Leandro Mazzini, Norma Moura , Jornal do Brasil
BRASÍLIA - Cautela. Essa foi a palavra de ordem sábado, na base governista e na oposição, depois da revelação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que surpreendeu o meio político do país. O anúncio de que vai tratar com quimioterapia, durante quatro meses, um linfoma, colocou em alerta aliados e adversários. Ela retirou um tumor maligno da axila esquerda, de dois centímetros, há três semanas. Aparentemente tranquila, e bem sorridente, a pré-candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou, em coletiva na tarde de sábado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, um recado de otimismo.
– Quimioterapia é sempre algo muito desagradável, mas, como tantas mulheres e homens brasileiros que enfrentam esse desafio e o superam, eu tenho certeza de que, nesse caso, até porque os médicos me asseguraram que as consequências da quimioterapia não são problemáticas, que eu posso continuar com o meu ritmo de trabalho – disse a ministra. – Eu tenho certeza também de que eu vou ter um processo de superação dessa doença.
Candidatura mantida
Tão logo anunciou o tratamento, a cúpula do PT reforçou que não tem plano B para 2010 e que mantém a esperança da candidatura dela.
– Os médicos disseram que está tudo sob controle. Com os avanços da medicina, há mais instrumentos para atacar essa doença. Isso não deve alterar o ritmo de trabalho da ministra. A doença não muda em nada os nossos planos – adiantou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT).
O mesmo garantiu a senadora petista Serys Slhessarenko (MT), que recebeu a notícia ainda pela manhã, durante um encontro regional do PT no Mato Grosso. Foi a própria ministra quem telefonou para o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, que participava do encontro, e contou sobre o tumor.
– Nada muda. Continuamos apostando nela. Ela vai vencer as duas lutas, contra o linfoma e a eleitoral. Estamos todos acreditando que, com a garra que tem, ela vai tirar isso de letra – disse a senadora.
Ecoando as palavras da ministra, que afirmou em São Paulo que “nem amarrada” comentaria sobre sobre sucessão presidencial, o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), afirmou que esse ainda não é o momento para falar do cenário político para 2010.
– Estamos agora em um momento de ver a situação humana, o que não nos permite falar sobre 2010. Até porque estou convicto de que o tratamento será um sucesso, conforme os relatos médicos. Queremos neste momento é oferecer carinho e solidariedade a Dilma – disse Fontana.
Na torcida pela recuperação de Dilma, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), que discretamente também postula o cargo de vice na chapa presidencial, reconheceu que a saúde da ministra será determinante na composição do cenário político.
– A sucessão vai depender muito da evolução do quadro de saúde dela. Só em 2010 será possível decidir. Torço por sua recuperação.
Amigo de Dilma, o governador do Rio, Sérgio Cabral, aplaudiu a atitude de revelar à sociedade a existência do tumor.
– Ela demonstrou seriedade e respeito à opinião pública ao dar total transparência ao assunto. Como amigo e companheiro, rezo para seu pronto restabelecimento. A descrição da doença e o seu diagnóstico nos dão garantias da sua breve recuperação – avaliou Cabral.
Sucessão
Embora a ministra tenha reforçado que não fala de sucessão presidencial, cientistas políticos afirmam que o assunto torna-se inevitável nos bastidores, mesmo envolvendo a saúde dela. Para Eurico Figueiredo, cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense, o presidente Lula sempre trabalhou com um plano B. E explica:
– É uma candidatura que nunca foi submetida às urnas. Não se sabe a capacidade da Dilma na mídia. E ela tem subido nos índices de preferência com José Serra (PSDB) ainda bem distante dela.
Para o cientista político e professor da PUC-RJ Aluízio Alves Filho, o momento exige cautela nas previsões políticas diante do problema de saúde de Dilma.
– É muito cedo ainda para avaliarmos se o tratamento a tira do quadro sucessório. Em todo caso, a forma como foi feito o anúncio, por ela mesma, não foi um ato espontâneo, mas de cúpula. Mostra que o partido quer mantê-la como candidata.
Dilma passa domingo em Brasília, descansando, e segunda-feira embarca com o presidente Lula para visitar obras do PAC no Norte.
Fonte: JB Online
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