terça-feira, junho 17, 2025

Congresso derruba vetos de Lula e retoma jabutis que elevam conta de luz

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Sessão conjunta do Congresso Nacional17 de junho de 2025 | 18:45

Congresso derruba vetos de Lula e retoma jabutis que elevam conta de luz

economia

O Congresso derrubou nesta terça-feira (17) vetos do presidente Lula (PT) a diferentes jabutis de uma lei que regula o investimento em eólicas em alto-mar (offshore). A decisão dos parlamentares beneficia empresários do setor e eleva a conta de luz do brasileiro.

O conjunto dos vetos derrubados nesta terça pode custar R$ 197 bilhões na conta de luz ao longo das próximas décadas, nas contas da Abrace (Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres). A fatura pode ficar ainda mais alta após a análise de itens que foram adiados.

Ciente do risco de derrota total na discussão, o governo cedeu nos últimos meses e negociou a derrubada de parte dos pontos para tentar preservar o veto ao trecho de maior prejuízo ao consumidor: a contratação de termelétricas a gás com 70% de inflexibilidade (regime em que operam de forma contínua, mesmo sem necessidade).

Caso derrubado esse ponto, seria destravada a contratação de usinas a gás vistas como associações de consumidores como caras e poluentes. Só esse ponto criava o risco de elevar a conta de luz em R$ 306 bilhões até 2050, segundo a consultoria PSR.

A parte principal da discussão sobre termelétricas foi adiada, mas mesmo assim foi derrubado o veto a uma pequena parte que garante a contratação dessas e outras usinas para os próximos anos. Esses empreendimentos podem ser ainda mais beneficiados a depender da análise futura de outros pontos do texto (como o que eleva o preço-teto para a contratação das usinas).

PCHs

Outro veto derrubado é o que impedia a contratação de 3.000 MW de PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) em todas as regiões do país com os respectivos prazos de contratação. O governo afirma que, apesar de essas usinas representarem uma fonte renovável, com menor impacto ambiental e baixo custo operacional, há aumento da tarifa e desvantagens em relação às usinas termelétricas a gás, como a menor previsibilidade de disponibilidade energética.

“Seriam necessários estudos para concluir pela vantajosidade da substituição da obrigatoriedade de contratar parte das usinas termelétricas por PCHs”, afirmou na época do veto o governo, que vê uma reserva de mercado criada por um instrumento legal.

“Entende-se também que as fontes alternativas de energia elétrica já são competitivas atualmente e que se considera nem necessário e nem eficiente o estabelecimento de reserva de mercado desta fonte”, disse o Ministério do Desenvolvimento.

De acordo com a Abrace, o custo é de R$ 140 bilhões nesse ponto.

Hidrogênio via etanol

O Congresso derrubou também o veto a um trecho que contrata 250 MW de energia de hidrogênio líquido a partir do etanol no Nordeste.

De acordo com o governo, além de criar uma reserva de mercado, o trecho versa sobre uma tecnologia ainda em fase incipiente, sem que haja sequer comercialização de energia com base nesta fonte atualmente.

De acordo com a Abrace, o custo é de R$ 28 bilhões ao longo dos anos com esse trecho.

Proinfa

Foram derrubados também vetos que impediam a prorrogação do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica). O Proinfa foi criado por lei em 2002 e contratou, até dezembro de 2011, 2.650 MW de usinas eólicas, PCHs e usinas a biomassa por um prazo de 20 anos.

De acordo com o governo, o programa contribuiu no passado para a diversificação da matriz energética nacional, o avanço industrial e a redução de custo de fontes alternativas. No entanto, a gestão Lula entende que essa geração já é competitiva e que o mecanismo não é mais eficiente para incentivar nenhuma fonte de energia elétrica (mesmo que renovável).

Segundo a Abrace, o custo é de R$ 24 bilhões nesse ponto.

Usinas a gás

Já aqueles vetos ligados à contratação de termelétricas, vistos como o ponto mais problemático, foram adiados para uma futura sessão.

A contratação dessas usinas foi transformada em lei por deputados e senadores anteriormente, em 2021. Foi quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus ministros Paulo Guedes (Economia) e Bento Albuquerque (Minas e Energia) enviaram uma MP (medida provisória) ao Congresso para privatizar a Eletrobras.

Logo no começo do texto, a gestão Bolsonaro propôs qual seria o modelo de venda da empresa. O texto dizia que seria feita a emissão de mais ações na Bolsa, sendo a União impedida de comprar os novos papéis –o que abriria espaço para a empresa receber novos sócios e ser privatizada.

