terça-feira, junho 29, 2021

Nações do G7 deveriam estar preocupadas com a pandemia, ao invés de hostilizar a China

Publicado em 29 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Covid-19 aumentará miséria em países mais pobres, alerta ONU | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 03.12.2020Martin Wolf
Financial Times/Folha

A aliança das democracias está de volta. E agora seu principal objetivo é confrontar a China. Esses foram os grandes temas da viagem recente de Joe Biden à Europa. O desejo de reanimar as alianças dos Estados Unidos depois da era Trump faz sentido. Mas o novo foco acarreta riscos.

Jeffrey Sachs, da Universidade Columbia, escreveu que “não precisamos do Grupo dos 7 (G7)”. Discordo. Faz sentido que as democracias de alta renda coordenem suas políticas em áreas nas quais tenham interesses comuns e valores compartilhados.

ASCENSÃO DA CHINA – Isso se aplica especialmente quando a democracia mesma está em recessão e o poder está se transferindo dos Estados Unidos e seus aliados principalmente para a China.

A ascensão da China é a mais importante realidade estratégica. Este ano, de acordo com o FMI, o país responderá por 19% da produção mundial, em termos de paridade de poder aquisitivo, ante 7% em 2000. Mas, combinadas, as democracias de alta renda continuam a ser a maior potência econômica do planeta.

Os países do G7 vão gerar 31% da produção mundial e as 37 democracias de alta renda do planeta, somadas, responderão por 42% dela em 2021.

OUTROS ÍNDICES – No comércio internacional, também, o G7 gera 31% das exportações de mercadorias do planeta, e absorve 36% das exportações, ante 15% e 12% para a China, respectivamente. As democracias de alta renda geram 55% das exportações mundiais e absorvem 57% das importações.

As democracias de alta renda também têm as economias mais produtivas do planeta em termos de produção per capita, e a China ocupa apenas o 75º posto nesse ranking. Elas abrigam a maior parte das grandes companhias mundiais, os maiores mercados financeiros internacionais, as principais universidades e a mídia mais influente.

Os Estados Unidos também contam com as forças armadas mais poderosas do planeta. Além disso, apesar de todas as suas falhas, o ideal da democracia liberal continua a ser atraente para muita gente em todo o mundo.

ENTROSAMENTO – Por terem economias e sistemas políticos semelhantes, as democracias de alta renda precisam coordenar sua regulamentação em áreas como as finanças, tecnologia digital e competição. Elas também precisam defender seus valores essenciais, como a liberdade de expressão, contra a interferência externa, especialmente da China.

Em resumo, as democracias de alta renda têm valores e interesses próprios, e a capacidade de defendê-los, especialmente se agirem juntas. Essa é a base para cooperação. Mas Sachs tem razão quanto a uma coisa: dizer ao resto do mundo o que fazer é tanto errado quanto impraticável.

Como escreveu Ian Morris, da Universidade Stanford, em seu provocativo livro “War! What is it Good For?”, “os europeus travaram uma guerra de 500 anos contra o restante do planeta”. E o restante do planeta não esqueceu.

AÇÕES INSENSATAS – As décadas transcorridas desde o colapso da União Soviética solaparam a confiança na competência e nos valores ocidentais, por trazerem ações insensatas como a “guerra contra o terrorismo”, as guerras no Afeganistão e Iraque, a crise financeira mundial, a saída britânica da União Europeia, e a eleição de Donald Trump.

O comunicado do G7 fala de um compromisso compartilhado para com “a cooperação internacional, multilateralismo e uma ordem mundial aberta, resiliente e regida por regras”. Hoje, essa afirmação causa apenas riso. Biden espera que Trump tenha sido uma aberração. Infelizmente, ele pode voltar.

Se uma aliança democrática renovada quer ter peso, precisa de políticas coerentes e sensatas. E elas estão em falta, especialmente quanto à premente tarefa de vacinar o mundo contra a Covid-19.

POUCAS VACINAS – O G7 reconhece que “acabar com a pandemia em 2022 requererá vacinar 60% da população mundial”. Isso exigiria pelo menos 9,4 bilhões de doses de vacina. Mas os integrantes do grupo assumiram o compromisso de distribuir apenas 870 milhões de doses a outros países no ano que vem.

