domingo, maio 03, 2026

Energia cara e desgaste político: a inflação volta ao centro do jogo eleitoral

Publicado em 3 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (Correio Braziliense)

Pedro do Coutto

O anúncio de reajustes em itens estratégicos pela Petrobras — gás encanado, gás veicular e querosene de aviação — recoloca a inflação no centro da disputa política em um momento particularmente sensível. Não se trata apenas de um ajuste técnico guiado por variáveis internacionais, mas de uma decisão com efeitos diretos sobre o custo de vida e, consequentemente, sobre o humor do eleitorado.

Em economias como a brasileira, onde energia atravessa toda a cadeia produtiva, aumentos desse tipo não ficam restritos ao setor: eles se espalham rapidamente para alimentos, transporte e serviços. O impacto é especialmente agudo nas camadas de menor renda, justamente aquelas mais dependentes de transporte público, mais expostas à variação de preços de alimentos e mais sensíveis ao custo do gás de cozinha.

APOSTA – É nesse ponto que a economia encontra a política. O governo do presidente Lula da Silva vem apostando na ampliação de renda e no estímulo ao consumo como pilares de sustentação social, mas reajustes de energia atuam na direção oposta, corroendo ganhos recentes e dificultando a manutenção de uma percepção positiva da economia.

Há, por trás desse movimento, um problema estrutural que o país ainda não resolveu. Embora o Brasil seja um grande produtor e exportador de petróleo bruto, permanece dependente da importação de derivados como diesel e parte da gasolina. Essa dependência é resultado de um histórico de investimentos insuficientes em refino, que mantém o país exposto às oscilações do mercado internacional. Assim, mesmo com mudanças na política de preços ao longo dos anos, o Brasil continua vulnerável a choques externos — e esses choques acabam sendo repassados, direta ou indiretamente, ao consumidor.

A oposição já percebeu o potencial político desse cenário e prepara uma ofensiva narrativa centrada no aumento do custo de vida. Trata-se de um terreno fértil: inflação é um fenômeno complexo, mas sua percepção é simples e imediata. O eleitor não acompanha a dinâmica do barril de petróleo, mas sente o preço do gás, da comida e da passagem. E, historicamente, governos em exercício pagam o preço dessa percepção, independentemente das causas estruturais.

TENSÃO POLÍTICA – Esse quadro econômico se soma a um ambiente político já tensionado. A recente rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal expôs fragilidades na articulação do governo. Na mesma linha, a derrubada de vetos presidenciais em temas sensíveis, como a mudança nas regras de dosimetria penal, reforçou a leitura de perda de controle sobre a agenda no Congresso. Esses episódios não apenas enfraquecem o governo institucionalmente, mas também alimentam a narrativa de desgaste político.

A questão da dosimetria, aliás, adiciona mais um elemento de instabilidade. A mudança nas regras deve levar ao Supremo uma série de pedidos de revisão de penas, inclusive de condenados pelos atos de 8 de janeiro. O tema é juridicamente complexo e politicamente explosivo, envolvendo figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro e reabrindo o debate sobre punição, proporcionalidade e papel do Judiciário. Caberá ao STF arbitrar esse conflito, o que tende a prolongar a tensão entre os Poderes.

RISCO – Diante desse cenário, o presidente Lula tem sinalizado um retorno a um discurso mais político e menos técnico, buscando mobilizar sua base e reposicionar o debate em termos ideológicos. É uma estratégia compreensível, mas arriscada. A narrativa pode até reorganizar o campo político, mas dificilmente neutraliza os efeitos concretos da inflação sobre o cotidiano da população.

No fim, o campo decisivo permanece o mesmo: o bolso do eleitor. Se os reajustes de energia se traduzirem em uma alta persistente do custo de vida, o governo enfrentará um desgaste difícil de reverter apenas com discurso. Por outro lado, se conseguir amortecer esses impactos — seja por políticas compensatórias, seja por um cenário externo mais favorável — poderá atravessar o período com danos controlados.

O que está em jogo, portanto, vai além de um ciclo de preços. Trata-se de um teste simultâneo de capacidade econômica e habilidade política. Em ano eleitoral, essas duas dimensões não caminham separadas. E, no Brasil, quando a energia encarece, a política inevitavelmente aquece junto.

