Publicado em 18 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Jair Bolsonaro tentou culpar Ramos, que presidiu a sessão
Eduardo Rodrigues, Daniel Galvão, Marcelo Mota e Elizabeth Lopes
Terra/Estadão
O presidente Jair Bolsonaro sinalizou que pode vetar o fundo eleitoral de cerca de R$ 6 bilhões para as eleições 2022, aprovado nesta quinta-feira, 15, pelo Congresso Nacional, no âmbito da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A afirmação foi feita na saída do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, de onde recebeu alta médica na manhã deste domingo, 18, após estar internado desde quarta-feira, 14.
De acordo com Bolsonaro, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), atropelou a votação da LDO e não pôs em votação um destaque à redação da LDO que alteraria o texto para suprimir a previsão de reajuste do fundo eleitoral.
CASCA DE BANANA – “Então, num projeto enorme, alguém botou lá dentro essa casca de banana, essa jabuticaba. O Parlamento descobriu, foi tentando destacar para que a votação fosse nominal. Essa questão, o presidente Marcelo Ramos, do Amazonas… Pelo amor de Deus o Estado do Amazonas ter um parlamentar como esse, pelo amor de Deus”, afirmou.
No começo da tarde, o deputado Marcelo Ramos rebateu a acusação do presidente. Ramos presidiu a sessão que deu aval na LDO do próximo ano a um aumento de 185% em relação aos R$ 2 bilhões de dinheiro público destinados aos partidos nas disputas municipais do ano passado. É também mais que o triplo do que foi destinado às eleições de 2018, quando foi distribuído R$ 1,8 bilhão.
“Eu não tenho muito tempo para ficar batendo boca com o presidente (Bolsonaro) por conta dessas palavras que ele joga ao vento. Mas quero lembrar com muita serenidade ao presidente que quem encaminhou a LDO com previsão de Fundo Eleitoral para o Congresso foi o governo dele. E quem articulou a votação na CMO para definir o valor e quem articulou a votação em plenário foram os líderes do governo dele”, respondeu Marcelo Ramos.
EXPLICAÇÕES – Ramos explicou que a tentativa de barrar o Fundão Eleitoral teve o apoio de apenas cinco partidos. Cidadania, PSOL, Podemos e PSL foram os únicos a apoiarem uma mobilização feita pelo Novo, para rejeitar os R$ 5,7 bilhões. Como a votação deste destaque foi simbólica, não é possível saber exatamente como votou cada parlamentar em relação a esse tema, especificamente. disse Ramos.
A única votação nominal feita refere-se ao texto geral da LDO, que tratava de toda aplicação do dinheiro público, e não apenas de repasses para campanha. Marcelo Ramos disse que apenas presidiu a sessão e argumentou que não houve protestos sobre a condução das votações pelos líderes do governo e nem pelo filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).
“Vale a pena lembrar que eu nem votei nessa matéria, porque só presidi a sessão. Quem votou a favor foram os filhos dele, tanto na Câmara (Eduardo) quanto no Senado (Flávio)”, acrescentou Ramos. “Ele (Bolsonaro) deveria é dizer que vai vetar, mas vai tentar arrumar alguém para responsabilizar, porque é típico dele e dos filhos correr das suas responsabilidades e obrigações”, completou o vice-presidente da Câmara, mencionando os indicadores negativos da covid-19 e as suspeitas de fraude na compra de vacinas.