sábado, junho 06, 2026

Vítima de perseguição armada de Zambelli faz vaquinha para processá-la


O jornalista Luan Araújo quer receber R$ 2 milhões

Carlos Petrocilo
Folha

O jornalista Luan Araújo, que sofreu uma perseguição armada de Carla Zambelli (PL) durante a campanha de 2022, tem feito uma campanha de arrecadação pela internet com objetivo de contratar um advogado para ajudá-lo a processar a ex-deputada.

Em uma ação no Tribunal de Justiça de São Paulo, ele requer uma indenização por danos morais de R$ 2 milhões de Zambelli. O objetivo da vaquinha é arrecadar R$ 32 mil, e Araújo acumulava R$ 22,9 mil até a tarde desta terça-feira (2). “Eu criei esta vaquinha por causa da exigência do juiz [de contratar um advogado] para dar início ao processo”, afirma Araújo.

VAQUINHA – Quase quatro anos depois do episódio, o jornalista narra que perdeu “oportunidades profissionais”, “relacionamentos” e a “sanidade”. “Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, em liberdade. Enquanto isso, tenho que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais”, diz o jornalista.

A perseguição ocorreu na véspera do segundo turno da eleição de 2022, nos Jardins, em São Paulo.

Após ser presa na Itália em razão deste episódio, ex-parlamentar foi solta em maio, após a Corte Suprema de Cassação, última instância da Justiça italiana, negar autorização para que ela fosse extraditada para o Brasil.


País dividido? Ora, a maioria dos brasileiros ainda está longe da disputa eleitoral

Publicado em 6 de junho de 2026 por Tribuna da Internet

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Maria Hermínia Tavares
Folha

Até parece que são dois países vizinhos chamados Brasil. Em um deles —menos habitado— só se fala em eleições, especialmente as presidenciais. Jornalistas; acadêmicos e intelectuais em geral; lideranças políticas, no governo e na oposição; dirigentes empresariais e ativistas sociais; formadores de opinião; cidadãos interessados na vida pública, tutti quanti acompanham a cada semana o sobe e desce das pesquisas.

Gostando ou não, parecem acreditar que vivem em um país maior e inapelavelmente cindido entre partidários da centro-esquerda, dominada pela figura do presidente Lula, e os defensores da direita, reunidos em torno do herdeiro de Jair Bolsonaro. No outro Brasil, vive o imenso contingente das pessoas comuns, para as quais as eleições de outubro ainda estão muito longe e não concorrem com as premências do dia a dia.

MOBILIZAÇÃO – Em entrevista a esta Folha, o cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getúlio Vargas, argumenta que a chamada polarização, embora não sendo nem ideológica nem programática, mobiliza afetos intensos. Mas não divide o eleitorado. Segundo ele, a oposição crispada e intransigente entre campos políticos opostos é um fenômeno limitado às elites e à opinião pública educada e informada. Não penetra na imensa maioria da população, alheia à disputa e cujo voto pode pender ou por um lado ou por outro.

De fato, quando questionados sobre em quem votariam se o pleito fosse hoje, sem menção a possíveis candidatos, um número expressivo de brasileiros diz não saber o que faria na boca da urna —39% segundo a pesquisa Datafolha de maio. Os que dão alguma resposta espontânea mencionam nomes conhecidos: o presidente Lula (27%); o ex-presidente Jair Bolsonaro (3%); ou seu eventual herdeiro político (18%).

Dificilmente um país polarizado de alto a baixo teria um contingente tão expressivo de indecisos. A polarização que mais uma vez poderá impelir a sociedade a escolher entre esquerda moderada e direita extremada é na verdade resultado do desenho institucional e de decisões das lideranças políticas.

DIFERENÇAS – A escolha de um presidente em eleições majoritárias com dois turnos leva necessariamente à disputa final dois candidatos, que têm de enfatizar as diferenças que os separam, sejam elas programáticas, de caráter ou de estilo de liderança. Por outro lado, decisões já tomadas neste ano por lideranças à esquerda ou à direita têm produzido uma concentração de candidaturas mesmo antes de serem homologadas pelas convenções partidárias. O presidente Lula e o PT trabalharam para que não surgissem competidores no campo da centro-esquerda.

