terça-feira, maio 13, 2025

Morre aos 89 Pepe Mujica, presidente do Uruguai que virou ícone da esquerda latino-americana

 Foto: Agência Brasil /Arquivo

José Pepe Mujica e o presidente Lula13 de maio de 2025 | 16:43

Morre aos 89 Pepe Mujica, presidente do Uruguai que virou ícone da esquerda latino-americana

mundo

“O que acontecerá no dia em que os indianos tiverem a mesma proporção de carros por família do que os alemães?”, perguntou o então presidente uruguaio José “Pepe” Mujica em discurso na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em junho de 2012.

Morto aos 89 anos nesta terça-feira (13), após meses de tratamento contra um câncer de esôfago, Mujica começou a se tornar uma figura política de alcance global justamente a partir dessa fala no Brasil. Numa época em que a pauta verde não tinha tantos defensores como hoje, chamou a atenção seu pedido à humanidade para não se deixar seduzir pelo consumo, por contaminar o ambiente e criar uma necessidade extra nas pessoas de terem “o carro mais novo, o celular mais novo, o rádio mais novo”.

O líder uruguaio, que governou de 2010 a 2015, tornava-se o primeiro da esquerdista “onda rosa” da América Latina a pôr a temática conservacionista entre as prioridades da agenda, algo raro entre seus pares. Nomes como o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o venezuelano Hugo Chávez só foram incorporando essa bandeira mais tarde, ainda de forma tímida.

José Alberto “Pepe” Mujica Cordano, que faria 90 anos no próximo dia 20, nunca deixou de cultivar seu estilo de vida simples, mesmo já com projeção internacional. Veio de uma família de pequenos proprietários agrícolas nos arredores de Montevidéu. Quando presidente, recusou-se a morar na bela residência oficial, o palacete Suárez y Reyes. Preferiu continuar em seu sítio, em Rincón del Cerro, onde gostava de cuidar da terra, dirigindo trator até o fim da vida. Nas vezes em que precisava ir à capital, usava seu indefectível Fusca azul, no qual Lula pegou uma carona durante visita em 2023.

Durante a Presidência, dava trabalho a seus seguranças por ignorar os protocolos. Era comum vê-lo saindo para passear sem escolta para comer churrasco ou tomar um sorvete com sua mulher, Lucía Topolansky, 80, em restaurantes baratos. Doava dois terços de seu salário a um projeto de moradias populares.

Sylvia Colombo, Folhapress

‘Grande amigo do Brasil’: governo Lula lamenta a morte de Pepe Mujica

 Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O ex-presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica13 de maio de 2025 | 18:45

‘Grande amigo do Brasil’: governo Lula lamenta a morte de Pepe Mujica

mundo

O governo Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte de José ‘Pepe’ Mujica, ex-presidente do Uruguai e ídolo da esquerda latino-americana, nesta terça-feira, 13.

“Grande amigo do Brasil, o ex-Presidente Mujica foi um entusiasta do MERCOSUL, da UNASUL e da CELAC, um dos principais artífices da integração da América do Sul e da América Latina e, sobretudo, um dos mais importantes humanistas de nossa época”, afirma o Itamaraty em nota, estacando o seu “compromisso com a construção de uma ordem internacional mais justa, democrática e solidária”

Mujica morreu aos 89 anos, após ter sido diagnosticado com um câncer de esôfago, que havia se espalhado. Com a idade avançada, ele não pode se submeter a tratamentos mais invasivos e se mostrou resignado com a morte em entrevista no começo do ano.

O Itamaraty relembrou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve com Pepe Mujica em seu sítio, nos arredores de Montevidéu, no fim do ano passado. Na ocasião, Lula presenteou o líder uruguaio com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração a cidadãos estrangeiros.

O ministério das Relações Exteriores afirma ainda que o legado de Mujica continuará “guiando todas e todos aqueles que genuinamente acreditam na integração de nossa região como caminho incontornável para o desenvolvimento e na nossa capacidade de construir um mundo melhor para as futuras gerações”.

