sábado, fevereiro 14, 2026

Unanimidade no STF contra Toffoli na relatoria e revela tensão inédita na Corte

 

Permanência de Toffoli no caso ficou insustentável

Pedro do Coutto

A decisão unânime do Supremo Tribunal Federal de aceitar a renúncia de Dias Toffoli à relatoria do processo envolvendo o Banco Master encerra um dos episódios institucionais mais delicados dos últimos anos na mais alta instância judicial brasileira.

O desfecho, aprovado por dez votos a zero, não surpreendeu quem acompanhava de perto o ambiente interno da Corte: a permanência do ministro na condução do inquérito tornou-se politicamente insustentável, não apenas pelo conteúdo das investigações, mas sobretudo pelo impacto reputacional que começava a irradiar para o próprio tribunal.

ATRITO – A crise ganhou densidade com o crescente atrito entre o ministro e a Polícia Federal, em um momento em que a investigação passou a envolver comunicações com Daniel Vorcaro, controlador do banco sob escrutínio.

Independentemente da natureza jurídica dessas interações, sua mera existência colocou em causa a percepção pública de imparcialidade — um capital simbólico essencial para qualquer relator em processos de elevada sensibilidade política e financeira. No Supremo, onde a legitimidade depende tanto da legalidade das decisões quanto da confiança social em sua neutralidade, a erosão dessa percepção torna-se rapidamente um problema coletivo.

MAL-ESTAR – Foi precisamente essa dimensão institucional que pesou no desfecho. Ao longo das últimas semanas, relatos de bastidores indicavam que o mal-estar deixou de ser individual para assumir contornos sistêmicos, contaminando a imagem da Corte em um momento já marcado por tensões entre poderes e por forte polarização política. A renúncia, nesse contexto, funcionou como uma válvula de contenção: um gesto que busca preservar a credibilidade do tribunal e, simultaneamente, blindar os atos processuais já praticados, evitando que futuras decisões pudessem ser questionadas com base na suspeição do relator.

A unanimidade do plenário é, por si só, um sinal político inequívoco. Mais do que uma simples concordância formal, ela traduz a percepção de que o custo institucional da permanência de Toffoli ultrapassava largamente qualquer benefício jurídico. No Supremo, raramente se assiste a consensos tão claros em matérias que envolvem diretamente um de seus membros. O episódio evidencia, assim, a prioridade atribuída à preservação da autoridade do tribunal enquanto instituição, mesmo que isso implique o isolamento circunstancial de um de seus ministros.

DERROTA DE TOFFOLI – Do ponto de vista pessoal e político, a renúncia representa uma derrota significativa para Toffoli. A condução do processo transformou-se em um foco contínuo de pressão midiática e interna, colocando-o em posição progressivamente mais defensiva e hostil no espaço público. A decisão de abandonar a relatoria não apaga o desgaste acumulado, mas sinaliza uma tentativa de reposicionamento estratégico, em um cenário em que se multiplicam especulações sobre o futuro do ministro na Corte e sobre a possibilidade de abreviar seu ciclo no tribunal.

Mais do que um episódio individual, o caso revela os limites de tolerância institucional do Supremo diante de potenciais conflitos de percepção e da crescente vigilância pública sobre a atuação de seus membros. Em um ambiente democrático marcado por escrutínio permanente, a autoridade das instituições judiciais depende não apenas da correção formal das decisões, mas da confiança social em sua independência. Ao aceitar a renúncia por unanimidade, o tribunal procurou reafirmar esse princípio: a credibilidade da Justiça, sobretudo no topo do sistema, não admite zonas de ambiguidade prolongada.


Confirmado! Celular de Vorcaro libera jatinho até para a ex-mulher de Toffoli


Climão' nos bastidores: como o STF negou a suspeição de Toffoli, mas o  convenceu a deixar o caso Master

Aos 58 anos, Toffoli tem muito tempo para se arrepender

Malu Gaspar
O Globo

O relatório de 200 páginas da Polícia Federal (PF) sobre as conexões entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem um trecho dedicado especialmente à advogada Roberta Rangel, com quem ele foi casado por 12 anos, até o início de 2025.

