sexta-feira, dezembro 20, 2024

Cinco anos de Faroeste: Seis dos oitos desembargadores investigados foram aposentados pelo TJ-BA

 

Cinco anos de Faroeste: Seis dos oitos desembargadores investigados foram aposentados pelo TJ-BA
Foto: TJ-BA

Indícios da formação de uma organização criminosa no seio do Poder Judiciário baiano, envolvendo esquema de venda de sentenças ligadas a terras no oeste do estado e outros crimes com a participação de desembargadores, juízes, advogados e servidores. Com base nessas suspeitas, a Polícia Federal (PF) deflagrou em novembro de 2019 a tão conhecida Operação Faroeste

 

Naquela época, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 15 pessoas e apontou para a existência do esquema criminoso desde 2013, tendo como principal operador o quase cônsul da Guiné-Bissau, Adailton Maturino

 

A organização criminosa, conforme denúncia do MPF, atuava por meio de três núcleos: 

  • Econômico – formado por produtores rurais dispostos a pagar por ordens judiciais que os permitissem legitimar a posse e a propriedade de imóveis onde exerciam as suas atividades;

  • Jurídico – caracterizado pela atuação de desembargadores e juízes que pronunciavam as decisões negociadas pelos operadores do esquema enquanto os servidores do TJ-BA auxiliavam na elaboração de minutas e petições;

  • Causídico – composto por advogados que intermediavam as negociações entre membros dos núcleos jurídico e econômico, formalizavam os acordos e adotavam as providências judiciais e extrajudiciais necessárias para garantir as vantagens obtidas com as decisões judiciais negociadas.

 

Durante as investigações foram verificadas trocas de ligações em datas próximas a atos processuais, contatos variados com advogados ligados a outros integrantes da organização criminosa, dados bancários e movimentações financeiras com cifras milionárias, em espécie e sem a indicação da origem.

 

processo originário de todo esse esquema está ligado a José Valter Dias, que saiu da condição de borracheiro para o maior latifundiário da região oeste da Bahia a partir de plano executado por Adailton Maturino, como aponta o MPF. Por meio da atuação ilícita, destacada na denúncia, o “borracheiro” passou a ser dono de cerca de 366 mil hectares de terras na cidade de Formosa do Rio Preto e a movimentar cifras que, àquela época, superavam R$ 1 bilhão.

 

Para viabilizar a atividade criminosa, o Ministério Público Federal confirmou que Maturino constituiu uma empresa de fachada, cujo capital social declarado era de R$ 580 milhões.

 

Na lista dos denunciados pelo MPF em 2019 estão os desembargadores Maria da Graça Osório Pimentel, José Olegário Monção Caldas, Maria do Socorro Barreto Santiago (ex-presidente do TJ-BA) e Gesivaldo Nascimento Britto, presidente do tribunal baiano na época da deflagração da Faroeste. 

 

A lista ainda trazia os juízes Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, Marivalda Almeida Moutinho e Márcio Reinaldo Miranda Braga. Além dos operadores e beneficiados: Antônio Roque do Nascimento Neves (ex-secretário do TJ-BA), Júlio César Cavalcanti Ferreira (advogado), Karla Janayna Leal Vieira (sobrinha da desembargadora Maria da Graça Osório), Adailton Maturino dos Santos, Geciane Souza Maturino dos Santos (esposa de Adailton), Márcio Duarte Miranda (advogado, genro da desembargadora Maria do Socorro), José Valter Dias (o “borracheiro”) e Joílson Gonçalves Dias (filho de José Valter). 

 

Ao longo dos anos, outros quatro desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia também foram denunciados por envolvimento no esquema: Cassinelza da Costa Santos Lopes, Lígia Maria Ramos Cunha Lima, Ilona Márcia Reis e Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo. 

 

Agora, cinco anos depois, qual a situação dos acusados? Nenhum deles foi condenado criminalmente, recebendo apenas sanções disciplinares. A ação penal 940, entre inúmeros recursos, segue tramitando no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a relatoria do ministro Og Fernandes.

