Publicado em 9 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Roque Sponholz (humorpolitico.com.br)
Pedro do Coutto
Jair Bolsonaro compete consigo mesmo em matérias absurdas, como agora a reportagem de Gustavo Côrtes e Pedro Caramuru, o Estado de São Paulo de quinta-feira, revela ao destacar uma entrevista do próprio presidente da República na noite de quarta-feira à rádio Guaíba de Porto Alegre.
Disse ele: “”Eles vão arranjar problemas para o ano que vem. Se esse método continuar aí, sem inclusive a contagem pública, eles vão ter problemas, porque algum lado pode não aceitar o resultado. Esse algum lado, obviamente que é o nosso lado, pode não aceitar esse resultado”.
ATAQUE – Não satisfeito, Bolsonaro atacou o ministro Luís Barroso e disse que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral estaria participando com o Congresso Nacional de um esforço para que seja rejeitado o projeto que restaura o voto impresso. A votação deste projeto estava prevista para ontem, mas foi adiado para o dia 15, votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Bolsonaro acentuou ainda que não querem colocar o projeto em votação porque sabem que irão perder e, para evitar a derrota, os interessados recorreram à interferência do ministro Barroso. Além disso, frisou também que o voto impresso pode ser auditado, ao contrário do voto da máquina eletrônica.
Ele concluiu a sequência de absurdos dizendo que “a democracia está ameaçada por alguns de toga que perderam a noção de até onde vão os seus direitos e deveres”. Como se constata, o presidente da República demonstra, mais uma vez, a sua incapacidade política e o seu delírio que, no fundo da questão, se volta para um ato de força caso seja derrotado nas urnas do próximo ano.
CRÍTICAS DE OMAR – Omar Aziz não atacou de forma alguma as Forças Armadas. Ele criticou somente os coronéis Marcelo Blanco e Elcio Franco, este que era o número dois do Ministério da Saúde na gestão de Pazuello. Ambos faziam parte da estrutura do Ministério da Saúde. Blanco é citado como tendo participado do no jantar no shopping em Brasília em companhia de Dominguetti.
Este, por sua vez, cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, se apresentou como representante da empresa Davati Medical Supply e também tentava intermediar a negociação da vacina indiana Covaxin. Elcio Franco, que ocupava cargo logo abaixo do então ministro Pazuello, também foi implicado pela CPI como responsável pela negociação para que o Ministério da Saúde adquirisse a vacina Covaxin.
ENTREVISTA – Na tarde de ontem, em entrevista à GloboNews, o senador Omar Aziz voltou a enfatizar que não se referiu de forma agressiva ao Exército, em particular, e às Forças Armadas, de maneira geral. referiu-se apenas aos dois coronéis com base em suas implicações no processo das vacinas de acordo com os depoimentos de Roberto Ferreira Dias e de Dominguetti.
Este último negociava vacinas por valores 40% acima dos oferecidos pelos demais laboratórios fabricantes. Omar Aziz, com base no diálogo traduzido do celular de Dominguetti, verificou que o encontro no restaurante do shopping foi agendado pelo próprio Ferreira Dias, sobretudo porque Dominguetti chegou ao jantar em companhia do coronel Blanco.
CARTA DE BARROS – Na tarde desta quinta-feira, o deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara Federal, dirigiu uma carta ao presidente da CPI, Omar Aziz, protestando de forma exaltada contra a inclusão do seu nome nos trabalhos da Comissão, atribuindo a ele participação na engrenagem destinada a conduzir o contrato com a empresa indiana.
A cada passo, a questão da compra de vacinas se complica. Aliás, depondo ontem na CPI, a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde Francieli Fantinato criticou o governo pela falta de um projeto de comunicação e vacinação que mobilizasse efetivamente a população sobre importância de todos serem vacinados, respeitarem o distanciamento e colocarem a máscara na face.
Pelas restrições que fez, ela atribui às pressões políticas a sua demissão pelo ministro Marcelo Queiroga que, até agora, não conseguiu frear o processo de contaminação diária.
LIGAÇÕES SUSPEITAS – Na edição do Estado de São Paulo de ontem, reportagem de Fernanda Guimarães e Victor Faria, uma relação de empresas ligadas a quadros administrativos do Ministério da Saúde que prosperaram acentuadamente na atual gestão da pasta, especialmente no período em que ela foi ocupada por Pazuello.
Os repórteres sustentam que a Precisa e a Belcher Farmacêutica possuem ligação com o deputado Ricardo Barros que nega o seu comprometimento. A tempestade sobre Brasília, conforme se vê, continua cada dia mais densa.
IMPOSTO DE RENDA – Também no Estadão, Adriana Fernandes, Francisco Carlos de Assis e Eduardo Laguna, destacam um movimento de empresários contra o projeto do governo elaborado por Paulo Guedes para mudar o Imposto de Renda.
A reação partiu de 120 empresas que enviaram carta ao deputado Arthur Lira, presidente da Câmara, alertando quanto aos impactos negativos contidos num texto do governo.Os empresários consideram que ao invés da redução da carga fiscal, a proposta na realidade eleva o tributo.
OFENSIVA DAS EDITORAS – Maria Isabel Miqueletto, em reportagem para o suplemento do Estadão de ontem, revela que as editoras de livros encontram-se na ofensiva de ampliar o mercado de seus produtos, o que na minha opinião revela a sempre forte presença da linguagem escrita.
Na realidade, a venda de livros avança de forma proporcional maior até do que a do crescimento da população em geral. Vale a pena acentuar mostrando duas faces da questão. Quando as emissoras de televisão, como é o caso da Globo e da GloboNews, reproduzem textos falados, eles são acompanhados de frases escritas colocadas nas telas. O segundo aspecto está no fato de a Amazon, que comercializa livros em todo o mundo, e que destaca autores em série, colocou o seu controlador Jeff Bezos entre os mais ricos do mundo.