domingo, dezembro 22, 2024

Uma resposta imaginária de Campos Neto para Gleisi Hoffmann e o PT

Publicado em 22 de dezembro de 2024 por Tribuna da Internet

Roberto Campos Neto está posicionado em um ambiente interno com iluminação suave. Ele usa um paletó escuro e uma camisa clara, olhando para frente com uma expressão séria. O fundo é desfocado, com luzes refletindo nas superfícies.

Teorias econômicas do PT surpreendem Campos Neto

Demétrio Magnoli
Folha

Prezada Gleisi Hoffmann,

Recebi sua carta com surpresa e alegria shorturl.at/YEAQ1). Escrevo-lhe, também em caráter privado, para externar uma esperança e uma confissão.

A esperança: que um dia, finalmente, o PT afaste-se do seu dogma econômico. Nunca duvidei de sua inteligência, nem na de Lula ou dos demais dirigentes petistas. Não sou político, mas imagino que seja muito difícil rever artigos de fé. Contudo, o Brasil precisa disso.

CONSERVADOR – Há tempos, o PT não é mais socialista – quanto mais comunista! De fato, talvez jamais tenha sido. Sou um conservador, mas reconheço no teu partido uma das mais relevantes correntes políticas nacionais. Já passa da hora de vocês atualizarem seu pensamento econômico, sem renunciar à alma de esquerda.

A esquerda, penso eu, não se distingue pela crença supersticiosa no poder mágico do gasto público, mas pelo combate à pobreza e às desigualdades. Por que flertar com a inflação, um imposto oculto que vandaliza a economia popular?

Galípolo no comando do BC talvez deflagre reflexões urgentes sobre as leis da economia, o sistema de metas de inflação e a necessidade de coordenação entre as políticas fiscal e monetária. Sonho, quem sabe, mas aguardo o dia em que a tua carta possa tornar-se um documento público. A militância irredutível espernearia, mas a revisão histórica impulsionaria o PT a voar na etapa pós-Lula.

SINCERIDADE – Você aventurou-se pela sinceridade. Sigo teu exemplo. Confissão: errei bastante. Não nas decisões sobre política monetária nem nas declarações sobre política fiscal. Meu equívoco foi misturar as bolas: na condição de presidente do BC, não tinha o direito de agir como garoto-propaganda do bolsonarismo.

Falo de direito no sentido amplo, “filosófico”. Todo cidadão pode expressar suas preferências políticas. Contudo, quando fui votar de camiseta amarela (e, ainda, em outras ocasiões) violei uma regra não escrita sobre o lugar do BC na arquitetura institucional do Brasil.

O BC autônomo não tem partido – e, portanto, seu presidente fica eticamente proibido de fazer política durante seu mandato.

CONSPIRAÇÃO – É pior. O presidente que apoiei consagrou seu tempo no Planalto a conspirar contra a democracia. Evitarei a desculpa (maltrapilha) do teu apoio à ditadura de Maduro: um gesto vergonhoso não redime o outro. Supostamente, liberais abominam tiranias, pois têm a convicção de que as liberdades econômica e política são indivisíveis.

Na prática, a regra comportou clamorosas exceções: Milton Friedman e Pinochet, meu avô e Castelo/Geisel, entre outras. Acreditamos mesmo, eu e você, no princípio do governo democrático?

Tua carta trouxe-me à mente a palavra “destino”. Você, que conta com a confiança de Lula, desperdiçou a oportunidade de alinhar o PT ao conceito de equilíbrio fiscal defendido por Haddad – apenas para garantir o aplauso da esquerda passadista.

AUTOSSABOTAGEM – Eu, que frustrei Bolsonaro cumprindo o dever de elevar a Selic em 2022, desperdicei a chance de ficar afastado da política bolsonarista – apenas para ganhar o aplauso da direita autoritária. Autossabotagem –será esse nosso destino compartilhado?

Segundo Marx (ôps, cito Marx, não Mises!), fazemos nosso destino, em circunstâncias que não controlamos. Que tal, no ano novo, sabotarmos a autossabotagem?

Atenciosamente,

Roberto Campos Neto, já ex-BC.