O G7 afirmou também que “desde o começo da pandemia, despendemos US$ 8,6 bilhões para financiar a compra de vacinas, com US$ 1,9 bilhão desde nosso último encontro em fevereiro. Isso cobre o equivalente a mais de um bilhão de doses”. No total, portanto, eles terão fornecido dois bilhões de doses. Muito mais vacina será necessária.

Brasil ultrapassa esta semana a marca de 100 milhões de doses de vacinas contra Covid-19

Publicado em 29 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Apesar dos pesares, a vacinação está ganhando velocidade

José Carlos Werneck

Apesar do negacionismo insano do presidente Jair Bolsonaro e da torcida contra dos opositores do governo e de certa parcela da mídia, o Brasil deverá ultrapassar nos próximos dias a significativa marca de 100 milhões de doses aplicadas desde o início da campanha nacional de imunização, iniciada em 17 de janeiro.

Até o fim da última semana, foram contabilizadas mais de 95,5 milhões de doses de vacinas. Mantido o ritmo dos últimos sete dias, quando mais de 1,3 milhão de doses foram aplicadas, por dia, em todo o País, a marca das 100 milhões de doses deve ser atingida até esta quarta-feira.

O QUARTO PAÍS – Assim, o Brasil será o quarto país a ultrapassar a marca de 100 milhões de doses aplicadas na população. Os outros foram China, EUA e Índia.

Devido à alta média diária da vacinação, espera-se que o número marcante de cem milhões de doses aplicadas seja atingido antes do fim deste mês de junho. Em junho, até esta sexta-feira foram aplicadas mais de 26,3 milhões de doses de vacinas e a média no mês segue acima de um milhão diariamente. Com isso, o País conseguiu aplicar uma dose de vacina em um terço de toda a sua população. Assim só na população vacinável (adultos) já são 44%.

Que venham mais vacinas e que mais pessoas sejam imunizadas. Quem tomou a primeira dose deve estar atento e comparecer no dia previsto para receber a dose complementar das vacinas que necessitam de duas doses.

Sombra da corrupção no governo é a nova ameaça à reeleição de Bolsonaro em 2022


CorrupçãoSarah Teófilo e Ingrid Soares
Correio Braziliense

Com foco nas eleições de 2022, o presidente Jair Bolsonaro pretende reinvestir no pilar anticorrupção para atrair o eleitorado. No entanto, as investigações contra o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e, principalmente, as denúncias envolvendo as negociações para a compra da vacina Covaxin, contra o novo coronavírus, podem respingar nos planos dele de recondução ao Planalto.

Na última sexta-feira, um fato novo levado à CPI da Covid provocou o maior desgaste do governo até agora: o chefe do Executivo teria sido avisado das suspeitas de irregularidades no contrato do imunizante indiano, dito que parecia ser “rolo” do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), mas não teria tomado nenhuma atitude.

MESMA ESTRATÉGIA – Ao ser atacado com tamanha gravidade, Bolsonaro fez o que costuma fazer quando se vê envolto em informações negativas ao governo: atacou a imprensa e o adversário mais forte para as eleições de 2022, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — apelidado por ele de “ladrão de nove dedos” — e novamente bradou que desde o começo de sua gestão não houve casos de corrupção.

Na sexta-feira, horas antes do depoimento dos irmãos Miranda na CPI, Bolsonaro negou superfaturamento da Covaxin e disse ser “incorruptível”. “O contrato, pelo que me consta, não há nada de errado nele. Não há superfaturamento. É mentira. Eu vou ouvir Queiroga (Marcelo Queiroga, ministro da Saúde) para saber da opinião dele”, frisou, em entrevista coletiva.

“Não foi gasto um centavo com a Covaxin, não chegou uma ampola aqui. Vocês querem me julgar por corrupção? Vão se dar mal. Eu sou incorruptível.”

NADA FOI PAGO – O presidente e parlamentares governistas têm se amparado no discurso de que “nada foi pago”, apesar de o contrato ter sido assinado e havido uma tentativa da empresa de receber US$ 45 milhões antecipados — investida travada pelo servidor Luis Ricardo Miranda.

