segunda-feira, julho 05, 2021

Mensagens apontam que Dominguetti cobraria US$ 0,25 por dose de vacina

Mensagens apontam que Dominguetti cobraria US$ 0,25 por dose de vacina
Dominguetti na CPI | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O celular do cabo da Polícia Militar, Luiz Paulo Dominguetti foi apreendido na sessão da CPI da Covid na última quinta-feira (1º). De acordo com matéria publicada pelo Fantástico, que teve acesso a mensagens do aparelho, investigadores indicam que ele negociava uma comissão de 25 centavos de dólar por dose de vacina.

 

O material está sob perícia e segundo análise preliminar, 900 caixas de diálogos já foram identificadas.

 

Em 10 de fevereiro, Dominguetti, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Dupply, enviou uma mensagem a um contato identificado como Guilherme Filho Odilon.

"Estamos negociando algumas vacinas em números superior a 3 milhões de doses. Neste caso a comissão fica em 0,25 centavos de dólar por dose".

 

"O que estamos fazendo é pegar o volume da comissão e dividimos de forma igual a todos os envolvidos, claro que proporcionalmente aos grupos. Sendo três pessoas, eu, você e seu parceiro não teria objeções em avançar neste sentido", continua.

 

Na sequência, Odilon pergunta a ele: "Caso quem assina venha a pedir alguma coisa, podemos ver entre nós três para viabilizar?". Dominguetti responde: "Ajustamos".

 

CPI
Na última quinta-feira (1º), Dominguetti prestou depoimento na CPI da Covid após declarar ao jornal Folha de S.Paulo, e aos Senadores, que Roberto Dias e outros membros do Ministério da Saúde queriam propina de um dólar por dose de vacina fornecida pela Davati.

Bahia  Notícias

Investigação apura envolvimento de Lázaro Barbosa com empresários e políticos

Investigação apura envolvimento de Lázaro Barbosa com empresários e políticos
Foto: Reprodução/TV Globo

Morto em confronto após 20 dias de fuga, Lázaro Barbosa, 32, não agiu sozinho, segundo a polícia, que aponta o envolvimento dele em uma organização criminosa (leia mais aqui).

 

“Nessa organização criminosa, a gente já levantou que pessoas importantes participam dela. Nós temos empresários, fazendeiros, políticos.”, diz a delegada Rafaela Azzi.

 

Segundo publicação do Fantástico, as investigações indicam que Elmi Caetano pode ser o mandante de uma chacina cometida por Lázaro, em Ceilândia, no Distrito Federal. A família do fazendo Cláudio Vidal foi assassinada com tiros e facadas no dia 9 de junho. A mulher dele foi feita refém, foi estuprada por Lázaro e encontrada morta no dia 12 de junho.

 

“Considerando que havia um laço anterior, que o Lázaro já era conhecido do proprietário e que na entrevista o proprietário fala que aquela família devia um dinheiro a ele, nós não descartamos a hipótese de que ele tenha realmente usado Lázaro para cobrar a dívida, e em não recebendo, matar aquelas pessoas”, explica Rafaela Azzi.

 

As investigações apuram, também, se Ellen Vieira, viúva de Lázaro e a ex-mulher dele, Luana Cristina, teriam ajudado.

 

A defesa de Elmi Caetano negou que o fazendeiro seja o mandante da chacina no DF.

Bahia Notícias

Com apenas 2,7% da população mundial, Brasil já concentra 13% das mortes por covid19

Publicado em 4 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

As mortes no país diminuíram um ponto nos últimos sete dias

Deu no Estadão

A mentira tem pernas curtas, mas corre rápido – na era digital, mais ainda. E, em tempos de pandemia, ela mata. Do mais de meio milhão de mortes por covid-19 registradas no Brasil, quantas foram causadas pela guerra do negacionismo contra a ciência?

Um estudo apresentado à CPI da Pandemia pelo Grupo Alerta – formado por entidades da sociedade civil, entre elas a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência – estimou que, das cerca de 300 mil mortes nos 12 primeiros meses da pandemia, apenas as medidas não farmacológicas (como máscaras, distanciamento social, vigilância epidemiológica e testagem) poderiam ter evitado 120 mil.