Denúncia: Material Radiológico Exposto no Hospital Geral de Jeremoabo

 



Denúncia: Material Radiológico Exposto no Hospital Geral de Jeremoabo

Em uma situação alarmante e de extrema gravidade, fotos recentemente recebidas revelam que aparelhos e materiais radiológicos estão sendo armazenados de forma inadequada, a céu aberto, no pátio do Hospital Geral de Jeremoabo. Este descaso representa um risco imensurável à saúde dos profissionais de saúde, dos pacientes que procuram atendimento e até mesmo dos animais que possam transitar pelo local.

A exposição a materiais radiológicos sem os devidos cuidados pode provocar efeitos carcinogênicos, teratogênicos e hereditários. O dano genético induzido pela radiação em células somáticas pode levar à transformação maligna, aumentando o risco de câncer. Quando a exposição ocorre no útero, os efeitos teratogênicos podem comprometer o desenvolvimento do feto, causando malformações congênitas. Além disso, a radiação pode danificar células germinativas, levantando a possibilidade de defeitos genéticos transmissíveis às futuras gerações.

Embora seja fácil culpar diretamente o prefeito Deri do Paloma por essa irresponsabilidade, é importante ressaltar que ele também é vítima de sua própria falta de preparo e da incompetência de seus auxiliares. A responsabilidade direta pela gestão da saúde recai sobre a Secretária de Saúde e o administrador do hospital, nomeados pelo próprio gestor municipal. Contudo, isso não exime o prefeito de sua responsabilidade geral pela administração pública.

A situação também expõe a omissão dos vereadores de Jeremoabo, que têm o dever constitucional de fiscalizar as ações do Executivo. Esses representantes foram eleitos e são pagos com recursos públicos para identificar e levar à justiça qualquer ilegalidade praticada pelo prefeito ou seus auxiliares. A pergunta que fica é: por onde andam os vereadores que não levaram esse ato criminoso ao conhecimento do Ministério Público?

A negligência também se estende à Vigilância Sanitária, que deveria atuar prontamente para impedir situações como essa, protegendo a saúde da população e dos profissionais do hospital.

Portanto, a responsabilidade por este grave episódio é compartilhada. Não é apenas do prefeito, mas também dos vereadores, da Vigilância Sanitária e de todos os órgãos e pessoas encarregados de fiscalizar e garantir a segurança da população. Este ato nefasto não pode ser ignorado. É urgente que o Ministério Público e as autoridades competentes intervenham para apurar responsabilidades e corrigir essa situação, evitando que mais vidas sejam colocadas em risco.




Lula deve vetar indulto de Natal a condenados por abuso de autoridade

 Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo

O presidente Lula (PT)22 de dezembro de 2024 | 09:00

Lula deve vetar indulto de Natal a condenados por abuso de autoridade

brasil

O presidente Lula (PT) vai vetar o perdão a condenados por abuso de autoridade, segundo o decreto do indulto de Natal deste ano. O texto, obtido pela reportagem, está sendo finalizado pela Casa Civil. A expectativa é de que o decreto seja publicado no Diário Oficial da União até terça-feira (24), véspera de Natal.

Segundo o documento, o presidente deve perdoar gestantes de alto risco e portadores de HIV em estágio terminal, desde que haja comprovação médica. A medida inédita foi antecipada pelo jornal O Globo.

Assim como em 2023, o perdão também será concedido a pessoas com doenças graves, crônicas ou altamente contagiosas, além de condenados com transtorno do espectro autista severo ou outras condições neurodiversas.

O texto deste ano também repete o veto a pessoas condenadas por crimes contra o Estado Democrático de Direito, em resposta ao ataque golpista de 8 de janeiro contra a sede dos três Poderes. A previsão foi incluída por Lula pela primeira vez no indulto de 2023.

Também ficam de fora pessoas que tenham praticado os crimes de peculato e corrupção passiva contra a administração pública, desde que condenadas a mais de quatro anos de pena.

Assim como em anos anteriores, o indulto exclui ainda condenados por crimes hediondos (como homicídio qualificado e estupro), tortura, tráfico de drogas, violência contra a mulher, integrantes de facções criminosas e detentos que estão em regime disciplinar diferenciado.

