei não dá um atestado de idoneidade".

Pela legislação eleitoral vigente, ficam impedidos de concorrer apenas os candidatos que possuam condenação transitada em julgado (sem possibilidade de recurso) por alguns crimes. "A pessoa pode estar respondendo a vários inquéritos, pode estar até condenada numa primeira instância, e ela continua elegível", afirma Battini.

Na avaliação da professora, uma possibilidade para a formação do voto nestas eleições, é que "o eleitor construa os seus próprios critérios políticos de elegibilidade".

Em alguns casos, políticos precisam enfrentar batalhas nos tribunais para garantir a candidatura. Na semana passada, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha teve seu registro de candidatura autorizado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por quatro votos favoráveis e dois contrários.

Após ficar preso de 2016 a 2021 no âmbito da Lava Jato, ele tenta voltar ao Legislativo federal pelo PTB. O caso deverá parar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"A Lava Jato expôs ao Brasil um esquema de corrupção sem precedentes, tanto em relação ao montante roubado dos cofres públicos quanto ao número de autoridades envolvidas", disse Dallagnol, que atuou como coordenador da extinta força-tarefa em Curitiba e também busca na política um novo caminho. Ele é candidato a uma cadeira na Câmara pelo Podemos.

Coordenador jurídico da campanha de Lula, o advogado Cristiano Zanin se tornou um dos críticos mais ácidos da Lava Jato e da atuação de Moro e "determinados" ex-procuradores nos processos que condenaram o ex-presidente. "Vencemos 26 procedimentos jurídicos que foram indevidamente abertos contra Lula na Justiça brasileira e também o comunicado que fizemos ao Comitê de Direitos Humanos em 2016."

Sobre os candidatos investigados na operação, Dallagnol é enfático: "Acredito que essas pessoas não tenham idoneidade nem reputação ilibada."

Estadão / Dinheiro Rural

China critica falas de Biden sobre apoio a Taiwan




Presidente americano disse em entrevista que EUA defenderiam Taiwan no caso de uma invasão chinesa, provocando a ira de Pequim, para quem a declaração foi uma "grave violação" dos compromissos diplomáticos.

A China classificou nesta segunda-feira (19/09) os comentários do presidente americano, Joe Biden, de que os Estados Unidos defenderiam Taiwan no caso de um ataque chinês, como uma "grave violação" dos compromissos diplomáticos assumidos por Washington. Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan expressou "sincera gratidão" pelo apoio do democrata.

Em entrevista ao canal americano CBS, neste domingo, questionado sobre se os EUA defenderiam Taiwan no caso de uma invasão chinesa, Biden respondeu: "Sim, se ocorrer um ataque sem precedentes."

Para Pequim, a declaração de Biden constitui uma "grave violação do importante compromisso assumido pelos Estados Unidos de não apoiar a independência de Taiwan", disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, acrescentando que "isso emite um sinal errado às forças separatistas que fazem campanha pela independência de Taiwan".

As declarações de Biden surgem após uma significativa reaproximação entre os Estados Unidos e Taiwan, enquanto as relações sino-americanas atravessam a pior fase em várias décadas.

Na quarta-feira, o Comitê para as Relações Externas do Senado dos Estados Unidos aprovou o projeto de lei Taiwan Policy Act, que prevê uma ampliação do apoio militar americano ao país insular em 6,5 bilhões de dólares, nos próximos cinco anos.

Na mesma semana, a China condenou a venda de armamento a Taiwan pelos EUA, no valor de 1,1 bilhão de dólares, e prometeu "contramedidas" para "defender a sua soberania e interesses de segurança".

No início de agosto, a visita a Taiwan da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, já havia provocado a fúria de Pequim. "Pedimos aos EUA que reconheçam plenamente a extrema importância e alta sensibilidade da questão de Taiwan para que não prejudiquem ainda mais as relações China-EUA", disse Mao Ning.