NÚMEROS APROXIMADOS – Na mesma CPI o epidemiologista Pedro Hallal estimou que, tudo somado, de 500 mil mortes, 400 mil poderiam ter sido evitadas.

Como admitem os próprios pesquisadores, são números aproximados. O cálculo do Alerta, por exemplo, projeta sobre o Brasil a taxa de efetividade na redução do contágio por medidas não farmacológicas, estimada em 40% por estudos publicados em revistas científicas como a Science e a Nature.

Já o cálculo de Hallal baseia-se na diferença entre o desempenho do Brasil e a média mundial. Uma comparação exata precisaria computar variantes conjunturais e estruturais complexas, que envolvem desde diferenças demográficas, ambientais, sanitárias e possivelmente étnicas entre os países, até as estimativas de subnotificação.

GUERRA DE NARRATIVAS – Mas isso não significa, como sugeriu o senador governista Eduardo Girão, que essas projeções possam ser reduzidas a mera “guerra de narrativas”. Nenhuma narrativa pode contornar o fato de que o Brasil tem 2,7% da população mundial, mas concentra 13% das mortes.

No caso da vacinação, a mensuração é razoavelmente precisa. Só o atraso na compra das vacinas da Pfizer e da Coronavac – causado exclusivamente pela negligência amplamente documentada do governo – resultou, pelos cálculos de Hallal, em 95,5 mil mortes. A estimativa é conservadora: outras pesquisas sugerem 145 mil mortes pela intempestividade da vacinação.

Muito mais difícil é estimar quantas mortes foram causadas pela campanha ostensiva de desinformação do presidente Jair Bolsonaro.

APOIADORES INCAUTOS – É preciso doses extras de cautela. Nem todo apoiador de Bolsonaro é negacionista, e muitos antibolsonaristas são. Mas uma pesquisa publicada pela Universidade de Cambridge constatou que nas cidades onde Bolsonaro teve maioria absoluta de votos no primeiro turno, o isolamento social cai tipicamente entre 10% e 20% por semana a cada pronunciamento negacionista do presidente.

O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde verificou uma aceleração das mortes nos Estados e municípios que mais votaram em Bolsonaro em 2018.

A “infodemia” não é apanágio do presidente. O fenômeno é difuso e se alastrou pelo mundo com tanta ferocidade quanto o vírus. Mas sob Bolsonaro o governo se transformou numa máquina de disseminação.

SEM TRANSPARÊNCIA – Em diagnóstico sobre a transparência e acesso à informação, a ONG Artigo 19 fez uma série de pedidos de informação ao governo referentes a políticas como o aplicativo Trate-COV, o “Kit Covid” (de “tratamento precoce”), o plano de imunização e a disponibilidade de seringas e cilindros de oxigênio. Dos 20 pedidos, 75% tiveram retorno insuficiente. Quanto à conformidade das informações prestadas, 85% delas foram classificadas como “infodemia”, sendo 35% como “informação desonesta” (contrárias às evidências científicas); 25% como “desinformação intencional” (informações falsas mescladas a verdadeiras para se passarem por legítimas); 20% como “apagão” (dados que deveriam ser públicos, mas foram negados); e 5% como “informação parcial”. Como conclui a pesquisa, “a não informação e a informação conflitante foram bases das declarações do governo na condução da política de saúde”.

Aos poucos os modelos estatísticos aliados a evidências epidemiológicas depurarão coeficientes mais exatos de quantas vidas foram perdidas pelo negacionismo do presidente. Desde já, é certo que não foram nem uma nem duas, mas dezenas de milhares.


Acuado, Bolsonaro inaugura nova fase de sua conspiração golpista para continuar no poder


Imagem da Matéria

Charge do Nani (nanihuor.com)

Bruno Boghossian
Folha

Jair Bolsonaro dedicou os últimos dias à preparação do golpe que pretende liderar em outubro do ano que vem. Ao longo da semana, ele repetiu suspeitas vazias de fraude nas urnas eletrônicas, insinuou que pode se recusar a deixar o cargo e pediu apoio para um levante caso a esquerda vença a eleição.

O presidente tenta adicionar novos elementos à teoria que serve de base para sua conspiração. Com o objetivo de instigar bolsonaristas mais radicais, ele inventou a existência de um conluio entre partidos políticos e ministros do STF para reabilitar o ex-presidente Lula, fraudar a disputa de 2022 e dar a vitória ao petista.