Prerrogativa do presidente da República, o indulto de Natal implica no perdão da pena. O benefício se tornou tradicional ao longo da história e foi declarado constitucional em 2019 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), a partir das regras escolhidas pelo presidente.

Renato Machado/Thaísa Oliveira//Folhapresspoliticalivre

Lula chega à metade de seu 3º mandato sem marca clara de governo

 

Lula chega à metade de seu 3º mandato sem marca clara de governo

Por Mariana Holanda e Renato Machado | Folhapress

Lula chega à metade de seu 3º mandato sem marca clara de governo
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

O presidente Lula (PT) chega à metade de seu terceiro governo ainda sem uma marca clara, diferentemente do que ocorreu nos mandatos anteriores, com programas como o Bolsa Família, o PAC (Programa de Aceleração e Crescimento) e o Prouni (Programa Universidade para Todos).
 

Aliados e até ministros da atual gestão admitem nos bastidores que, das políticas públicas lançadas ou retomadas, ainda não há nenhuma que tenha se tornado a cara do governo.
 

Diante desse cenário, alguns fecham os olhos para eventuais problemas concretos nas medidas e recorrem ao discurso de culpar a comunicação.
 

A área vem sendo o principal foco de críticas internas nesses dois primeiros anos. Lula inclusive indica começar uma reforma ministerial com a troca do atual ministro da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), Paulo Pimenta.
 

Outros mencionam uma dificuldade mais estrutural do governo, citando em particular que as ações são pulverizadas nos 38 ministérios. Além da dificuldade de apontar uma verdadeira prioridade na prateleira de medidas, os recursos são escassos e não alcançam todas as propostas.
 

Auxiliares de Lula admitem que há também falha nas próprias ações e ideias propostas pelo governo.
 

O Voa Brasil, por exemplo, prometia tornar viagens de avião mais acessíveis a parte da população, mas não chegou nem perto do desempenho projetado inicialmente. O público-alvo foi tão restrito —só podem comprar as passagens de até R$ 200 aposentados do INSS que não tenham viajado nos últimos 12 meses— que a medida acabou sendo escanteada no rol de principais projetos do governo.
 

A promessa de elevar a isenção do Imposto de Renda a R$ 5.000 também é um exemplo. Ainda não saiu do papel e, mesmo assim, foi misturada pelo governo em novembro no anúncio do pacote de ajuste fiscal. Foi uma tentativa de amenizar possíveis efeitos negativos na popularidade, mas que só causou turbulência na economia.
 

Também na prateleira de propostas que foram anunciadas, mas tiveram dificuldade na execução ou nem sequer saíram do papel, está o leilão de arroz para baixar o preço do alimento. A iniciativa acabou anulada em junho após indícios de irregularidades e forte reação dos produtores nacionais.
 

No início do ano, o governo também apresentou a regulamentação de motoristas de aplicativo. O projeto de lei prevê a criação de uma nova categoria profissional e dá mais direitos trabalhistas, como remuneração mínima. Mas os motoristas se queixaram da medida, protocolada no Congresso mesmo diante dos alertas de integrantes do governo de que haveria repercussão negativa.
 

Auxiliares no Planalto dizem apostar em uma virada nos dois últimos anos da gestão. O próprio presidente disse, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, no ultimo domingo (15), que o próximo ano será de "colheita".
 

"Fizemos o PAC, lançamos todos os programas que tinham que ser lançados. E tenho dito, nós já plantamos. Agora, 2025 é o ano da colheita. Compromisso de honra meu, as coisas vão acontecer."
 

As mais recentes pesquisas de opinião apontam um quadro de estabilidade na aprovação do governo, mas com trajetória negativa.
 

O mais recente levantamento do Datafolha, divulgado na terça-feira (17), mostrou que 35% dos entrevistados consideram o governo como ótimo ou bom, mas a avaliação negativa é, numericamente, a mais elevada neste mandato.
 

O governo Lula 3 teve início em janeiro de 2023 com o foco na reconstrução de políticas públicas, que haviam sido descontinuadas pelos antecessores. Essa dinâmica foi expressa no slogan "Brasil: união e reconstrução".
 

Foram relançados programas de grande destaque nos governos petistas anteriores (2003-2016), como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
 

A primeira grande aposta veio com o lançamento do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em agosto de 2023, num evento com pompa no Theatro Municipal do Rio. A estimativa é de R$ 1,8 trilhão em investimentos até 2030. Pesquisa Quaest divulgada na semana passada, no entanto, apontou que 48% da população não conhece o programa.
 

Mesmo dentro do governo há a crítica de que "tudo é Novo PAC". A Casa Civil, sob o comando de Rui Costa (PT), adotou o formato de um grande guarda-chuva, em que o programa abarca desde investimentos da Petrobras até obras de infraestrutura dos ministérios e programas sociais.
 

O PAC original, argumentam aliados, era mais focado, tinha obras impactantes e mais identificadas com cada região. Há ainda queixas de que, na ponta, parlamentares e políticos locais se apropriam das obras, sem dar créditos ao governo federal. Além disso, empreendimentos maiores levam tempo para serem inaugurados.
 

Outras iniciativas do governo também passam ao largo do conhecimento pela população, como o programa Acredita (crédito com taxas de juros diferenciadas para pequenos empreendedores) —desconhecido por 60%, segundo a Quaest.
 

Integrantes do primeiro e segundo escalão, quando questionados sobre qual pode ser a "cara" do governo Lula 3, indicam como uma das apostas o programa Pé-de-Meia (de incentivo à permanência de alunos no ensino médio), do Ministério da Educação, comandado por Camilo Santana (PT).
 

Como se trata de transferência de renda por meio de bolsas, o efeito é mais imediato. Além disso, dizem já haver uma identificação na sociedade de políticas de educação com os governos Lula, no geral. Na pesquisa Quaest, a medida é conhecida e aprovada por 69% dos entrevistados.
 

O programa é frequentemente citado pelo presidente em seus discursos. Além disso, como a Folha de S.paulo mostrou, ele tem sido relançado diversas vezes.
 

Procurada, a Casa Civil não respondeu sobre por que não há uma marca do governo após dois anos de gestão. Sobre o PAC, a pasta disse que foi criada em setembro uma secretaria especial para centralizar as ações do programa.
 

A Secom não respondeu aos questionamentos.
 

*
 

PROGRAMAS DO GOVERNO LULA
 

Bolsa Família
 

Repasse total em 2024: R$ 168 bilhões
 

Número de famílias contempladas: 20,8 milhões
 


 

Pé-de-meia
 

Investimento anual: R$ 8 bilhões
 

Beneficiários: 3,9 milhões de estudantes
 


 

Alimentação Escolar
 

Investimento anual: R$ 5,5 bilhões
 

Beneficiários: 40 milhões de estudantes
 


 

Compromisso Nacional Criança Alfabetizada
 

Investimento anual: R$ R$ 1,2 bilhão
 

Articuladores do compromisso bolsistas: 2 mil
 


 

Escola em Tempo Integral
 

Investimento anual: R$ 4 bilhões
 

Novas matrículas criada: 965 mil (2023-2024)
 


 

Minha Casa Minha Vida
 

Investimento anual: R$ 12,2 bilhões (do orçamento geral da União) e R$ 128 bilhões (recursos do FGTS)
 

Moradias entregues: 41,7 mil unidades habitacionais entregues (modalidades urbana e rural) e 49 mil unidades com obras retomadas
 


 

Novo PAC
 

Previsão de investimento de R$ 1,3 trilhão até 2026
 


 

Mais Médicos
 

Investimento em 2024: R$ 5,5 bilhões
 

Potencial para atender 68,1 milhões de pessoas
 


 

Farmácia Popular
 

Investimento em 2024: R$ 3,3 bilhões
 

Beneficiários: 24 milhões
 

 

Receita Federal alerta para golpes prometem ‘desconto’ em impostos

  em 22 dez, 2024 7:40

(Foto: Freepik)

A Receita Federal emitiu um alerta para que os contribuintes brasileiros acerca de golpes que prometem descontos em impostos. Segundo o órgão, é importante que a população fique atenta às falsas promessas que são divulgadas nas redes sociais, sob a justificativa de que determinada engenharia contábil traria economia para o contribuinte.