"Cheque em branco" a Taiwan

Para Jessica Chen Weiss, cientista política e professora da Universidade Cornell, nos EUA, os novos comentários de Biden são "perigosos, mesmo que não sejam uma mudança oficial na política".

"Mais explícita aqui do que nas gafes anteriores, é a sugestão de que os EUA enviariam tropas para lutar por Taiwan, independente do que Taiwan fizer", escreveu no Twitter, acrescentando que isso "fortalecerá a percepção de que os EUA estão emitindo um cheque em branco para Taiwan".

Em maio, Biden já havia sinalizado que usaria força militar para defender Taiwan de uma invasão chinesa, obrigando a Casa Branca a se pronunciar no sentido de que a postura oficial dos EUA em relação à ilha não havia mudado.

A situação de Taiwan

Taiwan é uma ilha autogovernada desde 1949, com regime democrático e politicamente próxima de países do Ocidente. A China, no entanto, considera o considera parte de seu território e exige que os países escolham se vão manter relações diplomáticas com Pequim ou com Taipei. O governo chinês também vê Taiwan como uma província chinesa, que um dia será "reunida" ao continente, mesmo que para tal seja necessário usar força.

Neste contexto, os EUA não têm laços diplomáticos formais com Taiwan e reconhecem a República Popular da China (RPC), com sede em Pequim, como "único governo legal", sob a política de "uma só China".

No entanto, Washington não reconhece explicitamente a soberania chinesa sobre Taiwan e continua fornecendo armas à ilha autogovernada, o que levou à atual complicada área cinzenta diplomática e estratégica.

Os EUA se comprometeram com a capacidade de defesa de Taiwan, que até agora significou principalmente entregas de armas. A questão da assistência militar das tropas americanas em caso de ataque foi deliberadamente deixada em aberto pelos antecessores de Biden, sob uma política de "ambiguidade estratégica", segundo a qual a intervenção militar direta não é garantida, mas tampou explicitamente descartada.

Deutsche Welle

Com dois anos de atraso, revista médica reconhece que o vírus da Covid pode ter surgido em laboratório.




Demorou, mas The Lancet agora afirma que a negligência do laboratório de Wuhan, na China, pode ter dado origem à disseminação do vírus. 

Por Eli Vieira 

A tradicional e influente revista médica The Lancet, que deu espaço em fevereiro de 2020 a uma carta que afirmava que os cientistas “concluíram que esse [novo] coronavírus se originou em animais silvestres”, publicou na última quarta-feira (14) um grande relatório em que admite que a origem da pandemia poderia estar na “possibilidade de um surto relacionado a laboratório”.

O relatório, com primeira autoria do dr. Jeffrey Sachs, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade Columbia em Nova York, foi feito por uma comissão que tratou das lições para o futuro a serem aprendidas com a pandemia de Covid-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). A comissão, que inclui 39 outros cientistas, é da própria Lancet.

Os quarenta autores consideraram que, em uma lista de fracassos da cooperação internacional, estaria a falta de aplicação de padrões apropriados de biossegurança antes da pandemia. Essa negligência eleva a possibilidade de o vírus ter emergido em algum cenário laboratorial. A possibilidade inclui o manejo inapropriado de amostras coletadas em animais silvestres que poderiam ter infectado técnicos de laboratório, que depois levaram o surto para o ambiente urbano de Wuhan, na China; com ou sem manipulação do vírus em laboratório. A linguagem do relatório a respeito é vaga, mas deixa claro que a hipótese de origem laboratorial no mínimo compete com a hipótese da origem zoonótica (em animais silvestres ou domesticados, e deles para humanos).

A referência ao vazamento laboratorial está também no primeiro item de uma lista das principais descobertas da comissão. No item, o relatório não pende para nenhuma das duas hipóteses, apenas as menciona e afirma que “a identificação da origem do vírus ajudará a impedir futuras pandemias e a reforçar a confiança do público na ciência e nas autoridades de saúde”.