Por fim, o governo brasileiro se solidarizou com os familiares de Pepe Mujica e com os uruguaios.

Leia a nota na íntegra

O governo brasileiro tomou conhecimento, com profundo pesar, do falecimento na data de hoje do ex-Presidente da República Oriental do Uruguai, José Alberto “Pepe” Mujica, aos 89 anos, em Montevidéu.

Grande amigo do Brasil, o ex-Presidente Mujica foi um entusiasta do MERCOSUL, da UNASUL e da CELAC, um dos principais artífices da integração da América do Sul e da América Latina e, sobretudo, um dos mais importantes humanistas de nossa época. Seu compromisso com a construção de uma ordem internacional mais justa, democrática e solidária constitui exemplo para todos e todas.

Em 5 de dezembro do ano passado, durante visita a Montevidéu, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva condecorou “Pepe” Mujica com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração oferecida pelo Brasil a cidadãos estrangeiros. Na ocasião, o Presidente da República referiu-se ao ex-Presidente Mujica como “a pessoa mais extraordinária” entre os presidentes com quem conviveu.

O legado de “Pepe” Mujica permanecerá, guiando todas e todos aqueles que genuinamente acreditam na integração de nossa região como caminho incontornável para o desenvolvimento e na nossa capacidade de construir um mundo melhor para as futuras gerações.

Neste momento de dor, o Governo brasileiro estende à viúva Lucía Topolansky e aos familiares do ex-Presidente, assim como ao governo e ao povo uruguaios, seus mais sentidos pêsames e expressões de solidariedade.

Estadão

Desembargador que liberou compra do Master gosta de saliências ao vivo


Mulher senta no colo de desembargador durante sessão do TJDFT

Durante sessão do tribunal houve cenas picantes ao vivo

Cleber Lourenço
Site ICL

O desembargador João Egmont Leôncio Lopes, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que liberou a compra do Banco Master pelo BRB, tem dois familiares ocupando cargos no Governo do Distrito Federal, controlador do BRB.

O filho do desembargador, João Egmont Leôncio Júnior, é chefe da Assessoria de Planejamento Estratégico da Secretaria de Estado de Governo do DF. A esposa, Aline de Pieri Leôncio Lopes, ocupa o cargo de chefe da Assessoria de Políticas Sociais da Vice-Governadoria do DF, comandada por Celina Leão (PP).

CARGOS EM COMISSÃO – Ambos estão nomeados em cargos comissionados no governo do DF, responsável pelo BRB, Banco Regional de Brasília, que pretende adquirir o Banco Master por R$ 2 bilhões.

A decisão do desembargador suspendeu liminar da 1ª Vara da Fazenda Pública e permite que o BRB assine o contrato, ainda condicionado à aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Não é a primeira vez que casal tem o nome envolvido em uma polêmica. Em 2021, durante transmissão de sessão virtual da 2ª Turma Cível do TJDFT, o desembargador foi filmado em um momento de descontração com a esposa, que chegou a sentar em seu colo antes de perceber que a câmara estava ligada.

TENEBROSA TRANSAÇÃO – A operação de compra do Banco Master segue em tramitação e tem sido alvo de críticas por parte de parlamentares e especialistas do setor financeiro.

Entre os pontos levantados estão a falta de transparência na condução do processo, a ausência de estudos públicos sobre os impactos da aquisição para o BRB e o possível sobrepreço na avaliação do Banco Master.

O histórico regulatório do Master, que já teve atuação questionada por órgãos de fiscalização, também é citado como motivo de preocupação. E a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou convite para ouvir os presidentes do BRB e do Master sobre os termos do negócio.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Pior do que as saliências carnais são os desvios morais, que incluem também o governador de Brasília. Como é ele quem manda no BRB, Ibaneis Rocha vive enrolando com nebulosas transações que faz no banco. Já fez várias negociações imobiliárias e preço vil e recentemente comprou uma fazenda do BRB, por 60% do valor estimado. Como nada lhe acontece, agora será candidato ao Senado. (C.N.)