Durante a tramitação, o Congresso adicionou a esse trecho uma vírgula e mais 3.773 caracteres que não tinham a ver com o tema principal —um jabuti, no jargão político. A iniciativa dos parlamentares corresponde a uma página inteira com apenas um ponto ao final, o que ficou conhecido como “emenda Saramago”.

A referência ao escritor é feita justamente pela característica mais famosa do Nobel de Literatura português, a de evitar pontos finais mesmo em longos parágrafos. Assim como o autor de “Ensaio sobre a Cegueira”, os parlamentares criaram um texto sem quebras e o embutiram no trecho crucial de uma proposta que, originalmente, interessava ao governo —dificultando ao máximo um veto presidencial.

Como o presidente da República não pode vetar apenas um trecho, e sim a integralidade de um artigo –ou de parágrafo, inciso ou alínea–, barrar o dispositivo criado pelos parlamentares significaria barrar junto o modelo de venda da empresa. Bolsonaro acabou sancionando o texto sem veto ao item.

O monstrengo de papel foi criado pelo relator do projeto na Câmara, deputado Elmar Nascimento (DEM). Ele escreveu em seu parecer que a medida foi feita por se considerar “a necessidade de conferir maior segurança energética no cenário de transição” após desestatização da Eletrobras.

O texto foi incorporado pelo senador Marcos Rogério (PL-RO), relator da proposta e um dos principais nomes da base bolsonarista. Em seu parecer, afirmou que os dispositivos resultariam em diminuição da tarifa de energia elétrica —exatamente o contrário do que calculam as consultorias do setor.

A proposta direcionou a contratação de termelétricas a lugares (e, portanto, a empreendimentos) específicos. Em um trecho, por exemplo, a lei determina a contratação de 2.500 MW (megawatts) na região Centro-Oeste, nas capitais onde não há ponto de suprimento de gás natural (ou seja, Brasília e Goiânia).

O texto atropela o planejamento energético do Poder Executivo ao prever, além da contratação de usinas a gás onde não há dutos, compra de energia de pequenas centrais hidrelétricas e prorrogação por 20 anos de subsídios a fontes renováveis (vistos hoje por associações de consumidores como desnecessários).

Caso todas as termelétricas previstas saíssem do papel, o cenário principal projetado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) é que o volume de emissões resultantes da geração de eletricidade cresceria 84% até 2034, para 26,9 milhões de toneladas de CO2eq (dióxido de carbono equivalente). O chamado grau de renovabilidade da matriz elétrica cairia de 94% para 89%.

O que impediu a estratégia foi a equipe técnica do Ministério de Minas Energia ter conseguido, sem alarde, colocar durante a tramitação um preço-teto que impediu boa parte das contratações. Os leilões começaram a acontecer, mas ficaram esvaziados. Dos 8.000 MW previstos, apenas 754 MW já foram contratados e 7.246 MW aguardam um próximo certame.

Agora, para destravar as termelétricas, o Congresso está em uma nova ofensiva sobre o tema. Os parlamentares usam atualmente a discussão sobre a lei das eólicas offshore para mexer flexibilizar a regra do preço-teto que tem impedido leilões.

Lula vetou os jabutis da lei das eólicas offshore no começo deste ano após consenso entre quatro ministérios. Os parlamentares, no entanto, têm a palavra final e podem derrubar os vetos do presidente da República.

De acordo com a consultoria PSR, em estudo de janeiro, esse e os outros jabutis da proposta têm impacto de direto no custo para o consumidor. São R$ 20 bilhões a mais por ano até 2050, o equivalente a R$ 545 bilhões até o horizonte em valores corrigidos. Isso representa um aumento de 9% no custo de energia, com reflexos diretos na inflação, no poder de compra da população e na competitividade industrial no país.

Fábio Pupo/Thaísa Oliveira/FolhapressPolitica Livre

PF acusa “Abin de Lula” de impedir investigação da “Abin de Bolsonaro”

Publicado em 17 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Delegado aposentado da PF é nomeado diretor-geral da Abin

Diretor Luiz Fernando Corrêa comandava a blindagem

Aguirre Talento
do UOL

A Polícia Federal apontou, no relatório final da investigação sobre irregularidades na Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que o atual diretor-geral do órgão, Luiz Fernando Corrêa, realizou ações para obstruir a investigação policial e também assediou moralmente a então corregedora da Abin para dificultar a apuração sobre desvios no uso de ferramentas de espionagem na agência.

