terça-feira, julho 13, 2021

Único beneficiário de uma crise artificial entre Senado e Forças Armadas é Jair Bolsonaro

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Junião (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde
Estadão

A quem interessa criar uma crise, neste momento já tão confuso, entre as Forças Armadas e o Congresso Nacional? O único beneficiário de uma crise assim é, ou seria, o presidente Jair Messias Bolsonaro, que atraiu chuvas, trovoadas, mortes e CPI contra ele e, como sempre, tenta usar os militares para demonstrar uma força que já não tem e compensar a queda de popularidade e de credibilidade.

É evidente que não é bom para a imagem das Forças Armadas ter uma dezena de oficiais citados em histórias muito mal contadas, tanto na CPI e na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde, quanto até nos áudios da ex-cunhada de Bolsonaro, Andrea Valle, que incluiu o “tio Hudson”, um coronel da reserva do Exército, no esquema de rachadinhas dos gabinetes parlamentares da agora família presidencial.

A PIOR DECISÃO – Em vez de defender a instituição, separar o joio do trigo e declarar que quem cometeu erros que assuma suas responsabilidades, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica tomaram a pior decisão: jogaram as suspeitas e os suspeitos para debaixo do tapete e atacaram o senador Omar Aziz, presidente da CPI que traz os nomes desses oficiais à tona.

O que irritou a nova cúpula militar foi Aziz dizer que “os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados” e que “fazia muito tempo que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos em falcatrua”.

Não há “lado podre”, e sim indivíduos suspeitos, mas ninguém deveria estar mais interessado em distinguir os “bons” dos “podres” do que as próprias forças, que são a instituição mais admirada pelos brasileiros nas pesquisas.

FORMA VIL E VIOLENTA – Em nota, porém, o ministro e os três comandantes condenam “a forma vil e leviana” e Aziz, um dos políticos mais respeitosos com os militares. Atacar Aziz é atacar a CPI, o que é atacar o Senado, o que é atacar o Congresso e abrir uma crise entre Poderes. É consenso que foi uma intimidação contra o Congresso e que Braga Netto não faria isso sem combinar com Bolsonaro.

E a nota não foi nada inteligente. Após a ordem de prisão de Roberto Dias, o ex-diretor de Logística da Saúde, que tem um dossiê explosivo contra o governo e militares, ninguém lembrava da frase de Aziz. A nota lançou luzes e amplificou a expressão “lado podre”.

Feito o estrago, Braga Netto e o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Oliveira, telefonaram nesta quinta-feira, 8, para o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para dissipar o mal-estar e dizer que a reação foi direcionada a Aziz, não ao Senado.

UMA GUERRA OCULTA – Para Pacheco, que fora criticado por Aziz por não assumir a defesa do Parlamento, o episódio “está superado”. Tomara, mas é preciso combinar com a realidade e os adversários.

Na realidade, a CPI aprofunda as investigações sobre a guerra entre o “grupo político” e a “turma militar” desde o general da ativa Eduardo Pazuello na Saúde.

Nenhum dos dois lados é santo. Alguns militares foram tragados por esquemas no que o Ministério Público classifica de gestão “gravemente ineficiente e dolosamente desleal”.

Eurocopa “sem máscara” provoca um contágio maior em homens e ameaça o Reino Unido

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Torcedores assistem ao aquecimento antes do jogo da semifinal da Euro entre a Inglaterra e a Dinamarca, no Estádio de Wembley

Reino Unido decidiu abandonar máscaras no próximo dia 19 

Deu na BBC News

Com 50% da população vacinada contra covid, no próximo dia 19 Inglaterra dá fim a uso de máscaras e ao distanciamento. Dados da universidade Imperial College London indicam que o avanço da Inglaterra na Eurocopa pode explicar o aumento mais rápido das infecções entre homens do que entre mulheres nas últimas duas semanas. “Pode ser que assistir futebol esteja resultando em homens tendo mais atividades sociais do que o normal”, disse o autor do estudo, professor Steven Riley.

O estudo React, que testou mais de 47 mil voluntários em toda a Inglaterra entre 24 de junho e 5 de julho, confirma uma “terceira onda substancial de infecções”. E, segundo a pesquisa, os homens tinham 30% mais probabilidade do que as mulheres de que seu teste desse positivo para covid.

