domingo, novembro 22, 2009

O jogo de Requião para salvar a pele

Celso Nascimento

Um político que priva da cozinha do Canguiri e, sobretudo, que sabe interpretar o que vai pela cabeça de Requião acredita ter uma explicação para os movimentos do governador na direção de Beto Richa e dos tucanos em geral. Seria uma tentativa de aliar-se à candidatura do prefeito ao governo? De apoiar sinceramente o presidenciável José Serra?
Não, longe disso, assegura o amigo de Sua Excelência. Na verdade, os gestos que Requião emite são puro reflexo de suas leituras de O príncipe, pois, como se sabe, uma das lições que Maquiavel apresenta como das mais eficazes para quem quer levar vantagem é “dividir para governar”. É é bem isso que o governador quer.
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É o que dá teimar em agir como se leis não existissem: o governo do Paraná acaba de ser condenado pelo STJ a sofrer o sequestro de R$ 11,7 milhões de seu caixa. O valor corresponde a um precatório não pago dentro do prazo legal, vencido no ano 2000. A empresa credora entrou, primeiro, com ação no Tribunal de Justiça do Paraná, que deu razão ao calote do governo. Quando, porém, o recurso chegou ao STJ, as coisas mudaram de figura: a ministra Denise Arruda (aliás, uma paranaense) decidiu que o caso merecia a aplicação da radical medida do sequestro do valor. O estado do Paraná acumula mais de R$ 10 bilhões em precatórios vencidos. Se a moda pega...
À medida que aparenta simpatia pelo tucanato e ajuda a fortalecer Beto Richa, Requião mais empurra Osmar Dias a aceitar a condição de candidato a governador em aliança com o PT – isto é, numa chapa que terá a presidente petista Gleisi Hoff­­mann concorrendo ao Se­­nado.
É esta divisão que o governador quer – isto é, que Beto e Osmar sejam adversários entre si. Por quê? Porque num eventual ressurgimento da aliança entre eles, Osmar Dias poderá ser levado a concorrer à reeleição para o Senado. Nesse caso, Requião teria muita dificuldade para ganhar uma das duas cadeiras em disputa pois teria dois fortes competidores – um, o próprio Osmar; outro, Gleisi com a máquina do PT e o prestígio de Lula a seu favor. E se há um medo que assombra Requião é o de ficar sem mandato.
Mas há outros fatores para explicar não só o namorico com Beto e o abandono prematuro a que Requião está submetendo o candidato do próprio partido, o vice Orlando Pessuti. É que ele sabe que 90% da bancada do PMDB na Assembleia teme pela própria pele encontram-se em franco movimento para salvar o cargo. Com exceção de dois deputados que podem se reeleger por conta própria – Luiz Cláudio Romanelli e Alexandre Curi, os “meninos” acusados por Pessuti de trabalhar contra ele – quase todos os demais correm perigo. Poucos voltarão às suas cadeiras, e a bancada, hoje de 17, pode se reduzir a uma meia dúzia ou pouco mais.
Interessa-lhes, portanto, que o PMDB faça uma coalizão com o PSDB na eleição proporcional. Eles acreditam que a chapa majoritária puxada por Beto Richa ampliará as suas chances de reeleição. O governador não quer remar contra essa maré, sob pena também de colocar em risco a própria eleição.
Como se vê, em todos esses acertos, conluios, namoros e jogos de aparência de cúpula, o povo é apenas um detalhe.
Fonte: Gazeta do Povo

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