Contratar técnico estrangeiros exibe nosso eterno complexo de vira-latas


Quem ganha e quem perde espaço na Seleção com a chegada de Ancelotti?

Formal e cheio de banca, Ancelotti vai estranhar o Brasil

Vicente Limongi Netto

Tolice atroz o técnico estrangeiro. Não encanta torcedores, atletas nem a bola. A CBF é rica, pode bancar. Técnico não entra em campo.  A seleção precisa é de jogadores que não brilhem apenas em clubes, mas sobretudo na seleção. Com técnica, amor, garra e personalidade. Atletas que cantem o Hino Nacional com fervor, a exemplo dos jogadores adversários.

As outras seleções não temem mais o time canarinho. E a caminhada para o hexa será penosa. Cruel verdade. A safra atual de atletas não é mais empolgante como antigamente. Paramos no tempo. Mas os adversários evoluíram. Quando o torcedor vibrava nos estádios, com clubes e seleções.

CRAQUES ETERNOS – Época de ouro, com craques verdadeiros e eternos, como Gerson, Pelé, Garrincha, Rivelino, Tostão, Zico, Nilton Santos, Zito, Edu, Brito, Clodoaldo, Jair da Rosa Pinto, Afonsinho, Romário, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno.

Assim com Ademir, Julinho, Didi, Zizinho, Carlos Alberto Torres, Rivaldo, Jairzinho, Djalma Santos, Manga, Djalminha, Tafarel, Falcão, Gilmar, Kaká, Bebeto, Leandro e tantos outros que a emoção que acelera, tomando conta do meu peito, impede de prosseguir. 

GRANDES VIAJANTES – Políticos e empresários respirando ares saudáveis e luxuosos do exterior. Virou moda. Ninguém é de ferro. Notáveis versões modernas de Marco Polo. A começar pelo chefe da nação, que adora viajar. Conhecer o mundo. Ampliar conhecimentos.

Nessa linha, a vigilante colunista Denise Rothenburg (Correio Braziliense – 13/03) revela os passos de muitos deles, fora do Brasil. Estados Unidos é o local preferido da maioria. Todos belos e misturados. Entabulando negócios, acertando passos políticos. 

Paulo Octávio, governador Ibaneis Rocha, João Dória, senadores Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre, governador Renato Casagrande, deputado Antônio Rueda, governador Ronaldo Caiado, anunciando retorno e o secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite. A vida é bela. Para os mesmos. 


Morre Pepe Mujica, um líder da verdadeira esquerda, que nem existe mais…

 

Morre Pepe Mujica, um líder da verdadeira esquerda, que nem existe mais…

Mujica Pop - Jornal O Globo

O editor da Tribuna e sua mulher, Jussara Martins, recebem Mujica na ABI

Carlos Newton

José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai, morreu nesta terça-feira (13), aos 89 anos, com falência geral, causada por câncer em vários órgãos. No final de semana sua esposa, Lucía Topolansky, ex-deputada, ex-senadora e ex-vice-presidente do Uruguai, anunciou que ele estava em situação terminal.

Pepe Mujica nasceu em 1935, em Montevidéu, onde morou ao longo de toda a vida. Começou na política no Partido Nacional, um dos mais tradicionais do Uruguai, onde foi secretário-geral da Juventude.

GUERRILHEIRO E PRESIDENTE – Fundador do principal grupo guerrilheiro do Uruguai, o Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros (MLN-T), que sua mulher também integrava, ficou preso mais de uma década, foi torturado pela ditadura e acabou chegando ao poder décadas depois.

Mujica se tornou um dos presidentes mais queridos internacionalmente e colocou o Uruguai, o segundo menor país da América do Sul, no foco internacional.