 

Enquanto a ação penal não é concluída no STJ, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o próprio TJ-BA e até o tempo foram responsáveis por estabelecer a aposentadoria de seis dos oito desembargadores suspeitos de envolvimento nas atividades criminosas. 

 


Desembargadores investigados na operação, aposentados. Fotos: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias, Nei Pinto, TJ-BA e Divulgação

 

O ex-presidente do Tribunal de Justiça, Gesivaldo Nascimento Britto foi aposentado compulsoriamente por idade em outubro de 2021, por completar 75 anos. No ano seguinte, em março de 2022, o desembargador José Olegário Monção Caldas também foi aposentado compulsoriamente por ter atingido a idade limite para ocupar o cargo. 

 

Pelo mesmo motivo, a desembargadora Maria da Graça Osório Pimentel deixou a Corte em maio de 2023. Mais recentemente, em julho deste ano, a desembargadora Ilona Márcia Reis também foi aposentada compulsoriamente pela idade

 

Já as aposentadorias compulsórias das desembargadoras Lígia Maria Ramos Cunha Lima e Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo foram estabelecidas pelo CNJ. Na sessão do dia 19 de novembro, o Conselho aplicou a penalidade máxima prevista na Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN) a Lígia Maria devido à acusação da sua interferência nas investigações da Faroeste. O decreto que oficializou a aposentadoria foi publicado pelo TJ-BA no dia 13 de dezembro

 

Agora no mês de dezembro, na sessão do dia 10, o CNJ constatou um esquema de “rachadinha” no gabinete da desembargadora Sandra Inês e aplicou a aposentadoria compulsória. No âmbito da Operação Faroeste, ela é acusada de ter recebido propina de R$ 250 mil, para dar parecer favorável a uma empresa em um processo judicial. A magistrada chegou a firmar acordo de delação premiada com o MPF, porém o termo foi anulado pelo ministro Og Fernandes em novembro

 

Sandra Inês ainda é alvo de uma nova denúncia aceita pelo STJ, em desdobramento da força-tarefa. Junto com ela também foram denunciados o seu filho, Vasco Rusciolelli; o produtor rural Nelson José Vigolo, dono da Bom Jesus Agropecuária Ltda; e os advogados Júlio César Cavalcanti e Vanderlei Chilante. 

 

AFASTAMENTOS
No caso da ex-presidente Maria do Socorro Barreto Santiago, o afastamento dos corredores do TJ-BA completa cinco anos. Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu uma nova denúncia do MPF contra a magistrada, ainda envolvendo questões da Faroeste e, por conta disso, o afastamento cautelar da função foi mantido.

 

Ela recorreu da decisão da Corte Especial do STJ junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), em uma nova tentativa de voltar ao cargo no tribunal, mas teve o pedido negado pelo ministro Edson Fachin

 

Quanto à desembargadora Cassinelza da Costa Santos Lopes o afastamento foi decretado pelo CNJ em novembro do ano passado. Ela responde a um processo administrativo disciplinar (PAD), diante de indícios de um possível conluio com o promotor de Justiça Alex Moura e os autores da ação referente a usucapião de uma fazenda em São Desidério, no oeste da Bahia.

 

A decisão da então juíza Cassinelza, proclamada em tempo recorde, foi favorável à família Horita, investigada pela Faroeste. Naquele ano ela foi designada para atuar na comarca pelo então presidente do TJ-BA, desembargador Gesivaldo Nascimento Britto, também investigado na operação.

 


Desembargadoras Maria do Socorro (à esquerda) e Cassinelza (à direita). Fotos: TJ-BA

 

SITUAÇÃO DOS JUÍZES
O juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio acumula uma série de penas de aposentadoria compulsória aplicadas pelo CNJ e pelo TJ-BA, no âmbito da Faroeste e fora da operação também. 

 

O agora ex-juiz foi preso e ficou detido no batalhão da Polícia Militar, em Lauro de Freitas, mas teve a prisão preventiva convertida em domiciliar em fevereiro de 2022. Neste mesmo ano, no mês de abril, diante do grave quadro de saúde, a 2ª Vara Criminal Especializada de Salvador converteu a prisão preventiva de Sérgio Humberto em domiciliar, com entrega do passaporte. Ele se recusou a tomar a vacina contra a Covid-19 enquanto estava detido na cidade da Região Metropolitana de Salvador. 

