
Lula forçou demais a voz e está com problemas na laringe
Carlos Newton
Neste sábado, o presidente eleito Lula da Silva realizou exames médicos detalhados no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, antes de sua viagem para a COP27 no Egito, nesta segunda-feira, dia 14. Segundo a assessoria de Lula, os exames ocorrem normalmente a cada seis meses.
Neste sábado, o presidente eleito foi atendido pelos médicos Roberto Kalil Filho, Artur Katz e Rubens Brito, que atestaram, por meio de nota divulgada pelo hospital Sírio Libanês, o seu estado de saúde.
BOLETIM MÉDICO – Segundo informações do hospital, os exames “seguem mostrando completa remissão do tumor diagnosticado em 2011″. É um dado importante, que diz respeito ao tumor na laringe que levou Lula a fazer quimioterapia, tratamento contra câncer, logo depois do fim de seu segundo mandato.
“Foram realizados exames de ecocardiograma, angiotomografias e PET scan, que estão normais e seguem mostrando completa remissão do tumor diagnosticado em 2011”, disseram os médicos.
No entanto, o boletim da equipe revela inflamações decorrentes do esforço vocal na campanha e uma área de leucoplasia na laringe, porém não faz comentários sobre a gravidade da lesão.
O QUE É LEUCOPLASIA – Os compêndios médicos, como os Arquivos Internacionais de Otorrinolaringologia, revelam que as leucoplasias “são lesões brancas da mucosa que podem acometer qualquer região da laringe, embora sejam mais frequentes nas pregas vocais. São consideradas pré-malignas, embora a presença de tumor ocorra em menos de 20% dos casos. Representam uma resposta tecidual à agressão repetida, via de regra pelo tabaco, refluxo gastroesofágico e álcool”.
Em tradução simultânea, há menos de 20% de possibilidades de novo câncer. O tratamento requer uso de beclometasona spray oral (dose: aspiração de um jato de 250 mcg três vezes ao dia) e vitamina A em forte dose (uma cápsula de 100.000 UI duas vezes ao dia) durante três semanas. Após esse período é realizada nova avaliação:
POSSIBILIDADES – Ainda segundo os Arquivos Internacionais de Otorrinolaringologia, se houver alguma melhora, o tratamento é mantido por mais três semanas, reduzindo-se a dose de vitamina A para 100.000 UI diárias.
O paciente precisa ser reavaliado a cada três semanas até a regressão completa da leucoplasia. Caso o processo de regressão se interrompa, então é necessário fazer a cirurgia.
Bem, este é o caso médico de Lula, que foi liberado para viajar nesta segunda-feira para a COP 27 no Egito, acompanhado da esposa, Rosângela Lula da Silva, do ex-ministro Celso Amorim e do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Depois da COP27, o presidente eleito deve fazer uma visita a Portugal, a convite do primeiro-ministro António Costa, e retornará em seguida ao Brasil.
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P.S. – Recapitulando: dentro de três semanas Lula terá de voltar ao Hospital Sírio-Libanês. Com o novo exame, será então decidido se o presidente eleito continua o tratamento medicamentoso ou fará a cirurgia, considerada preventiva e acautelatória, mas absolutamente necessária nesses casos de leucoplasia, em que nem cabe fazer biopsia, pelo risco de “falso-positivo”. (C.N.)