POUCAS MORTES – No entanto, a pesquisa aponta que as infecções não se traduziram em um grande número de pessoas hospitalizadas ou de mortes. Além disso, homens e mulheres vacinados tinham muito menos probabilidade do que outros de contrair o vírus.

“Apesar do sucesso do programa de vacinação, ainda estamos vendo um rápido crescimento das infecções, especialmente entre os mais jovens. No entanto, é encorajador ver uma prevalência de infecção mais baixa em pessoas que receberam as duas doses da vacina”, disse o diretor do programa React, professor Paul Elliott, da Escola de Saúde Pública do Imperial College.

Quase dois terços dos adultos (64%) receberam as duas doses da vacina contra a covid e as autoridades têm feito campanha para que as pessoas que não tomaram a primeira ou a segunda dose busquem se vacinar assim que possível.

VARIANTE DELTA – Em julho, os casos de coronavírus no Reino Unido subiram para mais de 30 mil/dia pela primeira vez desde janeiro, segundo os números oficiais. Na quarta-feira, foram mais de 32,5 mil casos confirmados.

Com a retirada de mais medidas de distanciamento, a previsão é que o forte aumento continue. O próprio governo já falou em um aumento de casos que pode chegar a 100 mil por dia, à medida que as restrições forem suspensas.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que é “certamente verdade” que houve uma “onda de casos por causa da variante Delta” do vírus. “Mas os cientistas também estão absolutamente certos de que cortamos a ligação entre a infecção e as doenças graves e a morte”, disse ele.

AINDA HÁ RISCOS – Na segunda-feira passada, no entanto, o principal conselheiro científico do governo, Patrick Vallance, tinha sido mais cauteloso, dizendo que as vacinas “enfraqueceram o vínculo entre os casos e as hospitalizações – mas é um vínculo enfraquecido, não um vínculo completamente rompido”.

A Associação Médica Britânica (BMA, na sigla em inglês) defendeu nos últimos dias que algumas medidas devem ser mantidas em vigor após 19 de julho. A entidade pede o uso contínuo de máscaras e novos padrões de ventilação.

Segundo ela, é fundamental proteger o sistema público de saúde (NHS), a saúde e a educação em meio ao que chama de um aumento alarmante de casos.

CAOS E CONFUSÃO – A oposição ao governo critica a medida de Boris Johnson. O líder do partido trabalhista, Keir Starmer, disse que o primeiro-ministro está levando o país a um “verão de caos e confusão”, ao comentar os planos de flexibilizar as últimas medidas de distanciamento. Ele defendeu que o Reino Unido deveria fazer a abertura “de uma forma controlada”, com uso de máscaras.

Na Organização Mundial da Saúde (OMS), o diretor de emergências, Mike Ryan, disse que os países devem agir com extrema cautela ao reabrir suas economias após restrições necessárias devido à covid para “não perder os ganhos que obtiveram”.

Quanto à teoria da imunidade do rebanho, Ryan disse que o argumento de que seria melhor infectar mais pessoas era moralmente vazio e epidemiologicamente estúpido.

O quadro político é desesperador, o presidente entrou em fase terminal e o governo respira por aparelhos


Charge do Beto (Humor Político)

Vicente Limongi Netto

Negacionistas e bolsonaristas, membros da confraria das rachadinhas, lamentam informar que, em razão dos números do  Datafolha, o presidente Bolsonaro encontra-se entubado na unidade intensiva do gabinete dos horrores e o governo está respirando por aparelhos.

O quadro político do paciente é desesperador. Os médicos tentaram de tudo: doses fortes de cloroquina, coquetéis com leite condensado e balas e pirulitos com chicletes.  Familiares do chefe da nação e generais adoradores das boquinhas palacianas agora voltam suas preces e últimas esperanças nos milionários  remédios dos  insaciáveis cientistas de goelas profundas do Centrão. Que costumam salvar a pele do paciente, mas deixando-o sem coordenação motora o resto do mandato.

A FORÇA DA SOLIDARIEDADE – O amor vence a aflição, enfrenta a desesperança. O afago é parceiro do apreço e da boa energia. A fé abraça corações. O texto de Ana Dubeux engrandece os bons espíritos (Correio Braziliense – 11/7), valorizando a luta permanente das mulheres. Estimula o poder feminino. Deplora o rancor e a covardia machista. A jornalista deseja que as mulheres não se abatam diante dos rancores e canalhices de ordinários travestidos de homens imaculados. Diz Ana:

“Não se demore: neste domingo ligue para uma amiga, ouça sua voz, levante seu ânimo, ofereça seu colo. Tenho certeza de que receberá de volta amor, atenção e gratidão por toda a vida. E isso não tem preço”.

