sexta-feira, junho 17, 2022

PT arma uma manobra para Lula escapar dos debates e Bolsonaro segue o exemplo


Lula x Bolsonaro: 3 leituras da nova pesquisa sobre a eleição 2022 - PCdoB

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Desde 26 de setembro de 1960, quando a rede CBS levou ao ar o primeiro confronto ao vivo entre presidenciáveis norte-americanos (o democrata John Kennedy, senador de Massachusetts, e o republicano Richard Nixon, vice-presidente em exercício), a política mudou e os debates passaram a ser fundamentais para as eleições. Houve três outros programas e um deles, pela ABC News, foi virtual, porque Kennedy estava em Nova York e Nixon em Los Angeles, e os dois foram mostrados em uma tela dividida, enquanto o moderador Bill Shadel estava em Chicago.

No primeiro debate, Nixon bobeou. Confiante nas pesquisas, que lhe davam seis pontos de vantagem em relação a Kennedy, que era menos famoso, Nixon nem quis raspar novamente a barba e recusou maquiagem. Resultado, uma imagem ruim em relação ao visual privilegiado do adversário.

DEBATES, SEMPRE – Foi uma eleição duríssima na matriz U.S.A., pois Kennedy venceu com vantagem de 112.827 votos, ou seja, apenas 0,1% do voto popular, mas conseguiu 303 votos contra 219 no Colégio Eleitoral. E desde então nunca mais houve disputas presidenciais em países democráticos sem a realização de debates.

Aqui na filial Brazil, o PT agora arma uma jogada para tirar Lula dos debates. O partido sabe que os adversários vão explorar os fatos negativos da vida pregressa de Lula, como a atuação de informante do regime militar, o enriquecimento ilícito, o mensalão, o petrolão, a contratação da amante, as românticas viagens pagas pelo poder público e tudo o mais.

Sabendo que jamais haverá entendimento entre as emissoras, o PT pediu à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão que os veículos de comunicação se organizem em formato de pool para realizar apenas três debates nos 45 dias de campanha .

BOLSONARO, IDEM – O presidente Jair Bolsonaro também sabe que não se sairá bem nos debates. Na eleição passada, faltou aos todos eles, alegando estar se recuperando da facada desferida pelo doente mental Adélio Bispo, circunstância que não o impediu de dar longas entrevistas às TVs.

Agora, sabendo da resistência de Lula em comparecer aos debates, Bolsonaro aproveita a deixa e anuncia que somente participará se o candidato petista estiver presente. Assim, como Lula não irá a nenhum deles, Bolsonaro também estará de fora, fazendo olhar de paisagem.

Já estão marcados cinco debates, programados pelas emissoras CNN, SBT, Band, Record e Globo, em parceria com jornais, rádios e revistas, através de transmissão em várias plataformas e duração aproximada de duas horas. Mas dificilmente serão realizados.

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P.S. –
 Como se vê, em matéria de respeito às práticas da democracia pleno, a filial Brazil continua muito aquém em relação à matriz U.S.A. Aqui, nem Lula nem Bolsonaro aceitam participar de debates. Se isso ocorresse nos EUA, os dois estariam eliminados da política, porque seriam considerados covardes e ninguém jamais votaria neles. (C.N.)

Assassinos a serviço do crime organizado mataram Phillips, Bruno e apunhalaram o país


Charge de Carlos Latuff (brasil247.com)

Pedro do Coutto

Assassinos a serviço do imundo crime organizado mataram Dom Phillips e Bruno Pereira, e apunhalaram também o país, deixando para sempre um rastro de sangue na história brasileira. A repercussão internacional está sendo enorme. O governo Bolsonaro ficou muito mal nas narrativas nos principais jornais do mundo, conforme a TV Globo revelou.

O crime organizado inclui a pesca ilegal, o garimpo fora da lei, o desmatamento criminoso e, de uns tempos para cá, a ação do narcotrafico na região, estando provavelmente envolvido no triste episódio, dada a violência do crime contra o jornalista ingles e o indigenista. No O Globo, a reportagem  é de Carla Rocha, Bruno Alfano e Alfredo Mergulhão. Na Folha de S. Paulo, a matéria é de Vinicius Sassine, César Feitosa e Rosiene Carvalho.