Numa tentativa de contragolpe, o governo tem adotado, também, a estratégia de desacreditar oponentes. Bolsonaro disse que pediráww à Polícia Federal a abertura de investigação contra Luis Miranda.

“Olha a vida pregressa desse deputado. É lógico que a PF vai abrir inquérito”, enfatizou. Afirmou, ainda, que o parlamentar ostenta um “prontuário” policial extenso, numa alusão aos processos judiciais que pesam sobre o político do DEM.

Meio Ambiente – O governo também enfrenta suspeitas de corrupção na gestão do agora ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Ele pediu demissão na quarta-feira depois de intenso desgaste provocado pelas operações Handroanthus e Akuanduba, que apura suspeita de envolvimento dele num esquema envolvendo a exportação ilegal de madeira.

Na avaliação do cientista político Rodrigo Prando, apesar de os indícios serem graves, é necessário aguardar o desdobramento das investigações. Ele acredita, no entanto, que os casos têm potencial de arranhar o discurso de Bolsonaro.

“A saída do Salles é um sinal fortíssimo de que tem coisa para resolver ainda e acaba atrapalhando um discurso que sempre quis se colocar diferente de todos os demais. Essa narrativa de que ‘somos diferentes’ e não houve corrupção também foi dos petistas, até que o mensalão apareceu e depois o petrolão, várias questões relacionadas ao PT. Nesse sentido, a retórica é a mesma”, enfatizou.

CORRUPÇÃO – Conforme Prando, caso seja comprovada corrupção em relação à gestão de Salles, a tática de Bolsonaro será a de dizer que ele não faz mais parte do governo e que deixará que a investigação esclareça o caso.

Em relação à vacina indiana, a situação parece mais complicada. “Se comprovada corrupção (no caso) da Covaxin, pode não apenas desestruturar o discurso para 2022 como atrapalhar a meta de reeleição, porque Bolsonaro vai perder um eixo significativo do seu discurso”, destacou.

“O governo começou com dois pilares: ideias de combate à corrupção, na figura de Moro (Sergio Moro, ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Operação Lava-Jato), e de liberalismo, na figura de Paulo Guedes (ministro da Economia). Moro foi defenestrado do governo. Guedes não consegue levar a cabo um projeto liberal.”

CRIATIVIDADE ENORME – Para o especialista, “Bolsonaro precisará de uma criatividade enorme para criar um discurso que possa mostrar, em 2022, que ele conseguiu fazer um bom governo, que é honesto e liberal”. “Neste momento, ele não conseguiria apresentar esses três tópicos”, observou.

Na opinião de Prando, a nova controvérsia é fruto de imperícia do governo. “É um problema que o presidente acaba criando quando não tem especialistas, assessores que sejam capazes de entender a complexidade da administração pública e as dificuldades de separação entre interesses públicos e privados”.

Brasil tresloucado transforma seus heróis em bandidos, e vice-versa, sem fazer cerimônia

 

zer cerimônia

Merval Pereira  O Globo  / Charge do Kacio (Metrópoles)

O Brasil sempre foi um país peculiar, de heróis improváveis, mas, da redemocratização para cá, têm se repetido situações estranhas, como a que vivemos hoje, quando heróis transformam-se em bandidos e vice-versa, com a facilidade com que os móbiles mudam de posição de acordo com os ventos.

O presidente Bolsonaro, agora indiretamente envolvido em escândalos de corrupção que prometeu combater, desnuda-se ao vivo diante do país na transmissão televisiva da CPI.  O deputado Luis Miranda, chegado dos Estados Unidos onde montou uma série de empreendimentos suspeitos que lesaram diversos investidores, e até hoje responde a processos na Justiça de Brasília, tornou-se da noite para o dia o herói do momento ao denunciar a suspeitíssima compra da vacina indiana Covaxin.

INQUISIDOR-MOR – O senador Renan Calheiros, outro que anda às voltas há anos com investigações e denúncias, funciona como inquisidor-mor, que leva o governo às cordas como se fosse um paladino da Justiça.