FRAUDE ESCANCARADA – “Vamos ter problemas no ano que vem. Como está aí, a fraude está escancarada”, disse, na quinta (1º). “Tiraram o Lula da cadeia, tornaram ele elegível para ele ser presidente na fraude. E isso não vai acontecer.”

Bolsonaro inaugurou uma nova fase de seu plano depois que uma articulação política enterrou a proposta do voto impresso na urna eletrônica. Ao perder esse joguete e observar a vantagem de seu principal adversário nas pesquisas eleitorais, o presidente decidiu falar com mais clareza na possibilidade de um golpe.

“Eu entrego a faixa presidencial para qualquer um que ganhar de mim na urna de forma limpa. Na fraude, não”, afirmou. “Não vou admitir um sistema fraudável de eleições.”

SEM MOSTRAR INDÍCIOS – O presidente nunca apresentou o menor indício de fraude e já sabe que o sistema de votação não deve mudar até o ano que vem. Bolsonaro não quer contestar a segurança das urnas, mas encontrar um pretexto para não entregar a faixa em 2022.

Pela segunda vez, o presidente indicou que tem medo de ir para a cadeia se a esquerda voltar ao poder. Na quinta, ele citou a prisão da ex-presidente boliviana Jeanine Añez, acusada de conspirar contra a democracia. “Estão sentindo alguma semelhança com o Brasil?”, perguntou.

Em seguida, Bolsonaro pediu apoio aos que cobram “medidas drásticas” do governo. “Eu não vou chutar o pau da barraca. Mas, se chutarem, a força é muito maior do nosso lado.”


Renan Calheiros avisou há um mês que Polícia Federal seria usada contra a oposição na CPI


Renan Calheiros na CPI da Covid — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Renan alertou que Bezerra foi usado para justificar a PF

Octavio Guedes
G1 Política

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), alertou colegas há um mês que a Polícia Federal estava se movimentando para tentar intimidar membros da comissão. O curioso é que a constatação foi feita a partir do indiciamento, também pela PF, do líder do governo Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e expoente da tropa de choque bolsonarista na comissão.

Em conversa com seus pares, Renan advertiu que o indiciamento de Bezerra era uma manobra do governo para mostrar independência da Polícia Federal e, assim, ficar livre para mirar os alvos da oposição.

CONSELHO A BEZERRA – O relator diz ter conversado com o próprio Bezerra, aconselhando-o a recorrer ao Supremo Tribunal Federal, já que no entender dele, a Polícia Federal não tem competência para indiciar senadores.

O indiciamento de Bezerra foi tornado público no dia 8 de junho deste ano. A PF afirma ter evidências de que o senador recebeu R$ 10 milhões em propina de empreiteiras quando era ministro da Integração Nacional no governo de Dilma Rousseff. Também foi indiciado o deputado Fernando Bezerra Coelho Filho, do DEM.

Em síntese: Fernando Bezerra teria sido usado como cavalo de Tróia, uma figura em alta na CPI.

RENAN INDICIADO – Depois de indiciar Fernando Bezerra, a Polícia Federal fez o mesmo em relação a ao senador Renan Calheiros, por suspeita de ter recebido R$ 1 milhão em propina da Odebrecht. Renan é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Os fatos teriam ocorrido em 2012. Segundo a Polícia Federal, a vantagem indevida envolve a aprovação de uma resolução no Senado que tratou de benefícios concedidos pelos estados a produtos importados, a chamada Guerra dos Portos. A partir dos dados da PF, a Procuradoria-Geral da República vai decidir se denuncia o senador ao Supremo Tribunal Federal.

Em nota, o senador Renan Calheiros disse que essa investigação está aberta desde março de 2017, sem que tenham encontrado provas. A nota afirma que o indiciamento ocorre em um momento em que a CPI mostra todas as digitais do governo na corrupção da vacina e que a parte politizada da polícia tenta fazer uma retaliação.

NOTA DA ODEBRECHT – Em nota, a empresa Odebrecht informou que colaborou com a Justiça a partir de 2016; que, desde então, fez acordos no Brasil com o Ministério Público Federal, com a Advocacia-Geral da União, a Controladoria-Geral da União e o Cade; e que, no exterior, também fechou acordos com o departamento de Justiça dos Estados Unidos, o Banco Mundial e outras instituições.