REPERCUSSÃO – O impacto do episódio foi enorme e está se desenvolvendo na proporção do crime praticado. Aumentando a repercussão negativa para o Brasil, Matheus Teixeira, Folha de S. Paulo de quinta-feira, destaca a frase do presidente Bolsonaro, afirmando que Dom Phillips era “mal visto na Amazônia”. A afirmação causa perplexidade porque, mesmo que fosse verdadeira, isso não seria motivo para que alguém fosse assassinado.

O presidente da República, desde o início do roteiro sinistro desenhado pelos assassinos, não focalizou diretamente a questão, dizendo que a área era de risco. No fundo, deixa o governo ainda pior, uma vez que comprova que ele não tem o domínio de uma área de fronteira com diversos países e, portanto, configura-se como rota aberta na selva verde para as ações do garimpo ilegal e do narcotráfico que se expande na região.

A Polícia Federal informou que, no caso da defesa do meio ambiente na Amazônia, luta contra a falta de recursos humanos e financeiros. Essa é uma parte do resultado do desmonte  feito nos quadros do Ibama e da Funai, atitudes misteriosas, hoje menos ocultas por parte do Ministério do Meio Ambiente e também do Ministério da Economia, a quem cabe a execução do orçamento federal.

OMISSÃO – As consequências já estão se fazendo sentir e vão repercutir ainda mais nos próximos passos do governo Jair Bolsonaro. Algumas perguntas devem ser feitas: por que o silêncio quanto ao desmatamento ? Por que a nuvem sobre o garimpo ilegal? Por que a sombra sobre a pescaria contra a lei? Por que a omissão ? As respostas aguardadas são possíveis indicadoras de um estranho sistema.

Com o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira, o governo desabou ainda mais na opinião pública e, portanto, junto ao eleitorado brasileiro. Também no O Globo, reportagem de Lucas Altino destaca o clima de ameaça constante que o crime organizado desfecha contra os servidores públicos do governo que atuam na defesa da floresta e que não negociaram as suas consciências.

SUBSTITUIÇÃO DE BRAGA NETTO –  Reportagem no O Globo é de Jussara Soares revela a insegurança que está envolvendo a campanha de Bolsonaro à reeleição. Isso porque não tem lógica aparente a substituição de alguém já convidado a ser candidato a vice pela ex-ministra da Agricultura que quer disputar o Senado nas eleições de 2 de outubro.

Julia Chaib e Matheus Teixeira, Folha de S. Paulo, em reportagem de grande destaque, apontam que o Centrão entrou em campo para que Tereza Cristina seja a vice de Bolsonaro, enquanto o próprio presidente da República disse a deputados do bloco que tanto Tereza Cristina quanto Braga Netto estão “cotadíssimos” para formar a sua chapa. A afirmação confirma a intenção de substituir o general Braga Netto, pois este já se encontrava convidado para ser o companheiro de chapa do presidente em seu projeto de reeleição.

Na minha opinião, quando em política surge um movimento para substituir uma candidatura majoritária, o candidato objeto da pressão tem que se afastar do cargo, pois já foi sinalizada a rejeição e a insatisfação quanto ao fato deste adicionar ou não votos. Não há dúvida, portanto, de que o noticiário de ontem deixou muito claro que Braga Netto deverá renunciar à indicação em nome de uma unidade partidária que ainda não existe.

ENCONTRO –  Num texto marcado pela cordialidade, o ministro Paulo Sérgio Nogueira encaminhou novo ofício ao ministro Edson Fachin, presidente do TSE, agora  convidando-o para um encontro sobre a participação das Forças Armadas no acompanhamento das eleições, incluindo a computação dos votos e a votação praticada nas urnas eletrônicas.

O ministro da Defesa, reportagem no O Globo de Bela Megale, reportagem na Folha de S. Paulo de Matheus Vargas, fala em diálogo e a presença no encontro das equipes técnicas do Tribunal Superior Eleitoral e das Forças Armadas. Sem dúvida alguma, o general mudou de tom e o encontro, penso, será de grande importância para o processo político e eleitoral brasileiro.

UNIVERSO DIGITAL – Júlia Barbon, Folha de S. Paulo, com base em pesquisa do Instituto Quaest, informa que o presidente Jair Bolsonaro é o primeiro colocado em matéria de popularidade no universo digital, seguido de perto por Lula. Em terceiro, aparece Ciro Gomes. A pesquisa atribui a Bolsonaro um índice de 33% contra 29% de Lula da Silva.