O órgão informou que a compensação de tributos e contribuições federais segue uma legislação estrita, razão pela qual todos os procedimentos para dar entrada a um pedido de restituição ou apresentar uma declaração de compensação devem ser respeitados, sob pena de indeferimento. A legislação brasileira não permite a compensação tributária com créditos de terceiros, para quitação de débitos em cobrança administrativa na Receita Federal. Nesses casos, existem multas por infração à legislação, cuja alíquota inicial é de 75%.

Outra fraude amplamente divulgada é a utilização de títulos da dívida pública brasileira prescritos, que não são aptos ao pagamento da dívida fiscal, muito menos à compensação tributária. Em trabalho conjunto, Receita Federal, Secretaria do Tesouro Nacional, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Ministério Público da União desenvolveram cartilha que alerta os contribuintes sobre o perigo de caírem em armadilhas com fraudes tributárias. A cartilha pode ser acessada aqui .

A Administração Tributária Federal tem o compromisso de buscar a conformidade dos tributos federais, trazendo mais justiça fiscal para a sociedade e procurando combater os ilícitos tributários.

“Fiquem atentos com promessas de “recuperação de tributos”, “compensação de débitos com créditos de terceiros”, “avaliação de ativos tributários”, “redução de lucro fiscal por benefícios fiscais” e outras soluções suspeitas. Desconfie! Caso receba alguma proposta desse tipo, você poderá denunciar. No nosso canal da ouvidoria você encontra a forma de fazer a denúncia”.

Com informações da Agência Gov e da Receita Federal

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Gilmar Mendes diz que STF não cumprirá a lei ao julgar golpistas

Publicado em 22 de dezembro de 2024 por Tribuna da Internet

Gilmar Mendes afasta principal tese de Bolsonaro no inquérito do golpe |  Metrópoles

Na concepção de Gilmar, o golpe de estado foi concretizado

Paulo Cappelli, Manoela Alcântara e Augusto Tenório
Metrópoles

Ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes refutou a principal tese usada por Bolsonaro para se defender no chamado “inquérito do golpe”. Em entrevista à coluna, o magistrado sustentou que o planejamento de um golpe de Estado configura crime, mesmo que os envolvidos não tenham pegado em armas para tentar viabilizá-lo.

“Há a ideia de que, em princípio, atos preparatórios nada têm a ver com a eventual prática de crime. Só que, nesses casos de crimes contra o Estado de Direito e crimes contra a própria democracia, normalmente nós falamos de atos preparatórios que já são criminalizados. Até porque se o crime é bem-sucedido, ele se complementa. Na verdade, nós não vamos ter mais o Estado de Direito. Aquela situação que era ilícita passa a ser lícita. Nós vamos ter uma nova ordem. Então é preciso entender isso nesse contexto”, afirmou Gilmar Mendes.

DIZ GILMAR – “E as coisas foram muito além de atos puramente preparatórios, como se fossem atos cerebrinos. A gente pode pensar assim: ‘Poxa, que vontade de dar um tiro em alguém’. Fiquei no livre pensar. Mas não era disso que se tratava”, prosseguiu o ministro.

“Quando há dinheiro entregue para kids pretos, se isto ocorreu de fato; se pessoas foram monitoradas para eventualmente serem presas ou eliminadas; [se houve] documentos e atos. As pessoas estavam nos prédios acompanhando. Nós temos bastante concretude nessas medidas. ‘Ah, por que não realizou?’ Porque desistiu ou porque foram aconselhados”, disse o ministro, citando as investigações da Polícia Federal (PF):

Tudo isso é extremamente grave e será devidamente examinado”,

PLANEJAR ASSASSINATOS – “O relatório tem mais de 800 páginas. Nós vemos atos muito mais concretos. Quando se trata, por exemplo, de falar do assassinato do presidente da República eleito, do vice-presidente eleito, do assassinato de um ministro do Supremo. São coisas de extrema gravidade. E não eram pessoas que estavam lá no Acre fazendo um exercício lítero-poético-recreativo. Eram pessoas que estavam com dinheiro, estavam com carros, estavam se deslocando, monitorando essas pessoas”.

“A investigação é bastante consistente. Acha documentos impressos em impressoras do Palácio do Planalto, comunicações entre essas pessoas, envolvimento dessas pessoas. E todos tinham cargos públicos. Então tudo isso é bastante sério”, continuou.