O ex-deputado Roberto Jefferson, que se tornou herói nacional ao denunciar o esquema do mensalão depois de ter se sentido traído pelo então superministro José Dirceu na divisão do butim dos Correios, hoje é um tresloucado defensor de milícias e, armado, aparece dia sim, outro também, nas redes sociais defendendo a eliminação física dos adversários.

Antes, Pedro Collor já aparecera como herói denunciando seu irmão presidente por falcatruas com PC Farias das quais fora barrado pela ganância da dupla. O governo do PT que, segundo Dirceu dizia “não rouba nem deixa roubar”, viu-se metido em trapaças continuadas, do mensalão ao petrolão, que levaram a uma devastação de sua cúpula, indo a maioria para a cadeia, inclusive o ex-presidente Lula.

FALTA DE MEMÓRIA – As mesmas manobras jurídicas que acusam terem sido responsáveis pela prisão de Lula, cinco anos depois voltaram-se a seu favor porque, por aqui, os ventos mudam com muita rapidez, auxiliados pela falta de memória nacional.

Como disse o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, o ex-juiz Sérgio Moro transformou-se de “herói nacional” em “suspeito”, num julgamento que, referendado pelo plenário do STF por maioria, acabou levando à anulação de todos os processos contra o ex-presidente Lula. Dando margem a que Bolsonaro diga que se faz hoje com Moro o que o acusam de ter feito, isto é, permitindo que Lula volte a ter condições de se candidatar à presidência da República, tentam barrar sua reeleição.

A mesma ilação os petistas fizeram, alegando que Moro só condenou Lula (ele e mais 9 juízes do TRF-4 e do STJ) para tirá-lo da eleição presidencial de 2018, permitindo que Bolsonaro fosse eleito.

BANDIDOS E HERÓIS – Dizia Ivan Lessa que de quinze em quinze anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos quinze anos anteriores. Nesse caso, bastaram cinco anos para que tudo virasse de cabeça para baixo, transformando bandido em herói, dependendo da opinião de cada um, para não fugir à polarização.

Não basta, porém, vencer a discussão jurídica, é preciso aniquilar o inimigo. Para tal, juristas se uniram em manifesto para impedir que o ex-juiz Moro participasse de uma mesa-redonda acadêmica no 3º Encontro Virtual do Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito. No manifesto, os juristas acabam revelando o cerne da questão: “… Sua atuação alterou, inclusive, o processo eleitoral, ao condenar sem provas o candidato à presidência da Republica que estava liderando francamente as pesquisas eleitorais, permitindo a vitória daquele que o alçaria ao status de ministro de Estado poucos meses depois”.

GANHAR NA FRAUDE– O mesmo argumento Bolsonaro usa hoje, dizendo que só liberaram Lula para “ganhar na fraude”. Dois juristas resolveram retirar seus nomes de uma homenagem ao ministro Marco Aurélio pelos seus 31 anos de STF, que se encerram em julho, por ele ter classificado Moro de “herói nacional”, embora não tenha sido esta a primeira vez que o fez, e fosse conhecida sua posição favorável à Lava-Jato.

Nesses momentos tresloucados que vivemos, ser a favor de um ponto de vista torna imediatamente o indivíduo em um canalha personagem de Nelson Rodrigues, é ilegal a maioria que condena Lula, assim como ilegal é também a maioria que o livra da cadeia. Nessa batida, vamos para a eleição presidencial sem saída de escape.

Após visitar Bolsanaro, relator apresenta parecer favorável à adoção do voto impresso


Imagem da Matéria

Charge do Kacio (kacio.art.br)

Camila Turtelli
Terra/Estadão

Aliado do presidente da República Jair Bolsonaro, o deputado Filipe Barros (PSL-PR) leu um parecer pela adoção do voto impresso e pela apuração dos resultados das eleições feita pelo papel. O relatório foi apresentado na comissão especial da Câmara sobre o tema nesta segunda-feira, 28.

A proposta é bandeira do presidente da República Jair Bolsonaro, que alega fraudes na urna eletrônica, sem apresentar provas. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, é contra a mudança, mas disse que irá adotá-la, caso o Congresso aprove. No fim de semana, 11 partidos se posicionaram contrários ao voto impresso.

