Publicado em 13 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Caciques do MDB podem tentar barrar candidatura de Tebet
Pedro do Coutto
A GloboNews focalizou na manhã de ontem, terça-feira, o jantar que reuniu em Brasília, na residência do ex-senador Eunício Oliveira, uma forte presença de líderes do MDB com o ex-presidente Lula da Silva numa atitude clara em que esse grupo partidário manifesta apoio à candidatura do petista. Na noite de segunda-feira, a mesma GloboNews havia anunciado o encontro e na manhã de ontem focalizou novamente o assunto.
O objetivo fundamental do jantar foi aproximar Lula de bases partidárias, especialmente do Nordeste, uma vez que na região é muito forte o apoio popular ao candidato do PT. Agora, aliás, praticamente a chapa Lula-Geraldo Alckmin consolidada na aliança PT-PSB, mas que se estende também a outras legendas interessadas em formar uma frente de oposição ao governo Jair Bolsonaro.
ENCONTRO FORMAL – Na segunda-feira, a candidata Simone Tebet reuniu-se com o ex-presidente Michel Temer e com o atual dirigente do MDB, Baleia Rossi. Mas foi um encontro formal. O fato dominante é que na realidade o jantar na casa de Eunício Oliveira fez evaporar a candidatura de Tebet.
Isso foi motivo de entusiasmo da candidatura Lula da Silva, uma vez que ela pode marcar o início de novas adesões em bases hostis ao governo e influir, por exemplo, no rumo a ser adotado pelo PSD de Gilberto Kassab, forçando a consolidação de uma aliança em São Paulo entre Fernando Haddad e Márcio França, com França disputando o Senado pelo PSB, partido que acolheu Alckmin que viajou do PSDB para partido socialista no meio de uma viagem para a Esplanada de Brasília. Nesse caso paulista, a base lulista torna-se muito forte.
FAVORITISMO DE MACRON – Uma bem detalhada reportagem de André Duchiade, correspondente de O Globo em Paris, relembra que há cinco anos, Emmanuel Macron ficou em primeiro lugar e enfrentou Marine Le Pen no segundo turno das eleições presidenciais da França. Mas naquela ocasião, no segundo turno, Macron recebeu 66% dos votos. No momento, Macron venceu 27,8% no primeiro turno, contra 23,5% de Marine Le Pen.
Um aspecto positivo para Macron, assinala que 33% dos eleitores do terceiro colocado, Jean-Luc Mélenchon, pretendem votar em Macron, 44% planejam se abster e 23% querem votar em Le Pen, que fez uma campanha baseada principalmente no custo de vida.
REELEIÇÃO – Na minha opinião, Macron será reeleito, inclusive porque os que votaram em Mélenchon e que hoje pretendem se abster, ao longo das próximas duas semanas que antecedem as urnas irão se deslocar para o atual presidente, sobretudo porque Mélenchon não formalizou apoio a Macron, mas vetou expressamente o voto em Marine Le Pen.
Assim, a taxa de 44% deve baixar e o apoio a Le Pen por parte dos que votaram em Mélenchon deve cair, segundo creio, numa percentagem de três pontos. Ao que as tendências indicam, Macron deve permanecer mais cinco anos nos Campos Elíseos. Os fatos devem confirmar essa impressão.