Certeza precoce

A confiança do público foi testada nesse assunto. Como contam Matt Ridley, biólogo e escritor britânico, e Alina Chan, especialista em biologia molecular, em seu livro “Viral” (2021, sem edição no Brasil), a carta publicada na Lancet que deu certeza de que o SARS-CoV-2 vinha de animais silvestres foi articulada por Peter Daszak, diretor de uma organização não-governamental que era intermediária de verbas entre o governo americano e o Instituto de Virologia de Wuhan. A principal parceira de Daszak em Wuhan, que realizava todo o trabalho em laboratório, era a virologista Shi Zhengli, chamada de “mulher morcego” carinhosamente por trabalhar em vírus que habitam esses mamíferos voadores.

A equipe de Shi manipulava o organismo de camundongos para que tivessem pulmões mais semelhantes aos humanos, e testava a capacidade de linhagens de coronavírus de infectá-los. Além disso, em documentos antes secretos, revelou-se que Daszak também pediu verba da Darpa, agência de fomento de pesquisa da inteligência americana, para inserir no material genético de um coronavírus uma estrutura molecular rara nessa família viral e que hoje é observável no SARS-CoV-2. A verba foi negada, mas o trabalho pode ter sido realizado em Wuhan.

Como contou o experiente jornalista de ciência Nicholas Wade em um grande artigo publicado em maio de 2021 pela Gazeta do Povo, embora não se possa bater o martelo, uma das razões de se desconfiar da origem laboratorial é o tempo que se passou desde o primeiro surto e a ausência de um organismo ou população animal que seja o reservatório do vírus. Os prováveis reservatórios foram achados muito mais rápido para outras doenças causadas por outros coronavírus em humanos, como a gripe asiática (SARS) — em civetas, mamíferos que se parecem com guaxinins — e a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) — em camelos. Em ambas as situações, os prováveis “culpados” na natureza foram achados em menos de um ano.

Wade fez pouco mais que dar sua voz experiente ao trabalho de investigadores independentes, inclusive cientistas, que se reuniram no Twitter pela hashtag #DRASTIC e duvidaram da narrativa oficial publicada na Lancet, na Nature Medicine e repetida pelos burocratas de saúde mais influentes do mundo, como Anthony Fauci, veterano dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos que aconselhou tanto Trump quanto Biden na pandemia. A Gazeta do Povo foi pioneira no Brasil ao cobrir um dos estudos publicados por cientistas do grupo #DRASTIC e afirmar que a hipótese da origem laboratorial deveria ser levada a sério em novembro de 2020.

Com a virada na Lancet e uma mudança anterior de posição da Organização Mundial da Saúde, o establishment de saúde do mundo hoje está na posição que deveria ter tido em março de 2020: de considerar que não só animais silvestres, mas também pesquisas com vírus perigosos podem ser a origem de surtos. Aconteceu muitas vezes no passado, e pode ter acontecido de novo em 2019.

Gazeta do Povo (PR)

“Retorno da Guerra fria”, diz especialista sobre encontro de Xi Jinping e Putin no Uzbequistão




Xi Jinping e Vladimir Putin em Samarcanda, em 15 de julho de 2022, durante a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO). 

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, se reuniram nesta quinta-feira (15) na cidade uzbeque de Samarcanda, à margem de um encontro de cúpula com outros líderes da região, considerada um contrapeso à influência global do Ocidente. Para especialistas ouvidos pela RFI, o encontro representa o retorno da Guerra Fria e sela a aproximação dos dois países.

Para Emmanuel Lincot, professor do Instituto Católico de Paris, “significa para esses estados uma forma de criar uma sociedade de ajuda mútua, que permitirá a criação de um eixo reunindo Ancara, Teerã, Pequim e Moscou”. Em entrevista à RFI, o especialista em história política afirma que “assistimos claramente ao retorno de uma Guerra Fria, com uma Eurásia dominada por Moscou e Pequim, frente ao Indopacífico sob domínio dos americanos e seus aliados”.