Porém, não explica sobre que números absolutos incidem os percentuais de 33% e 29%. Além disso, a popularidade digital decorre da ação de mensagens permanentes e da ação de influenciadores. Entretanto, a margem de vantagem de Bolsonaro sobre Lula nas telas dos computadores não corresponde a mesma situação apontada pela pesquisa mais recente do Datafolha, comprovando que os tais influenciadores, na prática, não influenciam tanto assim.

GREVE –  O Estado de S. Paulo, edição de quarta-feira, informa que em assembleia realizada na segunda-feira, em Brasília, os funcionários do Banco Central decidiram entrar em greve por reajuste salarial que compense as perdas inflacionárias acumuladas. Os servidores do Bacen haviam entrado em greve há cerca de um mês pelo mesmo motivo.

Há cerca de dez dias, suspenderam o movimento, possivelmente em face de alguma promessa colocada na mesa das negociações.  Mas, ao que tudo indica, não houve avanço concreto ou então os funcionários do Banco Central resolveram manter a greve até que fossem mantidas as suas reivindicações.


Furto em Lojas de Jeremoabo -Bahia.



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Esse artista  fez uma visita indesejável e sem autorização subtraindo bens da Mercadoria Araújo, e a Casa do Agricultor aqui na cidade de Jeremoabo/BA, por favor quem conhecer ligar para polícia.

quinta-feira, junho 16, 2022

Por analogia estamos diante de uma caso semelhante ao do Vereador Zé Miúdo.

 

SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO

TSE confirma validade de gravação como prova de compra de votos


"Admite-se, em regra, como prova do ilícito eleitoral, a gravação ambiental feita por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro e sem prévia autorização judicial, seja em ambiente público ou privado." A tese foi fixada nesta quinta-feira (9/5), pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral.

TSE confirma validade de gravação como prova de compra de votos. 
TSE

A tese diz respeito ao processo de um vereador, Gilberto Massaneiro, que teve uma conversa gravada ao oferecer vantagens a uma eleitora em troca de seu voto. Esse entendimento será válido apenas para casos ocorridos a partir das Eleições de 2016.

O julgamento foi retomado com o voto-vista do ministro Luís Roberto Barroso, que reconheceu não haver, neste caso, o chamado "flagrante preparado", que poderia ser utilizado para prejudicar candidatos a cargos eletivos.

Segundo o ministro, há a comprovação da compra de votos, uma vez que houve espontânea oferta de vantagens vinculadas ao especial fim de obter votos ao então candidato.

Ao concluir, Barroso afastou a acusação de abuso de poder político e de autoridade, uma vez que a gravação só comprova a oferta a uma única eleitora que, embora suficiente para caracterizar a compra de votos, não tem aptidão para afetar a normalidade do pleito e atrair as sanções da prática de ato abusivo. O entendimento seguiu a mesma linha do voto do relator, ministro Edson Fachin, apresentado na sessão do dia 12 de março deste ano. (nosso grifo)

Divergência
Ficaram vencidos os ministros Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Banhos, que se posicionaram pela invalidade da prova obtida por gravação ambiental.

A divergência foi aberta pelo ministro Tarcisio, que julgou totalmente improcedente a ação iniciada no Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC). Em sua opinião, a prova obtida por meio de escuta sem o conhecimento da outra parte não pode servir de prova. Com informações da Assessoria de Imprensa do TSE. 

Respe 40898

Revista Consultor Jurídico, 10 de maio de 2019

https://www.conjur.com.br/2019-mai-10/tse-confirma-validade-gravacao-prova-compra-votos

Nota da redação deste Blog - Para melhor entendimento grifei o voto do Ministro Barroso.

Denúncias do Vereador Antônio Chaves pelo uso ilegal de veículos oficiais para fins religiosos.

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O vereador Antonio Chaves usou da tribuna da Câmara  para denúnciar veículos Escolar para fins religiosos.
Uma  jurista" sem nehum respaldo legal postou um comentário informando que se fosse veículos adquiridos com recursos próprios do município o prefreito poderia ceder  para fins religiosos, para time de futebol  etc.
Mero engano, uma demonstração de falta de conhecimento da Constituição; porém, nada melhor do que reproduzir uma matéria que trata do assunto,  por quem entente  e tem autoridade para falar do assunto:

INFIDELIDADE COM O ERÁRIO

Uso de veículo público para levar fiéis a culto configura improbidade


Não há qualquer respaldo legal que autorize o uso de veículos públicos, mantidos pelo erário, para o transporte de particulares, ainda que tenha ocorrido em um final de semana, quando não havia a regular prestação de serviços de transportes à população em geral.