Morava numa modesta chácara próximo a Montevidéu e tinha uma vida simples, era um exemplo para os políticos de esquerda que se transformam e se assumem como refinados socialistas, como Lula da Silva. Mujica era o líder da verdadeira esquerda cristã, algo que percebo nem existir mais.

UM LÍDER SURPREENDENTE – Nesta terça-feira, ao noticiar a morte do grande líder uruguaio, comentou a CNN Brasil: “Das ofertas milionárias que recebeu e que nunca aceitou para vender seu famoso fusquinha azul claro, até o triste fato de ter tido que beber a própria urina para sobreviver na prisão, são diversos os episódios que tornam a história do falecido líder esquerdista tão surpreendente”.]

“Pepe” Mujica se revelou um grande político ao longo de sua vida política. Sem meias palavras, defendia os interesses dos mais humildes e criticava os líderes populares que se sofisticavam após assumir o poder.

Relembre a seguir algumas declarações de Mujica, publicadas pela Folha.

Esta velha é pior que o caolho”, sobre a então presidente argentina, Cristina Kirchner, e Néstor, seu marido e antecessor

Não vou dar bola nem atravessar o mundo para esclarecer nada”, quando descobriu estar ao vivo na live, ao ser questionado sobre a gafe com os argentinos

Quando deixamos a existência do aborto no mundo clandestino, quem deixamos em maior risco são as mulheres”, durante entrevista à Folha;

Nós não gostamos da maconha nem de nenhum vício. Mas pior que a maconha é o narcotráfico. O que está acontecendo é que, pela via repressiva, o narcotráfico está se matando de rir”, na mesma entrevista.

Os seres humanos têm pouca memória. Ao querer mudar, pode-se sempre mudar para pior”, sobre a eleição de Jair Bolsonaro

É hora de o crescimento econômico não ser o único parâmetro com que medimos a vida humana. É preciso começar a pensar em paradigmas que tenham a ver com a felicidade do homem”, em declaração em 2018.

Parte da esquerda não aprende as lições da história”, em outra entrevista.

Precisamos de uma causa para viver. Dar sentido à nossa vida”, durante entrevista em 2023

Alguns, como eu, transformamos nossa vida em uma vida militante, atrás da esperança de contribuir para criar um mundo um pouco melhor do que aquele em que nascemos”, na mesma entrevista.

A morte é talvez o que dá valor à vida. Tudo o que é vivo está condenado a morrer. Qual é a diferença que a vida tem das pedras? A vida pode sentir dor, alegria, tristeza, desejo. Parece que temos a função de emprestar uma inteligência ao mundo da vida”, em entrevista à Folha, em 2024

O que peço é que me deixem em paz. Que não me peçam mais entrevistas nem nada. Meu ciclo já terminou. Sinceramente, estou morrendo. E o guerreiro tem direito ao seu descanso”, na mesma entrevista.

P.S. 1 – Mujica era uma pessoa extraordinária. Se todos fossem como ele, que maravilha viver, diria Vinicius de Moraes. Foi um homem muito à frente de seu tempo, desta era de falsidades e supostas sofisticações. O Uruguai, que foi Brasil por algum tempo, soube se livrar de nós e apresentou ao mundo um líder da dimensão de Mujica. Enquanto nós fazíamos tudo errado e elegíamos Lula da Silva, um falso esquerdista, ignorante, vaidoso e desonesto, condenado por 10 juízes em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro.

P.S. 2 – Para os tribunários que têm curiosidade sobre o editor da Tribuna, eis aí uma foto que me honra, quando eu e minha mulher, a jornalista Jussara Martins, ajudamos Mujica a enfrentar o assédio da imprensa na ABI, em 2015. Eu era feliz e não sabia. (C.N.)

 


No dia 13 de maio, o tempo se dobra.