 

Ele é monitorado por tornozeleira eletrônica e está proibido de deixar a capital baiana. Somente em 2024, Sérgio Humberto tentou por duas vezes “se livrar” do monitoramento alegando que a manutenção das medidas cautelares estaria o impedindo de se deslocar para cidades no sul da Bahia, “onde o custo de vida é menor e poderia estar próximo aos seus familiares que lá residem, reconstruindo, de maneira discreta, sua vida ao lado de sua esposa e filhos”. 

 

Também argumenta que a obrigação do uso da tornozeleira eletrônica já perdura por mais de dois anos, “sem notícia de qualquer violação de sua parte”. Para a defesa do ex-juiz, a manutenção da medida está “lastreada na gravidade em abstrato da conduta” e no risco de fuga que nunca existiu. 

 

Outra juíza denunciada pelo MPF é Marivalda Almeida Moutinho, afastada das funções desde 2019, quando foi aceita denúncia contra ela por suposta prática dos crimes de pertencimento a organização criminosa e de lavagem de dinheiro. A magistrada também foi proibida de acessar as dependências do TJ-BA e de manter contato com servidores.

 

Na mesma decisão que prorrogou o afastamento por mais um ano da desembargadora Maria do Socorro, a Corte Especial do STJ também determinou a manutenção da medida cautelar em relação à Marivalda. 

 

Em recurso que tramita no STF, Marivalda Almeida Moutinho questionou a mais recente prorrogação, mas ao analisar o caso, o ministro Edson Fachin negou a solicitação

 

Já o juiz Márcio Reinaldo Miranda Braga foi o único investigado a ser reintegrado ao TJ-BA. O Conselho Nacional de Justiça revogou o afastamento do magistrado em fevereiro de 2022.

 


Juízes denunciados pelo MPF por suposto envolvimento no esquema. Fotos: TJ-BA

 

 

FORO PRIVILEGIADO

A aposentadoria pode implicar diretamente no andamento das ações penais contra os envolvidos no esquema. Isso porque, ao se aposentar do cargo de desembargador ou desembargadora, os investigados perdem a prerrogativa de foro e consequentemente não poderão ser julgados pelo Superior Tribunal de Justiça. 

 

Isto foi o que aconteceu com a desembargadora Maria da Graça Osório Pimentel Leal. O ministro Og Fernandes decretou o fim do foro e determinou a remessa da ação penal contra a magistrada para o Tribunal de Justiça da Bahia, na primeira instância.

 

Em outubro de 2023 foi dada a baixa definitiva do processo para que os autos fossem remetidos a uma das Varas Criminais Especializadas da comarca de Salvador. 

 

A referida ação investiga os possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, e lavagem dinheiro cometidos pela ex-desembargadora do TJ-BA, e a sua sobrinha, Karla Janayna Leal Vieira, o casal Adailton e Geciane Maturino, e produtor rural Dirceu Di Domênico (saiba mais). O grupo é acusado de integrar um esquema de venda de sentenças relacionado a 365 mil hectares - terreno avaliado em mais de R$ 1 bilhão, em valores atualizados - no oeste da Bahia.

 

O processo foi direcionado para a 1ª Vara Criminal Especializada da capital. No entanto, em setembro, a unidade declinou da sua competência e determinou a remessa da ação para a Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro de Salvador. 

 

VENCIMENTOS DOS DESEMBARGADORES
Apesar das sanções disciplinares e de todas as acusações, os denunciados seguem recebendo os seus vencimentos – salários – do TJ-BA, como prevê a LOMAN. 

 

Em levantamento feito pelo Bahia Notícias junto à Transparência do tribunal baiano, é possível confirmar que a desembargadora Maria da Graça Osório Pimentel recebeu em 2024, em valores líquidos até o mês de novembro, um total de R$ 354.337,78, com valores variando por mês de R$ 27.645,35 a R$ 51.113,53. 