Procurado por meio da Abin, Luiz Fernando Corrêa ainda não se manifestou sobre o indiciamento da Polícia Federal. Em depoimento, ele negou ter cometido irregularidades e disse que não tinha interesse em impedir apuração de fatos envolvendo a gestão anterior.

IRREGULARIDADES ATUAIS – A apuração da PF foi aberta para investigar irregularidades na gestão do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, da época do governo Bolsonaro. Mas a PF identificou desvios também nas ações da atual gestão da agência.

Luiz Fernando Corrêa é homem de confiança do presidente Lula e foi escolhido no início do governo para comandar a agência de inteligência. No mandato anterior de Lula, ele havia sido diretor-geral da Polícia Federal.

Por causa dos fatos identificados na investigação, Luiz Fernando Corrêa foi indiciado sob acusação de três crimes: embaraço à investigação de organização criminosa, prevaricação por impedir a continuidade de operações ilegais sob sua gestão e coação no curso do processo “pelo uso de assédio moral e intimidação contra a ex-Corregedora e servidores, visando favorecer interesse próprio ou alheio nas investigações”.

OUTRO ENVOLVIDO – A PF também apontou que Luiz Fernando Nóbrega, chefe de gabinete de Luiz Fernando, teria cometido os mesmos crimes por auxiliar o diretor-geral nesses atos.

A PF descreve que Luiz Fernando adotou uma estratégia para intimidar os servidores da Abin e dificultar o repasse de informações às investigações.

De acordo com o relatório final, essas ações obstruíram o avanço da sindicância da Abin sobre o uso da ferramenta First Mile, que rastreava a localização de telefones e era usada na gestão Bolsonaro para monitorar adversários.

As apurações da sindicância só avançaram depois que foram encaminhadas à CGU (Controladoria-Geral da União). Segundo a PF, isso gerou ações de assédio moral de Luiz Fernando Corrêa contra a então corregedora.

Prossegue a PF: “A insatisfação com aqueles que colaborassem com a presente investigação era devidamente exposta pelo Diretor Geral da Abin tanto que defendeu em tom agressivo a intervenção na corregedoria”.

Essa intervenção foi concretizada com a nomeação de outra pessoa para a Corregedoria. De acordo com o relatório final, as ações de Luiz Fernando também dificultaram a colheita de provas pela PF, o que só foi possível com medidas ostensivas como a realização de busca e apreensão na agência.

“A Direção-Geral agiu para controlar as oitivas e garantir que os servidores não colaborassem com a apuração. A promessa de que a investigação seria ‘acomodada politicamente’ no STF e que tudo se resolveria numa sindicância interna funcionou como um salvo-conduto para o silêncio”, concluiu a Polícia Federal.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Era só o que faltava. O escândalo da Abin Paralela se transforma num escândalo muito maior, atingindo a Abin de Lula. “Que país é esse?”, perguntaria o ex-governador Francelino Pereira, e o cantor Renato Russo responderia: “É o pais da esculhambação!”. (C.N.)

PF conclui inquérito da “Abin Paralela” e indica Bolsonaro, Ramagem e Carlos

 Foto: Antonio Augusto/Arquivo/Ascom/TS

O ex-presidente Jair Bolsonaro17 de junho de 2025 | 09:04

PF conclui inquérito da “Abin Paralela” e indica Bolsonaro, Ramagem e Carlos

brasil

A Polícia Federal concluiu o inquérito que investiga o uso ilegal de ferramentas de monitoramento pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e encaminhou o relatório ao Supremo Tribunal Federal. De acordo com apuração da CNN, foram indiciados o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin, e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). O caso ficou conhecido como “Abin Paralela”. A informação é da CNN.

Politica Livre

Advogado diz que conversou com Cid sobre delação e envia diálogos ao STF

 Foto: Ton Molina/STF/Arquivo

Mauro Cid17 de junho de 2025 | 10:35

Advogado diz que conversou com Cid sobre delação e envia diálogos ao STF

brasil

O advogado Luiz Eduardo Kuntz, defensor de um dos réus da trama golpista, enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (17) fotos e áudios de conversas que ele diz ter mantido com o tenente-coronel Mauro Cid após o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) ter firmado acordo de delação premiada.

No diálogo, Cid supostamente conta detalhes de seus depoimentos à Polícia Federal, faz desabafos sobre a falta de apoio de seus antigos aliados.

“O mais foda é sentir que eu estou ferrando todo mundo”, diz uma das mensagens. “Fruto de uma perseguição que eu não tive maldade que iria acontecer”.

Advogado do réu Marcelo Câmara, Kuntz pediu ao STF a anulação da delação sob a justificativa de falta de voluntariedade do colaborador.