PiqselsUso de veículo público para levar fiéis a culto configura improbidade, diz TJ-SP

Com esse entendimento, a 5ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação de um ex-prefeito de São Lourenço da Serra e de uma igreja por atos de improbidade administrativa.

De acordo com a denúncia, durante um final de semana em dezembro de 2015, o réu teria cedido um ônibus, destinado ao transporte público, para levar fiéis a diversos locais onde aconteciam cultos religiosos, o que teria provocado enriquecimento ilícito e prejuízo ao erário.

"Tais fatos restaram suficientemente comprovados pelo conjunto probatório dos autos, uma vez que foram confirmados pelos próprios réus, que se limitaram a sustentar a inexistência de ilegalidade em sua conduta, bem como que tal prática seria comum naquela localidade", disse a relatora, desembargadora Maria Laura Tavares.

Para a magistrada, é "evidente a ilicitude do ocorrido", tanto por não ter sido comprovada a existência de qualquer interesse público que justificasse a disponibilização do ônibus aos fiéis, como pela utilização de um servidor público para dirigir o veículo, o que também gerou custos com salário de pessoal.

"A existência de prejuízo ao erário, por sua vez, também é notória, uma vez que, conforme bem destacou o magistrado a quo, 'a utilização de veículo gera gastos aos cofres públicos pois, embora o automóvel não se trate de bem consumível, é certo que há desgastes, que decorrem do mero uso, tais como o do motor, dos pneus, óleo, suspensão, câmbio, manutenção, combustível'", completou Tavares.

Pela decisão, o político e a igreja deverão ressarcir integralmente o dano ao erário e pagar multa civil no mesmo valor, que será apurado em fase de liquidação de sentença. O ex-prefeito também teve os direitos políticos suspensos pelo prazo de cinco anos. A decisão foi unânime.

Clique aqui para ler o acórdão
1002483-31.2018.8.26.0268

Revista Consultor Jurídico, 20 de setembro de 2021



TSE divulga valores do fundo eleitoral de 2022 destinados para cada partido; saiba valores

 Quinta, 16 de Junho de 2022 - 18:20


TSE divulga valores do fundo eleitoral de 2022 destinados para cada partido; saiba valores
Foto: Reprodução / TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibilizou nesta quarta-feira (15), a divisã do valor a que cada partido político terá direito na distribuição dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o Fundo Eleitoral, destinado às legendas para as Eleições Gerais de 2022. O montante também será divulgado na edição extra do Diário de Justiça Eletrônico do TSE de sexta-feira (17) e é disciplinado por meio da Portaria nº 579/2022.

 

 

O montante de R$ 4.961.519.777,00 representa a maior soma de recursos já destinada ao Fundo desde a criação, em 2017, e foi distribuído entre os 32 partidos políticos registrados no TSE com base em critérios específicos. Mais uma vez, o Partido Novo (Novo) renunciou ao repasse dos valores para financiar as campanhas políticas de candidatos e sua cota será revertida ao Tesouro Nacional.

 

O União Brasil (União), sigla resultante da fusão do Democratas (DEM) com o Partido Social Liberal (PSL), receberá o maior montante, com mais de R$ 782 milhões. Em seguida, estão o Partido dos Trabalhadores (PT), com pouco mais de R$ 503 milhões, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com R$ 363 milhões, o Partido Social Democrático (PSD), com R$ 349 milhões e o Progressistas, com aproximadamente R$ 344 milhões. Juntas, essas cinco legendas respondem por 47,24% dos recursos distribuídos.

 

Os recursos do Fundo Eleitoral ficarão à disposição do partido político somente depois de a sigla definir critérios para a distribuição dos valores. Esses critérios devem ser aprovados pela maioria absoluta dos membros do órgão de direção executiva nacional e precisam ser divulgados publicamente.

 

Veja lista:

União Brasil – R$ 782.549.751,69
PT – R$ 503.362.324,00
MDB – R$ 363.284.702,40
PSD – R$ 349.916.884,56
PP – R$ 344.793.369,45
PSDB – R$ 320.011.672,85
PL – R$ 288.519.066,50
PSB – R$ 268.889.585,68
PDT – R$ 253.425.162,09
Republicanos – R$ 242.245.577,52
Podemos – R$ 191.385.989,03
PTB – R$ 114.492.248,59
Solidariedade – R$ 112.956.557,72
PSOL – R$ 100.044.052,18
Pros – R$ 91.407.652,36
Novo – R$ 90.108.682,88
Cidadania – R$ 87.941.006,94
Patriota – R$ 86.488.932,80
PSC – R$ 76.226.112,45
PCdoB – R$ 76.076.392,78
Rede – R$ 69.668.368,67
Avante – R$ 69.241.914,34
PV – R$ 50.575.220,77 
PCB – R$ 3.100.949,86
Democracia Cristã – R$ 3.100.949,86
PRTB – R$ 3.100.949,86
PCO – R$ 3.100.949,86
PMB – R$ 3.100.949,86
PMN – R$ 3.100.949,86
PSTU – R$ 3.100.949,86
Unidade Popular – R$ 3.100.949,86
Agir – R$ 3.100.949,86 


Bahia Notícias

Impunidade no assassinato de jornalistas é erosão da democracia, diz relatora da ONU

 Quinta, 16 de Junho de 2022 - 19:20

por Patrícia Campos Mello | Folhapress

Impunidade no assassinato de jornalistas é erosão da democracia, diz relatora da ONU
Foto: Reprodução / Ifex.org

Ataques a jornalistas são um sintoma da erosão da democracia e é essencial que sejam investigados e punidos, disse Irene Khan, relatora especial da ONU para liberdade de expressão, em relação ao caso do jornalista britânico Dom Philips, que foi assassinado no Amazonas ao lado do indigenista Bruno Pereira.
 

"Sabemos que dez jornalistas foram mortos no conflito na Ucrânia. Mas, quando vemos isso acontecer em países como o México ou o Brasil, a morte de cada jornalista sob essas circunstâncias é um ataque à democracia", disse Khan à Folha.
 

"É por isso que é essencial que esses assassinatos sejam corretamente investigados e que aqueles que cometeram os crimes sejam levados à justiça e punidos."
 

Folha - Vários jornalistas foram mortos na Ucrânia e a jornalista palestina Shireen Abu Akhleh foi morta na Cisjordânia. São todos episódios trágicos, mas a violência contra jornalistas não se limita a situações de conflito. Estamos vendo ataques a jornalistas em países como Índia, Brasil, Hungria, Turquia e Filipinas. Quão preocupada a senhora está com as ameaças à liberdade de expressão em países democráticos?
 

Irene Khan - É muito preocupante ver ataques a jornalistas em países democráticos, ver assassinatos e desaparecimentos, porque a liberdade da mídia e a segurança de jornalistas são fundamentais para o processo democrático.
 

Não se trata apenas do direito de jornalistas de se expressarem. A liberdade de expressão também é o direito da sociedade de saber o que está acontecendo, o acesso a jornalismo de qualidade, baseado em fatos, é uma parte essencial do processo democrático. E é por isso que, quando jornalistas são atacados e mortos, e quando há impunidade para o assassinato de jornalistas em países democráticos, significa que a democracia está sendo enfraquecida.
 

Recentemente, um jornalista desapareceu juntamente com um ativista ambiental [na Amazônia, Dom Phillips e Bruno Pereira]. Sabemos que dez jornalistas foram mortos na Ucrânia. Mas, quando vemos isso acontecer em países como o México ou o Brasil, a morte de cada jornalista sob essas circunstâncias é um ataque à democracia. Por isso é essencial que esses assassinatos sejam corretamente investigados e que aqueles que cometeram os crimes sejam levados à justiça e punidos.
 

Folha - A senhora tem alertado para as peculiaridades da era digital. Quais são os desafios à liberdade de expressão na era digital?
 

Irene Khan - A tecnologia digital trouxe muitas vantagens a jornalistas. É possível obter dados em muito menos tempo. Os jornalistas conseguem fazer jornalismo de maneiras que não conseguiam no passado. Graças à tecnologia você pode se comunicar com muito mais pessoas, seu público, seus leitores, mas também jornalistas em vários cantos do mundo estão colaborando em muitos projetos. Mas há o lado negativo, é claro.
 

Em primeiríssimo lugar, precisamos nos preocupar com a desinformação disponível nas plataformas de mídia digital. As pessoas não podem mais confiar na informação. Elas não sabem o que é fato e o que é falso, e, em consequência, começam a desconfiar de toda informação, e isso tem impacto sobre jornalistas.
 

