
Eduardo debochou de tortura sofrida por Miriam Leitão
Pedro do Coutto
A tortura é o que de mais hediondo e repgnunate existe na historia universal, mancha eterna que atravessa os milênios e que condena definitivamente os que a aplicam ou a apoiam. Por isso é de se lamentar as afirmações do deputado Eduardo Bolsonaro lembrando em tom de deboche a tortura sofrida pela jornalista Miriam Leitão em 1962.
A tortura é marcada também por uma dose desclassificante de sadismo e covardia. Por isso estou convencido de que ao se referir a Miriam Leitão no triste episódio de meio século atrás, o deputado Eduardo Bolsonaro fez com que o presidente Jair Bolsonaro perdesse votos de indecisos nas eleições de outubro deste ano. Digo votos de indecisos porque os radicais da direita aprovam o seu procedimento.
COLOCAÇÕES IMPRÓPRIAS – Mas é preciso levar em conta aqueles que se encontram indecisos ou a parcela de propensos a votar no atual presidente, mas que se chocaram com a tentativa de humor macabro usado pelo parlamentar eleito por São Paulo. O Globo, inclusive, publicou também um editorial condenando frontalmente as colocações de Eduardo Bolsonaro.
O voto dos indecisos é também fundamental, aliás também como são todos os votos, pois parto do princípio de que se por um gol se vence no futebol, por um gol também se perde. E nas urnas, por uma parcela pequena de votos se vence, e também se perde. Portanto, não se pode desprezar em eleições nenhum movimento voltado para as urnas decisivas e irrevogáveis.
Jair Bolsonaro vai sentir o golpe que nada lhe acrescenta, pelo contrário. Principalmente no momento em que melhora nas pesquisas, como o Datafolha deixou claro, edição de ontem da Folha de S. Paulo, matéria de Ângela Pinho, mostrando que a reprovação do seu governo com base no que fez para enfrentar a Covid-19 recuou de 54% para 46%.
AVANÇO – Portanto, em termos concretos, avançou oito pontos. Melhorou, tanto que na recente pesquisa a respeito das eleições presidenciais, Bolsonaro subiu de 21% para 25% e Lula recuou de 47% para 41%. A pesquisa do Datafolha é comentada também por Bianca Gomes, O Globo desta segunda-feira.
É verdade que a pesquisa do Datafolha publicada na semana passada não focalizou ainda o efeito do aumento dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. A Petrobras estava e está em foco de forma muito destacada depois que Rodolfo Landim desistiu de ser nomeado para o Conselho de Administração da Petrobras.
DÚVIDAS – Surgiram dúvidas quanto à sua vinculação com empresas que atuam no mercado; vinculação que se estendeu também ao economista Adriano Pires, indicado para dirigir a estatal. O Globo e a Folha de S.Paulo deram grande destaque ao assunto.
O presidente Jair Bolsonaro, revelou a GloboNews na tarde de ontem, reagiu sobre a hipótese de recair um veto contra Adriano Pires e disse que o jogo está partindo de inimigos do governo. Como se constata, é mais uma etapa no universo do petróleo que provoca forte atrito nas áreas governamentais.
Começou com Roberto Castelo Branco, que foi substituído na Presidência da estatal por Silva e Luna. E, agora, se desloca para um capítulo sensível envolvendo a sucessão de Lula por Adriano Pires.