“Sem embargos, nas palavras de ‘desabafo’ do delator, conforme se depreende desta conversa o princípio da voluntariedade foi absolutamente arranhado, para não dizer que foi ferido de morte”, disse.

As mensagens foram trocadas por um perfil no Instagram que seria utilizado por Mauro Cid. A conta tinha o nome de sua esposa, não tinha fotos publicadas e era seguido por poucas pessoas. As conversas ocorreram de 29 de janeiro de 2024 a 13 de março de 2024.

“Eu fui bem claro lá… Pr (Jair Bolsonaro) não iria dar golpe nenhum… Ele estava mal”, escreveu Cid. “Ele queria encontrar uma fraude nas urnas… De forma oficial pelo partido. Muita gente estava tentando ajudar a encontrar uma fraude”.

Anteriormente, após divulgação de diálogos por esse perfil pela revista Veja, a defesa do militar havia negado que ele tivesse usado conta de sua esposa para se comunicar sobre o caso.

Nas conversas enviadas por Kuntz, o militar fez críticas ao ministro do STF Alexandre de Moraes e disse que o ministro já tinha pronta a ordem de prisão de Bolsonaro. “Não precisa de provas!!! Só de narrativas!!! E quando falam de provas…. metem os pés pelas mãos”, disse.

Ele afirmou ainda que os investigadores da Polícia Federal tentavam “sempre me conduzir a falar a palavra golpe”. “Tanto que tive o cuidado de não usar essa palavra”, completou.

Luiz Eduardo Kuntz disse ao Supremo que conhece Cid há tempos, com relação mais próxima pelas atividades equestres e pelo histórico militar. Ele anexou em sua petição um “relatório de diligências”, uma espécie de diário que explicava tudo de importante para o processo que havia acontecido naquele dia.

O advogado diz que decidiu guardar todas as conversas para possível uso na defesa do réu Marcelo Câmara. “Assumo os riscos de fazer ata notarial oportunamente para consolidar o material no presente Procedimento de Investigação Defensiva e auxiliar na defesa dos meus Constituintes, apenas caso algo de relevante seja trazido nestas conversas escritas”, conta.

Marcelo Câmara, defendido por Kuntz, é réu no Supremo por suposta participação na trama golpista. Ele é acusado de monitorar a localização do ministro Alexandre de Moraes, o principal alvo de grupos bolsonaristas e militares para viabilizar o golpe de Estado, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República).

A defesa de Câmara nega que ele tenha monitorado Moraes. Diz que o ex-assessor de Bolsonaro somente fazia pesquisas na internet sobre a agenda pública do ministro e os eventos dos quais participaria para saber a cidade em que se encontrava.

Kuntz fez perguntas para Cid específicas sobre o que havia dito sobre Câmara à Polícia Federal. “No seu acordo, vc tinha incluído deixar o Câmara de fora Tb ou ele não?”, perguntou.

“Pedi para o Dr Cezar verificar isso”, respondeu Cid. “Pq ele havia me dito que ele aceitou tudo”.

Em outro momento do diálogo, Mauro Cid pergunta ao advogado o que Marcelo Câmara havia falado sobre a acusação de monitoramento ilegal do ministro Alexandre de Moraes —citado na conversa com o codinome “professora”.

Kuntz nega que houve monitoramento paralelo ou uso de equipamentos sofisticados para saber a localização do ministro. Ele tentou ainda confirmar com Cid a informação de que o codinome “professora” não havia sido combinado entre os dois réus antes.

“Se puxar todas as conversas não vai ter isso”, perguntou Kuntz. Cid respondeu: “Nunca vai ter nada”.

As conversas de Cid pelo perfil no Instagram começaram a ser reveladas pela Revista Veja na última semana. Com base nas reportagens, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao STF na segunda-feira (16) a anulação do acordo de colaboração premiada do militar.

“Os fatos trazidos a público após os interrogatórios são graves, para dizer o mínimo e muito pouco. As conversas demonstram o descumprimento dos termos do acordo de delação premiada, já que expõem o fato de que o delator quebrou o sigilo imposto à sua delação, bem como mentiu na audiência na qual foi interrogado, o que é causa para a rescisão do acordo”, disse o advogado Celso Vilardi.

Vilardi perguntou a Mauro Cid, durante interrogatório na última semana, se o militar havia usado a conta @gabrielar702 para conversar com amigos sobre sua delação premiada. O tenente-coronel negou três vezes.

