terça-feira, abril 26, 2022

Supremo contra-ataca e Bolsonaro tem prazo de dez dias para explicar o indulto ao parlamentar


MPF denuncia assessores de Daniel Silveira que entregaram celulares ao deputado na prisão | Jovem Pan

Daniel Silveira é o pivô desta grave crise institucional

Marcelo Rocha
Folha

A ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), requisitou ao presidente Jair Bolsonaro (PL) explicações sobre o indulto da graça concedido ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ). É a primeira providência, tomada na noite desta segunda-feira (25), sobre as ações de partidos de oposição ao governo que pedem à corte a suspensão do ato presidencial.

Rosa Weber definiu dez dias de prazo para que o chefe do Executivo se manifeste acerca do assunto. No despacho, a ministra afirmou que a matéria tem “relevância e especial significado para a ordem social e a segurança jurídica”.

DIRETO AO PLENÁRIO – A ministra adotou rito processual segundo o qual o relator de uma ADI (ação direta de inconstitucionalidade), classe dos pedidos dos adversários de Bolsonaro, pode submeter a controvérsia diretamente ao plenário para julgamento do mérito, sem a concessão de eventual liminar (decisão provisória).

O passo seguinte, a partir do recebimento das informações do Palácio do Planalto, será colher as manifestações da AGU (Advocacia-Geral da União) e da PGR (Procuradoria-Geral da União).

Bolsonaro concedeu o indulto da graça ao deputado na quinta-feira (21), um dia após Silveira ser condenado a oito anos e nove meses de prisão por ampla maioria dos ministros do Supremo. Ele foi denunciado pela PGR por ataques verbais e ameaças a integrantes da corte.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO – Sob uma alegada proteção à liberdade de expressão, o presidente da República concedeu o benefício para livrar o aliado político das penas, pegando os magistrados de surpresa.

O indulto é uma prerrogativa do mandatário, mas a jurisprudência do STF diz que o indulto é um instrumento jurídico passível de ser submetido a controle constitucional.

Uma análise possível é quanto ao princípio da impessoalidade. É questionável, segundo integrantes da corte, que a caneta do presidente seja usada para beneficiar um correligionário.

REAÇÃO DO RELATOR – É também aguardado como o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal em que o deputado Daniel Silveira foi condenado e cassado, reagirá ao decreto presidencial de Bolsonaro.

Por meio de um pedido conhecido como tutela provisória incidental, a Rede Solidariedade já levou formalmente ao processo a questão do indulto, antes mesmo da publicação do acórdão do Supremo.

O partido político diz que é preciso “agir com rapidez, para impedir que se consume tamanha afronta à Constituição e ao ordenamento jurídico brasileiro”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A crise vai se alastrando. A resposta de Bolsonaro certamente apontará os supostos equívocos e exageros do Supremo, na visão do Planalto O Supremo tem errado muito, e erra por último. Mas o governo também erra muito, e assim a esculhambação se instala. Daqui em diante, todo cuidado é pouco, em defesa da preservação da democracia. (C.N.)

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