sábado, maio 02, 2026

EDITORIAL: O Troféu de Papel de Alcolumbre – A "Goleada" Inconstitucional que o VAR do STF vai Anular

 

EDITORIAL: O Troféu de Papel de Alcolumbre – A "Goleada" Inconstitucional que o VAR do STF vai Anular


Por José Montalvão 

O cenário político em Brasília no último dia 30 de abril de 2026 foi pintado pelas redes sociais da oposição como uma vitória acapachante. Com 318 votos na Câmara e 49 no Senado, o Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Lula ao famigerado "PL da Dosimetria" (PL 2162/2023). No entanto, o que Davi Alcolumbre e o "Bolsonarinho" estão vendendo como um triunfo histórico nada mais é do que "gato por lebre".

Enquanto eles comemoram o gol, o "bandeirinha" da legalidade já acusou o impedimento. Como bem define o jornalista Luiz A. Caldani, a manobra foi um erro crasso que ignora a Constituição e zomba da inteligência do povo brasileiro.


1. A Fraude da "Terceira Via" Legislativa

O ponto central desse escândalo jurídico foi desmontado com exclusividade pelo desembargador e jurista Alfredo Attié, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A engenharia utilizada por Alcolumbre para "fatiar" o veto é inexistente no Direito brasileiro.

  • O Veto era Total: O presidente Lula não vetou trechos; ele vetou a integralidade do projeto.

  • A Regra é Clara: Pela Constituição, o Congresso só tem dois caminhos diante de um veto total: ou o mantém, ou o derruba por completo.

  • A Usurpação: Ao "desmembrar" o veto para tentar salvar a face pública e evitar o desgaste de beneficiar crimes hediondos, Alcolumbre criou um novo rito. Segundo Attié, isso não é derrubar um veto, é fazer um novo projeto de lei dentro da sessão de vetos, o que é absolutamente proibido.

2. Um Ato que "Nasce Morto"

Para o desembargador Alfredo Attié, a decisão do Congresso Nacional não tem eficácia jurídica. O erro de procedimento é tão grave que o ato é considerado juridicamente inexistente e nulo.

"O veto presidencial prevalece nesse caso. Cabe agora ao STF a declaração de inconstitucionalidade, restaurando o veto total. O Congresso não pode realizar outra sessão para reexame, pois a oportunidade foi perdida pelo erro de condução", fustiga o magistrado.


3. Anistia Velada: O Crime de Estado não se Apaga

Além do erro de forma (como foi feito), existe o erro de mérito (o conteúdo). O PL da Dosimetria, ao tentar reduzir penas de quem atentou contra a democracia no 8 de janeiro, funciona como uma anistia camuflada.

O jurista Alfredo Attié alerta que crimes de Estado, cometidos por agentes políticos no exercício de suas funções para conspirar contra as instituições, são insuscetíveis de anistia. A tentativa de proteger golpistas através de manobras regimentais é um entulho autoritário que fere o coração da República.


Conclusão: O Castelo de Cartas vai Cair

Davi Alcolumbre, pressionado por interesses eleitorais e pelo cerco das investigações do caso Master, entregou à oposição um troféu de papel. Se o Supremo Tribunal Federal seguir a cartilha constitucional — como é seu dever —, o PL da Dosimetria cairá como um castelo de cartas.

O resumo da ópera é simples: a euforia de Flávio Bolsonaro e seus aliados ignora que a Justiça não se faz com "jeitinhos" regimentais. Os golpistas do 8 de janeiro e aqueles que os protegem devem permanecer exatamente onde a lei os colocou. O Brasil não aceita anistia para quem tentou destruir a democracia.


