MARCO AURÉLIO D’EÇA
Uma viagem ao Rio de Janeiro da doméstica Sara Costa Oliveira - já condenada em um processo de compra de votos nas eleições de 2006 - reforça a suspeita de que interlocutores do governo Jackson Lago podem tê-la subornado para que mudasse depoimentos em favor do governador, no processo de cassação do seu mandato. Sara Costa, que vive com renda de R$ 200,00 na periferia de Açailândia, fez a viagem ao Rio no início de agosto deste ano, três dias depois de mudar depoimento à Polícia Federal (PF). Antes de depor ela já havia gravado um vídeo em que disse ter sido assediada por membros do governo com oferta de suborno de R$ 7,5 mil para que mudasse o depoimento.
O vídeo com as declarações da doméstica, seu novo depoimento e as fotos da viagem dela ao Rio de Janeiro - publicadas em sua própria página no site de relacionamento Orkut - serão anexados ao processo que pede a cassação do diploma de Jackson Lago (PDT) e do seu vice, Luiz Carlos Porto (PPS), por abuso de poder econômico e compra de votos nas eleições de 2006.
A história de Sara Costa veio à tona semana passada, quando jornais alinhados ao governo Jackson Lago publicaram matérias em que tentavam relacionar um depoimento dela à PF ao processo de cassação do governador. Para a mídia governista, que fez a história repercutir também nacionalmente, a nova versão da doméstica poderia ajudar no livramento de Jackson Lago do processo por abuso de poder. Mas os governistas não imaginaram que a depoente já havia gravado um vídeo para o advogado Heli Dourado em que contava o assédio e a proposta de suborno, de R$ 7,5 mil.
Condenada
De acordo com Heli Dourado, Sara Costa não é testemunha no processo contra Jackson Lago. Ela foi condenada em um outro processo, também referente às eleições de 2006, por ter confessado a venda do seu voto ao então presidente da Câmara Municipal de João Lisboa, João Menezes de Santana, do PDT de Jackson Lago.
Ela já tinha prestado três depoimentos à Justiça. Os agentes governistas queriam que ela mudasse suas afirmações agora - alegando que fora ameaçada ao prestar as primeiras - para, de alguma forma, tentar influenciar no julgamento do caso Jackson, que está em fase de alegações finais.
Sara Costa encontrou-se no início de julho com emissários do governo - no vídeo, ela cita um certo Marco Aurélio, que pode ser um dos advogados do governador no processo que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após o encontro, ela procurou o advogado Heli Dourado, da coligação "Maranhão - A Força do Povo", e contou que havia sido pressionada psicologicamente, chegando a passar mal. Mesmo tendo a oferta de R$ 7,5 mil, ela pretendia denunciar o caso à PF. Como os policiais estavam em greve, ela aceitou gravar um vídeo, que serviria de depoimento. A gravação foi feita no dia 22 de julho.
Mas, no dia 30 de julho, Sara Costa resolveu ir à Polícia Federal - possivelmente depois de receber o suborno de R$ 7,5 mil - ocasião em que mudou a versão dada nos três depoimentos anteriores. A suspeita de que ela pode ter sido corrompida é reforçada com a viagem ao Rio de Janeiro, apenas três dias depois do depoimento, como mostram as 17 fotos postadas em sua página no Orkut.
ameaça
Um homem identificado por David Silva Barros tentou sequestrar e matar sábado passado a comerciária Joana Barbosa, irmã do líder comunitário Bento Barbosa Martins, uma das principais testemunhas no processo de cassação de Jackson Lago. Bento Martins é presidente da Associação do povoado Tanque, em Grajaú, de onde foram sacados R$ 550 mil em 2006 para, segundo o Ministério Público, financiar a campanha do então candidato do PDT ao Governo do Estado e de outros integrantes da "Frente de Libertação do Maranhão".
Joana Barbosa contou ontem que estava em casa em Grajaú quando, por volta das 20h, um homem chegou e perguntou se ela tinha dipirona, remédio para dor de cabeça. Ela entrou no quarto e ao voltar com o remédio foi puxada pelos cabelos por David Silva, que dizia: "É a mando! É a mando!". Ele tentou por várias vezes colocá-la na moto que pilotava, sem sucesso, além de disparar o revólver por duas vezes. Ela foi arrastada pelos cabelos para uma rua próxima onde estavam um carro cinza e mais duas motos, que saíram em disparada após a chegada da polícia. David foi preso e está na Delegacia de Grajaú.
Fonte: O Estado do Maranhão (MA)
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