VENCEDOR E VENCIDO – Alvissareiro saber que um vencedor como Marco Aurélio Mello aposentou a toga, sem abdicar, porém, da palavra esclarecida, firme e contundente, em defesa da democracia e das liberdades individuais (O Globo- 11/7). Vai continuar praticando o saudável esporte do diálogo, da palavra vigilante e, sobretudo, apoiando o contraditório. Marco Aurélio Mello jamais foi homem de se omitir diante das injustiças.

Por fim, um papel melancólico do Brasil, mais um, na Copa América. Nosso elenco é limitado. Não evolui. O técnico é um vencido, ruim e presunçoso. Creio, reitero, que o hexa está cada dia mais longe para a seleção brasileira. A seleção já começa melancólica na apresentação do belo hino nacional. Ninguém canta. Fingem que cantam. Enquanto seleções adversárias cantam o hino da pátria emocionados e abraçados. Triste constatação.

Não se iludam, se houver mais um golpe militar, desta vez vai ser para proteger corruptos


Charge do Ivan Cabral

Celso Rocha de Barros
Folha

Jair Bolsonaro disse que ou a eleição de 2022 vai ter voto impresso ou ela não vai acontecer. As Forças Armadas e todas as outras instituições da República deveriam ter publicado uma nota conjunta dizendo: “Jair, se der golpe, vai morrer. Abs.” Não publicaram.

Ao invés disso, na semana passada comandantes militares ameaçaram dar um golpe de Estado caso a CPI continue a investigar oficiais bolsonaristas que roubaram dinheiro de vacina.

VÍCIO E VIRTUDE – Pelo menos a turma de 64 tinha a decência de mentir que o golpe deles era para combater a corrupção. Era uma época em que o vício ainda prestava homenagem à virtude.

A CPI da pandemia já achou indícios fortes de que existem militares e ex-militares bolsonaristas enrolados no escândalo do roubo de dinheiro de vacina. Roberto Dias, ex-sargento da Aeronáutica indicado por Bolsonaro para o Ministério da Saúde, é acusado de pedir suborno de um dólar por dose de vacina comprada.

O coronel da reserva Élcio Franco, homem de confiança de Pazuello no Ministério da Saúde, conduziu a negociação em que a mutreta teria acontecido. Há outros militares acusados de terem pressionado pela liberação da vacina e de terem feito a intermediação entre os picaretas e o ministério.

ERA PREVISÍVEL – Até aí, era inteiramente previsível. Os militares são seres humanos como todos os outros. Há entre eles honestos e corruptos, como em toda parte.

A maciça entrada de militares na máquina administrativa brasileira, onde sempre houve os mais variados esquemas, inevitavelmente levaria alguns deles para o lado da mutreta. Aconteceu com todos os grandes partidos políticos.

Por isso, quando Omar Aziz, presidente da CPI, lamentou que as investigações tenham encontrado militares corruptos, a reação das Forças Armadas deveria ter sido dizer que corrupção existe em qualquer lugar e que o importante é prender aqueles contra os quais surgirem provas consistentes.

PROTEÇÃO AO CORRUPTOS – Ao atacar o presidente da CPI do Senado, as Forças Armadas estão sinalizando, voluntária ou involuntariamente, que protegerão seus corruptos.

Isso é ruim em si, mas é pior ainda para o futuro da instituição: se a manobra der certo e os investigadores forem intimidados, de agora em diante todos os ladrões que atualmente entram na política para roubar preferirão entrar para as Forças Armadas, onde a impunidade será garantida.

Quando Bolsonaro saiu candidato sem partido político, mas com forte apoio nos quartéis, os militares que o apoiavam disseram que estavam participando como cidadãos, não como militares. Bom, quando pegaram corrupção nos partidos dos civis, nenhum deles teve o poder de ameaçar os investigadores com as armas e tropas da República.

DEGENERAÇÃO MORAL – A nota do Ministério da Defesa sobre a CPI e seu silêncio sobre o golpismo do presidente da República, a entrevista golpista do chefe da Aeronáutica, tudo isso é sintoma da degeneração moral que Jair Bolsonaro causou na República brasileira.

