Publicado em 7 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Cazo (blogdoaftm.com.br)
Pedro do Coutto
Com a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência, o governo do presidente Lula da Silva se vê diante de dois desafios imediatos: evitar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar fraudes no INSS e viabilizar a devolução dos valores desviados de aposentados.
Para conter o desgaste político, o Palácio do Planalto aposta na articulação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. A prioridade do governo é impedir o avanço da CPI. A oposição, por sua vez, pode tentar acelerar a tramitação pressionando Motta a colocar o tema no topo da lista de comissões pendentes — atualmente, há 12 CPIs aguardando instalação, mas apenas cinco podem funcionar simultaneamente.
CPMI – Uma alternativa seria propor uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), mas isso dependeria do aval de Alcolumbre, aliado do Planalto e figura-chave para a contenção da crise.
Na esfera econômica, o segundo grande impasse diz respeito à origem dos recursos para a devolução dos valores fraudados. O Ministério da Fazenda resiste ao uso de recursos do Tesouro Nacional, enquanto a ala política defende a abertura de um crédito extraordinário — medida que elevaria a dívida pública e pode gerar reação negativa de investidores.
Uma possível solução discutida no Planalto é combinar o uso inicial de crédito extraordinário com a posterior recuperação de ativos bloqueados pela Polícia Federal de entidades e pessoas envolvidas nas irregularidades.
LINHA POLÍTICA – Apesar da gravidade do escândalo, Lula optou por manter a linha política ao nomear Wolney Queiroz, ex-secretário-executivo de Lupi, como novo ministro da Previdência. A escolha preserva o alinhamento com o PDT, mas não atende às expectativas de uma mudança técnica na condução da pasta. Queiroz, por sua proximidade com o ex-ministro, já está na mira da oposição, que deve insistir em sua convocação para prestar esclarecimentos no Congresso.
Ao promover um aliado direto de Lupi, o presidente perde a chance de sinalizar ruptura com a gestão anterior e se expõe ao risco de prolongar a crise. A pressão por uma CPI deve crescer, e o governo precisará de habilidade política para impedir que o escândalo se aproxime ainda mais do núcleo do Planalto.
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