 

Ao desembargador José Olegário Monção Caldas foram pagos em valores líquidos no mesmo período, de janeiro a novembro deste ano, R$ 359.302,44. O salário variou entre R$ 28.096,69 e R$ 50.660,13. 

 

Referente à desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, o total líquido pago nos 11 meses deste ano é de R$ 490.403,54. O menor valor, como consta na Transparência, é de R$ 29.848,71 e o maior, R$ 57.664,90.

 

Os vencimentos líquidos do desembargador Gesivaldo Nascimento Britto acumulam R$ 354.337,78, variando de R$ 27.645,35 a R$ 51.113,53. 

 

Sobre Cassinelza da Costa Santos Lopes, desembargadora ativa no sistema do TJ-BA, de janeiro a novembro chega a R$ 498.251,01. A maior quantia é do mês de janeiro, R$ 65.512,37, e a menor de fevereiro, R$ 29.848,71. A média salarial ficou em R$ 48.613,20.

 

Na folha de pagamento de Lígia Maria Ramos Cunha Lima, o total líquido até o mês passado é de R$ 490.403,54, com a média de R$ 48,613.20 por mês. 

 

A quantia líquida paga à desembargadora Ilona Márcia Reis é da cifra de R$ 347.472,78 e a Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo, R$ 513.798,74.

Terceiro Turno: Operação Overclean escancara desvios de emendas e movimenta bastidores da política

 

Terceiro Turno: Operação Overclean escancara desvios de emendas e movimenta bastidores da política
Arte: Igor Barreto / Bahia Notícias

A última semana foi marcada por um terremoto na política e nas gestões municipais. A "Operação Overclean", que apura desvios de emendas parlamentares no DNOCS cumpriu mandados nas sedes de empresas investigadas no esquema criminoso por fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os alvos da operação estão empresários, servidores e ex-dirigentes de órgãos públicos. As empresas são controladas pelos líderes da organização criminosa ou utilizadas como "fachada" para ocultar a origem ilícita dos recursos desviados dos cofres públicos.

 

Segundo decisão da Justiça Federal, obtida pelo Bahia Notícias, a organização criminosa atuava fraudando e direcionando procedimentos licitatórios em favor das empresas controladas por seus líderes, alvos da ação da PF, utilizando empresas fantasmas, superfaturamento de contratos e pagamento de propinas a servidores públicos.

 

Mas, qual o impacto dessa operação na política baiana? Como o esquema descortinado pela PF pode ampliar ainda mais as investigações sobre as prefeituras do estado? Ainda podem ter outros investigados? Quem terá que prestar esclarecimentos? É isso que o Terceiro Turno debate nesta semana.

 

Com edição de Igor Barreto, o podcast está disponível no nosso site todas as sextas-feiras, sempre às 8h10, e nas principais plataformas de streaming: SpotifyDeezerApple PodcastsGoogle PodcastsCastbox e TuneIn.

Lira faz despedida no plenário da Câmara e diz que voltará para 'chão de fábrica'

 

Lira faz despedida no plenário da Câmara e diz que voltará para 'chão de fábrica'

Por Victoria Azevedo | Folhapress

Lira faz despedida no plenário da Câmara e diz que voltará para 'chão de fábrica'
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), falou em "voltar ao chão de fábrica" num discurso de despedida aos parlamentares, encerrando os quatro anos em que esteve à frente da Casa.
 

O Congresso entra em recesso no fim de semana e, na volta, em fevereiro, há imediatamente eleição para a presidência da Câmara e do Senado. A fala de Lira ocorreu nesta quinta-feira (19), após os deputados aprovarem o último projeto que estava na pauta.
 

Ele ouviu discursos elogiosos de parlamentares de diversos partidos, indo do PT ao PL e, ao final, discursou por poucos minutos.
 

"A gente não encerra nenhum ciclo aqui, a gente sempre se renova, a gente pode voltar de onde eu sempre gostei de atuar. Que é no chão da fábrica, como eu sempre chamo, sem nenhum tipo de problema, como em qualquer outra situação", disse.
 

