Publicado em 15 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Nogueira chama o presidente do CADE de “meu menino”
Roberto Nascimento
Estamos diante de um governo atolado em esquemas pesadíssimos. No entanto, o presidente da República insiste em alardear que venceu a corrupção. Como se vê, Jair Bolsonaro é igual a Lula e também não lê jornais nem assiste programas de televisão. Mas a verdade é implacável e os fatos diários sinalizam o contrário do que o chefe do governo apregoa.
É um nunca-acabar de “toma lá dá cá”, iguaizinho a governos anteriores, à exceção de Itamar Franco, faça-se a ressalva. Mas todos os governos mais recentes desta República, incluindo o de Itamar, privatizaram importantes ativos do Estado. Todos. Inclusive os ditos da “esquerda que a direita gosta”, como Leonel Brizola costumava ironizar.
LULA DE ESQUERDA? – Interessante notar que muitos analistas políticos consideram Lula de esquerda, mas é apenas uma fachada, ele nem sabe o que significa ser de esquerda. Os banqueiros nunca faturaram tanto como no governo de Lula, que sempre se orgulhou disso.
Na verdade, trata-se de um líder metalúrgico, que por ironia do destino virou presidente, após ter entrado na política pelas mãos do general Golbery do Coutto e Silva, mentor intelectual do regime militar, que foi buscá-lo em São Bernardo para criar o PT e se contrapor aos exilados que estavam voltando em 1979, beneficiados pela anistia aprovada no governo de João Figueiredo.
Na época, voltaram Luiz Carlos Prestes, Leonel Brizola e Miguel Arraes, que eram os líderes políticos mais temidos pelo chamado Sistema que dominava o país.
CORRUPÇÃO ATUAL – Olhem agora o caso do atual presidente do importantíssimo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Matéria de capa do Estadão desta quinta-feira, dia 14, revela que Alexandre Cordeiro, atual presidente do CADE é um apadrinhado do chefe da Casa Civil de Bolsonaro, o senador Ciro Nogueira, de quem foi chefe de gabinete.
A reportagem informa que Joesley Batista, da J&F, gravou conversa com Ciro Nogueira, que fala sobre o seu indicado: ”Botei ele lá”.
O CADE é uma autarquia que investiga carteis e avalia fusões bilionárias de empresas. Esse Alexandre Cordeiro já fazia parte da instituição como conselheiro, nomeado por Dilma Rousseff, e depois passou a superintendente-geral na gestão de Michel Temer. Em 2021 foi promovido por Bolsonaro ao posto de presidente do CADE, por sugestão de Ciro Nogueira.
UM HOMEM-CHAVE – Então, conclui-se que o CADE – tanto no governo Dilma, passando por Temer e por fim Bolsonaro – tinha esse elemento como uma raposa para defender os interesses de empresas bilionárias, esses polvos que eliminam a concorrência, criando monopólios privados.
Quando se trata de empresas estatais monopolistas, como Petrobras, Eletrobrás, Infraero etc., os empresários e parlamentares defendem a privatização, a pretexto de possibilitar a concorrência.
Há lógica nisso? Claro que não. O Estado deve investir em setores estratégicos e que envolvam responsabilidade social, porque nesses casos o interesse nacional é mais importante do que lucro. Mas isso não existe na iniciativa privada, cujo objetivo maior é sempre o lucro. Ou seja, dar a presidência do CADE a um serviçal de Ciro Nogueira, que é um corrupto mais do que conhecido, torna-se uma vergonha sem tamanho.