 No dia 13 de maio, o tempo se dobra. Não como comemoração de grilhões rompidos por mãos benevolentes, mas como celebração da luta que nunca cessou — a memória viva dos que vieram antes, homens e mulheres arrancados de sua terra, mas nunca de sua dignidade. A cada 13 de maio, reafirma-se que a liberdade não foi um presente, mas uma conquista lavrada em suor, sangue e espiritualidade. É data que nos convoca a honrar a ancestralidade negra e africana, com seus saberes imensos, sua cosmologia profunda, sua dança que é reza e resistência. E é neste chão fértil de memória que brota nossa voz, coletiva, insurgente, esperançosa.


Somos filhas e filhos da encruzilhada, do tambor, do silêncio imposto e da palavra redimida. Trazemos nos corpos o sopro da ancestralidade, nos gestos a firmeza de quem não se dobra. Somos a travessia feita carne, somos o resgate daquilo que nunca se perdeu. Cada passo é herança. Cada riso é um ato político. Cada gesto de amor é uma reexistência. A frase de Gilberto Gil pulsa em nossas veias como batida de atabaque: "a felicidade do negro é uma felicidade guerreira". E é por essa felicidade insurgente que continuamos caminhando — jamais resignados, mas em permanente levante.


Em nós habita a força dos quatro elementos, o mistério do universo e o brilho das estrelas não vistas. Somos filhos da Terra e do tempo, da Água e da lágrima, do Fogo e da palavra, do Ar e do sonho. Cada mulher negra que ensinou os passos da vida sem livros, cada homem negro que construiu com as mãos o mundo que o negava, cada criança que ousou brincar no meio do luto — todos são nossos mestres. Em seus olhos arde a centelha de um saber que desafia o academicismo, um saber que transcende, que cura, que ensina.


Nossa filosofia é prática e encantada. É griô, é terreiro, é igreja de portas abertas, é irmandade de santos católicos, é quilombo, é favela e sala de aula. Nossos corpos rezam em muitas línguas e se inclinam diante de muitos altares. Valorizamos as religiões de matriz africana e reconhecemos a sabedoria que brota dos sincretismos, das devoções populares, dos santos negros canonizados pelo povo, das ladainhas que embalam o sagrado em meio à dor. Reconhecemos também o cristianismo dos pobres e humildes, aquele vivido com fé e ternura por uma massa de negros, negras e pardos que, nos rincões e favelas, mantêm viva a chama de um catolicismo popular, de romarias, promessas e velas acesas. E dos evangélicos populares, que, mesmo nas margens, sustentam redes de cuidado e de acolhimento com capilaridade em todo o imenso Brasil.


Nos terreiros de umbanda, os pretos e pretas velhos nos lembram, com voz baixa e firme, que sabedoria é silêncio e paciência, é folha e oração. As casas de candomblé acolhem com seus rituais, seus cantos e suas lideranças generosas, moldando espaços de pertencimento, identidade e cura. É ali, nesses lugares muitas vezes perseguidos e incompreendidos, que floresce uma teologia do corpo, da dança, da comunhão com o mundo. Esses espaços são trincheiras e santuários. São escolas de mundo e de humanidade. E nos ensinam que o sagrado está em cada gesto de dignidade.


A música é nossa linguagem mais funda. Os cantos que entoamos no trabalho, no culto, no velório, na rua e na festa são mais do que arte — são força vital. Cantamos para suportar, para transformar a dor em coragem, o luto em memória, o cotidiano em rito, a fé em caminho. O canto é nossa travessia e nosso abrigo, é também promessa de futuro. Nas melodias que sobem dos terreiros, das igrejas, dos becos e das praças, está a alma de um povo que resiste dançando, que sofre cantando, que sonha em coro. Porque nossa alegria, como nossa dor, é coletiva.


Nosso saber é ancestral, comunitário, forjado na ausência de privilégios e na abundância de coragem. Não está nos palácios da razão, mas nas cozinhas, nos quintais, nos becos, nas rodas de conversa e de samba. Onde há dor, há também um projeto de futuro. Onde há injustiça, germina um gesto de cura. Onde há racismo, brota resistência. Somos as mãos que escrevem outra história. A história de um povo que nunca foi apenas vítima, mas sempre sujeito. Que nunca foi apenas apagado, mas sempre acendeu sua própria luz.