CPI vai provar facilmente a prevaricação de Bolsonaro e afastá-lo da Presidência por 180 dias


Charge do Luscar (Charge Online)

Carlos Newton

A CPI da Covid já conseguiu importantes avanços. Da mesma forma que está emparedando o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, por sua atuação desastrada e pela omissão declarada, a comissão também vem reunindo provas contra o presidente Jair Bolsonaro no caso da vacina Covaxin, que serão aproveitadas pela Polícia Federal no inquérito aberto pela ministra Rosa Weber.

E não será missão difícil incriminar os dois, porque se trata de figuras intelectualmente primárias. Se continuasse na carreira militar, Bolsonaro jamais chegaria a general, e causa espanto que Pazuello tenha conseguido essa honraria – no mínimo, foi muito bafejado pela sorte.

PUSILANIMIDADE – Pazuello é caça miúda, caiu na armadilha da CPI e já pode ser tido como incriminado de véspera, porque foi vítima de seu principal defeito – o excesso de servilismo, que o levou às últimas consequências da pusilanimidade, ao declarar, às gargalhadas, que “um manda e o outro obedece”, para minimizar o fato de ter sido humilhado publicamente pelo capitão.

Agora, para se livrar da notícia-crime, mais um manda e o outo obedece. Desta vez, Bolsonaro ordenou que Pazuello assinasse uma manifestação espontânea à Procuradoria-Geral da República, inventando ter havido sindicância das denúncias dos irmãos Miranda no Ministério da Saúde e garantindo que nada foi provado.

Como diria Erasmo Carlos, pega na mentira, pisa em cima, bate nela, porque jamais foi aberta sindicância e nunca houve relatório. Assim, o general está autoincriminado por falso testemunho e prevaricação – e de véspera, igual a peru em véspera de Natal.

MAIS MENTIRAS – No tocante a Bolsonaro, o presidente também será fisgado pela própria ignorância. Quando surgiu na CPI a denúncia dos irmãos Miranda, ele ainda tinha o benefício da dúvida, mas ficou calado. Não negou que tivesse ocorrido a reunião no Alvorada (estava na agenda) nem desmentiu que os irmãos tivessem feito a denúncia.

Depois, disse que mandou apurar, mas a Polícia Federal se apressou em desmentir. Restou somente a hipótese de ter mandado o Ministério apurar, conforme determina a Lei 8.112 (“Art. 143.  A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa”)

NADA FOI FEITO – Não houve sindicância ou processo administrativo disciplinar. Pazuello então surgiu dizendo ter dado essa ordem ao coronel Elcio Franco, secretário-executivo da pasta, por ele ter sido “responsável pela negociação, contratação e aquisição de todas as vacinas pelo Ministério da Saúde”, nas palavras do  próprio general à Procuradoria-Geral da República.

Foi mais uma grave irregularidade, porque a mesma Lei 8.112 determina que “a apuração de que trata o caput, por solicitação da autoridade a que se refere, poderá ser promovida por autoridade de órgão ou entidade diverso daquele em que tenha ocorrido a irregularidade, mediante competência específica para tal finalidade”.

Ou seja, o coronel Elcio Franco jamais poderia ter feito a investigação, porque ele era – e ainda é – o principal suspeito das irregularidades.

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P.S.
 – Se ainda existirem juízes em Berlim, digo, em Brasília, não há como Pazuello escapar dos crimes de falso testemunho e prevaricação, nem como Bolsonaro deixar de ser incriminado na prevaricação. Com isso, será aberto processo criminal contra os dois, fato que significa o afastamento do presidente por 180 dias, como determina a Constituição (Art.86, § 1º, inciso I). E vida que segue, diria João Saldanha. (C.N.)

Nomeados para impedir corrupção, militares acabaram alvo de denúncias na CPI da Covid

Publicado em 5 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (domtotal.com)

Jussara Soares e Paula Ferreira
O Globo

Escalados com o argumento de que evitariam irregularidades, militares que ocupavam postos de comando no Ministério da Saúde estão no olho da crise que atinge o governo, ao lado de políticos do Centrão. Além do ex-ministro Eduardo Pazuello, que é investigado, pelo menos quatro oficiais que passaram pela pasta foram envolvidos nas denúncias feitas aos senadores na CPI da Covid.