PROJETO DE BIA KICIS – O parecer de Barros só deverá ser votado nas próximas sessões e tem como base a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), da deputada Bia Kicis (PSL-SP), também bolsonarista. Após essa fase, precisa ainda ser aprovada em dois turnos no plenário da Câmara e depois no Senado. Para valer para as eleições de 2022, precisa concluir todas as etapas até no máximo um ano antes das eleições, ou seja, outubro deste ano.

Kicis e Barros tiveram um encontro com Bolsonaro no Palácio da Alvorada, na manhã desta segunda-feira, antes da apresentação do parecer e dois dias depois de presidentes de partidos se posicionarem formalmente contra a adoção do voto impresso. Os signatários do manifesto são do PSL, Progressistas, PL, PSD, MDB, PSDB, Republicanos, DEM, Solidariedade, Avante e Cidadania.

“Enquanto estiver em andamento o processo de implantação gradual, a apuração nas seções eleitorais equipadas com módulo impressor será realizada, exclusivamente, com base nesses registros. Nas demais seções eleitorais em que registro impresso do voto não estiver ainda implementado, a apuração ocorrerá com base nos registros eletrônicos”, diz o texto do relator. A apuração terá de ser feita imediatamente após o fim da votação, em cada seção eleitoral, segundo o deputado.

SUGERE O RELATOR – Apesar de desacreditar a segurança do sistema eletrônico utilizado pelo TSE no seu parecer, Barros propõe que a apuração dos registros impressos de voto seja automatizada e com utilização de equipamentos de contagem que permitam a verificação visual do conteúdo de cada voto.

A ideia do relatório de Barros e da proposta de Kicis é acoplar uma segunda urna às já existentes para guardar uma impressão, em papel, do voto registrado eletronicamente pelos eleitores. Esse registro poderá ser visto pelo eleitor, mas ele não terá acesso.

“No modelo proposto, o eleitor vota na urna eletrônica, que efetua o registro digital do voto, imprime o registro do voto e o deposita em urna indevassável, após a conferência pelo eleitor, sem qualquer contato manual”, diz o texto. O relator sugere ainda que os votos sejam depositados nesta segunda e nova urna de forma separada para cada cargo, como presidente, governador ou deputados federal e estadual.

CPI da Pandemia ouve deputado relator da CPI da Saúde na Assembleia do A...

Anvisa alerta estados sobre adulteração de frascos da vacina CoronaVac

 

Anvisa alerta estados sobre adulteração de frascos da vacina CoronaVac
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) enviou às secretarias estaduais de Saúde e às diretorias estaduais de Vigilância Sanitária um alerta sobre a possibilidade de adulteração de frascos da vacina CoronaVac.

 

Desde maio, a Agência investiga possível caso de falsificação ocorrido no Maranhão. De acordo com a investigação, um frasco vazio de CoronaVac foi reaproveitado para introdução de um líquido diferente do da vacina dentro do recipiente. O uso de uma cola para fixar o lacre de alumínio à tampa também foi registrado.

 

A Anvisa recomendou que os aplicadores de vacina verifiquem se os frascos recebidos pelo Instituto Butantan estão intactos. Os frascos vazios devem ser inutilizados e possíveis irregularidades encontradas deverão ser comunicadas através do Sistema de Notificações para a Vigilância Sanitária (Notivisa).

Bahia Notícias

Transferência de votos de Bolsonaro para Lula conta em dobro para as urnas de 2022

Publicado em 29 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ipec que apontou 49% para Lula contra 23% para Jair Bolsonaro, diferença de 26 pontos, apresenta uma característica bastante crítica para o atual presidente da República. A reportagem de Gustavo Schmitt, no O Globo desta segunda-feira, com base  no mais recente levantamento do instituto que sucedeu o Ibope, assinala que um quarto dos que votaram em Bolsonaro nas eleições de 2018 estariam dispostos a votar no ex-presidente Lula se as eleições fossem hoje.

Para analisar pesquisas não se pode apenas ver o fato, mas, sobretudo, ver no fato. Quando um candidato perde pontos em sua popularidade e tais pontos se transferem para o seu principal adversário, essa transferência vale o dobro, uma vez que o presidente perde uma parcela e tal parcela vai para o seu rival. Por isso é que Lula está alcançando 49% contra 26% de Bolsonaro.