O militar que acha que as armas da República são dele é exatamente igual ao político que acha que o dinheiro público é dele. Não deve ser difícil, para o sujeito que acha uma coisa, achar a outra.

Por isso, lembre-se: nos próximos meses vai ter golpista falando de “esticar a corda”, de “comunismo”, e, é claro, de “voto auditável”. Não se iluda. Se houver golpe, vai ser para roubar.


As contradições humanas, os supersalários, os subsalários e os superimpostos


Charge do Nef (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Em uma conversa com o meu saudoso amigo Antônio Houaiss, um intelectual, colocou-se a questão das básicas contradições humanas: existência e eternidade, corpo no sentido de matéria e espírito, um sinal de mais e outro de menos, o capital e o trabalho, a imaginação e a realidade.

Esse diálogo me veio à mente quando li o editorial do ontem de O Globo que sustentava que a Câmara Federal precisa aprovar uma lei que contenha os supersalários na administração pública. Os supersalários na esfera empresarial privada estão fora de discussão, como é natural. O confronto entre os supersalários e os subsalários não é levado em consideração pelas elites conservadoras, como é o caso do ministro Paulo Guedes e de sua equipe. São pessoas de sólida formação universitária, com pós-graduação em Harvard, em Chicago, em Oxford e na NYU.

DRAMA BRASILEIRO – Como as mensalidades de tais cursos, de formação e extensão, estão acima de US$ 5 mil, não adquirem sensibilidade para o drama, no caso brasileiro, das favelas, dos cortiços, dos porões, dos inúmeros bairros sem saneamentos, com poluição, com conflitos sociais e problemas de segurança graves, fortalezas do tráfico de drogas e de milícias.

No caso dos superimpostos, basta ler as escalas de tributação do Imposto de Renda publicadas diariamente pelo O Globo e pela Folha de S. Paulo. Sobre um salário entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil por mês, incide a alíquota de 9%, que representa R$ 145 porque a sua incidência recai já com a parte descontada da contribuição para o INSS. Ou para as previdências estaduais e municipais em todo o Brasil.

No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, o percentual de desconto para o RioPrevidência é de 14% ao mês. Eram 11% elevados em mais 3% no desgoverno Luiz Fernando Pezão. Portanto, quando se fala em supersalários, acredito que deve-se falar também nos subsalários que conduzem um quarto da população brasileira a uma situação de fome.

MÁ DISTRIBUIÇÃO – Com isso, perdem receita e, em consequência, o INSS, o FGTS, os sistemas de previdência estaduais e municipais. No início da década de 50, surgiu uma marchinha que fazia ironia com a questão da renda do trabalho humano. Dizia a letra: “a causa da inflação é a má distribuição. Poucos que têm tanto, tantos que não têm, minha parte há de estar com alguém”.

De fato, ironia à parte, o capital e o trabalho, através dos séculos, constituem-se em blocos de choque, num impasse longe de estar resolvido no mundo e, sobretudo, no Brasil. É um confronto no andar de cima, ou andar de baixo, para citar uma expressão inteligente do jornalista Elio Gaspari.

No caso do nosso país, ainda existe uma situação de desemprego escandalosa, onde 14% da mão-de-obra ativa está abrangendo os que perderam o emprego. Mas o problema do desemprego, infelizmente, não termina aí. O que por si já é um absurdo.

COMUNISMO – Congelado, como estão os salários, pelo pensamento de Paulo Guedes e a incapacidade do presidente Jair Bolsonaro. Não se trata de supor que a solução seria o comunismo, já abolido pela Rússia e pela China, esta que é a verdade, e só mantido tiranicamente na Coreia do Norte e em Cuba.

O comunismo, afirmo, não constitui solução para o ser humano. Ao propósito da profecia utópica de Karl Marx contrapõe-se o título genial de Ian Fleming, autor do “007”: “Os diamantes são eternos”. O sonho de mais de 90% da humanidade é partir em busca de condições de vida muito altas. É natural. Na Rússia e na China não há liberdade política e os que ocupam o poder, outra ironia, querem o capitalismo para os grupos mais próximos e o comunismo para os assalariados.

DESGASTE DE BOLSONARO – Toda essa corrente de fatos amplia o desgaste do homem cujo projeto era se reeleger em 2022. Tal projeto foi substituído no Palácio do Planalto por uma solução militar que fecharia toda a constelação brasileira, tendo à frente o imperador Jair Bolsonaro.Tal quadro político vai acarretar ainda mais o seu declínio junto à opinião pública.