A teia de relações entre esses nomes fragiliza a estratégia do governo de tentar localizar a crise em servidores ligados ao Centrão e lança desconfiança sobre um dos seus principais grupos de sustentação. A citação de militares em negociações suspeitas para compra de vacinas causa constrangimento no Exército e alerta integrantes da comissão.

SEM DISTINÇÃO — “A CPI tem obrigação de investigar todos, desde que tenha fatos determinados. Não é uma questão de militar ou não militar. Investigamos qualquer pessoa, seja do presidente a qualquer outro funcionário que tem algum indício de envolvimento com coisas erradas” — disse o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM).

O vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), foi na mesma linha: “Ocorreu uma aliança entre velhos negociantes com novos negociantes. Vamos avançar em todas as direções que a investigação apontar”.

Ao chegar no Ministério da Saúde ainda como secretário-executivo em abril do ano passado, Pazuello recorreu aos colegas que fez ao longo de sua atuação no Exército para ocupar cargos estratégicos na pasta. O principal argumento era que os militares, além de especializados em logística e preparados para enfrentar uma guerra como a pandemia, estavam no local para evitar irregularidades no ministério. O órgão, um dos maiores orçamentos do Executivo, é alvo da cobiça de políticos.

E FORAM CHEGANDO… – Foi assim que o tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa acabou sendo indicado para assessor do Departamento de Logística (DLOG) da pasta, então comandado por Roberto Ferreira Dias. O diretor estava no cargo desde o início do governo com a bênção do ex-deputado Alberto Lupion (DEM-PR) e do atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Na última semana, o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que se apresenta como representante da Davati Medical Supply, apontou Blanco como o homem que abriu as portas para ele no ministério. Segundo o PM, o tenente-coronel também esteve presente no jantar em um restaurante de um shopping de Brasília, em 25 de fevereiro.

Na ocasião, Dias teria pedido propina para levar adiante uma negociação para a compra de vacinas. Dominguetti relatou o caso em entrevista à “Folha de S.Paulo” e depois confirmou à CPI, em um depoimento cercado de contradições.

ERA UM APRENDIZ – Dias, que será ouvido na CPI na próxima quarta, nega as acusações. Em nota, o ex-diretor, exonerado na última quarta-feira, afirmou que Blanco foi colocado no departamento para aprender a função dele. Dias diz que Blanco chegou ao restaurante acompanhado de Dominguetti.

Três dias antes desse encontro, o tenente-coronel abriu a empresa Valorem Consultoria em Gestão Empresarial, em Brasília. Blanco havia sido exonerado do ministério em janeiro. Interlocutores de Blanco afirmam que o militar aguarda os desdobramentos para se manifestar.

Em seu depoimento, Dominguetti ainda envolveu outro militar da pasta. O PM, ao ver uma foto, apontou o coronel da reserva Alexandre Martinelli, ex-chefe da Subsecretaria de Assuntos Administrativos do Ministério da Saúde, como a terceira pessoa presente no encontro. Disse, porém, que precisaria vê-lo pessoalmente para ter certeza. Martinelli nega e afirma que estava no shopping em um café.

CASO COVAXIN – Outros dois militares foram envolvidos nas suspeitas de irregularidades na aquisição de vacinas: o tenente coronel Alex Lial Marinho, e o coronel da reserva Marcelo Bento Pires.

Segundo relato do chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, à CPI, Marinho e Pires teriam pressionado para dar andamento ao processo de compra da vacina indiana Covaxin, mesmo sem o aval da área técnica. Essa vacina foi a mais cara contratada pela pasta e teve o trâmite mais rápido.

Os militares citados eram subordinados à Secretaria Executiva, comandada na época pelo coronel Elcio Franco. Hoje ele é assessor especial da Casa Civil e tem como missão justamente rever os atos da gestão Pazuello para preparar a defesa na comissão. O GLOBO procurou os militares citados na reportagem. Martinelli negou as acusações, Lial Marinho não foi localizado e os demais não responderam.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Essa esculhambação tem de acabar o mais rápido possível. O Brasil precisa que os militares voltem a ser a reserva moral do país. No entanto, está acontecendo o contrário(C.N.)

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