
Processado por corrupção no STF, Nogueira é intimo de Bolsonaro
Bela Megale
O Globo
A articulação do nome do desembargador Kassio Nunes para ser indicado à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) teve participação importante do senador e presidente do PP, Ciro Nogueira. Ícone do Centrão e apelidado de “05” por estar cada vez mais próximo ao presidente, Ciro é conterrâneo (ambos são do Piauí) e amigo de Kassio Nunes.
No ano passado, durante uma homenagem do Tribunal de Justiça do Piauí ao magistrado, o senador disse em entrevistas que “tinha certeza” de que o desembargador chegaria aos mais altos tribunais, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo.
CAMPANHA – Junto a Bolsonaro, o senador já vinha fazendo campanha por Nunes junto a Bolsonaro para uma vaga no STJ ou no Supremo. “Sem dúvida, a escolha do presidente Jair Bolsonaro seria um gesto de reconhecimento da capacidade do povo do Piauí e de todo o Nordeste”, escreveu Ciro, em seu Twitter, após a indicação de Bolsonaro ser divulgada.
A relação entre Bolsonaro e Ciro Nogueira é de longa data. O presidente foi filiado ao PP por 11 anos até deixar a sigla, em 2015, após o senador negar-se a lançar o então deputado como candidato a presidente no ano anterior.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É a primeira vez na História que um parlamentar processado no Supremo por corrupção passiva e lavagem de dinheiro consegue emplacar a nomeação de um ministro do próprio STF, sem notório saber ou reputação ilibada, pois é um desconhecido, e quem não é conhecido nem pode ter reputação. Aliás, esse é o segundo processo contra Nogueira no Supremo. No primeiro, ele foi salvo pelo relator Gilmar Mendes e a célebre Segunda Turma, que mais parece a antiga Turma dos Cafajestes de Copacabana. (C.N.)