sexta-feira, novembro 01, 2019

A TV Globo se acovardou, mas a Folha correu atrás das denúncias da Tribuna da Internet sobre o porteiro


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Charge do Moa (Arquivo Google)
Carlos Newton
A Organização Globo vive sua pior fase pós-Roberto Marinho, que fez o possível e o impossível para se tornar sucessor de Assis Chateaubriand como detentor do chamado Quarto Poder. Marinho não mediu esforços, até crimes cometeu, mas quando foram descobertos já estavam prescritos, vejam que  não é de hoje a blindagem do decorrer do tempo para beneficiar criminosos de elite, isso vem de muito longe.
Com problemas financeiros e empenhada no maior programa de contenção de despesas já traçado desde a fundação da TV Globo do Rio, em 1965, a organização está colhendo os frutos da linha de jornalismo independente adotada há alguns anos, quando os irmãos Marinho admitiram que o apoio do pai à ditadura militar tinha sido um erro.
EM QUEDA – Ao abandonar a velha política de apoiar qualquer governo, não importa qual seja, a Globo começou a perder os privilégios oficiais, digamos assim, e a queda do faturamento veio se agravar devido à crise econômica que atinge o país desde o governo Dilma Rousseff.
Com a vitória de Jair Bolsonaro, havia a expectativa de um governo de inspiração militar que colocasse o país em ordem, mas foi só uma ilusão à toa. Quase um ano após a posse, o Brasil vive uma esculhambação institucional jamais vista e ninguém sabe qual dos três Poderes é o mais nefasto.
Nesse clima sinistro, vai se desenrolando o rompimento da Globo com o governo, que veio a culminar com o caso do porteiro do condomínio “Vivendas da Barra”. Na cobertura, o Jornal Nacional conseguiu informações sigilosas e as colocou no ar, numa reportagem bombástica, mas desde o início esclarecendo que havia um erro na declaração do porteiro, que julgara estar falando com Jair Bolsonaro e dera depoimentos nesse sentido.
CONTRA-ATAQUE -O presidente respondeu com todas as suas armas, ameaçou cortar a publicidade e exercer rigor total na renovação da concessão da emissora, um processo que Bolsonaro não sabe, mas é cheio de furos, a partir da indefensável ilegalidade da concessão da TV Paulista, hoje TV Globo de São Paulo, responsável por mais de 50% do faturamento da rede.
E o inesperado aconteceu, diria o compositor Johnny Alf. Ao invés de demonstrar altivez e independência, a Globo pediu logo arrego e  na quarta-feira, dia 30, mudou o foco da matéria, sem nem mesmo contestar a desfaçatez  das promotoras, que se apressaram a afirmar que o porteiro mentiu, e esses excessos  agora comprometem a atuação delas no caso, deveriam se declarar suspeitas, na forma da lei, e ir procurar sua turma.
Na verdade, a suposta má fé do porteiro não se sustenta nos fatos. Ele preencheu normalmente a ficha do visitante. Seu único erro foi pensar ter falado com Jair Bolsonaro (JB, na ficha), um engano passível de ocorrer, pois as ligações de interfone, mesmo por computador, não são nada perfeitas, às vezes há interferências que dificultam a identificação da voz.
QUESTÃO PRINCIPAL – A Globo não levantou também a principal questão. Que interesse teria esse porteiro para mentir contra um morador poderoso, que na época era deputado federal e tinha duas casas no condomínio?
Com toda certeza, a procuradora Simone Solibio se excedeu ao dizer que o porteiro mentiu, porque os depoimentos dele são confirmados pela ficha que ele mesmo preencheu no momento da visita, cuja imagem a  TV Globo exibiu terça-feira. A única informação estaria (?) errada foi sobre quem atendeu ao interfone. Todas as demais estão corretas, inclusive o fato de não estar registrada a saída do ex-PM Élcio Queiroz (será parente do famoso sargento Queiroz, das rachadinhas?), pois o carro dele ficou no condomínio e ele saiu no veículo Chevrolet Cobalt usado no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
A TV Globo medrou geral, como se diz atualmente, porque também não se interessou em explorar o fato de o registro de visitantes ter sofrido manipulação, com a planilha digital alterando a ficha original preenchida pelo porteiro. Nesta nova versão digitalizada, exibida por Carlos Bolsonaro, a casa visitada teria sido a 65,do sargento PM Ronnie Lessa, e não a 58 de Bolsonaro.
HISTÓRIA MAL CONTADA – Há muitos pontos nebulosos. Na quarta-feira, quando Carlos Bolsonaro colocou nas redes sociais a nova versão digitalizada, que sofreu manipulação, foi indagado como teve acesso a ela tão rapidamente. E ele respondeu: “Porque sou morador”. É muito estranho, não acham?…
Aliás, tem muito mais coisa estranha nisso. Dizem que o sistema de interfone é por computador, que conecta o interfone do porteiro aos telefones fixos das casas do condomínio. Se ninguém atender, o sistema transfere automaticamente a ligação do porteiro para o celular do morador. Ou seja, se não havia ninguém na casa 58, a ligação do porteiro teria batido no celular de Bolsonaro lá em Brasília. Mas a TV Globo não explorou nada disso, preferiu culpar o empregado do condomínio.
Se na matriz USA foi descoberto que excluíram da gravação da Casa Branca trechos da conversa entre Donald Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, por que não se pode levantar a hipótese de que na gravação da portaria do condomínio “Vivendas da Barra” possa ter sido excluída a conversa do porteiro com o interlocutor da casa 58?
A FOLHA APUROU – A TV Globo recuou na quarta-feira, mas no dia seguinte a Folha correu atrás das denúncias da Tribuna da Internet sobre manipulação da planilha e possibilidade de fraude na gravação, publicadas às 06h15m. E às 15h14m a Folha publicava o resultado da reportagem baseada na TI, mas sem nos citar, é claro…
E na noite desta mesma quinta-feira a TV Globo ressuscitou e reproduziu a reportagem da Folha em longa matéria no Jornal Nacional, citando o jornal paulista, é claro, como se fosse a origem das denúncias exclusivas da Tribuna da Internet.
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P.S. 1 – Talvez a Folha e a TV Globo acordem e decidam hoje apurar como funciona o sistema de interfone do condomínio. Se for por computador, como o jornalista Luís Nassif afirmou em seu site, isso significa que o porteiro pode ter ligado para o telefone da casa 58, onde não havia ninguém, e a ligação foi rebatida automaticamente para o celular de Bolsonaro, que lá de Brasília então autorizou a entrada do ex-PM Queiroz, digo Élcio Queiroz, para não confundir com o famoso sargento Fabricio. Seriam parentes?
P.S. 2 – Como diz o jornalista Vicente Limongi, “botar a culpa no mordomo é coisa do passado, agora quem paga o pato é o porteiro”(C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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