Do outro lado da cerca, as forças da direita tradicional aceitaram que o bolsonarismo, embora minoritário, se impusesse. Ao lançar dois pré-candidatos politicamente indistinguíveis de Flávio Bolsonaro —os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema—, e desprezando a candidatura centrista de Eduardo Leite, o PSD de Gilberto Kassab só fez adubar a liderança de extrema direita.

Muita coisa ainda pode acontecer, mas se de novo o crispado confronto se der entre a moderação progressista e o extremismo de direita, não se culpe o suposto ânimo sectário da maioria dos brasileiros. 

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUma importante análise. Como já virou praxe, toda eleição presidencial brasileira só começa a ocorrer depois que acaba a Copa do Mundo, que desta vez termina no dia 19 de julho. No início de agosto, haverá a definição da chapa Caiado/Zema (ou Zema/Caiado), dependendo de quem estiver à frente nas pesquisas. E aí a campanha vai pegar fogo. (C.N.)


Planalto e Itamaraty avaliam conveniência de encontro entre Lula e Trump durante o G7

 

Poder. Política. Sua plataforma. Direto do Planalto

SONDAGENS INICIADAS

Planalto e Itamaraty avaliam conveniência de encontro entre Lula e Trump durante o G7 | Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar durante a reunião ministerial desta quarta-feira, 3, que pretende participar da reunião de cúpula do G7, entre 15 e 17 de junho de 2026, em Évian, na França, auxiliares do petista passaram a avaliar a conveniência de uma reunião bilateral como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o novo tarifaço imposto aos produtos brasileiros. LEIA+

BUSCA DE ACORDO

O namoro entre o MDB e o PT de Minas Gerais em torno do palanque de Lula | O pré-candidato do MDB ao governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, aponta uma conjunção de fatores que podem determinar a aproximação entre o MDB o PT no estado para a formação de uma chapa para sustentar o palanque de Lula. Um dos principais argumentos desse movimento é o fato de que a petista Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, não quer ser candidata ao governo. LEIA+

GOVERNO INTERINO

A frase que ecoa no mundo político do Rio de Janeiro | O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, completa nesta quinta-feira, 4, quase dois meses e meio — exatos 73 dias — à frente do governo do estado interinamente. Sem juízo de valor sobre a gestão do magistrado, o entendimento predominante no meio político fluminense é o de que a permanência dele no comando do Palácio Guanabara é uma solução improvisada. LEIA+

TESTANDO PONTES

O que os mineiros Aécio e Joaquim Barbosa conversaram no Rio | Aécio Neves e Joaquim Barbosa se encontraram discretamente em uma livraria no Rio de Janeiro para uma conversa sobre 2026.Os dois têm interesse em disputar a Presidência da República, mas sabem que uma candidatura só faria sentido dentro de uma construção política mais ampla. Esse foi o principal tema do encontro entre os dois mineiros, que se consideram velhos amigos. LEIA+

MENSAGEM IMPLÍCITA

O aceno sobre terras raras que o governo faz para a China no meio da briga com os EUA | O governo brasileiro enxerga o interesse dos Estados Unidos na exploração das terras raras como uma das grandes motivações por trás da nova onda de tarifas sobre as exportações brasileiras. Um aceno implícito nesse sentido foi feito pelo presidente Lula ao fazer referência, em discurso feito nesta quarta-feira, 3, à possibilidade de intensificação das vendas para outros países. LEIA+

Caso você ainda não tenha lido:

>> Lula decide nos próximos dias se terá nova conversa com Trump no G7

 

Em destaque

Tarifaço 2.0: o preço político da viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA

Publicado em 6 de junho de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Política externa transformada em extensão da disputa...

Mais visitadas