EDITORIAL: Saúde se Faz com Gestão e Informação – O Gesto de Valor Inestimável de Tista de Deda e Neguinho de Lié

 

EDITORIAL: Saúde se Faz com Gestão e Informação – O Gesto de Valor Inestimável de Tista de Deda e Neguinho de Lié


Por José Montalvão 

Em saúde pública, muitas vezes as grandes transformações não vêm de obras de cimento e cal, mas de atitudes que priorizam o bem-estar e a vida do cidadão. Recentemente, o prefeito Tista de Deda, ao lado de sua equipe de saúde, praticou um gesto que, embora pareça simples, carrega um valor inestimável para Jeremoabo: a priorização da comunicação e da transparência nas campanhas de imunização.

A divulgação assertiva sobre vacinação é uma das ferramentas mais poderosas do sistema público. Quando um gestor investe tempo e esforço para informar a população, ele não está apenas dando um aviso; ele está salvando vidas.


1. A Comunicação como Escudo da Vida

A ausência ou ineficiência na comunicação em saúde pode ter consequências graves. Por isso, a postura da gestão municipal em Jeremoabo reforça quatro pilares fundamentais:

  • Combate à Desinformação (Fake News): Mentiras sensacionalistas geram medo e hesitação, o que pode levar ao retorno de doenças que já considerávamos controladas.

  • Aumento da Cobertura Vacinal: Campanhas claras são a ponte entre o imunizante e a ação do cidadão, motivando todos a comparecerem aos postos.

  • Proteção da Coletividade: A informação correta fortalece a imunidade de rebanho, protegendo aqueles que, por motivos de saúde, não podem ser vacinados.

  • Confiança na Ciência: Dados precisos sobre a segurança e eficácia das vacinas, aprovadas pela Anvisa, combatem a desconfiança no sistema de saúde.

2. União entre os Poderes pelo Bem Comum

Esse ato de "grande magnitude", como bem definiu o presidente da Câmara de Vereadores, Neguinho de Lié, ganha ainda mais força com o apoio do Legislativo. Ao declarar total suporte a essa iniciativa, Neguinho demonstra que a política em Jeremoabo amadureceu para colocar a vida acima de qualquer disputa.

Quando o prefeito Tista de Deda e o presidente Neguinho de Lié caminham juntos na promoção da saúde, quem ganha é a mãe de família que vê seu filho protegido e o idoso que tem a garantia de uma assistência humanizada.


3. Um Exemplo para a Região

A atitude da equipe de saúde de Jeremoabo mostra que informar é, acima de tudo, um ato de respeito. Não basta ter a vacina na geladeira; é preciso ter a informação no rádio, no blog, nas redes sociais e na boca do povo. É essa transparência que "acorda o gigante" da nossa produtividade social, garantindo que a nossa população esteja forte e saudável para trabalhar e crescer.


Conclusão: Compromisso com o Futuro

O Blog de Dede Montalvão parabeniza essa iniciativa. Tratar a vacinação com a seriedade e o destaque que ela merece é prova de responsabilidade administrativa e humanidade. Que esse gesto simples, mas de valor imenso, continue sendo a marca de uma gestão que entende que cuidar das pessoas é o maior investimento que um município pode fazer.


Blog de Dede Montalvão: Informação com responsabilidade, apoio à ciência e compromisso com o povo de Jeremoabo.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

André Mendonça diz que Brasil perdeu oportunidade de ter ‘grande ministro do STF’; Boulos: 'Senado fica menor'

INFORME JB: É raro — quase excepcional — que figuras influentes da República, movidas por ideologias distintas, cheguem a um mesmo diagnóstico político. Foi o que se viu após a rejeição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF. De lados opostos, o ministro André Mendonça lamentou a decisão, enquanto o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, foi além: falou em "chantagem política". A coincidência não está na convergência de posições, mas no sintoma que ambos parecem reconhecer — ainda que por razões diferentes.

Por JB JURÍDICO e Política JB com Agência Estado
redacao@jb.com.br

Publicado em 30/04/2026 às 06:01

Alterado em 30/04/2026 às 08:33

.


Ministro André Mendonça Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Por Gabriel de Sousa - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça lamentou pelo X a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, à cadeira vaga na Corte. Segundo Mendonça, o Brasil perdeu a oportunidade de ter “um grande ministro” e que Messias preenche os requisitos constitucionais para compor o tribunal.

