Publicado em 16 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge de Camila Paula (Arquivo Google)
Deu no Estadão
O recesso de 15 dias no Congresso, que suspende novos depoimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, não impedirá que o trabalho dos senadores nos bastidores seja “intenso”. Essa é a avaliação da jornalista Eliane Cantanhêde no novo episódio de “Por Dentro da CPI”.
“Tem muito trabalho a ser feito e o foco está principalmente nas negociatas de vacinas, que são histórias muito mal contadas”, destaca a colunista do Estadão. “A CPI já está cumprindo um papel importante, mas tem muito trabalho ainda pela frente”.
UM ALVO MAIOR – Os maiores alvos da CPI eram a negociação de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, intermediada pela Precisa Medicamentos, e de 400 milhões de doses da AstraZeneca, intermediada pela Davati Medical Supply.
“Mas agora surgiu um alvo muito maior, com a participação do então ministro Eduardo Pazuello na venda da vacinas Coronavac por quase o triplo do preço, com participação de intermediários, E isso muda tudo”, afirma a jornalista.
ESQUISITÕES – O caso da AstraZeneca, como destaca Eliane Cantanhêde, é protagonizada por personagens “esquisitões” — o reverendo Amilton Gomes de Paula, o PM Luiz Paulo Dominghetti Pereira e o representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho — que estão “embolados com a cúpula do Ministério da Saúde e com uma lista de militares que não para de crescer.”
Sobre o envolvimento de membros das Forças Armadas no caso, a jornalista recomenda que o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, reveja a nota “malcriada” emitida após críticas do presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM). “Ele tinha razão quando disse que os bons das Forças Armadas, que evidentemente são a maioria, deveriam estar envergonhados com o que está surgindo na CPI contra cidadãos militares”, comenta a colunista.