Ainda em sua fala, afirmou que é um admirador da Câmara e a defende "com muita tranquilidade em todos os momentos", sejam eles bons ou ruins. "Tudo o que ela proporciona ao Brasil, é muito criticada, muito debatida por sua polaridade que às vezes a gente de dentro mesmo faz uma ebulição muito forte. Mas ela é isso, essa diversidade boa."
 

Lira não deu sinalizações do que poderá fazer a partir de fevereiro e disse que segue a vida "sem planejar nem criar expectativas". "É a maneira de o nordestino viver feliz, sem criar expectativas e matando um leão por dia. Ruim é quando tem que matar o mesmo leão todo dia, mas até isso a gente faz", afirmou.
 

Nos bastidores, líderes levantam a hipótese de o alagoano assumir um ministério no governo Lula (PT). Em entrevista à Folha, em outubro, ele negou ter tratado com o presidente ou algum ministro do governo sobre a hipótese de ocupar uma pasta na Esplanada após deixar o comando da Casa.
 

"Todas as vezes que eu conversei com alguém do governo preocupado com o que eu faria depois da presidência, eu disse: 'Descansar um pouco. É sempre bom, né?'", disse naquele momento.
 

O deputado também articula candidatura ao Senado por Alagoas, em 2026.

TJ-BA convoca juíza para substituir desembargador afastado pelo CNJ por conceder habeas corpus a líder criminoso

 

TJ-BA convoca juíza para substituir desembargador afastado pelo CNJ por conceder habeas corpus a líder criminoso
Foto: TJ-BA

A presidência do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) convocou a juíza substituta de segundo grau, Nartir Dantas Weber, para substituir a partir desta sexta-feira (20) o desembargador Jefferson Alves de Assis. 

 

Conforme decreto publicado hoje no Diário de Justiça Eletrônico (DJE), a convocação é válida até ulterior deliberação. 

 

Jefferson Alves de Assis foi afastado cautelarmente do cargo e proibido de acessar as sedes dos fóruns e corredores do TJ-BA por decisão do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell. A determinação ocorreu após o desembargador conceder a prisão domiciliar de Cézar Paulo de Morais Ribeiro, empresário acusado de chefiar uma organização criminosa na Bahia e “encomendar a morte” de um homem em Brumado, no sudoeste do estado. 

 

A decisão do desembargador Jefferson foi tomada no dia 2 de dezembro, durante um plantão judiciário. Na ordem, o magistrado autorizou que Cézar Paulo fosse liberado do Conjunto Penal de Salvador, depois da sua defesa alegar que ele precisava de um tratamento cardiológico. 

Congresso Nacional aprova LDO para 2025 com previsão de salário mínimo de R$ 1.502 e déficit de R$ 31 bilhões

O Congresso Nacional aprovou, nesta quarta-feira (18), o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2025. A proposta prevê um salário mínimo de R$ 1.502 e um déficit de até R$ 31 bilhões nas contas públicas no próximo ano. A medida, que recebeu parecer favorável na Comissão Mista de Orçamento, segue para sanção presidencial. Alterações no bloqueio de recursos e no Fundo Partidário também foram aprovadas.
O Congresso Nacional aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2025, com ajustes importantes, incluindo a definição do salário mínimo e a projeção de déficits nas contas públicas.

O Congresso Nacional aprovou, nesta quarta-feira (18/12/2024), o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2025, que estabelece uma série de previsões e metas fiscais para o próximo ano. A proposta, que passou pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e recebeu o parecer favorável do senador Confúcio Moura (MDB-RO), estabelece um salário mínimo de R$ 1.502, um aumento de 6,4% sobre o valor atual de R$ 1.412. Além disso, o projeto prevê um déficit fiscal de até R$ 31 bilhões nas contas públicas, com uma margem de tolerância de até R$ 30,97 bilhões.