Há também o lado comercial. Plataformas de mídia digital, através de seus algoritmos, controlam o que as pessoas leem e assistem, então o leitor pensa que é ele quem está fazendo a escolha, mas não é. Em certo sentido, as plataformas passaram a exercer uma espécie de poder editorial de controlar o que chega até os leitores. E há toda a questão da publicidade, a receita publicitária que agora está indo para as plataformas digitais, em vez de ir para a mídia tradicional.
 

Folha - Alguns ativistas de extrema-direita utilizam a defesa da liberdade de expressão como arma. Eles dizem que a moderação de conteúdos ou de discurso de ódio é, na realidade, censura. O que é a liberdade de expressão em um mundo onde o espaço público é dominado por plataformas na internet e o discurso pode ser usado como arma nas redes sociais?
 

Irene Khan - Informação e desinformação existem desde a antiguidade. O que está acontecendo hoje com a tecnologia digital é o poder da amplificação. Não é tão simples como quando alguém vai para a praça pública e grita uma mentira. Seja o que for que uma pessoa disser no Twitter, isso será transmitido para milhares ou centenas de milhares de pessoas, dependendo do tamanho da conta.
 

É muito perigoso. Não apenas porque a informação é falsa. Informação falsa não é ilegal pelas leis internacionais. Você pode mentir. Além disso, a sua mentira pode ser minha verdade. Assim, o julgamento sobre o que é verdade ou falso não é importante. Mas importa quando o que uma pessoa diz causa danos. Quando se diz algo que tem efeito nocivo, que pode incitar ao ódio e violência contra minorias ou pessoas LGBTQI ou semear mentiras para distorcer eleições. Isso é muito perigoso, e as plataformas carregam uma responsabilidade, sim. Elas têm a responsabilidade de garantir que conteúdos ilegítimos e nocivos sob a lei internacional não proliferem da mesma forma que outros conteúdos.
 

É claro que precisamos tomar o cuidado de não deixar que governos interfiram no processo. O que o governo deve fazer é obrigar as plataformas a serem mais francas sobre como estão realizando a moderação de conteúdos. Assim, você e eu, como leitores, saberemos se há um tipo de informação que só vemos devido a algoritmos e acreditamos que é a verdade. Essa é mais uma maneira que as plataformas digitais têm de assegurar que tenhamos acesso a fontes diversas de informação. Sempre que há desinformação, intencional ou não, e o melhor antídoto é mais informação para esclarecer os fatos.
 

O jornalismo independente baseado em fatos é uma ferramenta poderosa contra desinformação. Não censurar conteúdos, como fazem governos, mas sim estabelecer regras de transparência em relação ao que as plataformas estão fazendo. A outra coisa que as plataformas também podem fazer é reduzir o alcance dessas informações falsas, algo que o WhatsApp está fazendo. O conteúdo é criptografado, então o WhatsApp não pode fazer moderação de notícias perigosas -mas pode reduzir o alcance delas, para que não se espalhem tanto.
 

Folha - A violência de gênero online é muito comum? E o que é eficaz no combate a essa violência?
 

Irene Khan - Para começar, é importante dizer que a violência online existe. Muitas pessoas parecem duvidar disso, mas é real o dano psicológico provocado por, por exemplo, violência online contra mulheres, que tende a ser muito sexual e coordenada. Às vezes, isso acaba gerando agressões no mundo offline. Existem muitos casos de mulheres jornalistas ameaçadas online que então receberam ameaças na vida real e depois foram mortas. Isso é especialmente perigoso para políticas mulheres, jornalistas mulheres, líderes mulheres, mulheres na esfera pública. Elas são atacadas para ficarem com medo e saírem das plataformas.
 

Hoje em dia, como jornalista, você tem que estar na plataforma, senão não consegue fazer seu trabalho. A ideia aqui é ter tanta violência que a pessoa se sente empurrada para fora da plataforma. Há muita coisa que as plataformas e o Estado podem fazer para proteger as mulheres e ajudá-las a se protegerem. Por exemplo, há mecanismos que permitem bloquear o acesso de certos tipos de pessoas à sua conta. As plataformas também podem detectar esses ataques, porque eles têm padrões, geralmente atacam a partir de milhares de contas.
 

Já os governos precisam entender que a violência online contra mulheres é tão perigosa quanto a violência offline. As pessoas não têm o direito de fazer ameaças de estupro no mundo offline e tampouco deveria ser permitido fazer essas ameaças online.
 

Folha - A Austrália adotou no ano passado o código para negociação de pagamento de conteúdos jornalísticos, para estimular negociações entre plataformas e veículos de imprensa. Alguns outros países estão estudando ou seguir o mesmo modelo ou instituir um imposto sobre as plataformas. Que papel as plataformas devem desempenhar para garantir a viabilidade do jornalismo profissional?
 