Blog de Dede Montalvão: Em defesa da Constituição, contra as manobras de bastidor e pelo rigor da lei para todos.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

Jurista e desembargador diz que derrubada do veto da Dosimetria é inconstitucional

 Alfredo Attié, que integra o Tribunal de Justiça de SP, explicou com exclusividade à Fórum porque manobra de “separação de vetos” de Davi Alcolumbre não tem base legal

Por: Henrique RodriguesPublicado: 30/04/2026 - às 18h38| 4 min de leitura
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- O jurista e desembargador Alfredo Attié, do TJ-SP - Foto: Arquivo pessoal                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Abra o Link e leia matéria completa                                                                                                                                                                https://revistaforum.com.br/politica/jurista-desembargador-veto-dosimetria-inconstitucional/



Advogados de réus da trama golpista temem que judicialização atrase redução das penas

 

Advogados de réus da trama golpista temem que judicialização atrase redução das penas

Por Luísa Martins, Folhapress

02/05/2026 às 10:38

Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo

Imagem de Advogados de réus da trama golpista temem que judicialização atrase redução das penas

Requerimentos das defesas serão analisados caso a caso por Alexandre de Moraes

Advogados de condenados pela trama golpista e pelo 8 de janeiro já começaram a preparar os pedidos de redução de pena que serão feitos ao STF (Supremo Tribunal Federal) com base no PL da Dosimetria, mas temem que a judicialização do tema atrase a análise desses requerimentos.

Em um novo revés para o governo, o veto do presidente Lula (PT) à proposta foi derrubado nesta quinta-feira (30) pelo Congresso Nacional. Líderes petistas anunciaram que vão acionar o STF. A sigla entende que a nova lei não respeita o princípio da impessoalidade, pois foi articulada para beneficiar um grupo específico de pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na avaliação de cinco advogados ouvidos pela Folha, representantes de réus dos núcleos 1 e 2 da tentativa de golpe de Estado, nenhuma decisão sobre a diminuição das sentenças será tomada pelo ministro Alexandre de Moraes antes de a corte decidir se a lei é ou não compatível com a Constituição.

A depender de quem for sorteado o ministro relator das ações do PT, esses advogados não descartam a hipótese da concessão de uma liminar que suspenda temporariamente a efetividade do PL da Dosimetria, até que o julgamento de mérito seja concluído pelo plenário do Supremo.

A leitura de que a judicialização pode postergar a efetiva redução das penas também é compartilhada por integrantes da DPU (Defensoria Pública da União), órgão que presta assistência jurídica a mais de 200 pessoas envolvidas na invasão e na depredação das sedes dos Três Poderes, em 2023.

A partir da próxima semana, quando a lei entrar oficialmente em vigor, os advogados e defensores públicos pretendem confrontar as alterações no texto com as penas decididas pela Primeira Turma do STF quando julgou as ações penais. Com esses dados em mãos, vão pedir à corte o recálculo.

As defesas entendem que, se a lei for considerada constitucional, Moraes não terá outra alternativa senão deferir os pedidos, caso a caso. Porém, reconhecem que o tema é sensível e envolto por tensões, especialmente no momento atual da relação entre os Poderes.

Em dezembro, quando a Primeira Turma do STF terminou de julgar os réus do núcleo 2, Moraes se manifestou contra o PL da Dosimetria, que seria aprovado pelo Congresso no mês seguinte. "Atenuar as penas seria um recado à sociedade de que o Brasil tolera ou tolerará novos flertes contra a democracia", disse o magistrado.

O ministro Flávio Dino entende que a mudança na lei penal é uma atribuição do Legislativo, mas também se posicionou contra a medida. "O Congresso pode mudar? Pode. Eu, particularmente, espero que não o faça, porque considero que a lei vigente é boa", afirmou ele em outubro do ano passado, durante um evento em São Paulo.

O PL da Dosimetria diz que as penas pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado democrático de Direito não devem ser aplicadas de forma cumulativa quando inseridas no mesmo contexto —caso dos réus da trama golpista e do 8 de Janeiro. Valerá a pena mais grave ou, se iguais, apenas uma delas, aumentada de um sexto até a metade.

Com as novas regras, Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar a trama golpista, pode passar menos tempo em regime fechado (ele está em domiciliar temporária, devido a problemas de saúde). Se a expectativa atual é de 6 a 8 anos, a nova lei pode diminuir esse prazo para entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, a depender da interpretação.

Politica Livre

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