O PLN 3/2024 foi aprovado em votação simbólica e, durante a sessão, algumas alterações foram feitas no parecer original, com destaque para mudanças no bloqueio de programações orçamentárias. O relatório agora prevê que o corte de recursos, em caso de contigenciamento, será ajustado para que emendas parlamentares não sejam afetadas, o que foi garantido por um acordo entre os partidos. Além disso, o Fundo Partidário terá sua correção feita com base nos valores pagos em 2016, corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Outro ponto importante foi a inclusão de recursos no orçamento das estatais para o pagamento de passivos judiciais e administrativos, com previsão de quitação em até quatro anos. O ajuste feito por Confúcio Moura permite também um maior controle sobre as despesas discricionárias do governo federal, mas estabelece limites para a execução de gastos.

A proposta foi alvo de críticas por parte da oposição, com o senador Rogério Marinho (PL-RN) apontando o que chamou de “catástrofe fiscal” devido ao aumento da dívida pública e à desvalorização do real frente ao dólar. O governo, por sua vez, projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% em 2025, com uma inflação prevista de 3,1% e a taxa Selic projetada em 8,05%.

Em relação às receitas e despesas, o projeto da LDO prevê que a União arrecade R$ 2,32 trilhões em 2025, equivalente a 18,7% do PIB, enquanto as despesas primárias devem somar R$ 2,35 trilhões, representando 18,9% do PIB. Entre os principais gastos estão os benefícios previdenciários, que devem atingir R$ 980,9 bilhões, e os encargos com pessoal, que somam R$ 414,5 bilhões.

A aprovação da LDO também foi marcada pela definição de limites para as despesas dos três Poderes, Ministério Público e Defensoria Pública, com base em uma correção do INPC e acréscimos de até 2,5%, dependendo da variação das receitas. A medida substitui o regime fiscal anterior de teto de gastos, garantindo maior flexibilidade para os próximos anos.

Por fim, o projeto também estabeleceu novos limites para as garantias oferecidas pela União a estados, municípios e o Distrito Federal, além de um controle mais rigoroso sobre o contingenciamento de recursos. A LDO segue agora para a sanção presidencial, com ajustes ainda possíveis até a promulgação final.

*Com informações da Agência Senado.

Desembargadora do TRF1 revoga prisões de investigados na Operação Overclean; Empresário José Marcos de Moura é um dos beneficiados

 

Desembargadora do TRF1 revoga prisões de investigados na Operação Overclean; Empresário José Marcos de Moura é um dos beneficiados

Investigados na Operação Overclean tiveram as prisões preventivas revogadas pela desembargadora do TRF1 Daniele Maranhão Costa, sob medidas cautelares que incluem a entrega de passaportes e proibição de contato entre envolvidos.
Investigados na Operação Overclean tiveram as prisões preventivas revogadas pela desembargadora do TRF1 Daniele Maranhão Costa, sob medidas cautelares que incluem a entrega de passaportes e proibição de contato entre envolvidos.

Reportagem de Rayssa Motta e Fausto Macedo — publicada na quinta-feira (19/12/2024) no Blog de Fausto Macêdo, veiculado no Estado de São Paulo (Estadão)  — revela que a Justiça Federal determinou a revogação das prisões preventivas de 11 investigados na Operação Overclean, incluindo o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “rei do lixo”, e o vereador eleito de Campo Formoso (BA), Francisco Manoel do Nascimento Neto, conhecido como Francisquinho Nascimento (União-BA). A operação investiga um suposto esquema de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares, envolvendo prefeituras em cinco estados.

A decisão foi proferida pela desembargadora Daniel Maranhão Costa, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília. Ela considerou que a aplicação de medidas cautelares, como a entrega de passaportes e a proibição de contato entre os investigados, é suficiente para garantir a continuidade das investigações e evitar possíveis obstruções.

Em sua decisão, Maranhão destacou que os indícios de autoria e materialidade ainda serão apurados.

“Não se está, consoante já assinalado, afastando os indícios de autoria e materialidade delitivas documentados no inquérito, o que será apurado a tempo e modo; e sim que não se divisa, nesse momento, necessidade da manutenção da custódia cautelar”, argumentou a magistrada.