Agora mesmo, uma pesquisa do Datafolha, reportagem de ontem na Folha de S. Paulo, de Igor Gielow, revela que 63% do eleitorado acham que existe apenas tentativa de corrupção na Saúde. E 64% opinam que o presidente Bolsonaro sabia deste fato. A existência da corrupção é mais um lance de dados contra a popularidade do presidente da República que só pode acrescentar índices de sua rejeição já em torno de 58% no país.

MENDONÇA E O STF – O ministro Marco Aurélio de Mello saiu ontem do Supremo Tribunal Federal por ter completado 75 anos, idade limite para a magistratura. André Mendonça deseja entrar e, para tanto, é o nome indicado por Jair Bolsonaro. Porém, enfrenta resistência do Senado.

Na edição de ontem, de O Globo, Paulo Cappelli, publica reportagem sobre as articulações que ele vem tentando fazer para que o seu nome não seja rejeitado. Paulo Cappelli chama a atenção para o encontro que Mendonça conseguiu com o senador Omar Aziz, presidente da CPI da Pandemia, em busca de apoio para a sabatina e a decisão do plenário.

Acrescenta o repórter que André Mendonça vem procurando os senadores de modo geral, mas certamente despertará a reação de Bolsonaro pelo fato dele ter procurado Omar Aziz, já atacado diretamente pelo presidente da República. Uma derrota na indicação vai acelerar o desabamento do governo.

JÂNIO QUADROS  – Aconteceu uma rejeição no governo Jânio Quadros que causou um impacto negativo logo no início do seu governo. Em 1961, Jânio Quadros indicou o empresário Hermínio de Moraes, pai de Antônio Ermírio de Moraes, para embaixador do Brasil na Alemanha Ocidental.

Haviam duas Alemanhas, a Ocidental, cuja capital era Bonn, e a comunista, cuja capital era Berlim. O senado rejeitou a indicação de Hermínio de Moraes, um homem sempre disposto à luta, que decidiu eleger-se senador nas urnas de 1962. Disputou e venceu em seu estado natal, Pernambuco, e assegurou  a vitória de Miguel Arraes sobre João Cleofas no governo do estado.

Hermínio de Moraes investiu na campanha de Arraes e neutralizou a influência financeira exercida pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática, o IBAD, um instituto da direita. Hermínio de Moraes deu a sua resposta ao Senado Federal.

CAÇA DE ANIMAIS – A repórter Ana Lucia Azevedo, O Globo, destaca o perigo à saúde pública brasileira pela caça mortal e pelo aprisionamento de animais no país.  Há um lado da questão que ela ressalta que é a transmissão de doença em áreas do interior e em áreas de florestas por caçadores que levam contaminação às áreas de caça, que aliás está proibida.

O desmatamento também estava e está proibido, mas o ex-ministro Ricardo Salles o incentivou pelo menos com a sua omissão. Porém há um outro aspecto quanto à ameaça que a caça representa. A caça produz não só um freio à reprodução e ao ecossistema, como também, consequência do desmatamento, o impulso dos animais ferozes em sair da floresta, o que sem dúvida ameaça as populações, adicionando mais um problema aos já existentes.

SEM SOLUÇÃO –  No início do artigo citei o meu saudoso amigo Antônio Houaiss, com quem almoçava sempre. Recordo de uma outra conversa quando ele me disse que todos os problemas humanos, o do meio ambiente e do saneamento não foram resolvidos. Aliás, nenhum problema essencial foi até hoje resolvido no universo ao longo de milhares de anos. Uma era dividida entre antes e depois de Jesus Cristo, o que O coloca na posição de maior figura da Humanidade e autor de um corte insuperável no tempo.

Para finalizar, também chama atenção na reportagem de Ana Lucia Azevedo, a pesquisa sobre a caça ilegal que está sendo realizada pelos cientistas Paulo Sergio D’Andrea, Gisele Winck e Cecilia Andreazzi, do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

A pesquisa já identificou 160 casos de vírus, bactérias, vermes, parasitas e fungos em 60 espécies de mamíferos no Brasil. A repórter lembra ainda que o morcego na China está sendo considerado o mais provável agente de contaminação pelo coronavírus.


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