Esta é a primeira viagem ao exterior do presidente chinês, desde o início da pandemia de Covid-19. Já para Putin, é uma oportunidade de demonstrar que a Rússia não pode ser isolada internacionalmente, apesar da invasão da Ucrânia, onde suas tropas sofreram consideráveis derrotas militares.

“É uma confirmação da aproximação de Pequim e Moscou, mas não podemos esquecer que em regimes ditatoriais como o da China e da Rússia, toda iniciativa de política externa leva em consideração a política interna”, observa Lincot.

Para Xi, é uma oportunidade de exibir suas credenciais como dirigente global antes do importante congresso do Partido Comunista, em outubro, no qual buscará o terceiro mandato. “É uma forma de Xi Jinping anunciar, antes do Congresso do Partido Comunista Chinês, que é ele quem manda. E uma forma de dizer que Moscou e Pequim são contrários a organizações de um só polo”, explica, sobre o que considera um recado claro aos americanos.

O professor ainda destaca que os chineses já pagam em rublos os seus contratos com Moscou e acredita que ambos os países possam até mesmo pensar em uma cripto moeda sino-russa, para contornar as sanções ocidentais.

Nesta quinta-feira, Xi Jinping disse que Pequim está disposto a trabalhar com Moscou para “apoiar os interesses fundamentais um do outro”, de acordo com um comunicado da mídia estatal.

O presidente russo, por sua vez, criticou os Estados Unidos, que lideram a ajuda militar à Ucrânia, bem como as sanções internacionais contra Moscou. "As tentativas de criar um mundo unipolar tomaram, recentemente, uma forma horrível e são completamente inaceitáveis", disse Putin. "Apreciamos muito a posição equilibrada de nossos amigos chineses em relação à crise ucraniana", acrescentou.

O encontro de cúpula é uma oportunidade para Moscou e Pequim desafiarem o Ocidente, em particular os Estados Unidos, país que liderou a adoção de sanções contra a Rússia, por causa da guerra na Ucrânia, e que irritou a China com demonstrações de apoio a Taiwan.

Vladimir Putin aproveitou para reiterar o apoio de Moscou a Pequim em relação a Taiwan, onde as visitas de autoridades americanas provocaram a ira chinesa. "Condenamos a provocação dos EUA", disse o líder russo, enfatizando que Moscou adere ao princípio de "uma China", segundo o qual Taiwan é parte do território chinês.

Alternativa ao Ocidente

Sediado no Uzbequistão, nesta antiga escala da Rota da Seda, o encontro da Organização de Cooperação de Xangai (SCO na sigla em inglês) conta com as presenças dos líderes da Índia, Paquistão, Turquia, Irã e de outros países.

Em um sinal de sua reaproximação diante das tensões ocidentais, navios russos e chineses realizaram uma patrulha conjunta no Oceano Pacífico, nesta quinta-feira, para "fortalecer a sua cooperação marítima". Até agora, a China não apoiou abertamente a guerra na Ucrânia, mas desenvolveu laços econômicos e estratégicos com a Rússia nesses meses de conflito e Xi Jinping expressou apoio à "soberania e segurança" do gigante eurasiático.

Clube anti-OTAN

Para alguns especialistas, essa aliança estratégica é uma espécie de "anti-Otan" criada pela China para combater a influência de Washington. “É uma organização fechada aos Estados Unidos, fechada ao Oeste e ao Japão, e que faz propaganda da boa vontade sino-russa, contando com as repúblicas da Ásia Central”, explica à RFI Emmanuel Véron, geógrafo e pesquisador associado à escola naval e à INALCO (sigla em francês para o Instituto de línguas e civilizações orientais).

