Publicado em 11 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Bolsonaro deu entrevista à Jovem Pan e tocou no assunto
Carlos Newton
Como se esperava, o presidente Jair Bolsonaro não aceitou se retratar perante os técnicos da Anvisa, em função da carta aberta divulgada pelo dirigente da Agência, contra-almirante Antonio Barra Torres. Nesta segunda-feira, o chefe do governo deu entrevista à rádio ‘Jovem Pan’ e disse que não acusou ninguém de corrupto, afirmando que não havia motivo para o tom agressivo de Barra Torres.
“Eu me surpreendi com a carta dele. Carta agressiva, não tinha motivo pra aquilo. Eu falei: ‘o que está por trás do que a Anvisa vem fazendo?’. Ninguém acusou ninguém de corrupto, tá? E, por enquanto, eu não tenho o que fazer pra tocante a isso aí” — declarou o presidente.
E quem se encarregou de atacar o dirigente da Anvisa foi o jornalista Cláudio Magnavita, editor do site do Correio da Manhã, que considerou a carta um desrespeito ao presidente e à hierarquia militar.
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A GRAVE INSUBORDINAÇÃO DE UM CONTRA-ALMIRANTE
Claúdio Magnavita Correio da Manhã
O atual presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) serviu de bucha de canhão para a mídia de oposição ao Presidente Jair Bolsonaro esta semana. Antônio Barra Torres virou o protagonista do tolo ato de insubordinação de um oficial general contra o comandante supremo das forças armadas brasileiras.
Ele começa uma nota pública, divulgada neste sábado, 8 de janeiro, se qualificando como oficial general da Marinha brasileira. Ser contra-almirante, aliás, foi o seu principal predicado para ser indicado diretor-presidente da Anvisa. Foi uma indicação do almirante Flávio Rocha.
Na carta, ele pede que o Comandante das Forças Armadas se RETRATE. É exatamente isso: um contra-almirante exigindo retratação do presidente da República e comandante chefe das Forças Armadas.
INTERESSE DA ANVISA – O pior é que o presidente Bolsonaro não fez nenhuma acusação ao cidadão e oficial general da reserva Barra Torres. Ele apenas questionou que interesses a Anvisa teria na liberação da vacina para crianças.
Para piorar a sua situação de motim, o atual presidente da agência assina a nota como contra-almirante RM1 Médico/Marinha do Brasil. Não há dúvidas. É um oficial general da reserva remunerado da Marinha, ocupando uma função de altíssima confiança no Governo Federal, peitando a sua autoridade maior.
Este comportamento, que atropela, inclusive, o comandante-geral da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, e o ministro da Defesa, general Braga Netto, aos quais deveria submeter, por hierarquia, o seu desconforto. Com esta atitude, Barra Torres não defende a sua honra. Pelo contrário, macula o uniforme que usou por 32 anos. O respeito à hierarquia é o pilar principal da vida militar.
DEVERIA RENUNCIAR – O mais grave é que este contra-almirante se escuda no mandato de diretor da agência, que termina em dezembro de 2024. Se o brio militar fizesse parte do seu crédito, deveria primeiro entregar a sua carta de renúncia do cargo que ocupa na Anvisa, indicado em 4 de novembro de 2020 pelo próprio presidente, que agora ele confronta.
O comportamento de Barra Torres já emitia sinais de que ele era uma bomba relógio ambulante. O Correio da Manhã, através de duas notas na Coluna Magnavita, já havia feito o registro. No dia da sessão da Anvisa, que aprovaria a primeira vacina, ele apareceu usando um colete de padrinho de casamento. Também, em coletivas, usou e abusou dos símbolos da Ordem de Malta, da qual é cavaleiro, tanto em gravatas, lapela e máscara. Sinais de uma personalidade incomum, ao ser submetido ao estrelato.
SAIA JUSTA – É lamentável assistir um oficial das forças armadas brasileiras colocando seus colegas de farda em saia justa, principalmente aqueles que endossaram a sua indicação. O respaldo de caserna evitaria um comportamento traidor e torpe.
Barra Torres reedita, em reverso, a essência do mesmo compartimento do marinheiro José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, em 1964. Entregar a carta de demissão e recolher-se a sua insignificância é que lhe resta a fazer.
Com a palavra agora, o comandante-geral da Marinha e o seu Estado Maior, que não podem endossar com silêncio o ato insubordinado do diretor, já que usou o nome da Marinha do Brasil.