Publicado em 16 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Coronel foi exonerado, mas continuou ‘operante’ na Saúde
Marcela Mattos e Sara Resende
G1 e TV Globo — Brasília
O representante comercial da Davati Medical Supply Cristiano Carvalho afirmou nesta quinta-feira (15), em depoimento à CPI da Covid, que fazia uma crítica ao coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa ao dizer, em mensagem a Luiz Paulo Dominghetti, que só havia “fdp” no Ministério da Saúde.
A mensagem foi obtida pela CPI no celular de Dominghetti, que depôs à comissão após denunciar suposta cobrança de propina de US$ 1 por dose pelo ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, em uma negociação de doses da Astrazeneca.
SÓ TEM FDP – Na troca de mensagens, Dominghetti se refere a Roberto Dias como “vagabundo”, e Carvalho responde: “Só tem FDP nesse ministério.”
Assim como Cristiano Carvalho, Dominghetti diz ser representante da Davati, empresa que tentou intermediar essa contratação. Roberto Dias nega ter cobrado propina e, à CPI, chamou Dominghetti de “picareta”. O coronel Blanco, citado nesta quinta por Carvalho, foi assessor de Roberto Dias até janeiro.
“Peço até desculpas pelo termo, mas eram mensagens que a gente trocava. Sobre isso, acho que até me excedi. Na verdade, o que eu estava me referindo é como eu passei a negociar com o senhor [Marcelo] Blanco, aqui, eu me referia a esse tipo de negociação que tinha sido instaurada. Que aparentemente, o Roberto Dias havia indicado o Blanco para negociar comigo. Ele falava em nome do Roberto Dias o tempo todo”, disse Carvalho.
SEGUIA ASSESSORANDO – “Quando me referi, era nessa questão aqui da interferência do Blanco, que não havia necessidade. Peço desculpas aí aos senhores, por ter mencionado um servidor público dessa forma, mas foi a sensação que eu tive por ter mais uma pessoa no negócio que não havia necessidade. Ele já não era mais um servidor público desde janeiro, né, porém a impressão que me deu foi que ele continuava assessorando o Roberto Dias”, prosseguiu.
“É a única pessoa que eu tenho a me referir, que me trouxe alguma coisa, vamos dizer assim, ‘tá estranho’. Fora isso, não teve absolutamente mais nada. Inclusive o Roberto Dias, só através das denúncias do Dominghetti que eu pude constatar”, disse o representante da Davati.
“Parecia ele [Blanco] ser muito próximo do Roberto Dias, até um assessor oficioso. Continuava a exercer a mesma função que exercia enquanto estava no Ministério da Saúde”, declarou.
PEDIDO DE PROPINA – A Davati entrou na mira da CPI após o policial Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da empresa, ter dito que em fevereiro deste ano o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, pediu propina em troca da assinatura de um contrato para compra de vacinas.
Segundo Dominghetti, a negociação envolvia 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, e Roberto Dias pediu propina de US$ 1 por dose enquanto eles jantavam em um restaurante de um shopping em Brasília.
Dias, exonerado do cargo no mesmo dia em que surgiram as denúncias, já prestou depoimento à CPI e negou ter pedido propina, afirmando que Dominghetti é um “picareta”.