E assim seguimos — sem pedir licença, mas com a ternura de quem conhece o peso do mundo e ainda escolhe semear. Somos mulheres e homens, velhos e jovens, vivos e mortos. Somos o ontem que se levanta e o amanhã que se anuncia. Não aceitamos migalhas de reconhecimento: queremos o banquete da justiça plena. Porque não somos apenas parte. Somos o todo. Somos a possibilidade da vida em sua plenitude. Somos a esperança que não cansa. Somos a liberdade que canta. Somos a felicidade guerreira de um povo que nunca deixou de lutar.

Paulo Baía em 13 de maio de 2025 em Cabo Frio/RJ.

Fraude à Cota de Gênero: O Espelho de Andaraí e a Esperança da Justiça em Jeremoabo

.

Copie e cole o Link e veja a Sentença competa:

file:///C:/Users/jdmon/Downloads/Safari%20(2).pdf 


Nota da redação deste BlogFraude à Cota de Gênero: O Espelho de Andaraí e a Esperança da Justiça em Jeremoabo

A recente decisão da Justiça Eleitoral da 193ª Zona Eleitoral da Bahia, que julgou procedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o MDB de Andaraí por fraude à cota de gênero nas eleições proporcionais de 2024, repercute como um verdadeiro alerta às práticas eleitorais viciadas que, infelizmente, ainda persistem em diversos municípios brasileiros.

No caso de Andaraí, a sentença da juíza eleitoral GÉSSICA OLIVEIRA SANTOS revelou um esquema de simulação de candidatura feminina, com o claro objetivo de burlar a exigência legal de 30% de candidaturas de gênero, como preconiza a legislação eleitoral. A candidatura fictícia de Eliane Ribeiro Veneruci, usada apenas como fachada para dar aparência de legalidade à chapa, resultou em uma decisão contundente: cassação do DRAP do MDB, anulação de todos os votos do partido, cassação dos mandatos dos vereadores eleitos e suplentes, redistribuição das vagas e, ainda, a inelegibilidade da candidata laranja.

Esse episódio funciona como uma verdadeira fotografia jurídica — e um prenúncio — daquilo que também se investiga em Jeremoabo, onde tramita uma AIJE que apura indícios similares de fraude à cota de gênero nas eleições proporcionais de 2024. Se confirmadas as suspeitas, o município poderá viver um cenário muito semelhante ao de Andaraí, com impactos diretos na composição da Câmara Municipal e na representatividade legítima do voto popular.

A analogia é inevitável. Em ambos os casos, o cerne da questão é o mesmo: o desrespeito à participação efetiva das mulheres na política, tratadas como simples números para cumprimento formal da legislação. Essa prática não apenas fere os princípios da democracia, mas também atenta contra a lisura do processo eleitoral e o direito de escolha do eleitor.

Diante da decisão de Andaraí, resta-nos, em Jeremoabo, aguardar o julgamento da AIJE com confiança na Justiça Eleitoral, que tem demonstrado firmeza ao coibir fraudes e restaurar a verdade eleitoral. A expectativa é de que, se comprovadas as irregularidades, a Justiça adote medidas proporcionais, com a devida responsabilização dos envolvidos e a reparação institucional necessária.

A decisão de Andaraí representa mais que uma punição: é um recado claro de que a Justiça não se omite diante da tentativa de manipular o jogo democrático. E, por analogia, deixa claro que Jeremoabo poderá estar a poucos passos de um desfecho semelhante, caso se confirmem os indícios apurados.


Em destaque

Senado impõe sigilo sobre entradas de nomes ligados ao escândalo do Banco Master

Publicado em 10 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Ouvidoria do Senado é comandada por Ciro Nogueira Ra...

Mais visitadas