“Mas devemos chamar atenção para o peso da China nessa organização, já que é uma iniciativa das autoridades chinesas, e a instrumentalização desse círculo diplomático pela China e pela Rússia para criar um contrapeso à Otan”, completa o especialista. “Porém, não há uma coordenação absoluta entre Moscou e Pequim, em que os dois estejam de acordo sobre todos os assuntos. Veja, por exemplo, a grande prudência da China sobre o conflito na Ucrânia,” destaca Véron.

Esta reunião é a primeira entre Xi Jinping e Putin desde que se encontraram em Pequim, em fevereiro, para os Jogos Olímpicos de Inverno, pouco antes de a Rússia lançar sua ofensiva contra a Ucrânia. Com esta viagem, Pequim mostra a vontade de reforçar a influência da China na região.

O presidente chinês também se reúne, no Uzbequistão, com o seu colega bielorrusso, Alexander Lukashenko, um aliado próximo da Rússia, que é membro da SCO como observador.

Formada em 2001 por China, Rússia, Índia, Paquistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tajiquistão, a SCO foi criada como uma organização política, econômica e de segurança para rivalizar com as instituições ocidentais. Não se trata, contudo, de uma aliança militar formal, como a Otan, ou um bloco integrado, como a União Europeia, mas seus membros trabalham juntos em questões de segurança, cooperação militar e promoção comercial.

Além de Xi Jinping, Putin se reuniu, nesta quinta-feira, com o presidente iraniano, Ebrahim Raisi. Para o líder de Teerã, “a cooperação entre os países sancionados por Washington os tornará mais fortes”. O Irã esperou mais de dez anos para obter a sua adesão à SCO, pois vários membros não desejavam ter no grupo um país sancionado pelos Estados Unidos e pelas Nações Unidas por causa de seu programa nuclear.

Vladimir Putin também teve encontros bilaterais com o presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, e do Turcomenistão, Serdar Berdymoukhamedov. A programação desta sexta-feira prevê encontros com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

China e Rússia reafirmam influência regional; Taiwan alerta para instabilidade da paz mundial

Em um encontro de cúpula regional na cidade de Samarcanda, no Uzbequistão, os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, se posicionaram, nesta sexta-feira (16), como um contrapeso à influência ocidental. Outros Estados que mantêm relações tensas com os Estados Unidos participam das discussões da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na siga em inglês). Porém, Taiwan advertiu que os crescentes vínculos entre a Rússia e a China prejudicam a estabilidade e a paz mundial.

Formado por China, Rússia, Índia, Paquistão, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Tadjiquistão, o grupo foi fundado em 2001 como uma organização de cooperação política, econômica e de segurança, que pretende rivalizar com as instituições ocidentais.

O presidente chinês pediu aos líderes dos países participantes para "trabalharem juntos a fim de promover uma ordem internacional que siga em uma direção mais justa e racional". "Devemos promover os valores comuns da humanidade e abandonar a política de criação de blocos", disse Xi Jinping. O líder chinês não citou nenhum país, mas Pequim costuma utilizar essa linguagem para criticar os Estados Unidos e seus aliados.

Já Vladimir Putin celebrou a influência crescente dos "novos centros de poder" que, segundo ele, estão se "tornando cada vez mais evidentes". O presidente russo afirmou que a cooperação entre os países membros da SCO, ao contrário do Ocidente, está baseada em princípios "isentos de egoísmo". Durante um encontro com Xi, o russo agradeceu ao colega chinês por sua "posição equilibrada" sobre o conflito na Ucrânia e prometeu "explicações" sobre suas "preocupações".

As declarações de Xi e Putin ilustram as turbulências na esfera internacional, há vários meses. Moscou e Pequim enfrentam relações muito complicadas com os Estados Unidos em consequência da invasão russa na Ucrânia e do apoio americano a Kiev. Além disso, os países ocidentais adotaram uma série de sanções econômicas contra a Rússia, que olha cada vez mais para a Ásia em busca de apoio econômico e diplomático. "Estamos abertos à cooperação com o mundo inteiro", disse Vladimir Putin.