Irene Khan - No modelo de negócios atual alguns veículos noticiosos estão se saindo muito bem, mas muitos não estão. Estão aparecendo os desertos de mídia. Há partes dos Estados Unidos, por exemplo, onde não há rádios nem jornais locais. E quando a imprensa das comunidades desaparece, as comunidades também começam a desaparecer. As discussões políticas que deveriam ocorrer por meio da imprensa local não ocorrem, e isso muda a política local.
 

Há uma série de coisas que podem ser feitas para combater esse problema. Uma delas é a responsabilidade das plataformas digitais. A imprensa fornece o conteúdo, e as companhias de plataformas digitais fornecem os meios reais de disseminação. Logo, é preciso haver alguma partilha, alguma compensação. O bom jornalismo, a informação factual independente, é um bem público, como a água e o acesso à eletricidade. Não se deixa a cargo do mercado decidir sobre o acesso à água. Portanto, da mesma maneira, não se pode deixar o acesso à informação inteiramente a cargo do mercado, porque então só teremos informações comercializáveis.
 

Não teremos a informação que precisamos ter, que é importante para uma democracia sadia, e que não necessariamente é comercialmente viável. Então, deveria funcionar do mesmo modo. Se você opera um serviço de ônibus para áreas rurais remotas, apesar de ele não ser rentável, o governo o subsidia. Precisamos promover a imprensa porque é bem público com o qual precisamos contar.
 

Folha - Líderes políticos em países como Brasil, Filipinas, Hungria, Turquia, Índia, Nicarágua vêm atacando a imprensa sistematicamente e tentando desacreditar e intimidar jornalistas. Como devemos lidar com isso?
 

Irene Khan - Quem acredita na democracia entende que o ocupante de um cargo público está sujeito ao escrutínio público. A imprensa e o público têm o direito de fiscalizar seu comportamento, e o político não pode atacá-los por isso. Infelizmente, é isso o que está acontecendo. É muito perigoso. Declarações contra a imprensa feitas por um primeiro-ministro, um presidente ou outras pessoas no poder podem gerar ameaças. Outras pessoas se sentem autorizadas a atacar.
 

Maria Ressa [Nobel da Paz em 2021] foi atacada tantas vezes pelo presidente das Filipinas [ex-presidente Rodrigo Duterte] que ela passou a receber ameaças físicas e online. Pela lei internacional, o discurso político é protegido. Por outro lado, o político tem a responsabilidade de não utilizar essa proteção para atacar a imprensa, porque então estará convertendo o discurso político em arma para atacar a mídia e reduzir o espaço para fiscalizarem sua atuação política.
 

Folha - Em seu relatório, a senhora fala sobre os processos judiciais estratégicos contra participação pública [SLAPPs, na sigla em inglês]. Esse tipo de assédio judicial tem o efeito de silenciar o jornalismo?
 

Irene Khan - A liberdade de expressão é um direito muito amplo, mas não é absoluto. Há restrições, e uma delas é a respeito de discurso prejudique a reputação ou viole os direitos de outras pessoas. Mas estão distorcendo isso. Políticos e empresários investigados e denunciados por jornalistas estão processando os profissionais por difamação, pedindo indenizações enormes por danos morais.
 

Coitado do jornalista que mal ganha o suficiente para sobreviver e de repente se vê enfrentando um processo imenso. Ou então, quando o processo é movido contra o jornal, os donos podem acabar na cadeia (dependendo do país). e se ele perder o processo eles acabarão na cadeia.
 

A União Europeia está introduzindo uma lei que reduziria esse risco de slapps. O jornalista comete erros, mas, se não agiu com má-fé, não fez isso intencionalmente para prejudicar alguém, deve ser protegido, senão jamais ousará publicar qualquer coisa. O editor não iria deixar o repórter publicar nada, porque, se ele cometesse qualquer erro, o jornal inteiro iria à falência. Mas, se o jornalista cometeu o erro de boa-fé, se o corrigir, não deve ser submetido a esse tipo de medida punitiva.
 


 


 

Raio X
 

Irene Khan é relatora especial da ONU para a promoção e proteção da Liberdade de opinião e expressão desde 1 de Agosto de 2020. Ela é a primeira mulher a assumir o cargo desde que ele foi criado, em 1993. Khan foi secretária-geral da Anistia Internacional de 2001 a 2009. Nascida em Bangladesh em 1956, Kahn estudou Direito na Universidade de Manchester e Universidade Harvard.