Entre os fatos apontados como indícios de suspeição para continuar como relator do caso Master estão propostas de contrato para a advogada atuar em dois processos de interesse do Vorcaro: na Operação Fundo Fake, que investigou fraudes em fundos de pensão municipais em 2020, e a votação da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) 81, que discutia a restrição criada pelo Ministério da Educação à criação de cursos de medicina e ingressou no STF em junho de 2022.

PRISÃO REVOGADA – Vorcaro foi um dos investigados no Fundo Fake e chegou a ter sua prisão decretada em 2019, mas a ordem nunca foi cumprida e acabou revogada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Seu interesse no caso da ADC 81 teria relação com a Ulbra, universidade de que ele comprou o controle em 2022.

No julgamento, Toffoli acompanhou o ministro Gilmar Mendes mantendo as limitações para novas faculdades, o que não afetava a Ulbra. Sua posição não foi decisiva nesse ponto específico, mas teve papel central ao definir que os cursos já instalados por liminar judicial ou estivessem em fase avançada de análise no MEC poderiam funcionar – que era o caso da Ulbra.

Nas duas ações apontadas pela PF no relatório, Vorcaro encaminha ao advogado Walfrido Warde prints com as minutas de contratos para Roberta. O primeiro print, sobre a Fundo Fake, é enviado em 16 de dezembro de 2020 e o segundo, em 21 de setembro de 2022.

JATINHO CARNAVALESCO – Há ainda uma terceira ocasião em que Vorcaro menciona Roberta nas mensagens. No final de fevereiro de 2025, ele envia a um funcionário da companhia Prime You, de que ele era sócio e que operava suas aeronaves, uma autorização para Roberta usar um jatinho Embraer 500 Phenom 300 para ir de Brasília a Ourinhos (SP) no dia 1º de março de 2025, sábado de carnaval.

O aeroporto de Ourinhos é o mais próximo do resort Tayayá, que fica no interior do Paraná, próximo à divisa com São Paulo, em que Toffoli era sócio.

Todas essas informações surgem no relatório entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, como indícios que merecem avaliação para eventual arguição de suspeição ou impedimento.

NEGANDO TUDO – Procurada pela equipe da coluna, Roberta negou ter usado o avião do dono do Master e disse que não atuou de fato em nenhuma das duas ações citadas nos prints. Mas admitiu que, no caso da Fundo Fake, “pode ter constado” em procuração para defender Vorcaro. Na verdade, ela aparece como representante do banqueiro em uma decisão do desembargador Néviton Guedes, do TRF-1.

Sobre a ADC 81, Roberta disse que apenas subscreveu a procuração a pedido de Walfrido Warde – mas não como representante de Vorcaro, e sim de uma associação de escolas, a Abrafi.

TODOS ATUARAM – Afirmou, ainda, que “o Brasil todo atuou” como amicus curiae na ADC 81, uma vez que a questão era de interesse de muitos grupos e entidades. E que, de acordo com a jurisprudência do STF, esse tipo de ação coletiva, conhecida como “de controle concentrado”, não gera suspeição.

Roberta trabalhou para o Warde Advogados, que representa o Master e Vorcaro em diversos processos, entre fevereiro de 2021 e o final de 2022.

Em resposta enviada à equipe da coluna, Toffoli disse que “desde que entrou no Supremo, ele encaminhou ofício ao distribuidor declarando-se impedido de julgar todos os casos relativos à advogada Roberta Rangel, que é sua ex-esposa”. A respeito da questão de suspeição e impedimento, afirmou, ainda, que “a arguição foi arquivada por unanimidade pelo plenário do STF”.

FOI RENÚNCIA – Na verdade, Toffoli renunciou à relatoria do caso Master na última quinta-feira, após ser pressionado pelos colegas de STF em uma tensa e longa reunião a portas fechadas.

O advogado Walfrido Warde enviou uma nota em que afirma que “Roberta Rangel foi sócia do Warde Advogados em São Paulo, mas manteve seu escritório em Brasília, como a legislação permite. Warde Advogados fez uma pesquisa de procurações nos seus controles internos e no site do TRF-1. Não encontrou nada.