Xi Jinping, que faz a sua primeira viagem ao exterior desde o início da pandemia de coronavírus, espera, por sua vez, reforçar a sua imagem antes do congresso do Partido Comunista Chinês, em outubro, no qual aspira obter um novo mandato.

Outros encontros

O presidente chinês se encontrou com o seu colega turco, Recep Erdogan. Em várias ocasiões, o presidente da Turquia demonstrou preocupação com a população uigure, uma minoria chinesa muçulmana que fala turco e mora, principalmente, no noroeste da China. Organizações humanitárias acusam Pequim de oprimir essa população. O comunicado oficial da China sobre a reunião bilateral, contudo, não menciona se essa questão foi abordada pelos dois líderes.

Xi Jinping também teve uma reunião bilateral com o presidente iraniano. Ibrahim Raissi disse que seu país não cederia à intimidação dos Estados Unidos. "A República Islâmica do Irã não vai recuar diante da intimidação americana de forma alguma", disse, referindo-se às sanções de Washington contra Teerã, principalmente por seu programa nuclear.

Moscou busca alternativas

Moscou tenta reforçar os vínculos com a Ásia para contra-atacar as sanções ocidentais impostas em represália à invasão russa da Ucrânia. Com esse objetivo, Putin participou de várias reuniões bilaterais à margem da cúpula.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, cujo país compra cada vez mais combustíveis de Moscou, apesar das sanções ocidentais, disse a Putin que “não é hora de guerra”. O presidente russo garantiu ao primeiro-ministro indiano que queria encerrar o conflito na Ucrânia "o mais rapidamente possível", e que entendia as "preocupações" da Índia sobre o assunto.

"Infelizmente, o lado oposto, a liderança da Ucrânia, recusou qualquer processo de negociação e indicou que queria alcançar seus objetivos por meios militares, no campo de batalha", continuou Putin. O chefe do Kremlin também afirmou que as relações entre a Índia e a Rússia estão "se desenvolvendo" e que os dois países têm uma "parceria privilegiada".

Putin ainda tem na agenda um encontro com o turco Erdogan, com quem pretende examinar o acordo que desbloqueou as exportações de grãos da Ucrânia, paralisadas pela guerra.

O presidente russo conversará, também, com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, após os confrontos entre este país e a Armênia, que deixaram mais de 200 mortos e provocaram o temor de uma nova guerra no Cáucaso, uma tradicional zona de influência de Moscou.

Taiwan reage

Frente à aproximação da Rússia e da China, Taiwan advertiu, nesta sexta-feira, que os crescentes vínculos entre esses dois países prejudicam a estabilidade e a paz mundial. "A Rússia chama de provocadores aqueles que mantêm a paz e o status quo, o que demonstra claramente o dano causado pela aliança entre os regimes autoritários chinês e russo para a paz internacional, a estabilidade, a democracia e a liberdade", afirmou o ministério das Relações Exteriores de Taiwan, em um comunicado.

Desde a quinta-feira, Xi e Putin vem expressando sua vontade de estabelecer um apoio recíproco e reforçar seus vínculos, em plena crise com os países ocidentais. Putin reiterou o apoio às reivindicações de Pequim em Taiwan. A China considera a ilha parte de seu território e prometeu retomar o controle à força se for preciso.

A invasão russa da Ucrânia reavivou os temores de Taipei de sofrer algo parecido com Pequim. Taiwan "condena de modo veemente a Rússia por seguir o governo autoritário e expansionista do Partido Comunista Chinês em suas declarações falsas nas reuniões internacionais que atentam contra a soberania de nosso país", afirmou o ministério taiwanês no texto.