TESE DA DEFESA – Após a operação da Polícia Federal que antecedeu o indiciamento do ex-presidente, em 19 de novembro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) argumentou:

“Por mais que seja repugnante pensar em matar alguém, isso não é crime. E, para haver uma tentativa, é preciso que sua execução seja interrompida por alguma situação alheia à vontade dos agentes. O que não parece ter ocorrido”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Ao contratar advogados, Braga Netto, Bolsonaro e os demais envolvidos estão jogando dinheiro fora. O caminho da condenação já foi traçado, passando por cima da lei e da jurisprudência. Da mesma forma com que o Supremo simplesmente acabou com a tese universal de presunção da inocência, para cassar o mandato do deputado Deltan Dallagnol, agora os ministros se preparam para sepultar a consagrada doutrina de que planejar não significa tentar. É realmente espantoso e repulsivo. Sobral Pinto com certeza vomitaria e depois recorreria à Lei de Proteção aos Animais. (C.N.)

Bolsonaro aposta em Toffoli, Nunes e Mendonça para poder disputar 2026


Era só o que faltava”, diz Bolsonaro após diretor da PF responder sobre imunidade

Bolsonaro já tem dois votos e precisa arranjar mais dois

Paulo Cappelli e Augusto Tenório
Metrópoles

Jair Bolsonaro acredita que mudanças na composição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em agosto de 2026, meses antes da disputa ao Planalto, contribuirão para que a Corte atenda a seu pedido e reverta a inelegibilidade a que foi condenado. Em entrevista à coluna, o deputado federal Eduardo Bolsonaro destacou que Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do TSE e que André Mendonça também estará no colegiado.

Cármen Lúcia, por sua vez, dará lugar a Dias Toffoli, visto por Eduardo como “mais equilibrado” que a antecessora.

NOVA CONFIGURAÇÃO – “Reverter a inelegibilidade amanhã ou próximo à eleição não mudará o sentimento do brasileiro. A nova configuração do TSE para 2026 não vai nos privilegiar, mas vai ser muito mais equilibrada do que com Alexandre de Moraes”, opinou Eduardo Bolsonaro.

“Não vai ter só gente que Bolsonaro indicou. Terá o ministro Toffoli, que muitas vezes é mais equilibrado que Cármen Lúcia. Muito menos ideológico. Dos três ministros do STF no TSE, teremos Kassio Nunes, Dias Toffoli e André Mendonça”, completou Eduardo Bolsonaro.

Perguntado sobre qual o instrumento jurídico a ser utilizado para reabrir a discussão sobre a inelegibilidade de Bolsonaro, que já teve recursos negados pelo TSE, o parlamentar citou a possibilidade de apresentar à Justiça fatos novos e ações rescisórias. “Sempre há como [ingressar com pleitos judiciais]. Lula estava preso e inelegível. Aqui é Brasil”, comentou o congressista.

ESTÁ INELEGÍVEL – O ex-presidente foi condenado à inelegibilidade por decisão do TSE em junho de 2023. A Corte Eleitoral entendeu que ele cometeu abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao realizar uma reunião no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros, em 18 de junho de 2022.

A ministra Cármen Lúcia apresentou o voto que formou a maioria pela inelegibilidade, considerando que o evento teve caráter eleitoreiro.

Na ocasião, a Corte era presidida pelo ministro Alexandre de Moraes. Atualmente, o tribunal é presidido por Cármen Lúcia, que será sucedida por Kassio Nunes Marques em agosto de 2026, meses antes da eleição Presidencial de outubro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Bolsonaro realmente tem chance de revertera situação. O Tribunal Superior Eleitoral é formado por sete juízes: três do Supremo, dois do Superior Tribunal de Justiça e dois juristas da classe dos advogados. Bolsonaro já tem dois votos e precisa de mais dois. Um deles pode ser de Toffoli, caso Lula peça que ele absolva Bolsonaro. O interesse de Lula é enfrentar de novo o ex-presidente, por considerá-lo mais fraco do que outros candidatos, especialmente Tarcísio de Freitas. (C.N.)

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