Warde não se recorda dessa troca de mensagens de WhatsApp. Além disso, como a reportagem mesmo informou, as propostas não são para ele”.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Os jornalistas Malu Gaspar e Lauro Jardim conseguiram quebrar o bloqueio da Organização Globo, foram desmentidos pelos denunciados, mas confirmaram suas acusações, de forma irrefutável. A imprensa inteira teve de aderir, e a Suprema Corte se tornou uma nova Lava Jato, que vai movimentar o noticiário nesta segunda metade da década. E assim podemos ter esperanças de que, enquanto houver jornalistas livres, este país pode melhorar muito – e com facilidade(C.N.)


Investigação do Banco Master divide analistas entre transparência e risco político


STF avança para julgamento de Ramagem enquanto extradição segue em curso


Caso entra na fase final antes do julgamento

Fernanda Vivas
G1

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última quarta-feira (11) a abertura de prazo de 15 dias para que acusação e defesa apresentem alegações finais na ação que trata de crimes atribuídos ao deputado cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ) após sua diplomação como deputado federal.

A decisão marca a entrada do caso na fase final antes do julgamento, isto é, quando ainda é permitido às partes apresentarem suas últimas considerações e argumentos. Ramagem, que está foragido após deixar o país para ir morar nos Estados Unidos, foi interrogado por uma juíza auxiliar do gabinete de Moraes na semana passada. Na ocasião, ele pegou ter cometido os crimes.

DELITOS – Ramagem foi ouvido após Moraes decidir retomar a ação penal contra o ex-deputado pelos dois crimes praticados após sua diplomação como deputado federal: os delitos de dano qualificado e de deterioração do patrimônio tombado, praticados em 8 de janeiro de 2023.

A ação penal, suspensa por decisão da Câmara dos Deputados, foi retomada após Ramagem ter o mandato cassado pela Mesa da Câmara no ano passado. Como ele deixou de ser deputado, perdeu a imunidade parlamentar que seus colegas haviam lhe dado.

Ramagem já foi condenado a 16 anos de prisão, em setembro, por outros três crimes cometidos antes de sua diplomação, realizada no final de 2022: abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; e organização criminosa. No entanto, ele fugiu do país pouco antes de ter a prisão decretada em definitivo, e está morando nos Estados Unidos desde então.

EXTRADIÇÃO – No fim de janeiro, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição de Ramagem já foi formalmente encaminhado ao governo norte-americano pela via diplomática.

O pedido de extradição foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes em dezembro do ano passado, após a fuga. De acordo com as investigações da Polícia Federal, Ramagem saiu do país de forma clandestina pela fronteira do Brasil com a Guiana, sem passar por controle migratório.

PASSAPORTE DIPLOMÁTICO – No país vizinho, embarcou no aeroporto de Georgetown com destino aos Estados Unidos, onde teria ingressado utilizando passaporte diplomático, apesar de existir determinação judicial para o cancelamento do documento. Aliados do ex-deputado afirmam que ele pretende pedir asilo político nos Estados Unidos, o que pode prolongar a tramitação do pedido de extradição.

Quando a PGR apresentou a denúncia contra Ramagem e outros sete réus do núcleo crucial da trama golpista, no início do ano passado, a Câmara fez uma votação para decidir se autorizava o processamento criminal do deputado.


Para travar Ratinho Jr. no Planalto, Flávio acena com palanque a Moro no Paraná


Ex-juiz pode se filiar ao PL para concorrer no Paraná

Raphael Di Cunto
Folha

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ameaça apoiar o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) na eleição para o Governo do Paraná caso o governador Ratinho Jr. (PSD) decida concorrer à Presidência da República. Está na mesa inclusive a filiação ae Moro o PL, já que ele enfrenta dificuldades para viabilizar sua candidatura pelo seu atual partido.

A negociação pode implodir o acordo do PL do Paraná com Ratinho Jr, e ambos marcaram de conversar após o Carnaval para tentarem uma composição. O governador saiu de férias na última terça-feira (10) e só deve retornar ao país no dia 25 de fevereiro. Já o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro estava num roteiro internacional para encontrar líderes da direita em outros países.