RFI / DefesaNet

ACM Neto vai se reunir com presidente do TSE para pedir isonomia no TRE-BA

 Segunda, 19 de Setembro de 2022 - 18:03

por Leonardo Costa

ACM Neto vai se reunir com presidente do TSE para pedir isonomia no TRE-BA
Foto: Anderson Ramos/Bahia Notícias

O candidato a governador da Bahia ACM Neto (União), na tarde desta segunda-feira (19), em entrevista ao Projeto Prisma, podcast de política do Bahia Notícias, afirmou que marcou uma audiência com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, para esta terça-feira (20), em Brasília para falar sobre a punição que a coligação sofreu nas inserções no rádio e TV. Com ele, irão 10 deputados e advogados.

 

O postulante ao Palácio de Ondina ficou mais de uma semana sem aparecer nas propagandas eleitorais e quer que a Justiça Eleitoral da Bahia julgue os processos da coligação dele contra o PT.

 

“Estou parando a minha campanha amanhã para ir para Brasília, juntamente com 10 deputados federais. Todos nós estamos parando as nossas campanhas para ter um encontro com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral para apresentar o que está acontecendo na Justiça Eleitoral da Bahia. Eu por enquanto não quero dizer nomes, mas são conhecidos. O que aconteceu é que nós ficamos mais de uma semana fora do ar. Quando as pessoas ligavam a televisão ficava a tela azul, sem a nossa propaganda. O que aconteceu aqui? Julgaram todas as representações que a coligação do PT fez contra a gente e não julgaram a que nós fizemos contra eles. Isso não é subjetivo, temos uma planilha e vamos mostrar. A gente vai ao TSE, ao CNJ [Conselho Nacional de Justiça]. Nós vamos recorrer a todas as instâncias necessárias para que se faça justiça”, disse Neto.

 

O ex-prefeito de Salvador pontuou que deseja um tratamento isonômico. “Hoje os presidentes de partidos manifestaram, em nota conjunta, as suas indignações em relação ao que está acontecendo e fizeram um apelo ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral, o desembargador Roberto [Frank], e nós vamos a Brasília para mostrar o que aconteceu e o que está acontecendo na Bahia. A única coisa que eu quero é tratamento isonômico. Eu não quero vantagem, privilégio. Se nos acusou de invadir horário de deputado, porque estávamos abordando assuntos majoritários, que julguem para o PT da mesma forma. Se me acusou de invadir o horário de deputado por ter a minha marca e a minha foto, que faça com o PT da mesma forma. Se fizerem da mesma forma com o PT, eles vão ficar até o fim da campanha fora do ar”, completou.

Ipec: Lula sobe para 47% e aumenta distância para Bolsonaro no 1º turno

 Segunda, 19 de Setembro de 2022 - 21:27

por Redação

Ipec: Lula sobe para 47% e aumenta distância para Bolsonaro no 1º turno
Foto: Ricardo Stuckert e Clauber Cleber Caetano/PR

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou positivamente 1% e aumentou sua distância para o segundo colocado na disputa presidencial, Jair Bolsonaro (PL), de acordo com dados da nova pesquisa do Ipec, publicada na noite desta segunda-feira (19) pela TV Globo.


Lula, que tinha 46% no levantamento da última semana, agora tem 47% das intenções de voto. Bolsonaro, por outro lado, se manteve com os mesmos 31% da preferência apresentados na pesquisa anterior.

 

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) não oscilou, mantendo-se estável em 7%. Já a senadora Simone Tebet (MDB), que tinha 4% da preferência, agora tem 5% das intenções de voto. A também senadora Soraya Thronicke (União) se manteve com 1%.

 

Brancos e nulos somaram 5% das intenções de voto, enquanto 4% ainda se disseram indecisos sobre o primeiro turno.

 

Conforme os números do Ipec, se as eleições fossem hoje, Lula venceria no primeiro turno, visto que suas intenções de voto (47%) superam a soma dos percentuais obtidos pelos adversários (44%).