Bahia Notícias

Jair Bolsonaro vai ser o único candidato que terá duas campanhas eleitorais simultâneas

Publicado em 16 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Gomez (Correio Braziliense)

Denise Rothenburg
Correio Braziliense

Já está definido que o PL de Jair Bolsonaro terá duas coordenações de comunicação: uma a cargo do partido, com o publicitário Duda Lima, outra com o filho 02, o vereador Carlos Bolsonaro. O presidente, sempre desconfiado, não quer ficar restrito à coordenação partidária.

Para alguns aliados, porém, a situação preocupa, porque com Carluxo no front, Bolsonaro tende a se distanciar do terno feito sob encomenda para que atraia o público de centro, fundamental para afastar o “risco Lula”.

Na atual campanha, avaliam alguns simpatizantes de Bolsonaro, não será possível repetir a receita de 2018, quando a equipe do presidente fez tudo praticamente sozinha nas redes sociais, em especial depois de Bolsonaro ser vítima de um atentado. Se repetir o modelo, pode terminar derrotado. É isso que o PL tentará evitar, mas os bolsonaristas-raiz não querem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Sempre bem-informada, Denise Rothenburg mostra que o quartel-geral de Bolsonaro está mesmo em polvorosa, por ele seguir estacionário nas pesquisas. E o time está sendo reforçado. Demitido da Secretaria de Comunicação Social em março de 2021, o publicitário Fabio Wajngarten está de volta ao Planalto. O retorno de Wajngarten está sendo articulado pelo filhos zero um (Flávio Bolsonaro, um dos coordenadores da campanha) e zero dois (Carlos Bolsonaro, que comanda o chamado gabinete do ódio). O objetivo de Flávio, ao trazer Wajngarten de volta, é evitar que Carluxo se exceda nas fake news das redes sociais e cause problemas à campanha na Justiça Eleitoral. Com dizia a bela marchinha do Carnaval, este ano não vai ser igual àquele que passou… (C.N.)

2º NOITE: TRÊS PODERES (LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO) E SETOR DA ... Jeremoabo - Bahia

Autopromoção partindo do prefeito e secretários avacalhou na administração municipal de Jeremoabo, o pior é que os vereadores permanecem omissos.


 

Princípios Expressos do Direito Administrativo

Artigos14/05/2021 • Marcondes Pinheiro
Desta forma não se pode favorecer pessoas ou se utilizar de perseguições indevidas, consagrando assim o princípio da igualdade ou isonomia. c) Vedação da autopromoção: tal prisma visa vedar que o agente...Além do princípio da Impessoalidade, a conduta de promoção pessoal ou autopromoção infringe também outros princípios, como legalidade e a moralidade. d) Impedimento e suspeição: esses institutos garante...Sob a perspectiva do princípio da legalidade, o administrador público somente pode atuar conforme determina a lei.

Art. 37, § 1º da Constituição Federal não é observado e ex-prefeito foi condenado por se autopromover

                                                    (...)
O desembargador e relator do caso, José Zuquim Nogueira, esclareceu que o representante da administração pública, precisa respeitar os princípios da impessoalidade e da moralidade, bem como a norma contida no art. 37, § 1º, da Constituição Federal, que trata da promoção pessoal, por ato voluntário, desvirtuando da finalidade estrita da propaganda pública. “Não há dúvidas de que o apelante atentou contra os princípios constitucionais, bem como cometeu ato ímprobo ao veicular sua imagem pessoal em propaganda institucional do Município de Cáceres”, pontou o desembargador.

Veja o acórdão.

Processo: Apelação nº 30033/2017

Fonte: TJ/MT

Nota da redação deste Blog - Em Jeremoabo o termo correto é que virou "esculhambação" a autopromoção praticada pelo prefeito e seus secretários;  mais grave ainda é que os vereadores  que deveriam fiscalizar e denunciar perderam a visão, nada enxergam.

 Lamentável também que o Ministério Público não adote as providências, inclusive já existe Notícia do Fato denunciado pela ONG-TransparênciaJeremoabo.

Essa autopromoção é paga pelo dinheiro do povo, erário público sendo usando indevidamente.

Os vereadores foram eleitos e são pagos para representar  o povo, fiscalizando e denunciando; porém, estão fazendo corpo mole esperando que a ONG denuncie.

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