ACERTO – Antes da candidatura presidencial de Flávio, o PL acertou que apoiaria o candidato escolhido por Ratinho Jr. para sua sucessão em troca de espaço para o deputado federal Filipe Barros concorrer ao Senado. Hoje o mais cotado é o secretário de Cidades, Guto Silva (PSD), mas o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD) também disputam a vaga.

Flávio tem atuado para construir palanques próprios em todos os estados e quer evitar o apoio a um candidato que rivalize com ele nacionalmente. Por isso, segundo três interlocutores, passou a conversar com Moro sobre a possibilidade de apoiar sua candidatura ao governo, como forma de enfraquecer Ratinho Jr. e fazê-lo desistir da eleição presidencial.

O governador ainda não decidiu se concorrerá à Presidência ou ao Senado. Aliados dizem que ele tem oscilado de posição nas conversas reservadas. Ora avalia que não haverá espaço por causa da polarização entre um Bolsonaro e o presidente Lula (PT), ora demonstra otimismo sobre a possibilidade de ir ao segundo turno e vencer por causa da menor rejeição entre os eleitores ao seu nome.

PRESSÃO – Também pesa na decisão, segundo três aliados, uma pressão de seu pai, o apresentador de TV e empresário Carlos Massa, o Ratinho, por receio de que isso afete os negócios da família, como concessões de televisão e rádio pelo país.

Outra preocupação é a manutenção do seu grupo no comando do Paraná. Com uma avaliação positiva superior a 80%, Ratinho planeja fazer o sucessor, mas Moro tem aparecido na liderança de pesquisas de intenção de voto, puxado pela popularidade conquistada nos tempos como juiz da Operação Lava Jato.

O Paraná é um estado com eleitorado mais à direita, e o apoio da família Bolsonaro tem peso. Na eleição de Curitiba em 2024, a jornalista Cristina Graeml foi ao segundo turno concorrendo pelo nanico PMB e ameaçou o candidato de Ratinho Jr. após sinalizações de endosso do ex-presidente Bolsonaro.

RISCO – O apoio de Bolsonaro a Moro, na visão de aliados do governador, é um risco e pode ser decisivo na eleição. Além disso, a filiação ao PL –sigla com maior tempo de propaganda na TV e rádio e maior fatia do fundo eleitoral– mudaria o cenário.

No atual partido, o União Brasil, Moro encontra dificuldades. Conquistou o comando local após meses de pressão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas pelo menos dois deputados federais (Felipe Francischini e Nelson Padovani) estão de saída para continuarem no grupo do governador.

Moro ainda depende do PP, sigla que comandará a federação com o União Brasil no Paraná e já afirmou publicamente que não deseja apoiá-lo. O presidente estadual do PP, deputado Ricardo Barros (PR), lidera a resistência contra o ex-juiz. “Hoje, o que está definido é que o Moro não será nosso candidato”, diz.

NEGOCIAÇÃO –  Barros afirma que a federação está livre para negociar com Ratinho Jr, mas que também pode lançar candidato próprio –a ex-governadora Cida Borghetti, o ex-prefeito de Londrina Marcelo Belinati ou Greca, se ele não tiver espaço no grupo do governador e resolver trocar de partido. “Temos alternativas que dialogam melhor com a política”, declarou.

Questionado pela Folha, Moro não comentou as conversas com o PL, mas insistiu em nota que pretende concorrer pelo atual partido. “O senador Sergio Moro permanece no União Brasil, partido que garantiu sua candidatura ao governo do Paraná nas eleições de 2026. As divergências com PP serão resolvidas com diálogo”, respondeu por meio de sua assessoria.

Políticos do PP afirmam que a mudança para o PL pode não ocorrer porque o clima está mais favorável a Moro dentro da federação. Um aliado do presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), diz que ele está mais propenso a defender essa candidatura por entender que isso aumentará o número de deputados federais e senadores do grupo. Essa permanência poderia ocorrer mesmo com o apoio de Flávio. O senador tem até 4 de abril para decidir qual partido estará filiado para concorrer, prazo limite para quem vai disputar a eleição de 2026.