 

O Ipec entrevistou 3008 eleitores presencialmente, em 181 municípios, entre os dias 17 e 18 de setembro. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos, com nível de confiança em 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00073/2022.

Bahia Notícias

TSE determina que decisões de desembargador do TRE-BA sejam julgadas em 48 horas

 Terça, 20 de Setembro de 2022 - 06:40

por Redação

TSE determina que decisões de desembargador do TRE-BA sejam julgadas em 48 horas
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta segunda-feira (19) que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) julgue, num prazo de 48 horas, recursos da coligação Pra Mudar a Bahia contra decisões do desembargador Raimundo Sérgio Sales Cafezeiro.

 

A decisão de Moraes acontece após reclamação feita pelo candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União) ao TSE. Nos processos, Cafezeiro, que foi escolhido desembargador pelo quinto constitucional pelo governador Rui Costa (PT), concedeu direitos de resposta ao governo do estado no programa de TV do candidato do União Brasil.

 

Contudo, de acordo com os advogados da coligação de Neto, o estado não tem legitimidade para solicitar direito de resposta, somente a coligação do PT ou o próprio candidato do partido a governador. A coligação Pra Mudar a Bahia recorreu, mas os processos ainda não foram julgados.

 

Na decisão, Moraes pontua que os recursos eleitorais exigem julgamento no prazo de 48 horas, conforme prevê a Lei das Eleições. O ministro lembra ainda que a "omissão da prestação jurisdicional no período crítico da campanha importa em ofensa à lisura do processo eleitoral e lesão ao princípio da inafastabilidade da jurisdição".

 

Também na segunda, em entrevista ao Projeto Prisma, Neto revelou que vai dar uma pausa na campanha nesta terça (20) para ir até Brasília, onde tem uma audiência com Moraes, para falar sobre a punição que a coligação sofreu nas inserções no rádio e TV. Com ele, irão 10 deputados e advogados (veja aqui).

 

Ainda ontem, os presidentes dos 13 partidos que integram a coligação Pra Mudar a Bahia encaminharam ao presidente do TRE, Roberto Maynard Frank, para pedir tratamento igualitário, democrático e justo para todos os grupos que disputam as eleições neste ano. Eles dizem que há neste momento uma grave situação de injustiça e de violação ao princípio da igualdade e da paridade de armas ocorrendo no pleito.

Bahia Notícias

Aumento na conta de luz impõe saia justa a senadores às vésperas da eleição

 Terça, 20 de Setembro de 2022 - 07:00

por Fábio Zanini | Folhapress

Aumento na conta de luz impõe saia justa a senadores às vésperas da eleição
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

A MP (Medida Provisória) 1118/2022 impôs aos senadores uma saia justa às vésperas das eleições. A proposta, que caduca no dia 27 de setembro, pode impactar na conta de luz nos estados, e os parlamentares tentam se esquivar do prejuízo político tão próximo ao primeiro turno.
 

Em Minas Gerais, estado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), o impacto pode chegar a 4%. Já em Alagoas, berço do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), o reajuste pode chegar a 6% segundo estimativas de associações de consumidores de energia. Em São Paulo, a 3%.
 

Os líderes marcaram reunião para a próxima quinta-feira (22) para encontrar uma solução para o problema. "Nós todos estamos trabalhando no sentido de tirar [os jabutis]. Os líderes precisam fechar questão, têm que aceitar", explica o relator da MP, senador Acir Gurgacz (PDT-RO). É possível que um texto já seja apreciado neste dia.
 

A saia justa foi criada por dois jabutis incluídos na Câmara dos Deputados. Um deles trata da proporcionalidade dos custos com o transporte da energia, tornando mais cara aquela produzida mais distante do local de consumo. O outro prorroga subsídios para energia renovável e acrescentaria R$ 8 bilhões à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Bahia Notícias

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