sábado, novembro 09, 2019

Bolsonaro hostiliza governo argentino e deixa Mercosul para EUA, França e China


twitter Bolsonaro
Informações eram mentirosos a tiveram de ser apagadas
Deu em O Globo
A mensagem apareceu às 06h06m de quarta-feira, assinada por Jair Bolsonaro na sua rede social: “MWM, fábrica de motores americanos (sic), a Honda, gigante de automóveis e a L’Oréal, anunciaram o fechamento de suas fábricas na Argentina e instalação no Brasil. A nova confiabilidade do investidor vem para gerar mais empregos e maior giro econômico em nosso país.” Na sua tortuosidade, o texto celebrava a confiança no Brasil, onde ocorre recuperação de investimentos refletida na alta de 2,2% do Produto Interno Bruto do setor privado no segundo trimestre.
Realçava o contraste com a Argentina, em grave crise econômica, onde há dez dias o eleitorado decidiu entregar o poder à coalizão peronista comandada por Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner — escolhidos por Bolsonaro como adversários “de esquerda”.
CAUSOU TUMULTO – Por óbvio, a mensagem do presidente brasileiro provocou tumulto em Buenos Aires. Principalmente, porque estava errada. Foi apagada depois de desmentida pelas empresas. Toda essa confusão foi desnecessária.
Na essência, reafirmou-se o desnorteamento da política externa brasileira, cuja característica recente tem sido a hostilização de parceiros fundamentais, como é a Argentina.
Durante a campanha presidencial argentina, Bolsonaro afirmou publicamente preferência pelo presidente Mauricio Macri, derrotado nas urnas. Seguiu o manual de interferências externas indevidas formatado pelo adversário Lula, que rompeu com a tradição de equidistância diplomática ao apoiar candidaturas de Hugo Chávez, na Venezuela; Rafael Correa, no Equador; Ollanta Humala, no Peru; Evo Morales, na Bolívia; Néstor e Cristina Kirchner, na Argentina.
SEM RUMO – Bolsonaro copia Lula no ativismo político em questões internas de outros países, justificando preferências com peculiar interpretação do conceito de ideologia. Mas é só aparência. Na realidade mostra que o Itamaraty perdeu a bússola na sua gestão e, com amadorismo, escancara portas à concorrência de Estados Unidos, França e China na área de maior relevância geopolítica aos interesses do Brasil, a América do Sul.
Não é casual que, no vácuo aberto pelo governo Bolsonaro, Donald Trump e Emmanuel Macron tenham reforçado vínculos com o presidente eleito da Argentina Alberto Fernández. Também não é coincidência o avanço da China no Mercosul, ocupando mercados que estavam sob hegemonia brasileira.
Em política externa não há amizades, somente interesses.

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