Abra o Link e leia matéria completa:

https://www.jb.com.br/brasil/justica/2026/04/1059459-andre-mendonca-diz-que-brasil-perdeu-oportunidade-de-ter-grande-ministro-do-stf-boulos-senado-fica-menor.html

Planalto discute reação a Alcolumbre, mas aliados alertam para risco de escalada



Lula tenta segurar Pacheco e aposta no pragmatismo para não perder votos em Minas

Publicado em 2 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Corte de penduricalhos poderia gerar economia de R$ 186 bilhões em uma década


Charge do Nef (Arquivo do Google)

João Pedro Abdo
Folha

O controle dos supersalários poderia levar a uma economia de R$ 186,4 bilhões em dez anos no Brasil. É o que aponta uma pesquisa chefiada por Sergio Guedes-Reis, servidor federal e doutorando pela UCSD (Universidade da Califórnia, San Diego), e encomendada pelo instituto República.org.

As adequações na remuneração sugeridas se baseiam nos dados sobre os salários de carreiras dos sistemas de Justiça em 11 países: Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido. Além da magistratura, foram consideradas verbas pagas a membros dos órgãos equivalentes ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à advocacia pública.

CENÁRIOS – As simulações consideram três cenários, com regras de transição ou não, para estimar o impacto das alterações ao longo de 20 anos. Há projeções para congelamento total dos salários, incidência de novas regras apenas para ingressantes nas carreiras e adoção de VPNI (Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada) para enquadramento de verbas que excedam um novo teto.

São considerados um turnover (substituição de servidores ao longo do tempo) de 4% ao ano, uma taxa de inflação de 4% ao ano para correção monetária, a manutenção do número de servidores e a estruturação de uma nova pirâmide remuneratória, que divida a diferença entre as remunerações mínimas e máximas em cinco faixas equidistantes, priorizando uma base maior.

ECONOMIA – A aplicação imediata representaria, em teoria, a economia orçamentária máxima, poupando em dez anos R$ 186,4 bilhões. Em 20 anos, o valor poupado chegaria a R$ 578,3 bilhões. Caso a readequação passasse a valer apenas para servidores ingressantes, a economia seria de R$ 97,8 bilhões em uma década e R$ 330,3 bilhões em duas décadas. Considerando a VPNI, que inclui os servidores atuais, o valor poupado pode chegar a R$ 169,4 bilhões em dez anos e R$ 520,8 bilhões em 20 anos.

A fim de corrigir possíveis distorções cambiais na comparação entre países que baseou o novo padrão remuneratório proposto, a pesquisa parte de métricas distintas para contextualização dos dados. A primeira delas adota a unidade de medida em dólares PPP (da sigla, poder de paridade de compra, em inglês). As comparações também são feitas com base em múltiplos das medianas de renda e de salário mínimo.

O teto constitucional para remuneração pública no Brasil é o salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e corresponde atualmente a R$ 46,3 mil. Ele foi estabelecido em 2004. Com base no IPCA, esse valor seria hoje cerca de 40% maior.

ACIMA DO TETO – Não é incomum, entretanto, que servidores recebam acima do teto. Certas verbas pagas a magistrados, promotores, defensores e advogados públicos podem ter seu caráter indenizatório reconhecido e, por isso, ficam acima do limite constitucional: são os chamados penduricalhos.

Nos demais países estudados pela pesquisa, há diferentes regras que limitam os salários no funcionalismo público. O México apresenta um teto geral. Colômbia e Itália têm tetos específicos para poderes e entes. Nos EUA, os limites são estabelecidos com base em grupos de servidores. No Chile, levam em consideração as elites políticas e, na Argentina, determinados dirigentes públicos.

Alemanha e Portugal, por sua vez, adotam tabelas estruturadas que estabelecem limites remuneratórios. Por fim, no Reino Unido, há comissões que avaliam quando esses valores devem superar o salário do primeiro-ministro.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Os estudos comparativos são essenciais, mas o Supremo não age com o necessário rigor. Ao invés de acabar com os penduricalhos, deu uma acomodada, tirando com uma mão e repondo com a outra. Infelizmente, os ministros não pensam no país, mas apenas nos próprios bolsos(C.N.)

Em destaque

DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO: O Nascimento Jurídico do Município – Por que a Emancipação Depende da Lei e do Processo Legislativo Correto

Por José Montalvão Para compreender definitivamente a emancipação política de qualquer cidade, precisamos recorrer a uma analogia biológica ...

Mais visitadas