ISOLAMENTO – A pesquisa também assinala uma tendência que é o declínio de Bolsonaro e o seu isolamento nas correntes ideológicas da direita. Por isso, é que  ele se encontra na faixa de 26%. Mas isso hoje. Na minha opinião, descerá um pouco mais, ficando com cerca de 20% dos votos, ao que tudo indica serem bastante sólidos.

O professor Oswaldo Amaral, da Unicamp, assinala a reportagem, fala nas bandeiras conservadoras peculiares a Jair Bolsonaro e, se assim não fosse, não haveria razão para Paulo Guedes ser o ministro da Economia. Entretanto, Oswaldo Amaral admite a hipótese de Bolsonaro se recuperar nos 18 meses que separam o dia de hoje das urnas de amanhã.

Pessoalmente não creio nessas possibilidades. Para que se viabilizassem haveria a necessidade de uma mudança radical por parte de Bolsonaro e da atual política de congelamento dos salários.

REDUÇÃO DE PESSOAL – Glauce Cavalcanti, Carolina Nalim e Gabriela Medeiros publicam reportagem também no O Globo revelando que, desde 2015 até hoje, os governos Dilma, Temer e Bolsonaro cortaram 111 mil empregos nas empresas estatais, principalmente na Petrobras e Eletrobras, no caso desta última de forma mais acentuada no quadro de Furnas.

Um objetivo  dos governos foi e está sendo o de reduzir a folha de salários. Mas este é um fato que não se firma por si e acentua uma contradição lógica e inevitável. As demissões acarretam também consigo queda na receita do INSS, na receita do FGTS e na arrecadação do próprio Imposto de Renda. O Imposto de Renda inclui a incidência de 27% sobre as folhas de vencimentos. O INSS inclui a parte dos empregados que oscila em várias escalas de pagamento, enquanto o Fundo de Garantia é de 8% sobre o total das folhas. Há ainda a acrescentar um detalhe fundamental; no caso dos empregados as empresas recolhem 20% sobre os pagamentos mensais. Esta é, sobretudo, a maior contribuição previdenciária.

Todas as receitas encolhem em consequência da demissão de 111 mil pessoas que também, como é natural, passaram a consumir menos. Portanto, as aparentes reduções do número de empregados têm consequências tanto nas contribuições dos empregadores quanto na arrecadação de tributos federais, para não dizer nos reflexos das receitas estaduais e municipais.

BARROS NO PODER – Thiago Resende, Folha de São Paulo, é autor de matéria que ressalta o fato de o deputado Ricardo Barros ser mantido como líder do governo na Câmara Federal.  Dificilmente aconteceria o contrário, pois se acontecesse confirmaria a veracidade das denúncias que flutuam sobre a pretendida aquisição da vacina Covaxin produzida pela Índia.

Não é do estilo de Bolsonaro confirmar a realidade contra si mesmo, pois ele atua na base de uma realidade exclusiva dele mesmo. Por isso, quando a realidade efetiva se torna incontestável, colocando um abismo na frente de seus passos, ele ataca a imprensa fortemente, transferindo para os jornais e as emissoras de televisão a responsabilidade sobre os aspectos negativos do seu governo.

Para ele, Bolsonaro, não importa os fatos concretos, mas sim a sua exposição pública e a confirmação pelo clima que está se verificando no Planalto. Sobre este aspecto, a jornalista Catarina Bustamante, Folha de São Paulo, acentua que Jair Bolsonaro é um presidente fraco na medida em que está dependendo do Centrão para se manter no poder.

OPINIÃO PÚBLICA – Mas acredito que tal apoio não seja suficiente, pois um político dificilmente pode se manter quando existe uma opinião pública tão fechada e até mesmo motivada contra ele. Motivação que se instalou no Brasil em consequência direta do fracasso atual da administração e seu preconceito contra vacinas, máscaras e distanciamentos.

Com isso, Bolsonaro não somente tirou a máscara, mas principalmente ofereceu à população uma face amedrontada.


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