
Miranda diz ter provas de que fez a denúncia no palácio
Camila Turtelli, Vinícius Valfré e Pepita Ortega
Estadão
O deputado Luís Miranda (DEM-DF) prestará depoimento à Polícia Federal na próxima terça-feira, 20, às 15 horas, no âmbito do inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime de prevaricação por não ter comunicado aos órgãos de investigação indícios de corrupção nas negociações para compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde.
A informação foi confirmada pelo deputado, embora seu gabinete na Câmara ainda não tenha recebido a intimação.
DENÚNCIAS NO ALVORADA – A investigação tem como base as denúncias feitas pelo deputado e seu irmão, o servidor público Luís Ricardo Fernandes Miranda, em reunião com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, dia 20 de março.
Eles afirmam que o presidente ignorou alertas a respeito de suspeitas de corrupção no processo de aquisição do imunizante fabricado pelo laboratório Bharat Biotech.
O gabinete do deputado não recebeu a intimação da PF, sob o argumento de que ele não se encontrava. “A intimação é para mim e não para os servidores do gabinete. Estou em São Paulo, mas, assim que tomei conhecimento, liguei para o delegado e agendamos”, disse Miranda.
TRÊS MESES DEPOIS – Até o dia 24 de junho, quase três meses depois de ter sido informado por Miranda sobre as possíveis irregularidades no processo de aquisição da vacina, o presidente ainda não havia acionado a PF para investigar o caso, conforme apurou o Estadão.
O inquérito para investigar as denúncias apresentadas por Luis Miranda a Bolsonaro só foi instaurado no dia 30 de junho por ordem do ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres.