domingo, agosto 03, 2025

Não há saída brilhante para a crise criada por Trump, diz Francisco Rezek


FRANCISCO REZEK – Academia Líbano BrasilVicente Limongi Netto

A jornalista Ana Dubeux (Correio Braziliense- 03/08) brindou os leitores e assinantes com expressiva entrevista com o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek.

Voz firme, competente e respeitada na luta do bem contra a crescente e avassaladora intolerância dos poderosos mundiais de plantão. Para Rezek, “Donald Trump não entende por que seu devoto Jair Bolsonaro enfrenta aqui consequências que ele próprio não teve que enfrentar perante a justiça norte-americana”.

A seu ver, “não há como imaginar uma saída brilhante para o impasse em que Trump coloca o Brasil de caso pensado e com dolo intenso”.

Trump acha que pode dirigir o mundo, sem ter o suco de laranja do Brasil?

Krugman: Trump acha que governa o mundo, mas não tem o suco do Brasil |  Metrópoles

Krugman aponta as idiotices que Trump está fazendo

Aline Bronzati
(Broadcast)

O economista americano Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel de 2008, afirmou que a isenção ao suco de laranja do Brasil é um sinal de que os Estados Unidos precisam do País. Ele voltou a tecer críticas à nova política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando entraria em vigor a cobrança das taxas ao mundo. A tarifação acabou sendo adiada para a próxima semana.

Para Krugman, a taxação do chefe da Casa Branca ao Brasil é um “flagrante” ao querer influenciar sua política interna e ilustra a “ilegalidade” do tarifaço. “Trump pode achar que pode governar o mundo, mas ele não tem o suco de laranja ou de outro tipo”, afirma, em análise divulgada nesta sexta-feira.

LIÇÃO AO MUNDO – Trump está, sem querer, dando ao mundo uma lição sobre os limites do poder dos EUA, diz Krugman. O economista diz que as negociações de Trump com o Brasil são “excepcionais” e suas exigências são “diferentes” do que as feitas a qualquer outro país, cuja taxação de 50% é “consideravelmente mais alta”.

“Trump vinculou explicitamente as tarifas ao Brasil à ousadia da nação em julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentar reverter uma eleição que ele perdeu”, destaca.

O Nobel acusa Trump de ser um “inimigo da democracia e da responsabilidade de aspirantes a autoritários”. “Mas nós sabíamos disso”, afirma.

TOTALMENTE ILEGAL – O economista americano também observa que é “totalmente ilegal” os EUA usarem tarifas para tentar influenciar a política interna de outro país. “Praticamente tudo o que Trump tem feito em termos de comércio é ilegal, mas no caso do Brasil é completamente flagrante”, reforça.

Conforme ele, as razões para a imposição de tarifas são limitadas, como, por exemplo, uma situação de emergência econômica, mas esse não é o caso dos EUA, que “estão indo muito bem”, nas palavras do chefe da Casa Branca.

“Portanto, o confronto com o Brasil ilustra de forma especialmente clara a ilegalidade da onda de tarifas de Trump”, afirma.

LIMITE AO PODER – Por outro lado, a taxação aos produtos brasileiros, na sua visão, também ilustra a “diferença entre a quantidade de poder que Trump aparentemente pensa que tem e a realidade”. Um sinal claro é a isenção ao suco de laranja fresco, 90% do qual é fornecido pelo Brasil.

“Aparentemente, precisamos do que o Brasil nos vende. E isso é uma admissão implícita de que, ao contrário das constantes afirmações de Trump, os consumidores dos EUA, e não os exportadores estrangeiros, pagam as tarifas”, avalia.

O Nobel cita ainda o café, que ficou fora da lista de cerca de 700 isenções dos EUA ao Brasil. “O que alguns de nós queremos saber é por que o suco de laranja, do qual as pessoas podem viver sem, está recebendo uma folga, enquanto o café, um nutriente absolutamente essencial, não está”, questiona.

EFEITOS CONTRÁRIOS – Já na política, Krugman observa que a taxação de Trump ao Brasil está tendo “efeitos contrários”, com a melhora da aprovação do governo petista no País.

“Em um eco do que aconteceu no Canadá, onde a pressão de Trump claramente salvou o governo Liberal de perdas eleitorais massivas, as ameaças contra o Brasil fizeram maravilhas pela popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva, o atual presidente”, diz.

E discorda do critério que aponta os EUA como o segundo parceiro comercial mais importante do Brasil. Quando considerados todos os países europeus somados, a China segue na liderança isolada, respondendo por 28% das exportações do Brasil, mas a União Europeia (UE) sobe para a segunda posição, com uma fatia de 13,2%, enquanto que os EUA cairiam para a terceira, com 12,1%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Disse Krugman: “Trump e seus assessores realmente acham que podem usar tarifas para intimidar uma nação de mais de 200 milhões de pessoas a abandonar seus esforços para defender a democracia, quando ela vende 88% de suas exportações para países que não são os Estados Unidos?”. Bem, vê-se por que Krugman foi Nobel de Economia aos 61 anos. (C.N.)


Fracasso brasileiro é o novo estilo administrativo adotado pelos EUA


Trump declines witness stand as testimony in his first trial concludes •  Oregon Capital Chronicle

Sem perceber, Trump repete os mesmos erros do Brasil

Vinicius Mota
Folha

A liberdade invocada pelos representantes dos vândalos que destruíram palácios em Washington e Brasília é praticada no Brasil há séculos. Trata-se da escassez de limites para infligir danos e sofrimento aos outros em nome da autenticidade e da sacralidade do interesse e do desejo próprio.

Se é possível extrair uma teoria desse emaranhado, ela opera sob o pressuposto de que os grupos humanos são diferentes nas suas capacidades materiais e intelectuais —por uma condição natural ou histórica ou porque apenas alguns teriam sido abençoados pela graça divina— e predica que não deve haver barreiras psicológicas, sociais nem legais para obstar o atropelo dos mais fracos pelos mais fortes.

ASPIRADOR DE RENDA – Seria como colocar Hobbes do avesso, tirar o Leviatã da sala e deixar o couro comer, mas nem tanto. O Estado tem essa característica de servir como porrete e aspirador de renda nas mãos de alguns e desse elemento não se abre mão. O poder político se torna um meio para proteger e enriquecer quem o conquista e para cooptar, perseguir e enfraquecer adversários. Eis o Brasil de anteontem, ontem e hoje.

Sobre o aspecto de deixar o couro comer, poucos fatores são mais típicos de uma sociedade civilizada do que a proteção da esfera íntima, a começar do corpo. Abster-se de ferir alguém cristaliza-se numa interdição tão enraizada como as regras que inibem o incesto em comunidades tribais.

Era dessa fronteira invisível e impenetrável que Sérgio Buarque de Holanda se ressentia ao identificar e criticar a “cordialidade” brasileira. Cordialidade também quer dizer violência.

TODOS MATAM – O cotidiano brasileiro é violento. A polícia mata, os civis matam e os motoristas matam. Comemora-se a tendência de queda generalizada dos crimes violentos no país, o que é um fato. Ainda assim foram assassinadas mais de 45 mil pessoas no Brasil em 2023 e outras quase 35 mil morreram no trânsito.

São mais de 80 mil em 12 meses, cerca de 40 mortes violentas para cada grupo de 100 mil habitantes e 1 milhão de óbitos de 2013 a 2023. Ucrânia, Síria e Gaza são aqui.

Sociedades civilizadas também instruem a totalidade das crianças e dos jovens como se educação fosse alimento vital. Outras coisas podem faltar, mas não aluno na sala aprendendo com a aula mais eficiente, o horário marcado, o professor preparado, durante vários milhares de horas desde a primeira infância.

ENSINO FALHO – Aqui isso funciona apenas para os filhos da elite e olhe lá. Nove milhões de jovens de 15 a 29 anos nem sequer completaram o ensino básico. O que deveria ser denunciado como crime contra o futuro da população mais vulnerável passa como elemento da paisagem.

A “liberdade” de extrair renda dos outros à custa do bem-estar da maioria também é longeva e disseminada. Não há saneamento, tecnologia do século 19, para todos por causa disso.

A conta de energia de mansões com placas solares é subsidiada pelos mais pobres, grupos profissionais têm privilégios na aposentadoria, na tributação e nos salários custeados pela camada mal remediada da população, mercadorias e serviços encarecem porque a lei atende a lobbies influentes. O descontrole dos orçamentos públicos compromete programas sociais e eleva os juros que remuneram o andar de cima.

PROFECIA DE RICUPERO – Vem do ex-ministro Rubens Ricupero uma profecia incômoda sobre a aspiração civilizatória no Brasil, onde décadas e gerações se sucedem sem nenhuma hecatombe bélica ou natural, mas também sem que o país alcance o bem-estar material e espiritual das nações ricas. É o que ele chamou de suave fracasso.

A novidade que agora vem do norte é a elite política que conquistou a Casa Branca pretender transformar os EUA num grande Brasil.

Famílias e oligarquias se apossam do poder de Estado para defender seus interesses e negócios particulares, proscrevem adversários, desmontam burocracias de mediação, sabotam o cânone acadêmico e educacional, fecham a economia e desestabilizam as relações internacionais motivadas pelo próprio fígado e pelo próprio bolso.

Datafolha: 61% dizem não votar em candidato que promete livrar Bolsonaro

 Foto: Reprodução/X/Arquivo

Governadores Zema, Ratinho Jr. Tarcísio e Caiado em ato de apoio à anistia do 8 de Janeiro promovido por Bolsonaro em SP, em abril03 de agosto de 2025 | 15:19

Datafolha: 61% dizem não votar em candidato que promete livrar Bolsonaro

brasil

A quase um ano do início da campanha presidencial, o tema do golpismo ressoa com força entre os eleitores. Segundo o Datafolha, 61% dos brasileiros não votariam em um candidato que prometesse livrar de qualquer pena ou punição Jair Bolsonaro (PL), seus aliados acusados de tramar contra a democracia e os condenados pelo 8 de Janeiro.

Na pesquisa realizada nos dias 29 e 30 de julho, que ouviu 2.004 pessoas e tem margem de erro de dois pontos para mais ou menos, o instituto aferiu que 19% dos ouvidos votariam com certeza em um nome com essa agenda, e 14% talvez o fizessem. Já 6% não souberam responder.

O tema é uma pedra no sapato da direita. Presidentes podem indultar presos, mas a jurisprudência estabelecida no Supremo Tribunal Federal indica que isso não vale para crimes contra a democracia e o Estado de Direito —foi o que ocorreu quando a corte derrubou o perdão de Bolsonaro ao ex-deputado Daniel Silveira, condenado por ameaça às instituições que hoje está em regime semiaberto.

Bolsonaro está no banco dos réus do julgamento da trama golpista no STF, que para ele e o presidente americano Donald Trump é uma farsa persecutória.

O aliado em Washington até deu ao ex-mandatário um duvidoso presente ao usar sua situação jurídica como uma das razões para colocar o Brasil no topo de sua guerra comercial, aumentando tarifas de importação de produtos brasileiros a 50%.

Isso deixou aliados de Bolsonaro no poder nos estados, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), em apuros. O governador, assim como Romeu Zema (Novo-MG), saiu em defesa de Bolsonaro, e acabou tendo de mudar o discurso de apoio a uma medida contrária ao Brasil.

A reviravolta levou o fogo do bolsonarismo contra Tarcísio, que buscou submergir na crise após se colocar como interlocutor de quem quisesse. Com efeito, ele marcou um procedimento médico para este domingo (3), quando defensores da anistia o queriam no palanque na avenida Paulista.

Mas ele já foi claro ao dizer, assim como Zema, Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e também outros mandatários sem as pretensões presidenciais do trio, que anistiaria Bolsonaro, que foi seu chefe no governo passado e o lançou do nada para a disputa que o levou ao Palácio dos Bandeirantes.

Numa faixa intermediária corre Ratinho Jr., o governador do Paraná pelo PSD, que já defendeu anistiar os envolvidos nos atos golpistas do 8 de Janeiro.

No Congresso Nacional, os bolsonaristas já viram perder ímpeto um projeto de lei visando a anistia dos 480 condenados em 1.500 ações penais no Supremo acerca do episódio, que na prática estenderia o perdão ao ex-presidente.

A rejeição popular à anistia, que já era clara em pesquisas anteriores do Datafolha sem vincular a ideia ao perdão específico a Bolsonaro por um candidato eleito presidente, e o desgaste da crise com Trump enterraram por ora a ideia.

Igor Gielow, Folhapress

Trump, Lula e o tarifaço: um telefonema entre a farsa e a diplomacia


Trump: ‘Lula pode falar comigo quando quiser’

Pedro do Coutto

A diplomacia é feita tanto de gestos quanto de silêncios. E, no momento, o silêncio do presidente Lula da Silva diante do convite informal de Donald Trump para um telefonema tem mais força do que palavras. Em entrevista recente nos jardins da Casa Branca, Trump afirmou que está pronto para conversar e que Lula pode ligar “quando quiser”.

Mas esse gesto aparentemente amigável soa, no mínimo, contraditório. Afinal, o mesmo presidente impôs, sem qualquer aviso prévio, tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros como aço, alumínio, carne, café e etanol. Como confiar em um interlocutor que age unilateralmente, punindo um parceiro comercial de forma tão agressiva, e depois diz estar “aberto ao diálogo”?

GESTO POLÍTICO – Esse é o cerne da hesitação de Lula. O presidente brasileiro sabe que não se trata apenas de uma ligação telefônica. Trata-se de um gesto político com implicações amplas. Um telefonema, nesse contexto, poderia ser interpretado como submissão, como uma tentativa desesperada de reverter uma punição que nunca deveria ter existido.

Trump tem se caracterizado por um estilo errático e performático, onde decisões extremas são tomadas de forma impulsiva e revertidas com igual velocidade, dependendo do cálculo político do momento. Um dia impõe tarifas draconianas, no outro, insinua que pode recuar — sem explicar quanto, quando ou como.

A dúvida central é: até onde Trump estaria disposto a recuar? O tarifaço foi amplo e agressivo. Um recuo parcial não resolveria o problema. Mas Trump não é conhecido por oferecer concessões completas. Lula, por sua vez, mede com cuidado os prós e contras de aceitar o contato.

SOBERANIA – Não se trata apenas de economia — é também uma questão de soberania e dignidade nacional. Falar por falar pode alimentar a narrativa de que o Brasil aceitou calado uma punição e agora se submete a um jogo de cena.

Nos bastidores, cresce também a suspeita de que figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como seu filho Eduardo Bolsonaro, estejam articulando pressões junto ao governo Trump para dificultar a vida do atual governo brasileiro. Seria uma espécie de sabotagem diplomática, feita em silêncio, mas com repercussões concretas.

RUÍDOS – Não é coincidência que, ao mesmo tempo em que as tarifas são impostas, surgem ruídos na relação entre os dois países e se multiplicam ataques velados à condução da política externa brasileira.

A situação coloca Lula diante de uma escolha delicada: manter-se firme e esperar que os Estados Unidos ofereçam um gesto concreto de recuo — o que reforçaria sua posição interna e internacional — ou aceitar o diálogo em condições desfavoráveis, correndo o risco de ser usado como figurante em mais um episódio do espetáculo trumpista. Não é uma decisão simples. A balança entre a diplomacia estratégica e a defesa da soberania nacional é sempre sensível.

Por ora, o telefone permanece no gancho. E talvez esse silêncio diga mais do que qualquer conversa apressada. Se Trump quer, de fato, negociar, precisa demonstrar isso com medidas reais, não com frases de efeito. O Brasil não pode ser tratado como um parceiro de segunda categoria, sujeito a humores e cálculos eleitorais. A confiança, nesse caso, é uma via de mão dupla — e quem quebrou esse vínculo primeiro não foi Lula.


União Brasil abandona governo Lula e expulsará ministro que quiser ficar

 

Presidente do União Brasil, Antonio Rueda, é advogado contratado por  magnata da mineração

Rueda constata que não há condições para apoiar o Lula

Andreza Matais
Metrópoles

A cúpula do União Brasil bateu o martelo e vai entregar dois dos ministérios que ocupa no governo Lula. O desembarque deve ocorrer já em setembro. Dos três ministros indicados pelo União, apenas Celso Sabino (Turismo) é filiado à sigla. Nesse caso, a coluna apurou que ele será expulso da legenda se permanecer no governo como cota pessoal de Lula.

Outro que terá que entregar o cargo é Frederico Siqueira (Comunicações). Ele não tem filiação partidária, mas só está no ministério por imposição do União.

COTA DO DAVI – A determinação partidária, contudo, não deve alcançar Waldez Góes (Integração Nacional). Embora filiado ao PDT, o ministro só está no posto porque o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), quer. E ninguém no União Brasil mexe com os cargos de Alcolumbre — nem mesmo o poderoso presidente da sigla, Antonio Rueda.

Sem base de apoio no Congresso, a saída do União Brasil do governo significa ainda mais dificuldades para o governo Lula aprovar medidas que possam ajudar Lula na reeleição. A sigla elegeu 59 deputados, terceira maior bancada da Câmara, atrás do PL (99) e do PT (67).

A coluna apurou que o partido não quer mais estender sua permanência no governo, diante da decisão de que não irá apoiar a reeleição de Lula em 2026. Isso, contudo, já era um fato desde abril, quando o União formou uma federação com o PP — um dos maiores opositores do governo Lula. A federação obriga os dois partidos a apoiarem o mesmo candidato ao Planalto em 2026.

CRÍTICAS DE RUEDA – O que precipitou a saída do União foi uma reportagem da coluna que mostrou críticas do presidente da sigla, Antonio Rueda, ao governo Lula, durante evento da XP, em São Paulo, que reuniu os maiores empreendedores do país, investidores e CEOs de grandes empresas.

Ao lado do presidente do PT, Edinho Silva, Rueda disse que falta “coragem” e “seriedade” ao governo Lula e defendeu a substituição do petista em 2026.

“Acredito que o governo Lula, o terceiro governo, não está conseguindo entregar à sociedade o que ela realmente precisa. Precisamos de um enfrentamento com coragem. Eu não consigo enxergar essa mudança. Não vejo uma sociedade equilibrada onde não se consegue fazer cortes de gastos e investir com seriedade em saúde e educação.”

DESEMPREGO – “Estamos às portas de um impacto forte provocado pela inteligência artificial. Imagine a quantidade de empregos que vão desaparecer nos próximos três, quatro, cinco anos. E não estamos nem debatendo isso ainda. O Brasil precisa se modernizar, e para isso precisamos de uma candidatura que leve o país a um rumo certo, de prosperidade. E não consigo enxergar metas no governo atual. Está tudo muito solto“, disse.

No evento da XP, Rueda também responsabilizou Lula pelo tarifaço de Trump, enquanto o petista coloca a culpa em Jair Bolsonaro:

“A primeira pessoa que tem que dialogar é o presidente da República. Ele tem que pegar o telefone, ligar para o Trump e dizer: “Eu quero dialogar.” Ao invés de hoje estar correndo atrás e vivendo em função da eleição. Eu acho que essa postura é muito danosa para o país. A gente conhece o Trump porque ele já foi presidente. E a gente tem que ter racionalidade e entender o que aconteceu. O presidente [Lula] sim, ele provocou, instigou essa situação. Não tem como dizer que isso não aconteceu”, acentuou Rueda.

CASO DA UCRÂNIA – “Quando o mundo ocidental defendia a Ucrânia, o presidente foi lá e defendeu a Rússia. Foi lá bater palma, fazer aceno e outras coisas. Isso vai ter um custo. A gente não pode achar que isso vai passar batido. Agora, no BRICS, ele defendeu o diálogo para extinguir o dólar da comercialização. Não tem como o Trump ficar calado”, disse, acrescentando:

O presidente do União Brasil e da federação União-PP escancarou ainda que não irá apoiar a reeleição de Lula. “O que a gente imagina é que esse campo, da centro-direita, vai se unificar em torno de uma candidatura. Hoje você já ouve falar muito do Tarcísio, do Ratinho, do Zema e do próprio Caiado, que é o nosso pré-candidato. E eu enxergo que esse movimento vai ser mais eficaz”.

O presidente Lula não gostou do que leu e, cinco dias depois, convocou os três ministros para cobrar explicações sobre as críticas de Rueda, como mostrou o colunista Igor Gadelha. Em reunião fora da agenda, o presidente condicionou a permanência no governo ao apoio do partido no Congresso.

Em destaque

TJ-BA institui Sistema de Integridade para reforçar ética, transparência e controle interno

  TJ-BA institui Sistema de Integridade para reforçar ética, transparência e controle interno Por  Política Livre 29/01/2026 às 10:18 Foto: ...

Mais visitadas