A desembargadora também enfatizou que as provas principais já foram coletadas pela Polícia Federal, minimizando o risco de prejuízo à investigação. Para Maranhão, o princípio da presunção de inocência deve prevalecer até que uma condenação definitiva seja proferida.

Cidadã em Salvador

Em 30 de agosto de 2019, a desembargadora federal Daniele Maranhão Costa, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), foi agraciada com o Título de Cidadã de Salvador em sessão solene conduzida pelo presidente da Câmara Municipal, Geraldo Júnior (MDB), à época, o vereador do MDB era aliado de ACM Neto e, atualmente, é vice-governador da Bahia.

A homenagem foi uma iniciativa do vereador Kiki Bispo (PTB), que ressaltou a contribuição da magistrada para temas de relevância social, incluindo a defesa de comunidades quilombolas e indígenas, além de sua atuação em processos judiciais que abrangem o estado da Bahia.

Durante o evento, Daniele Maranhão também recebeu a Medalha Maria Quitéria, honraria que simboliza coragem e dedicação. Em seu discurso, a desembargadora destacou sua relação pessoal com Salvador, cidade onde passou férias e viveu experiências carnavalescas, reforçando o vínculo afetivo e profissional com a região. A magistrada mantém laços profissionais e pessoais com Salvador, onde preserva amizades e memórias marcantes.

A solenidade de entrega do Título de Cidadã de Salvador à desembargadora Daniele Maranhão Costa contou com a presença de diversas autoridades e personalidades. Entre os presentes estavam o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Júnior, que presidiu a sessão; o vereador Kiki Bispo, proponente da homenagem; a juíza Claudia Oliveira, representando o diretor do Foro da Seção Judiciária da Bahia; o juiz federal Cesar Jatahy Fonseca; o desembargador federal Wilson Souza; o juiz federal Antônio Scarpa, representando o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Jatahy Júnior; o juiz federal João Paulo Piroto; e a desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia, Cíntia Rezende, atual presidente do TJBA.

Também participaram a delegada Gabriela Macedo, chefe de gabinete do secretário de Segurança Pública do Estado da Bahia, Maurício Barbosa, e o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), José Ricardo Botelho. A presença dessas figuras ressaltou a importância da homenagem e a relevância da atuação de Daniele Maranhão Costa na magistratura e em ações voltadas à promoção da justiça e da cidadania.

Reconhecida por sua atuação em prol dos direitos humanos e da cidadania, Daniele tem liderado projetos de justiça itinerante e participado de estudos sobre o papel do Judiciário em diferentes contextos culturais e sociais.

A Operação Overclean

Operação Overclean investiga indícios de desvios em contratos de prestação de serviços firmados por prefeituras na Bahia, Tocantins, Amapá, Rio de Janeiro e Goiás. Segundo as autoridades, o vereador Francisquinho Nascimento, primo do deputado federal Elmar Nascimento, é suspeito de receber R$ 100 mil em propinas para direcionar contratos da prefeitura de Campo Formoso, onde atuou como secretário-executivo.

Na semana anterior à sua prisão, Francisquinho tentou se desfazer de uma sacola com R$ 220 mil, jogando-a pela janela ao perceber a chegada da Polícia Federal. O valor encontrado excede o patrimônio declarado por ele à Justiça Eleitoral, que é de R$ 213 mil.

O empresário José Marcos de Moura é apontado pela PF como supostamente um dos líderes do esquema, utilizando sua rede de contatos políticos para viabilizar contratos supostamente superfaturados. Além dele e do vereador, outras nove pessoas foram liberadas pela decisão judicial.

A investigação prossegue com a análise de materiais apreendidos, e os investigadores não descartam a inclusão de novos agentes públicos e políticos, incluindo parlamentares federais, entre os suspeitos.

Em 30 de agosto de 2019, a desembargadora do TRF1 Daniele Maranhão Costa recebeu o Título de Cidadã de Salvador e a Medalha Maria Quitéria.
Em 30 de agosto de 2019, a desembargadora do TRF1 Daniele Maranhão Costa recebeu o Título de Cidadã de Salvador e a Medalha Maria Quitéria.

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