Publicado em 4 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Renda dos mais pobres cai 20% (Gráfico Jean Galvão)
Josias de Souza
do UOL
Mudou de patamar o movimento que deu ao embate entre governo e Congresso ares de guerra de ricos contra pobres. Deflagrada a partir de uma parceria da Secretaria de Comunicação do Planalto com o Partido dos Trabalhadores, a articulação saltou das redes sociais para as ruas. Nesta quinta-feira, dois lances tonificaram o embate.
Num, o PT lançou um site para cadastrar influenciadores governistas interessados em impulsionar na internet a bandeira da “justiça social”. Noutro, dois movimentos sociais de esquerda —a Frente Povo Sem Medo e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto— ocuparam por duas horas o saguão do prédio do banco Itaú, na avenida Faria Lima, em São Paulo.
CHEGA DE MAMATA – Os militantes portavam faixas que ecoaram palavras de ordem da campanha avalizada por Lula. Coisas como “Chega de Mamata”, “O povo não vai pagar a conta” e “Taxação dos super-ricos já”. Cotado para assumir um ministério palaciano sob Lula, o deputado Guilherme Boulos festejou a ocupação numa postagem: “Pra cima!”, ele anotou. “O recado do povo é claro: o Brasil precisa de Justiça tributária.”
No Planalto, a ocupação da sede do Itaú foi recebida com uma ponta de preocupação. Pesquisas internas detectaram desde a semana passada que o embate com o Congresso alterou para cima o índice de popularidade de Lula.
O receio é que a movimentação de rua da militância escape a controle, produzindo revezes no Congresso e, sobretudo, no pedaço conservador do eleitorado.
PRECISA DE APOIO – Com um ano e meio de mandato pela frente, Lula precisa do Congresso para aprovar itens vitais da agenda do seu governo. Com a perspectiva de uma campanha que até os aliados preveem que será dura de roer, Lula não pode se dar ao luxo de rifar o voto não-petista.
Lula prevaleceu em 2022 por uma pequena margem: 1,8 ponto percentual. Venceu graças a uma minoria de votos conservadores que queriam mandar Bolsonaro mais cedo para casa.
A ressurreição do slogan “nós contra eles” representa uma guinada do governo à esquerda. Deu a Lula um mote de campanha, animou a bolha petista nas redes e levou a militância às ruas. A dúvida é se a manobra vai atrair ou afugentar em 2026 os votos apartidários de centro que levaram Lula a subir a rampa pela terceira vez.