Cézar Feitoza/Folhapress

Promiscuidade entre Supremo e BTG compromete o novo evento “Gilmarpalooza“

Publicado em 17 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google)

Weslley Galzo
Estadão

A pouco menos de 20 dias para a edição deste ano do Fórum de Lisboa, evento organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, apelidado de “Gilmarpalooza”, seis ministros da mais alta Corte já foram anunciados como palestrantes, assim como três representantes do alto escalão do BTG Pactual, banco que é parte em processos no STF.

Em nota, a organização do evento disse que “a participação de executivos de empresas se dá exclusivamente na condição de palestrantes convidados para contribuir com discussões temáticas de interesse público e sem quaisquer contrapartidas”.

CURADORIA PLURAL – “A escolha dos nomes segue critérios de relevância acadêmica e técnica, definidos por uma curadoria plural e independente”, completou. O BTG afirmou que não é patrocinador do Fórum e é frequentemente convidado para este tipo de evento por ser referência em sua área (leia mais abaixo).

A organização do Fórum tem divulgado diariamente os nomes de peso da política, do Judiciário, da advocacia e do mundo dos negócios que viajarão a Lisboa para falar no evento. Dos 11 ministros do STF, devem estar presentes no Fórum o presidente Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Flávio Dino e o próprio Gilmar Mendes, é claro.

Dentre as empresas privadas, BTG, Eletrobras, Grupo Yduqs e Light, todos com processos em tramitação na Suprema Corte, tiveram representantes anunciados como palestrantes no Gilmarpalooza.

LAÇOS COM BTG – O banco enviará à capital portuguesa a sócia Bruna Marengoni, o diretor jurídico, Bruno Duque, e o chairman, André Esteves, que já foi preso a mando de ministro e teve o seu processo arquivado pelo STF por falta de provas.

A presença de executivos da cúpula do BTG mostra o estreitamento de laços entre a instituição financeira e o evento liderado por Gilmar Mendes sob a batuta do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição da qual Gilmar é sócio-fundador.

A Light, a Eletrobras e Yduqs serão representadas, respectivamente, pelo CEO, pelo o vice-presidente de regulação e relações institucionais e pela vice-presidente do grupo.

HAPPY HOUR – Na edição do ano passado, o BTG ofereceu um “happy hour” fora da agenda oficial do evento para autoridades do Judiciário e Legislativo no luxuoso restaurante SUD Lisboa. Como mostrou o Estadão na época, o coquetel foi disputado entre advogados e lobistas. O local foi pensado para que as autoridades e os empresários tivessem mais privacidade.

Em nota, o banco afirmou que, “como qualquer empresa referência em seu mercado de atuação“, é ”frequentemente convidado a participar de eventos diversos que abordam temas relevantes para o Brasil e o mundo”.

O BTG disse ainda que os assuntos abordados no Fórum “são parte da expertise de porta-vozes do Banco” e adicionou que não é patrocinador do evento, arcando com as despesas de seus executivos sem recebimento de cachê ou outros recursos.

TAMBÉM A LIGHT – A empresa de energia Light, outra instituição cujo CEO foi anunciado como palestrante do Gilmarpalooza, é parte em três recursos extraordinários que tramitam no STF. Uma dessas ações era relatada pelo ministro Luís Roberto Barroso e passou para a relatoria de André Mendonça — os dois ministros vão viajar a Lisboa para participar do Fórum. Procurada, a empresa não se manifestou.

No processo, a Light disputa contra a Concessionária da Rodovia Presidente Dutra e saiu vencedora nas votações em plenário realizadas até o momento. O caso segue em tramitação no STF com diversos embargos e, na votação mais recente em plenário virtual, Mendonça votou contra embargo da Concessionária da Rodovia Dutra, mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista de Gilmar Mendes.

Já a Eletrobras é corréu (litisconsorte passivo) em um processo movido pelo Estado de Alagoas contra a União por “ter deixado, há mais de 20 anos, de realizar a privatização” da Companhia Energética de Alagoas (CEAL), que é subsidiária da empresa de geração e transmissão de energia. A causa é estimada em R$ 1 milhão e tramita sob relatoria do ministro Cristiano Zanin.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Promiscuidade, teu nome é Supremo(C.N.)

O governo Lula diante do implacável espelho da opinião pública



Em destaque

'Eu não sei se o governo foi traído ou se eu fui traído', diz Wagner sobre derrota de Messias no Senado

  'Eu não sei se o governo foi traído ou se eu fui traído', diz Wagner sobre derrota de Messias no Senado Por  Política Livre 11/05/...

Mais visitadas