Recuperado de cirurgia, Otto Alencar volta a disparar mensagens enigmáticas nas redes sociais


Senado está fora do Carnaval após fazer procedimento de emergência  |   Bnews - Divulgação BNEWS
Anderson Ramos

por Anderson Ramos


14,02.2026


O senador Otto Alencar (PSD) voltou a disparar mensagens enigmáticas em seu perfil no Instagram, após um período afastado das redes sociais por conta de uma cirurgia de emergência. 

Neste sábado (14), o presidente do PSD na Bahia explicou aos seguidores que está afastado do Carnaval por conta da cirurgia de emergência que fez no último final de semana, mas ressaltou que está “bem recuperado” do procedimento  Na ‘mensagem do dia’, o senador usou uma metáfora para definir um comportamento condenável, mas que segundo ele é muito comum na política.Na ‘mensagem do dia’, o senador usou uma metáfora para definir um comportamento condenável, mas que segundo ele é muito comum na política.“Quanto mais os lobos uivam, mais eles têm algo a encobrir, a conspirar para atacar. É exatamente isso que às vezes na política pode acontecer. Cuidado com esses lobos que ao contrário de defender a tese, o projeto ou a causa usam esse artifício que não deve ser executado por alguém que tem ética, comportamento correto e respeito pela democracia e liberdade”, publicou em vídeo. 

O PSD de Otto vem passando por uma turbulência depois da saída do senador Angelo Coronel,que rompeu com o grupo governista após ser rifado da chapa majoritária.

Anderson Ramos

Anderson Ramos

Jornalista que gosta de falar sobre tudo um pouco e hoje dedica seu tempo como repórter de política. Com passagens nas redações do Varela Notícias, bahia.ba, Bahia Notícias, Grupo A Tarde e Correio*.


Nota da Redação Deste Blog -  A fala do senador Otto Alencar é típica de quem conhece profundamente o jogo político e escolhe falar por metáforas para mandar recados sem citar nomes.

Quando ele diz: “Quanto mais os lobos uivam, mais eles têm algo a encobrir”, ele está sugerindo que há pessoas que fazem barulho excessivo — críticas públicas, ataques, movimentações políticas — não por convicção ideológica ou defesa de projetos, mas para esconder interesses próprios ou articular ataques nos bastidores.

A metáfora do “lobo” representa, nesse contexto:

  • Quem age com oportunismo;

  • Quem conspira em silêncio, mas grita em público;

  • Quem prefere o ataque pessoal ao debate de ideias;

  • Quem utiliza a política como instrumento de pressão, e não de construção.

Ele ainda reforça um ponto importante: o verdadeiro embate político deve ocorrer na defesa de teses, projetos e causas, e não por meio de manobras antiéticas. Ou seja, ele está defendendo uma política com princípios, com respeito à democracia e à liberdade.

O contexto da turbulência

A mensagem também precisa ser lida à luz da crise interna no PSD após o rompimento do senador Angelo Coronel, que deixou o grupo governista depois de ser retirado da chapa majoritária. Isso provocou tensão interna, especulações e movimentações nos bastidores.

Assim, a fala de Otto pode ter três interpretações principais:

  1. Recado interno: dirigido a aliados que estariam fazendo pressão ou criando instabilidade.

  2. Recado externo: para adversários que estariam tentando explorar a divisão do partido.

  3. Afirmação de liderança: mostrando que, mesmo após cirurgia e afastamento, ele continua atento e no controle político.

O que isso revela sobre Otto

A mensagem também reforça o perfil político de Otto Alencar: experiente, estratégico, cauteloso e pouco afeito a confrontos diretos em público. Ele prefere a simbologia ao ataque nominal.

Ao mesmo tempo, a publicação mostra que ele não está politicamente fragilizado. Pelo contrário: mesmo afastado do Carnaval e em recuperação de saúde, fez questão de marcar posição. Isso demonstra que continua ativo, vigilante e exercendo liderança dentro do partido.

Em resumo, o que ele quis dizer foi:

Há gente fazendo barulho demais na política, mas esse barulho pode esconder interesses ocultos. Política se faz com ética e projeto, não com conspiração.

E, nas entrelinhas, há um claro aviso: ele está observando quem está “uivando”.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025



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